Pesquisa indica
que o tipo de gordura consumida pode influenciar a distribuição de gordura
corporal, mesmo sem redução calórica
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O consumo regular de azeite de oliva extravirgem
tem sido associado a uma menor concentração de gordura abdominal, segundo
evidências científicas recentes. O achado reforça a ideia de que a qualidade da
gordura ingerida pode ser tão relevante quanto a quantidade total de calorias
na composição corporal e na saúde metabólica.
Um dos estudos mais citados sobre o tema analisou dados do ensaio clínico PREDIMED,
que acompanhou mais de 7.400 adultos espanhóis com alto risco cardiovascular.
Os participantes que seguiram uma dieta mediterrânea suplementada com azeite
extravirgem apresentaram menor acúmulo de gordura visceral ao longo do tempo,
em comparação com grupos que seguiram dietas com baixo teor de gordura. A
gordura visceral, localizada na região abdominal, é considerada um dos
principais fatores de risco para doenças cardiovasculares e metabólicas.
De acordo com os pesquisadores, o efeito não está
relacionado apenas ao balanço calórico. O azeite extravirgem é rico em ácidos
graxos monoinsaturados, especialmente o ácido oleico, além de compostos
fenólicos com ação antioxidante e anti-inflamatória. Esses componentes parecem
atuar na regulação do metabolismo lipídico e na sensibilidade à insulina,
fatores diretamente ligados ao acúmulo de gordura abdominal.
Outras análises observacionais também apontam
resultados semelhantes. Uma revisão publicada na revista Nutrients
em 2023 destacou que dietas ricas em azeite extravirgem estão
associadas a menores medidas de circunferência da cintura, mesmo quando não há
perda significativa de peso corporal. Isso sugere uma redistribuição da
gordura, com redução do tecido adiposo mais prejudicial à saúde.
No Brasil, o interesse por padrões alimentares
associados à dieta mediterrânea também cresce fora do ambiente acadêmico.
Iniciativas ligadas à curadoria de produtos tradicionais, como a Banca do
Ramon, ajudam a popularizar ingredientes clássicos desse modelo alimentar,
entre eles o azeite extravirgem, ao aproximar o consumidor da origem, do modo
de produção e do uso cotidiano desses alimentos na culinária. Esse movimento
reforça a percepção de que escolhas alimentares mais conscientes não dependem
apenas de quantidade, mas da qualidade do que chega à mesa.
Especialistas ressaltam, no entanto, que o azeite
não deve ser visto como um alimento isolado ou milagroso. Os benefícios
observados aparecem, em geral, quando ele faz parte de um padrão alimentar
equilibrado, como a dieta mediterrânea, que prioriza frutas, vegetais, legumes,
grãos integrais e peixes. Além disso, por ser calórico, o consumo deve ser
moderado: a recomendação mais comum em estudos varia entre duas a quatro
colheres de sopa por dia.
Os dados reforçam uma mudança de perspectiva na
nutrição contemporânea. Em vez de demonizar as gorduras, a ciência tem avançado
no entendimento de que o tipo de gordura consumida influencia diretamente a
saúde metabólica. No caso do azeite extravirgem, as evidências indicam que ele
pode contribuir não apenas para a proteção cardiovascular, mas também para um
perfil de gordura corporal menos associado a riscos à saúde.
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