Médico hematologista do IBCC Oncologia alerta para sinais do câncer no sangue, destaca o papel do diagnóstico precoce e mostra como o Transplante de Medula Óssea pode ser decisivo para a cura em muitos casos
A leucemia é um conjunto de cânceres que
afetam o sangue e tem origem na medula óssea, tecido responsável pela produção
das células sanguíneas. De acordo com Roberto Luiz Silva, médico hematologista
e responsável técnico pelo Departamento de Transplante de Medula Óssea do
Instituto Brasileiro de Controle do Câncer - IBCC Oncologia, a doença ocorre
quando células anormais passam a se multiplicar de forma descontrolada, substituindo
as células saudáveis e comprometendo funções essenciais do organismo, como a
defesa imunológica, o transporte de oxigênio e a coagulação.
O último levantamento divulgado pelo
Instituto Nacional do Câncer (Inca), sem considerar os tumores de pele não
melanoma, a leucemia ocupa a 13ª posição entre os tipos de câncer mais
incidentes no Brasil. Para o triênio 2026-2028 estão estimados 12.220 casos
novos da doença para cada ano, com risco estimado de 5,71 por 100 mil
habitantes. Desse total estão previstos 6.540 casos em homens e 5.680 em
mulheres.
A campanha Fevereiro Laranja é reconhecida
pelo Ministério da Saúde e reforça a importância da informação correta, combate
mitos sobre a doação de medula óssea e incentiva atitudes solidárias. O avanço
da Medicina tem transformado a leucemia em uma doença cada vez mais tratável e,
em muitos casos, curável, especialmente quando diagnosticada precocemente e
tratada em centros especializados.
Tipos
de leucemia e evolução da doença
As leucemias são classificadas de acordo
com a velocidade de evolução, podendo ser agudas ou crônicas e, conforme o tipo
de célula afetada, podem ser chamadas de leucemia linfoide ou mieloide. Os
principais tipos são a leucemia mieloide aguda (LMA), leucemia mieloide crônica
(LMC), leucemia linfoblástica aguda (LLA) e leucemia linfocítica crônica (LLC).
“As formas agudas costumam evoluir
rapidamente e exigem tratamento imediato, enquanto as crônicas tendem a
apresentar progressão mais lenta e, em alguns casos, podem permanecer controladas
por longos períodos”, explica o hematologista.
Fatores
de risco
O risco de desenvolver leucemia aumenta com
o avanço da idade, com exceção da leucemia linfoblástica aguda, que ocorre com
mais frequência em crianças. Entre os fatores de risco estão o tabagismo,
especialmente associado à leucemia mieloide aguda e à leucemia linfocítica
crônica.
Algumas condições genéticas e hereditárias
também elevam o risco, como a Síndrome de Down, a anemia de Fanconi, a síndrome
de Li-Fraumeni e o histórico familiar de leucemia, dependendo do tipo da
enfermidade.
Diagnóstico
e tratamento
O diagnóstico da leucemia envolve exames
laboratoriais, como o hemograma, exames específicos da medula óssea, testes
imunológicos e análises genéticas que ajudam a definir o tipo da doença e a
melhor estratégia terapêutica.
“No IBCC Oncologia, realizamos também
exames moleculares para leucemia, que são testes avançados que analisam o DNA
ou RNA das células sanguíneas ou da medula óssea para identificar mutações
genéticas, fusões gênicas ou alterações cromossômicas específicas. Eles são
fundamentais para o diagnóstico preciso, a definição do prognóstico e o
monitoramento da resposta ao tratamento, incluindo a detecção de doença
residual mínima”, explica o Dr. Roberto Luiz Silva.
O tratamento varia conforme o tipo de
leucemia, o estágio da doença e as características clínicas do paciente. Pode
incluir Quimioterapia, Terapias-alvo, Imunoterapia e, em situações específicas,
o Transplante de Medula Óssea, especialmente quando há alto risco, falha no
tratamento convencional ou recaída da doença.
Quando
o Transplante de Medula Óssea é indicado
O Transplante de Medula Óssea tem papel
fundamental, principalmente em alguns tipos de leucemias agudas. O procedimento
permite substituir a medula doente por células saudáveis e capazes de
restabelecer a produção normal do sangue.
“O transplante é uma etapa decisiva para
muitos pacientes, sobretudo quando a leucemia apresenta comportamento agressivo
ou não responde adequadamente às terapias iniciais, como a Quimioterapia e as
Terapias-alvo. Ele oferece a possibilidade de reconstrução do sistema
hematológico e chance real de cura”, explica o médico.
Os
tipos de transplante
O especialista do IBCC Oncologia também
destaca que existem quatro tipos de transplantes de medula óssea. O primeiro,
chamado autólogo, é realizado com células do próprio paciente. Há também o
alogênico, com células de doador compatível, o haploidêntico, quando o doador
apresenta compatibilidade parcial e, por fim, o singênico, indicado em casos de
gêmeos idênticos.
Como
se tornar um doador de medula óssea
Apesar dos avanços nos tratamentos, a
compatibilidade genética entre doador e receptor ainda é rara. Por isso, o
aumento do número de pessoas cadastradas no Registro Brasileiro de Doadores
Voluntários de Medula Óssea (Redome) é essencial para ampliar as chances de
transplante.
Para se tornar um doador de medula óssea é
preciso atender alguns critérios. Podem se cadastrar pessoas entre 18 e 35 anos
e em bom estado de saúde. O processo é simples e começa com a coleta de uma
amostra de sangue para análise genética.
“O maior desafio não é o procedimento em si,
mas encontrar um doador compatível. Cada novo cadastro representa esperança
para milhares de pacientes que aguardam por um transplante”, reforça o médico
do IBCC Oncologia.
O Redome reúne mais de 5,9 milhões de
cadastros ativos, sendo um dos maiores registros do tipo no mundo, com milhares
de coletas de células-tronco realizadas anualmente e número crescente de
doadores e receptores que potencializa as chances de transplante para pacientes
com leucemia e outras doenças hematológicas graves.
Informar-se, compartilhar conhecimento e considerar o cadastro como doador são atitudes simples que podem salvar vidas.
O Instituto Brasileiro de Controle do Câncer - IBCC Oncologia, é um hospital de referência em Oncologia e em pessoas com câncer. Atua para a conscientização, o diagnóstico e o tratamento do câncer de forma humanizada, com soluções completas e tecnologia avançada. Para saber mais, acesse: https://www.ibcc.org.br/.
Nenhum comentário:
Postar um comentário