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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Pirâmide invertida: por que há mais vagas no topo do que na base?

Durante décadas, aprendemos que as organizações funcionam como pirâmides: muitas vagas para cargos mais operacionais na base, e poucas no topo. Mas, basta olhar para o mercado atual para perceber que essa lógica está se invertendo: nunca vimos tanta busca para preencher essas posições de liderança, enquanto as demais, dificilmente, ficam disponíveis por tanto tempo. Muito mais do que compreender os motivos desta inversão, vale o questionamento: o que falta, nos líderes atuais, para que nossas empresas não tenham mais tanta dificuldade em encontrar profissionais que inspirem resultados cada vez melhores? 

No primeiro trimestre de 2025, dados do Caged informaram que nosso país criou mais de 650 mil empregos formais. Do outro lado, é difícil encontrar números oficiais que mostrem uma quantidade exata disponível. Projeções internacionais indicam que aberturas anuais para cargos executivos podem girar em algumas centenas de milhares globalmente, como cerca de 350 mil vagas executivas projetadas por ano nos EUA. 

Historicamente, nossa sociedade sempre demandou uma maior quantidade de profissionais ocupando funções braçais do que meramente intelectuais. Mais execução do que planejamento – o que se reflete até hoje. Não se trata de uma maior facilidade em preencher tais vagas, mas de existir uma maior mão de obra disponível para assumi-las. Enquanto, do outro lado, é indiscutível que ser um bom líder é algo restrito a poucas pessoas. Não pela falta de estudo ou qualificação, mas por se tratar de uma habilidade natural que, nem sempre, é simples de ser desenvolvida ou treinada em qualquer um. 

O contraponto é explícito. Quando falamos da pirâmide invertida no mercado, é importante ter claro em mente que isso não se limita a uma diferença numérica de disponibilidade, mas compreender que a liderança, enquanto habilidade, é rara de ser encontrada, o que faz com que muitas empresas acabem investindo mais tempo e recursos em recrutar um talento qualificado nesse sentido, do que em treinar alguém internamente. Não que seja impossível de ser feito, mas extremamente complexo, mesmo diante de metodologias eficazes para tal. 

Pense, por exemplo, em grandes líderes natos da história da humanidade. De Alexandre, o Grande; à Joana d’Arc e Steve Jobs. Enormes influenciadores e engajadores de suas épocas que, mesmo que seus discursos e comportamentos fossem replicados por outras pessoas, pouco provavelmente teriam o mesmo sucesso que cada um deles teve. O mesmo vale atualmente: é raro ver tamanha habilidade de liderança no mercado, o que faz com que seja algo tão valioso ao ponto que se vende por si só em uma entrevista. 

Mas, como é possível medir este talento durante um processo seletivo? Como avaliar se o executivo em questão tem a capacidade de inspirar, engajar e motivar seus times rumo a um desempenho crescente? Apenas quando já estiver dentro da empresa. É o mesmo que acontece com um jogador: como o técnico terá certeza de que terá um bom desempenho nas partidas? Quando colocá-lo em campo disputando e analisar seu desempenho. 

A criatividade e inovação ainda são características fundamentalmente presentes nos seres humanos, que nenhuma tecnologia conseguirá desenvolver com maestria, apenas replicar o que já existe. E, para que essa grande quantidade de vagas do topo da pirâmide possa ser preenchida, toda a mentalidade do mercado precisaria ser mudada, estimulando esse desenvolvimento desde cedo nos futuros profissionais. 

Afinal, atualmente, temos mais executores do que criadores. Mais posições operacionais preenchidas do que de liderança. Porém, diante do uso massivo das tecnologias em nosso dia a dia, o que, inevitavelmente, acaba limitando o poder criativo e pensativo nas tarefas cotidianas, ainda teremos um grande desafio no futuro, criando o ambiente necessário para que essas habilidades de liderança floresçam e prosperem em nosso mercado.  



Thiago Gaudencio - headhunter e sócio da Wide Executive Search, boutique de recrutamento executivo focado em posições de alta e média gestão.


Wide
https://wide.works/

 

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