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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Após a folia, vem a ‘fatura’: fisiologista explica como retomar rotina de treinos com segurança após o Carnaval

 

Calor extremo, consumo de álcool e horas de esforço físico transformam a festa em um ‘treino involuntário’ para muitos foliões; fisiologista do esporte orienta recuperação e retorno gradual às atividades


O Carnaval acabou, mas os efeitos da maratona de bloquinhos e desfiles ainda seguem presentes no corpo de milhares de brasileiros. Em 2026, a combinação de altas temperaturas, grandes aglomerações, longas horas em pé ou caminhando e consumo elevado de bebidas alcoólicas impôs aos foliões um nível de estresse físico comparável ao de exercícios aeróbicos intensos. Agora, o desafio é outro: como recuperar o corpo de forma eficiente e voltar à rotina de atividades físicas sem riscos.

Responsável pelo treinamento de mais de 500 atletas amadores, o fisiologista do esporte pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Diego Leite de Barros alerta que um dos erros mais comuns no pós-Carnaval é tratar o cansaço apenas como “ressaca” ou preguiça passageira. “O corpo entende esses dias como um esforço físico real. Houve gasto energético elevado, desidratação, sobrecarga muscular e impacto no sono. Ignorar isso e voltar direto para treinos intensos aumenta o risco de lesões e queda de desempenho”, explica.

Mesmo em bloquinhos com trajetos curtos, os foliões estão expostos a horas de dança, deslocamentos irregulares e permanência prolongada sob o sol. Do ponto de vista fisiológico, esse conjunto gera aumento do estresse térmico; perda significativa de líquidos e eletrólitos; microlesões musculares; e fadiga neuromuscular. “O corpo não responde apenas à distância percorrida, mas ao tempo total de atividade e à intensidade. Quatro horas em movimento contínuo, sob calor, não são algo leve”, destaca Barros.


Álcool e recuperação

O consumo de álcool, comum durante o Carnaval, agrava o quadro de fadiga pós-festa. Além de favorecer a desidratação, ele interfere diretamente nos mecanismos de recuperação muscular e na qualidade do sono. “A ressaca não é só um desconforto momentâneo. Ela indica que processos importantes de regeneração foram atrasados. Sem recuperação adequada, o corpo demora mais a voltar ao equilíbrio”, afirma o fisiologista.

Diante deste cenário, Barros traz três orientações essenciais para uma recuperação eficaz:


1. Hidratação estratégica - A reposição de líquidos deve ir além da água. Bebidas com eletrólitos (isotônicos), sucos, água de coco e alimentos ricos em minerais ajudam a restabelecer o equilíbrio do organismo.


2. Alimentação voltada à recuperação - Carboidratos para repor energia, proteínas para reconstrução muscular e alimentos com ação anti-inflamatória, como frutas vermelhas, peixes ricos em omega-3 e legumes, são essenciais nos dias seguintes à folia.


3. Sono de qualidade - Dormir bem é um dos fatores mais importantes para restaurar o sistema muscular, hormonal e metabólico, especialmente após noites curtas e irregulares.


Quando voltar a treinar de verdade?

Para os foliões que têm em sua rotina a prática de exercícios físicos, a retomada das atividades regulares exige cuidados especiais. Segundo Barros, caminhadas e corridas leves, alongamentos e atividades de baixa intensidade ajudam a reduzir rigidez muscular e preparam o corpo para a retomada gradual dos treinos. “Dor muscular intensa, cansaço persistente e sono desregulado são sinais claros de que ainda não é hora de exigir demais do corpo”, orienta. A recomendação, informa o treinador, “é retomar a intensidade aos poucos, preferencialmente com acompanhamento profissional, ajustando carga, volume e frequência dos treinos”.


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