Durante anos, as conferências de varejo pareciam roteiros de ficção científica. Nesses encontros, falava-se de robôs, metaverso e até mesmo entregas por drones. Entretanto, a NRF 2026 consolidou uma virada de chave silenciosa, mas de alto impacto: o hype morreu. Como destacou David Lawrence na abertura do evento: "Se não funcionou, aprendemos. Mas, ficar parado não era uma opção".
Podemos afirmar que entramos oficialmente na era da
execução. E, nesse novo cenário que se consolida, três pilares surgem como
divisores de águas entre as empresas do setor que apenas sobrevivem e as que
lideram. São eles:
#1 A IA saiu da vitrine. Se em 2025 a Inteligência Artificial era uma promessa abstrata, em 2026
é algo puramente pragmático. O mercado não se interessa mais em saber o que a
IA pode fazer, mas o que ela está entregando em casos reais de uso, como:
otimização logística, redução drástica de rupturas de estoque e,
principalmente, a IA Conversacional. Com o avanço do protocolo UCP
(Universal Commerce Protocol), o consumidor está migrando sua
preferência para assistentes inteligentes. Desta forma, se o dado do produto
não for legível por uma máquina, a marca poderá deixar de existir para esse
novo consumidor.
#2 A Reforma Tributária como
catalisadora de eficiência. No Brasil,
podemos afirmar que o motor de inovação veio direto de Brasília. A transição
para o novo modelo tributário se tornou o teste definitivo para o varejo.
Aqueles que ainda operam com dados fragmentados ou sistemas legados,
certamente, sofrerão com a complexidade fiscal. Nesse cenário, o software de
gestão como, por exemplo, o ERP deixou de ser uma ferramenta de
suporte para se tornar o “escudo” para garantir a margem de lucro. Afinal,
organizar dados e garantir o compliance em tempo real não se restringe apenas à
burocracia, mas trata-se de estratégia competitiva.
#3 Consumo em “K” e a
valorização humana. O cenário macroeconômico
desenhou uma curva em “K”, na qual, de um lado, há o consumo impulsionado pela
valorização de ativos e busca por experiências positivas; do outro, existe a
constante luta pela eficiência no varejo. No meio desse fogo cruzado, nosso
país tem uma “arma secreta”: o acolhimento. Desta forma, a grande lição para
2026 é que a tecnologia deve ser “invisível” para servir e empoderar o humano.
Na prática, a IA deve dar munição para que o vendedor conheça o cliente
tão bem quanto o algoritmo, mas com a personalização que só o
atendimento presencial oferece.
Em 2026, o varejo deve ser pautado em dados
com propósito. Ou seja, não basta digitalizar as operações em nuvem; é
necessário ser autônomo. Da mesma forma, não basta apenas ter IA; é preciso
ter margem. Até porque, na prática, o sucesso pertence às empresas que já
entenderam que a inovação tecnológica só tem sentido quando traduzida em
eficiência operacional e conexão humana real.
Como sinalizado por Lawrence, o hype acabou. Essa
afirmação ganha ainda mais força ao olharmos a projeção do Instituto para
Desenvolvimento do Varejo (IDV) de que, até março, o setor tenha uma alta de
6,3% nas vendas no país. Mesmo em meio às sazonalidades, é importante enfatizar
que o setor não está buscando mais promessas, mas a execução. Quanto a
isso, a pergunta que deve ser feita não é sobre qual tecnologia comprar, mas o
quão rápido é possível executá-la para proteger o negócio.
ALFA Consultoria – SAP Gold Partner
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