Especialista explica como a condição, hoje classificada como
TEA nível 1, se manifesta ao longo da vida
Na semana em que é celebrado o Dia
Internacional da Síndrome de Asperger, a sociedade amplia o olhar sobre uma
condição que integra os Transtornos do Espectro do Autismo (TEA) e que afeta
cerca de 37,2 milhões de pessoas em todo o mundo. A data, criada para promover
informação e combater o preconceito, reforça a importância do diagnóstico
precoce, da inclusão e do respeito às diferenças.
Classificada como uma forma mais branda
dentro do espectro, muitas vezes chamada de autismo leve ou autismo nível 1, a
Síndrome de Asperger compartilha características com o autismo clássico, porém
em menor intensidade. O neuropediatra da Afya Educação Médica Belo Horizonte,
Dr José Gilberto de Brito Henriques, explica que durante muito tempo a síndrome
foi considerada uma forma específica de autismo mas que desde 2013, esse termo
deixou de ser utilizado oficialmente e passou a integrar a classificação do
Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), com diferentes níveis de suporte.
“Do ponto de vista clínico, o que
historicamente diferenciava o Asperger era a presença de inteligência
preservada e linguagem funcional, apesar de dificuldades na interação social e
de padrões de rigidez comportamental que são características centrais do
espectro do autismo. Trata-se, portanto, de indivíduos que se comunicam de
maneira funcional, têm cognição preservada, mas apresentam limitações na esfera
social e padrões comportamentais mais rígidos”.
No cenário brasileiro, o panorama do autismo
ganha contornos mais nítidos com os dados do Censo 2022, divulgados pelo IBGE
no ano passado. O levantamento revelou que mais de 2,4 milhões de brasileiros
declararam possuir o diagnóstico de TEA. A prevalência é notavelmente maior
entre os homens, que somam 1,4 milhão de casos, uma proporção que alinha à
tendência global onde a Síndrome de Asperger chega a ser oito vezes mais
diagnosticada no gênero masculino do que no feminino.
Dr. José Gilberto comenta sobre como a
síndrome se manifesta ao longo das diferentes fases da vida.
“Na infância, são frequentes a rigidez
comportamental e dificuldades sociais específicas, muitas vezes identificadas
tardiamente, pois a boa capacidade cognitiva pode compensar ou mascarar os
sinais iniciais. Já na adolescência, as limitações tornam-se mais evidentes,
especialmente nas interações sociais, na busca por pertencimento a grupos e nos
relacionamentos afetivos, o que pode gerar sofrimento emocional. Quando chega a
vida adulta, as manifestações dependem das intervenções e do acompanhamento
realizados anteriormente. Na ausência de diagnóstico ou suporte adequado, o
quadro pode permanecer camuflado, sobretudo nas mulheres, que frequentemente
recorrem a estratégias de adaptação (masking), mantidas à custa de esforço
pessoal e emocional ao longo do tempo”.
Transtornos
neurológicos na infância associados ao TEA nível 1
A maior concentração está na faixa etária de
0 a 44 anos, com destaque para crianças de 5 a 9 anos (2,6%), seguidas pelas de
0 a 4 anos (2,1%), 10 a 14 anos (1,9%) e 15 a 19 anos (1,3%), somando 1,1
milhão de pessoas. Segundo analistas do IBGE, o aumento de diagnósticos na
infância está relacionado ao acesso ampliado à informação e à busca ativa de
pais e responsáveis por avaliações especializadas.
Entre as comorbidades psiquiátricas mais frequentes associadas ao TEA nível 1 está o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Segundo o neuropediatra, Dr José Gilberto, estima-se que cerca de 80% das crianças com TEA apresentam manifestações compatíveis com TDAH, características que muitas vezes são compreendidas dentro do próprio diagnóstico do espectro. Também são comuns os transtornos de aprendizagem, especialmente em áreas como matemática e leitura.
“Além disso, podem estar
presentes transtornos de ansiedade, diferenciando-se a ansiedade como emoção
humana natural daquela que se torna limitante e causa prejuízos significativos,
e também traços obsessivos que aparecem com frequência neste grupo. Embora
existam outras possíveis associações, essas são, de forma destacada, as
comorbidades mais observadas em pacientes com TEA nível 1”, conclui o
especialista da Afya Educação Médica Belo Horizonte.

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