Embora tragam benefícios no controle do peso, medicamentos podem influenciar a libido e por isso exigem acompanhamento médico
O uso das chamadas “canetas emagrecedoras” tem
crescido significativamente nos últimos anos, impulsionado pela busca por perda
de peso rápida e eficaz. Medicamentos como Ozempic e Wegovy, originalmente
desenvolvidos para o tratamento do diabetes tipo 2, passaram a ser amplamente
utilizados também no controle da obesidade. No entanto, além dos benefícios já
conhecidos, especialistas começam a observar possíveis impactos no desejo
sexual dos pacientes.
De acordo com a Sociedade Brasileira de
Endocrinologia e Metabologia (SBEM), medicamentos à base de análogos de GLP-1 —
como os utilizados nas canetas — atuam no controle do apetite e na regulação da
glicose, promovendo sensação de saciedade e contribuindo para a perda de peso.
Estudos indicam que pacientes podem perder entre 5% e 15% do peso corporal,
dependendo do tempo de uso e do acompanhamento clínico.
Apesar dos resultados positivos, a médica ginecologista e docente da Afya Centro Universitário de Pato Branco, Nataly Veríssimo Campos, alerta que mudanças hormonais e metabólicas podem interferir em outras funções do organismo.
“A perda de peso em si costuma trazer benefícios
para a saúde sexual, mas, em alguns casos, observamos uma redução do desejo
sexual. Isso pode estar relacionado tanto a alterações hormonais quanto à
própria adaptação do corpo ao medicamento”, explica a Dra. Nataly.
Outro ponto importante é o impacto indireto desses
medicamentos no comportamento e na rotina dos pacientes. “As canetas reduzem
significativamente o apetite, o que pode levar a uma menor ingestão calórica e,
em alguns casos, queda de energia e disposição. Esse cenário pode refletir na
libido, especialmente se houver déficit nutricional ou perda de massa
muscular”, acrescenta a ginecologista e docente da Afya de Pato Branco.
Além dos fatores físicos, o aspecto emocional
também deve ser considerado. Mudanças rápidas no corpo, adaptação à nova rotina
alimentar e até expectativas em relação ao emagrecimento podem influenciar a
saúde mental e, consequentemente, o desejo sexual. “O organismo funciona de
forma integrada. Sono, estresse, alimentação e equilíbrio hormonal têm impacto
direto na libido”, destaca a Dra. Nataly.
Por outro lado, ela ressalta que os efeitos não são
iguais para todos. Em muitos casos, a perda de peso está associada à melhora da
autoestima e da disposição, o que pode, inclusive, favorecer a vida sexual. “É
uma resposta muito individual. Por isso, o acompanhamento médico é essencial
para avaliar benefícios e possíveis efeitos colaterais ao longo do tratamento”,
reforça a médica e docente da Afya.
A orientação é que o uso desses medicamentos seja
feito sempre com prescrição e acompanhamento profissional. Caso o paciente
perceba alterações no desejo sexual ou em outros aspectos da saúde, é
fundamental relatar ao médico para ajustes no tratamento.
“Embora ainda sejam necessários mais estudos específicos
sobre a relação entre canetas emagrecedoras e libido, especialistas são
unânimes em afirmar que o uso consciente, aliado a hábitos saudáveis, é o
caminho mais seguro para alcançar resultados sem comprometer o bem-estar
geral", conclui a médica ginecologista e docente da Afya Centro
Universitário de Pato Branco.
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