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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Mais coração, menos susto: incluir o check-up anual no calendário pode salvar sua vida

Infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral matam mais do que todos os tipos de câncer somados; metade dos eventos cardiovasculares poderia ser evitada com diagnóstico precoce e controle de fatores de risco, alerta especialista do Hospital Santa Catarina


O coração bate cerca de 100 mil vezes por dia sem parar e, ainda assim, muita gente só se lembra dele quando algo não vai bem. No Brasil, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia, as doenças cardiovasculares permanecem como a principal causa de morte, responsáveis por cerca de 400 mil óbitos anuais. 

Estimativas da entidade mostram que infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral matam mais do que todos os tipos de câncer somados. Metade desses eventos poderia ser evitada com diagnóstico precoce e controle de fatores de risco. Por isso, especialistas reforçam que colocar um check-up no calendário do ano deveria ser tão importante quanto planejar férias, guardar o recibo do imposto de renda ou renovar o passaporte. 

A avaliação cardiovascular anual permite identificar alterações antes do surgimento de qualquer sintoma. O coordenador de cardiologia do Hospital Santa Catarina - Paulista, Dr. José Paulo Novazzi, explica que grande parte das doenças se desenvolve de forma silenciosa e progressiva: “As doenças do coração podem aparecer ao longo da vida e, em suas fases iniciais, comumente não apresentam sintomas. Em um check-up de rotina, o médico pode diagnosticar doenças cardíacas em fase pré-sintomática, iniciar tratamento específico e modificar a evolução da patologia”. 

A consulta clínica completa é sempre o primeiro passo. Nela, são avaliados hábitos, histórico familiar, queixas e sinais físicos que indicam a necessidade de exames complementares. Os exames básicos incluem glicemia, colesterol e outros marcadores metabólicos, eletrocardiograma e teste ergométrico. Dependendo da avaliação, podem ser necessários exames complementares, como ecocardiograma, monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA), Holter de 24 horas para investigação de arritmias e Tilt Test nos casos de desmaios ou síncopes. 

A recomendação geral é simples: todos os adultos devem fazer acompanhamento cardiológico a partir dos 40 anos. No entanto, muitas pessoas precisam iniciar antes as medidas preventivas, como os hipertensos, diabéticos, fumantes, indivíduos com colesterol elevado, obesos ou pacientes com histórico familiar de doenças cardíacas. Quem inicia atividades físicas, como musculação ou corrida de rua, também deve realizar avaliação prévia. Crianças e adolescentes podem ser encaminhados para uma consulta cardiológica, caso pediatras identifiquem alterações clínicas ou laboratoriais que sugiram risco futuro.
 

Pistas e controle dos fatores de risco

Controlar fatores de risco faz diferença real nas estatísticas. O cardiologista reforça que “o tratamento dos fatores de risco modificáveis, como hipertensão, dislipidemia (alteração dos lipídios no sangue), diabetes mellitus, obesidade, tabagismo, estresse e sedentarismo, é fundamental. Estudos conclusivos mostram redução de eventos cardiovasculares e de mortalidade quando controlamos esses preditores da doença”. 

Além dos exames, o corpo também envia sinais que não devem ser ignorados. Dores no peito, palpitações, desmaios, falta de ar e inchaço merecem avaliação rápida. Sinais considerados “bobos”, como tontura, dor de cabeça persistente, alterações visuais ou zumbido no ouvido, podem ser as primeiras pistas de alterações cardiovasculares que merecem atenção. “Muitas vezes, as doenças do coração exibem sintomas inespecíficos em sua fase inicial. Esse fato valoriza a importância do check-up preventivo”, afirma o médico. 

A prevenção não termina na porta do consultório. Alimentação equilibrada, atividade física regular, evitar o cigarro e acompanhar os próprios resultados ao longo do tempo são hábitos que reduzem riscos e ajudam a envelhecer com vitalidade. Há idosos com mais fôlego do que jovens sedentários justamente por terem cuidado da saúde ao longo da vida, uma diferença que o Dr. Novazzi observa na prática: “Muitas vezes, nos deparamos com indivíduos mais idosos com ótima capacidade física e funcional graças ao estilo de vida adotado nos anos anteriores”. 

Em resumo, se o coração trabalha 24 horas por dia, o mínimo que você pode fazer é reservar uma hora por ano para cuidar dele. Porque, quando o check-up entra na agenda, o infarto e o AVC têm muito menos chance de entrar na sua história. O coordenador de cardiologia do Hospital Santa Catarina - Paulista conclui: “As avaliações periódicas identificam os fatores de risco, a intervenção multiprofissional os modifica e o resultado é melhor qualidade de vida e maior sobrevida.

 

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