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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Dia Internacional da Língua Materna: os desafios de manter o idioma longe do país natal

Divulgação/The British College of Brazil 
Estratégias educacionais, como o ensino do inglês formal e o incentivo ao uso da língua materna, podem ajudar na integração de alunos estrangeiros 

 

O Dia Internacional da Língua Materna, celebrado em 21 de fevereiro, foi oficialmente instituído pela UNESCO em 1999, após uma iniciativa de Bangladesh, país do sul da Ásia. A data tem como objetivo evidenciar a importância do idioma natal na manutenção e preservação da cultura. 

 

Segundo dados da UNESCO, 40% da população mundial não têm acesso à educação em sua própria língua, o que reforça um desafio estrutural que vai muito além da sala de aula. Em um mundo globalizado, cresce o debate sobre a valorização da língua materna — seja na cultura, na educação ou nas artes. 

 

Esse desafio se torna ainda mais complexo para aqueles que vivem longe de seu país de origem. Somente no Brasil, o número de estrangeiros alcançou a marca de 1 milhão de residentes, de acordo com o Censo 2022 realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

 

Mais do que um meio de comunicação, a língua materna representa um alicerce histórico e uma ferramenta de resistência cultural. Nesse contexto, a educação desempenha um papel central não apenas na inclusão social, mas também na preservação da identidade pessoal e cultural. 

 

Conciliar o ensino de uma língua global, como o inglês, com a necessidade de incluir alunos internacionais na cultura e na sociedade em que passam a viver — sem diminuir ou apagar sua língua materna — é um grande desafio. 

 

É esse princípio orienta as práticas adotadas por escolas que hoje que combinam o desenvolvimento de uma língua comum de comunicação com a valorização das identidades linguísticas e culturais de seus alunos. 

 

De acordo com Maurice Hartnett, diretor da The British College of Brazil, escola internacional em São Paulo, a língua é compreendida como um elemento essencial tanto da identidade cultural quanto do desenvolvimento educacional. Ele explica que alunos chegam ao Brasil já trilinguesou multilíngues e, nesses casos, devem ser incentivados a continuar utilizando seus idiomas de origem enquanto aprendem formalmente o português e, em alguns casos, o inglês:

 

“A educação linguística tem como objetivo ampliar o repertório dos alunos, não substituir sua língua materna, ensinando o português e o inglês como línguas comuns de comunicação. Ao mesmo tempo, é importante estimular que esses alunos utilizem seus idiomas de origem em contextos sociais, culturais e colaborativos. Esse equilíbrio permite que se integrem plenamente à comunidade escolar sem perder o vínculo com sua identidade cultural”, explica Hartnett. 

 

O diretor reforça, ainda, que o ambiente escolar deve ser estruturado para celebrar a diversidade linguística e cultural, incentivando os alunos a se comunicar em diferentes idiomas — e até combiná-los de forma espontânea. Segundo ele, essa convivência multilíngue estimula a empatia, a curiosidade e o respeito intercultural. 

 

A promoção de eventos culturais e pedagógicos que celebram tradições, músicas e costumes de diferentes países também é uma prática que fortalece o intercâmbio cultural e ampliam a compreensão global dos estudantes. Ao oferecer espaços seguros para que expressem suas identidades linguísticas enquanto utilizam línguas comuns para a interação, as escolas podem promover uma comunidade educativa baseada no diálogo, no pertencimento e na valorização das diferenças. 



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