Estratégias educacionais,
como o ensino do inglês formal e o incentivo ao uso da língua materna, podem
ajudar na integração de alunos estrangeiros 
Divulgação/The British College of Brazil
O Dia Internacional da Língua Materna,
celebrado em 21 de fevereiro, foi oficialmente instituído pela UNESCO em 1999,
após uma iniciativa de Bangladesh, país do sul da Ásia. A data tem como
objetivo evidenciar a importância do idioma natal na manutenção e preservação
da cultura.
Segundo dados da UNESCO, 40% da população
mundial não têm acesso à educação em sua própria língua, o que reforça um
desafio estrutural que vai muito além da sala de aula. Em um mundo globalizado,
cresce o debate sobre a valorização da língua materna — seja na cultura, na
educação ou nas artes.
Esse desafio se torna ainda mais complexo para
aqueles que vivem longe de seu país de origem. Somente no Brasil, o número de estrangeiros alcançou a
marca de 1 milhão de residentes, de acordo com o Censo 2022
realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Mais do que um meio de comunicação, a língua
materna representa um alicerce
histórico e uma ferramenta de resistência cultural. Nesse
contexto, a educação desempenha um papel central não apenas na inclusão social,
mas também na preservação
da identidade pessoal e cultural.
Conciliar o ensino de uma língua global, como o
inglês, com a necessidade de incluir alunos internacionais na cultura
e na sociedade em que passam a viver — sem diminuir ou apagar sua língua
materna — é um grande desafio.
É esse princípio orienta as práticas adotadas
por escolas que hoje que combinam o desenvolvimento de uma língua comum de
comunicação com a valorização das identidades linguísticas e culturais de seus
alunos.
De acordo com Maurice Hartnett, diretor da
The British College of Brazil, escola internacional em São Paulo, a língua é
compreendida como um elemento
essencial tanto da identidade cultural quanto do desenvolvimento educacional.
Ele explica que alunos chegam ao Brasil já trilinguesou multilíngues
e, nesses casos, devem ser incentivados a continuar utilizando seus idiomas de
origem enquanto aprendem formalmente o português e, em alguns casos, o inglês:
“A educação linguística tem como objetivo
ampliar o repertório dos alunos, não substituir sua língua materna, ensinando o
português e o inglês como línguas comuns de comunicação. Ao mesmo tempo, é
importante estimular que esses alunos utilizem seus idiomas de origem em
contextos sociais, culturais e colaborativos. Esse equilíbrio permite que se
integrem plenamente à comunidade escolar sem perder o vínculo com sua
identidade cultural”, explica Hartnett.
O diretor reforça, ainda, que o ambiente
escolar deve ser estruturado
para celebrar a diversidade linguística e cultural,
incentivando os alunos a se comunicar em diferentes idiomas — e
até combiná-los de forma espontânea. Segundo ele, essa convivência
multilíngue estimula a empatia,
a curiosidade e o respeito intercultural.
A promoção de eventos culturais e pedagógicos
que celebram tradições, músicas e costumes de diferentes países também é uma
prática que fortalece o intercâmbio cultural e ampliam a compreensão global dos
estudantes. Ao oferecer espaços seguros para que expressem suas identidades
linguísticas enquanto utilizam línguas comuns para a interação, as escolas
podem promover uma comunidade educativa baseada no diálogo, no pertencimento e
na valorização das diferenças.
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