Infarto do miocárdio e
acidente vascular cerebral matam mais do que todos os tipos de câncer somados;
metade dos eventos cardiovasculares poderia ser evitada com diagnóstico precoce
e controle de fatores de risco, alerta especialista do Hospital Santa Catarina
O coração bate cerca de 100 mil
vezes por dia sem parar e, ainda assim, muita gente só se lembra dele quando
algo não vai bem. No Brasil, de acordo com a Sociedade Brasileira de
Cardiologia, as doenças cardiovasculares permanecem como a principal causa de
morte, responsáveis por cerca de 400 mil óbitos anuais.
Estimativas da entidade mostram que infarto do
miocárdio e acidente vascular cerebral matam mais do que todos os tipos de
câncer somados. Metade desses eventos poderia ser evitada com diagnóstico
precoce e controle de fatores de risco. Por isso, especialistas reforçam que
colocar um check-up no calendário do ano deveria ser tão importante quanto
planejar férias, guardar o recibo do imposto de renda ou renovar o passaporte.
A avaliação cardiovascular anual permite
identificar alterações antes do surgimento de qualquer sintoma. O coordenador
de cardiologia do Hospital Santa Catarina - Paulista, Dr. José Paulo Novazzi,
explica que grande parte das doenças se desenvolve de forma silenciosa e
progressiva: “As doenças do coração podem aparecer ao longo da vida e, em suas
fases iniciais, comumente não apresentam sintomas. Em um check-up de rotina, o
médico pode diagnosticar doenças cardíacas em fase pré-sintomática, iniciar
tratamento específico e modificar a evolução da patologia”.
A consulta clínica completa é sempre o primeiro
passo. Nela, são avaliados hábitos, histórico familiar, queixas e sinais
físicos que indicam a necessidade de exames complementares. Os exames básicos
incluem glicemia, colesterol e outros marcadores metabólicos, eletrocardiograma
e teste ergométrico. Dependendo da avaliação, podem ser necessários exames
complementares, como ecocardiograma, monitorização ambulatorial da pressão
arterial (MAPA), Holter de 24 horas para investigação de arritmias e Tilt Test
nos casos de desmaios ou síncopes.
A recomendação geral é simples: todos os adultos
devem fazer acompanhamento cardiológico a partir dos 40 anos. No entanto,
muitas pessoas precisam iniciar antes as medidas preventivas, como os
hipertensos, diabéticos, fumantes, indivíduos com colesterol elevado, obesos ou
pacientes com histórico familiar de doenças cardíacas. Quem inicia atividades
físicas, como musculação ou corrida de rua, também deve realizar avaliação
prévia. Crianças e adolescentes podem ser encaminhados para uma consulta
cardiológica, caso pediatras identifiquem alterações clínicas ou laboratoriais
que sugiram risco futuro.
Pistas e controle dos fatores de risco
Controlar fatores de risco faz diferença real nas
estatísticas. O cardiologista reforça que “o tratamento dos fatores de risco
modificáveis, como hipertensão, dislipidemia (alteração dos lipídios no
sangue), diabetes mellitus, obesidade, tabagismo, estresse e sedentarismo, é
fundamental. Estudos conclusivos mostram redução de eventos cardiovasculares e
de mortalidade quando controlamos esses preditores da doença”.
Além dos exames, o corpo também envia sinais que
não devem ser ignorados. Dores no peito, palpitações, desmaios, falta de ar e
inchaço merecem avaliação rápida. Sinais considerados “bobos”, como tontura,
dor de cabeça persistente, alterações visuais ou zumbido no ouvido, podem ser
as primeiras pistas de alterações cardiovasculares que merecem atenção. “Muitas
vezes, as doenças do coração exibem sintomas inespecíficos em sua fase inicial.
Esse fato valoriza a importância do check-up preventivo”, afirma o médico.
A prevenção não termina na porta do consultório.
Alimentação equilibrada, atividade física regular, evitar o cigarro e
acompanhar os próprios resultados ao longo do tempo são hábitos que reduzem
riscos e ajudam a envelhecer com vitalidade. Há idosos com mais fôlego do que
jovens sedentários justamente por terem cuidado da saúde ao longo da vida, uma
diferença que o Dr. Novazzi observa na prática: “Muitas vezes, nos deparamos
com indivíduos mais idosos com ótima capacidade física e funcional graças ao
estilo de vida adotado nos anos anteriores”.
Em resumo, se o coração trabalha 24 horas por dia, o mínimo
que você pode fazer é reservar uma hora por ano para cuidar dele. Porque,
quando o check-up entra na agenda, o infarto e o AVC têm muito menos chance de
entrar na sua história. O coordenador de cardiologia do Hospital Santa Catarina
- Paulista conclui: “As avaliações periódicas identificam os fatores de risco,
a intervenção multiprofissional os modifica e o resultado é melhor qualidade de
vida e maior sobrevida.
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