A inteligência artificial não é mais uma promessa para o futuro da medicina, ela já redefine a rotina de médicos e estudantes da área, e aponta para uma transformação estrutural da profissão. Uma pesquisa inédita da consultoria estratégica Página 3 revela que 76% dos profissionais usam IA pelo menos uma vez por semana, e 23% recorrem diariamente às ferramentas, mostrando que a tecnologia deixou de ser um recurso experimental e se tornou parte do dia a dia clínico.
Os dados indicam padrões claros de adoção: 66% utilizam IA para
estudo e aprendizagem, 60% para atualização científica, 45% para apoio ao
diagnóstico e 38% em decisão clínica. Além disso, 33% aplicam tecnologia na
redação de prontuários e laudos, evidenciando que a tecnologia não só
potencializa a interpretação de dados, mas também reduz tarefas operacionais e
administrativas. Procedimentos médicos diretos seguem residuais (3,8%),
confirmando que os algoritmos inteligentes ainda complementam, mas não
substituem habilidades práticas complexas.
A visão sobre o futuro reforça a tendência de transformação da prática médica e 50% acreditam que as ferramentas digitais permitirão reduzir significativamente tarefas administrativas, enquanto 41% esperam maior foco em análise crítica e tomada de decisão clínica; 34% apontam que a tecnologia deve reforçar a relação médico-paciente, mas 24% se preocupam com queda na qualidade da formação e 19% com pressão crescente por produtividade. O retrato é de um setor em transição, equilibrando oportunidades de eficiência com riscos de sobrecarga e desumanização.
A IA atua como multiplicadora da capacidade médica, mas seu impacto dependerá da integração ética e estratégica nos fluxos de trabalho. A tecnologia pode liberar tempo para decisões mais complexas e cuidado personalizado, mas exige que escolas, hospitais e gestores preparem profissionais para um ambiente híbrido, onde dados, algoritmos e julgamento clínico convivem lado a lado. “Os resultados mostram que a inteligência artificial deixou de ser ferramenta opcional e se tornou parte integrante do dia a dia médico”, afirma Georgia Reinés, co-fundadora da Página 3.
A medicina está entrando em uma nova era: uma prática cada vez mais orientada por inteligência artificial, mas ainda centrada no olhar humano e na interpretação crítica do profissional. O desafio não é apenas adotar a IA, mas transformar a profissão para aproveitar todo o potencial da tecnologia sem comprometer a essência do cuidado.
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