Se há poucos anos a previsão de que a educação se tornaria um dos setores mais transformados pela tecnologia soava ousada, hoje ela se confirma em ritmo acelerado. De acordo com o levantamento Startup Landscape: EdTech 2024, da Liga Ventures, o Brasil conta atualmente com 423 startups de tecnologia educacional ativas, com forte presença nos segmentos de educação corporativa, capacitação profissional, formação tecnológica e conteúdos educacionais. Já o EdTech Report 2025, da Distrito, indica que o país concentra mais de 47% das mais de 1.300 EdTechs da América Latina, consolidando sua liderança regional.
Essa evolução demonstra que a integração entre
educação e tecnologia deixou de ser diferencial competitivo para se tornar
requisito básico. Não se trata apenas de equipar salas de aula com dispositivos
ou garantir acesso à internet: o verdadeiro desafio está em utilizar esses
recursos para ampliar o alcance, personalizar a aprendizagem, criar
experiências mais engajadoras e, acima de tudo, reduzir desigualdades
educacionais.
Para que isso ocorra, a estratégia de negócios de
instituições e empresas do setor precisa estar alinhada a uma visão de longo
prazo, que una inovação e impacto social. A conexão entre startups
e organizações consolidadas já vem despertando interesse de investidores e
resultando no desenvolvimento de soluções que repensam desde metodologias de
ensino até modelos de gestão educacional.
O levantamento da Liga Ventures aponta ainda que
13% das EdTechs brasileiras já utilizam inteligência artificial em soluções
como tutores virtuais, personalização de conteúdos e avaliações adaptativas. Os
modelos de negócio variam entre venda direta, clubes de assinatura e
marketplaces, com forte presença tanto no ensino básico quanto no ensino
superior. Mas a questão central vai além da tecnologia ou da receita: como
garantir que a inovação esteja a serviço de uma educação mais acessível e de
qualidade?
No cenário atual, diversas iniciativas mostram como
a tecnologia pode transformar a experiência de aprendizagem e a gestão escolar.
Plataformas adaptativas já empregam IA para criar trilhas de estudo
personalizadas, ajustando conteúdos ao ritmo e às necessidades de cada aluno.
Soluções de avaliação e feedback oferecem relatórios detalhados e indicadores
de desempenho, permitindo que educadores tomem decisões mais assertivas e
intervenham no momento certo. No campo da gestão, superapps centralizam
comunicação, tarefas administrativas e acompanhamento pedagógico, facilitando a
rotina das escolas e fortalecendo a relação com famílias e comunidades. Há
também tecnologias voltadas ao desenvolvimento de competências específicas,
como leitura, escrita e produção de conteúdo, que utilizam métodos interativos
e dados para potencializar o aprendizado.
O momento é decisivo: a revolução educacional já
está em curso e seu sucesso dependerá da capacidade de equilibrar tecnologia, propósito
e qualidade. Conduzida de forma consciente e ética, essa transformação poderá
gerar, mais cedo do que imaginamos, impactos positivos que ultrapassem os muros
das instituições e alcancem a sociedade como um todo.
Maurício Zanforlin - CEO do
Grupo Marista.
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