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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Gravidez na adolescência segue alta no Brasil e mitos ainda sabotam a prevenção

Crenças equivocadas sobre camisinha e anticoncepcionais continuam sendo barreiras silenciosas, alerta especialista

 

Entender a realidade da gravidez na adolescência no Brasil é encarar números que dificilmente passam despercebidos. De acordo com um levantamento realizado pela UFPel (Universidade Federal de Pelotas), anualmente, uma em cada 23 adolescentes de 15 a 19 anos dá à luz no país, apontando uma taxa média de 43,6 nascimentos por mil meninas nessa faixa etária, números superiores aosregistrados em outros países com renda similar.

Apesar de quedas observadas em alguns contextos ao longo da última década, essa proporção ainda evidencia que a prevenção enfrenta barreiras que vão além do acesso aos métodos contraceptivos.

Conforme explica Cora Caroline Santos Pereira, enfermeira obstetra e coordenadora do Centro de Parto Natural do Hospital Maternidade Paulino Werneck, no Rio de Janeiro, muitas dessas barreiras são alimentadas por crenças equivocadas e desinformação no cotidiano.

 

O peso dos mitos na vida real

“Na prática clínica, noto que muitas adolescentes chegam já convencidas de que camisinha não funciona ou que métodos hormonais são sempre problemáticos, e isso interfere diretamente em suas escolhas”, destaca a especialista.

Para ela, a forma como os métodos contraceptivos são apresentados pode afastar jovens de opções eficazes de prevenção, criando uma falsa sensação de segurança ou desconfiança injustificada.

Entre os equívocos mais comuns estão ideias como a de que camisinha diminui o prazer, que pílulas sempre causam ganho de peso ou que “menina nova não engravida fácil”.

“A fertilidade na adolescência é real e muitas vezes elevada. Subestimar isso porque vimos um mito nas redes sociais ou ouvimos um comentário entre amigos é um risco que simplesmente não podemos ignorar”, alerta Cora.

 

Desinformação em tempos de excesso de informação

Se antes boa parte das lacunas de conhecimento sobre sexualidade vinha do silêncio, hoje o grande desafio é a abundância de conteúdos sem base científica circulando nas redes sociais.

“Os adolescentes estão expostos a opiniões e relatos pessoais que nem sempre refletem evidência científica. Por isso, o papel dos serviços de saúde é oferecer um espaço seguro, sem julgamento, onde dúvidas possam ser esclarecidas com responsabilidade”, afirma a profissional.

Ela reforça que prevenção não se resume à distribuição de métodos contraceptivos. “Envolve diálogo com a família, educação sexual nas escolas, acesso facilitado ao SUS e, principalmente, acolhimento. O adolescente precisa se sentir respeitado para buscar orientação.”


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