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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Azeite extravirgem é associado a menor gordura abdominal, aponta estudo

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Pesquisa indica que o tipo de gordura consumida pode influenciar a distribuição de gordura corporal, mesmo sem redução calórica

 

O consumo regular de azeite de oliva extravirgem tem sido associado a uma menor concentração de gordura abdominal, segundo evidências científicas recentes. O achado reforça a ideia de que a qualidade da gordura ingerida pode ser tão relevante quanto a quantidade total de calorias na composição corporal e na saúde metabólica.

Um dos estudos mais citados sobre o tema analisou dados do ensaio clínico PREDIMED, que acompanhou mais de 7.400 adultos espanhóis com alto risco cardiovascular. Os participantes que seguiram uma dieta mediterrânea suplementada com azeite extravirgem apresentaram menor acúmulo de gordura visceral ao longo do tempo, em comparação com grupos que seguiram dietas com baixo teor de gordura. A gordura visceral, localizada na região abdominal, é considerada um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares e metabólicas.

De acordo com os pesquisadores, o efeito não está relacionado apenas ao balanço calórico. O azeite extravirgem é rico em ácidos graxos monoinsaturados, especialmente o ácido oleico, além de compostos fenólicos com ação antioxidante e anti-inflamatória. Esses componentes parecem atuar na regulação do metabolismo lipídico e na sensibilidade à insulina, fatores diretamente ligados ao acúmulo de gordura abdominal.

Outras análises observacionais também apontam resultados semelhantes. Uma revisão publicada na revista Nutrients em 2023 destacou que dietas ricas em azeite extravirgem estão associadas a menores medidas de circunferência da cintura, mesmo quando não há perda significativa de peso corporal. Isso sugere uma redistribuição da gordura, com redução do tecido adiposo mais prejudicial à saúde.

No Brasil, o interesse por padrões alimentares associados à dieta mediterrânea também cresce fora do ambiente acadêmico. Iniciativas ligadas à curadoria de produtos tradicionais, como a Banca do Ramon, ajudam a popularizar ingredientes clássicos desse modelo alimentar, entre eles o azeite extravirgem, ao aproximar o consumidor da origem, do modo de produção e do uso cotidiano desses alimentos na culinária. Esse movimento reforça a percepção de que escolhas alimentares mais conscientes não dependem apenas de quantidade, mas da qualidade do que chega à mesa.

Especialistas ressaltam, no entanto, que o azeite não deve ser visto como um alimento isolado ou milagroso. Os benefícios observados aparecem, em geral, quando ele faz parte de um padrão alimentar equilibrado, como a dieta mediterrânea, que prioriza frutas, vegetais, legumes, grãos integrais e peixes. Além disso, por ser calórico, o consumo deve ser moderado: a recomendação mais comum em estudos varia entre duas a quatro colheres de sopa por dia.

Os dados reforçam uma mudança de perspectiva na nutrição contemporânea. Em vez de demonizar as gorduras, a ciência tem avançado no entendimento de que o tipo de gordura consumida influencia diretamente a saúde metabólica. No caso do azeite extravirgem, as evidências indicam que ele pode contribuir não apenas para a proteção cardiovascular, mas também para um perfil de gordura corporal menos associado a riscos à saúde.


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