Para a mulher que empreende, é um “Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo”. Afinal, quem aqui já não se viu como a atriz principal na primeira cena do filme, tentando dar conta dos boletos, do negócio e da família, tudo junto e misturado?
Pois é, foi pensando nessa cena de cansaço ou,
mesmo, de exaustão, compartilhada por 62,2% das empreendedoras brasileiras
(Olhi, 2023), que resolvemos listar o que acreditamos ser tendências de impacto
para os negócios femininos em 2024.
Como no filme, há muito para seguir acreditando que
não estamos aqui por nada.
#1 Inteligência Artificial e personalização: enquanto
inteligência artificial veio para ficar, dando início a uma rápida
transformação no mercado de trabalho, a personalização, ou seja, a demanda por
soluções customizadas para cada cliente também permanece como reflexo de uma
necessidade de individualização, de reconhecimento de que somos diversos e de
que precisamos de soluções que reconheçam nossa diversidade. Neste balanço
entre o generalista e o especializado, está a humanização adiciona à tecnologia
de modo a proporcionar experiências mais fluídas e próximas dos clientes. Em
outras palavras, produtos ou serviços personalizados seguirão fazendo diferença
na satisfação do cliente em 2024.
#2 Tecnologias sustentáveis: inovações
que consideram os recursos naturais e fomentam o desenvolvimento econômico e
social estão cada vez mais recebendo a atenção do mercado, que se vê
pressionado a entregar soluções para combater as mudanças climáticas e promover
a saúde mental e o bem-estar das pessoas. Nas grandes corporações, essas
soluções assumem, muitas vezes, o formato de benefícios, que estão cada vez
mais diversificados. Pois bem, eles fazem parte das estratégias de promoção do
bem-estar e estão aí para ficar. Neste cenário, os negócios femininos, por se
preocuparem mais com os impactos ambiental, de governança e social de suas
operações, além de focarem em setores não tradicionais, podem fazer a diferença
em 2024.
#3 Startups: as mulheres
são mais da metade da população do país (51,5%), de acordo com o IBGE, mas, no
“mercado”, são eles quem seguem sendo a grande maioria. No setor de tecnologia,
segundo dados da Distrito, apenas 4,7% das startups são fundadas por mulheres e
0,04% dos negócios que receberam investimento em 2020 são femininos. Pois é,
esta desigualdade e preponderância dos homens vem acompanhada, dentre outras
coisas, de desconhecimento. Muitas das dores femininas ainda são pouco
atendidas pelas startups mais longevas no mercado. Neste cenário, negócios que
atendem a saúde da mulher e o cuidado das crianças e pessoas mais velhas são
uma demanda a ser suprida e um caminho para nós que trabalhamos por um mercado
mais igualitário.
#4 Economia do cuidado: tema da
redação do Enem deste ano, a invisibilidade do trabalho de cuidado da mulher
tem recebido a atenção de tomadores de decisão. Tanto no governo quanto em
empresas, começam a aparecer iniciativas para redistribuir e diminuir a carga
de trabalho feminina dentro de casa. São políticas públicas e iniciativas que
não somente visam a conscientização sobre os impactos da Economia do Cuidado na
vida das mulheres, mas também geram uma mudança estrutural. Compartilhar
responsabilidades e remunerar serviços fundamentais são parte do processo e,
para que ele seja bem sucedido, é fundamental a compreensão do tamanho da
oportunidade nesta economia que, conforme estimado pela FGV Ibre, pode
responder por 8,5% do PIB nacional. Pois bem, soluções que transformam o
cuidado são certamente tendência para 2024.
Em suma, juntar o fator humano e o uso da
inteligência artificial em negócios sustentáveis, diversos e inclusivos sem
desconsiderar os impactos do trabalho de cuidado na vida das mulheres, é
tendência para 2024.
São necessárias múltiplas soluções para quem está
nessa jornada de “Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo” e, embora empreender seja
a necessidade e não a opção de muitas de nós, nosso sucesso também pode estar
na transformação daquilo que mais nos causa dor.
Seguimos! Um 2024 de muita força e conquistas para
todas nós.
Julie Maciel - COO da Olhi, startup de serviços voltada ao empreendedorismo feminino.
Olhi
https://olhi.com.br/
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