Dados do Ministério da Saúde e do Inca indicam que,
em períodos como o verão e o Carnaval, quando há maior exposição ao sol, a
radiação ultravioleta se consolida como o principal fator de risco para o
câncer; médica explica como recuperar a pele após dias intensos
Com dias de Carnaval marcados por calor intenso, longos períodos ao ar livre e muitas vezes com proteção solar inadequada, cresce o número de pessoas que relatam ardência, descamação, manchas e sensibilidade na pele. O alerta ganha ainda mais força diante de dados recentes do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional do Câncer (Inca), que apontam a exposição excessiva à radiação ultravioleta como o principal fator de risco para o câncer de pele, o mais comum no Brasil.
A publicação Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil reforça que o risco varia conforme o tipo de pele, a intensidade e o padrão de exposição ao sol. Pessoas de pele clara apresentam maior risco, mas os médicos alertam que a doença pode atingir todos os fototipos.
Para
a Dra. Camila Mazza, médica pós-graduada em
dermatologia, o pós-Carnaval é um momento importante para
ampliar a conscientização sobre os cuidados com a pele. “Após vários dias de
exposição intensa, a pele pode entrar em um processo de inflamação silenciosa.
Nem sempre o dano é imediato; muitas vezes, ele surge semanas depois, na forma
de manchas, sensibilidade persistente ou lesões que não cicatrizam”, explica.
Ela alerta ainda que são comuns queixas como micoses, crises de acne,
queimaduras solares, herpes labial, dermatite de contato, descamação e sinais
de desidratação da pele.
Calor extremo e mudança de comportamento aumentam o risco
Os estudos citados ainda mostram que cerca de 23,5% dos trabalhadores
brasileiros estão constantemente expostos à radiação solar, principalmente em
setores como os de serviços urbanos. Além disso, o aquecimento global
influencia o comportamento da população, aumentando o tempo de permanência ao
ar livre e a exposição direta da pele ao sol. “O calor intenso leva a uma maior
exposição da pele e a períodos mais longos ao ar livre, o que aumenta a carga
de radiação solar muito maior do que o recomendado. Esse efeito é cumulativo e
impacta diretamente o risco de câncer de pele ao longo da vida”, alerta.
O que fazer após tantos dias de exposição?
De forma prática, a médica orienta que o cuidado com a pele não termina com o fim da folia. “No pós-Carnaval, o foco deve ser ajudar a pele a se recuperar e evitar novas agressões. Mesmo quem não teve queimadura aparente pode apresentar danos que surgem dias ou semanas depois”, explica.
Entre as
principais recomendações estão:
- Manter a fotoproteção diária, mesmo fora da praia ou dos blocos, já
que a pele permanece mais sensível após dias seguidos de sol;
- Apostar em uma limpeza suave, evitando sabonetes agressivos, para
remover resíduos de maquiagem, suor e poluição sem ressecar ainda mais a
pele;
- Intensificar a hidratação, escolhendo produtos adequados ao tipo de
pele, para ajudar na recuperação da barreira cutânea;
- Dar um intervalo de maquiagens pesadas, priorizando produtos leves
ou protetores solares com cor nos dias seguintes;
- Evitar procedimentos estéticos como peelings químicos e esfoliações
intensas, ou produtos irritantes logo após longos períodos de exposição ao
sol;
- Observar sinais persistentes, como manchas novas, descamação
contínua, feridas que não cicatrizam ou mudanças em pintas já existentes,
e buscar avaliação médica.
A
Dra. Camila ainda reforça que é fundamental respeitar o tempo de recuperação da
pele. Segundo ela, pequenos cuidados adotados no pós-Carnaval fazem diferença
não apenas na aparência, mas também na saúde da pele a médio e longo prazo.
“Quanto mais cedo a pessoa identifica algum sinal de alerta, maiores são as
chances de um tratamento simples e eficaz”, destaca.
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