Executivo da Dafiti analisa como decisões mais racionais, uso intensivo do digital e foco em valor estão redefinindo o consumo no varejo de moda
Durante
anos, o consumo de moda foi impulsionado por desejo, tendência e estímulo. Mas
esse cenário vem mudando. O consumidor brasileiro não deixou de se interessar
por estilo, ele passou a consumir de forma mais estratégica. Na prática, isso
significa menos impulso e mais decisão. Menos excesso e mais intenção.
Essa mudança é visível no comportamento de compra
online e tende a se aprofundar à medida que o digital consolida seu papel como
principal ambiente de descoberta, comparação e decisão. Segundo pesquisa da
Wake em parceria com o Opinion Box, 74,4% dos consumidores brasileiros compram
online com frequência e 61,6% utilizam mais de um canal antes de concluir uma
compra, evidenciando uma jornada mais criteriosa, baseada em comparação e
validação.
“O que a gente observa é uma mudança clara na lógica
de consumo. A compra deixou de ser apenas aspiracional e passou a ser mais
funcional, conectada ao uso real e ao valor percebido”, afirma Daniel Soares,
CCO da Dafiti.
A seguir, cinco sinais que ajudam a explicar por que
o consumo de moda está se tornando mais racional, e por que esse movimento deve
se consolidar nos próximos anos:
1. A lógica do impulso está dando lugar à lógica da decisão
O consumidor continua comprando moda, mas com mais
critério. A jornada inclui mais comparação, pesquisa e validação antes da
escolha, o que reduz compras imediatas e aumenta a intencionalidade.
2. Versatilidade passou a ser mais importante do que
tendência
Peças que se adaptam a diferentes contextos ganham
espaço. O foco deixa de ser “o que está na moda” e passa a ser “o que funciona
mais vezes”.
3. O preço perdeu protagonismo, o valor percebido ganhou
O menor preço já não é suficiente para garantir a
compra. O consumidor avalia qualidade, durabilidade e frequência de uso,
buscando equilíbrio entre investimento e retorno.
4. O consumo ficou mais livre e menos preso a marcas
A combinação entre itens premium e acessíveis reflete
um comportamento mais autônomo. O consumidor monta suas escolhas com base em
preferência e contexto, não mais em padrões rígidos.
5. O digital deixou de ser canal e virou ambiente de decisão
Mais do que um ponto de venda, o online se consolidou
como espaço central da jornada. É ali que o consumidor descobre, compara,
valida e decide, muitas vezes sem passar por outros canais.
Para as marcas, o desafio deixa de ser apenas atrair
atenção e passa a ser sustentar relevância ao longo de toda a jornada.
“A relação com o consumidor está mais exigente. Não
basta gerar interesse, é preciso facilitar a decisão, reduzir atrito e entregar
uma experiência que faça sentido do início ao fim”, completa o executivo da
Dafiti.

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