Faltando menos de 70 dias para a Copa do Mundo 2026, brasileiros que planejam acompanhar o torneio presencialmente enfrentam uma barreira concreta: o visto. Com jogos distribuídos entre Estados Unidos (78 partidas), Canadá e México (26 partidas), a necessidade de planejamento antecipado não é apenas burocrática, mas estratégica.
O caminho mais rápido para brasileiros que querem acompanhar a
Copa do Mundo 2026 é focar no visto americano. Quem já possui esse visto não
precisa de autorização para entrar no México e consegue acessar o Canadá por
meio da autorização eletrônica eTA, que é mais ágil e barata. Mesmo assim, o
processo americano não é trivial: entrevistas para agendamento já estão
marcadas para o final de maio ou início de junho, e o tempo médio de
processamento varia de 30 a 60 dias.
Além do agendamento, a análise do perfil digital do solicitante
também é um fator relevante. Redes sociais e interações online são avaliadas
pelas autoridades de forma sigilosa durante o processo de concessão do visto. O
que realmente pesa é a demonstração de vínculos sólidos com o Brasil, como
emprego, família e compromissos econômicos, independentemente do que circula
nas redes.
O Canadá adota critérios diferenciados. Brasileiros que chegam de
avião e têm visto americano podem usar a eTA. Mas quem entra por terra, trem ou
barco, ou não possui visto americano, precisa solicitar o visto de visitante
canadense. O México, por sua vez, isenta brasileiros que tenham residência
permanente, passaporte válido ou visto atual dos EUA, Canadá, Japão, Reino
Unido ou países do Espaço Schengen; nos demais casos, é necessário o visto
eletrônico.
A proximidade da Copa aumenta a complexidade do cenário. Embora o Fifa Pass dê prioridade para torcedores que compraram ingressos, ter bilhete não simplifica nem acelera o processo de obtenção do visto. A estratégia, portanto, deve ser antecipação e alinhamento das autorizações de viagem, considerando que atrasos podem inviabilizar a presença nos jogos.
“O programa H-2B já existe justamente para atender picos sazonais
quando empregadores demonstram escassez de trabalhadores domésticos. A Copa de
2026 se encaixa tecnicamente nesse critério. O desafio é que qualquer expansão
de vistos, mesmo temporária e limitada, acaba absorvida pelo debate mais amplo
sobre fronteiras e controle migratório em ano de midterms”, diz Bianca
Junqueira, advogada e sócia da Jumpstart, empresa especializada em assistência imigratória
personalizada.
O ponto central é que, em uma Copa distribuída por três países com
regras distintas, a gestão de vistos deixa de ser uma etapa burocrática e passa
a ser decisiva para a experiência do torcedor. Quem não se organiza a tempo
corre o risco de perder jogos, independentemente do ingresso em mãos.
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