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Alterações hormonais comuns na gravidez podem mascarar sinais do melanoma, o tipo mais agressivo de câncer de pele, com atraso no diagnóstico e comprometimento do prognóstico. Diante da incidência da doença em mulheres em idade fértil, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD) alerta para a importância do acompanhamento dermatológico e da atenção redobrada às mudanças na pele ao longo da gestação.
A frequência e os tipos de melanoma observados em
gestantes são semelhantes aos registrados na população geral. O melanoma
disseminativo superficial é o mais comum, correspondendo a cerca de 70% dos
casos e costuma apresentar crescimento mais lento e horizontal, geralmente
acima da superfície da pele.
Já o melanoma nodular é considerado um dos mais agressivos,
caracterizando-se pelo surgimento de um nódulo que cresce rapidamente, com
crescimento vertical para parte externa da pele.
O melanoma lentiginoso acral, é mais raro e costuma se manifestar
nas mãos, nos pés e sob as unhas, sendo mais frequente em pessoas de pele mais
escura.
“O
diagnóstico precoce é decisivo e, no caso das gestantes, o tratamento do
melanoma segue as mesmas recomendações adotadas para mulheres não grávidas,
sempre priorizando a segurança da mãe e do feto. Apesar das dúvidas sobre o
impacto da doença durante a gestação, a conduta médica é bem estabelecida e
individualizada”, explica Thais Buffo, dermatologista oncológica, especialista
da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD).
Em mulheres com diagnóstico prévio de melanoma, pode haver a
recomendação, que não é consenso, de evitar a gravidez por um período de dois a
três anos. No entanto, quando o diagnóstico ocorre durante a gestação, não há
indicação de interrupção da gravidez. Mesmo nos casos em que a doença é
identificada após a 27ª semana, a conduta costuma ser a realização do
procedimento cirúrgico para retirada da lesão.
“Na grande maioria dos casos, a cirurgia é o tratamento indicado
para o melanoma, pois permite a remoção completa do tumor, a análise das
margens e oferece altas taxas de cura. A conduta pode variar de acordo com o
estágio da doença e o perfil clínico da paciente”, acrescenta a especialista.
Nos casos de melanoma diagnosticados durante a gravidez, pode ser
indicada a análise da placenta no pós-parto e o acompanhamento do recém-nascido
como medida preventiva, considerando o potencial de metástase da doença.
O acompanhamento conjunto entre dermatologista e obstetra é
fundamental para garantir um tratamento seguro, eficaz e integrado.
Atenção aos sinais
O câncer de pele representa cerca de 30% de todos os
diagnósticos oncológicos e atinge mais de 220 mil pessoas por ano no Brasil. No
caso do melanoma, a atenção deve ser redobrada, pois se trata de um tumor menos
frequente, porém mais agressivo e com maior potencial de metástase.
A especialista destaca que uma parcela significativa dos melanomas
surge como lesões novas, ou seja, não se origina de pintas ou nevos
pré-existentes. “Por isso, qualquer nova mancha, pinta ou ferida que não
cicatriza, assim como alterações em lesões já existentes, devem ser avaliadas
por um dermatologista, inclusive durante a gestação”, orienta.
A observação frequente da pele é uma das principais aliadas para o
diagnóstico precoce. Uma ferramenta simples e eficaz é a regra do ABCDE, que
auxilia na identificação de sinais suspeitos.
“A de assimetria, quando um lado da pinta é diferente do outro, B
de bordas irregulares, C de cores variadas na mesma lesão, D de diâmetro
geralmente maior que 6 milímetros e E de evolução, quando a pinta se modifica
ao longo do tempo”, detalha a Dra. Thais Buffo. “Ao notar qualquer uma dessas
alterações é fundamental procurar um dermatologista para avaliação e tratamento
adequado”, finaliza.
Como escolher um médico habilitado
A SBCD ressalta a importância de a população buscar um
profissional habilitado para acompanhamento, diagnóstico e tratamento. Para
isso, é fundamental verificar se o médico possui o Registro de Qualificação de
Especialista (RQE), qualificação atestada pelo Conselho Regional de Medicina
(CRM).
A consulta é simples e pode ser feita a partir do nome do
profissional no site do Conselho Federal de Medicina (CFM). Clique aqui!
Esse cuidado na escolha ajuda a evitar atendimentos inadequados por profissionais não habilitados e garante mais segurança ao paciente.
Sociedade
Brasileira de Cirurgia Dermatológica - SBCD

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