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quarta-feira, 8 de abril de 2026

Copa do Mundo 2026: ainda dá tempo de garantir o visto?

 

Faltando menos de 70 dias para a Copa do Mundo 2026, brasileiros que planejam acompanhar o torneio presencialmente enfrentam uma barreira concreta: o visto. Com jogos distribuídos entre Estados Unidos (78 partidas), Canadá e México (26 partidas), a necessidade de planejamento antecipado não é apenas burocrática, mas estratégica. 

O caminho mais rápido para brasileiros que querem acompanhar a Copa do Mundo 2026 é focar no visto americano. Quem já possui esse visto não precisa de autorização para entrar no México e consegue acessar o Canadá por meio da autorização eletrônica eTA, que é mais ágil e barata. Mesmo assim, o processo americano não é trivial: entrevistas para agendamento já estão marcadas para o final de maio ou início de junho, e o tempo médio de processamento varia de 30 a 60 dias. 

Além do agendamento, a análise do perfil digital do solicitante também é um fator relevante. Redes sociais e interações online são avaliadas pelas autoridades de forma sigilosa durante o processo de concessão do visto. O que realmente pesa é a demonstração de vínculos sólidos com o Brasil, como emprego, família e compromissos econômicos, independentemente do que circula nas redes. 

O Canadá adota critérios diferenciados. Brasileiros que chegam de avião e têm visto americano podem usar a eTA. Mas quem entra por terra, trem ou barco, ou não possui visto americano, precisa solicitar o visto de visitante canadense. O México, por sua vez, isenta brasileiros que tenham residência permanente, passaporte válido ou visto atual dos EUA, Canadá, Japão, Reino Unido ou países do Espaço Schengen; nos demais casos, é necessário o visto eletrônico. 

A proximidade da Copa aumenta a complexidade do cenário. Embora o Fifa Pass dê prioridade para torcedores que compraram ingressos, ter bilhete não simplifica nem acelera o processo de obtenção do visto. A estratégia, portanto, deve ser antecipação e alinhamento das autorizações de viagem, considerando que atrasos podem inviabilizar a presença nos jogos. 

“O programa H-2B já existe justamente para atender picos sazonais quando empregadores demonstram escassez de trabalhadores domésticos. A Copa de 2026 se encaixa tecnicamente nesse critério. O desafio é que qualquer expansão de vistos, mesmo temporária e limitada, acaba absorvida pelo debate mais amplo sobre fronteiras e controle migratório em ano de midterms”, diz Bianca Junqueira, advogada e sócia da Jumpstart, empresa especializada em assistência imigratória personalizada. 

O ponto central é que, em uma Copa distribuída por três países com regras distintas, a gestão de vistos deixa de ser uma etapa burocrática e passa a ser decisiva para a experiência do torcedor. Quem não se organiza a tempo corre o risco de perder jogos, independentemente do ingresso em mãos.


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