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terça-feira, 18 de agosto de 2026

Paternidade em todas as fases: por que homens acima dos 35 anos evitam o médico e como a prevenção salva vidas

No Mês dos Pais, urologista alerta para a baixa adesão masculina aos exames de rotina e explica os cuidados fundamentais em cada etapa da vida — da fertilidade na juventude à prevenção do câncer de próstata e controle hormonal na maturidade.


O hábito de postergar consultas médicas ainda é uma realidade enraizada no público masculino. De acordo com dados do Ministério da Saúde, homens vivem, em média, sete anos a menos que as mulheres, disparidade alimentada pelo diagnóstico tardio de doenças evitáveis. À medida que ultrapassam a barreira dos 35 anos, período em que muitos vivem a transição para a paternidade ou lidam com a rotina intensa da criação dos filhos, o cuidado individual costuma ser relegado ao último plano. O cenário acende um alerta sobre como o acompanhamento preventivo contínuo é determinante para preservar a vitalidade e a longevidade.

Na juventude e no início da vida adulta, as preocupações costumam se concentrar na fertilidade e no desempenho físico. Contudo, hábitos silenciosos e alterações metabólicas prévias podem comprometer o planejamento familiar sem dar sinais evidentes. A avaliação integrativa surge como ferramenta decisiva para identificar deficiências nutricionais, alterações na qualidade do sêmen e desequilíbrios hormonais precoces. Investigar esses fatores antes que se transformem em quadros crônicos garante não apenas a capacidade reprodutiva, mas a manutenção da energia diária necessária para acompanhar o ritmo familiar.

"O grande obstáculo do cuidado com o homem é o diagnóstico tardio de condições que poderiam ser controladas de forma simples. A partir dos 35 anos, existe uma queda natural e progressiva em diversos marcadores metabólicos e hormonais. Quando o paciente busca atendimento apenas ao sentir dores ou limitações graves, muitas vezes já perdeu uma janela preciosa de prevenção. Cuidar de si é um ato de responsabilidade que impacta diretamente a estrutura e o futuro de toda a família", destaca o médico especialista Dr. Maxmillian Dutra.

Conforme o tempo avança, a atenção precisa se voltar para a saúde do sistema urinário e para a preservação hormonal. A andropausa, caracterizada pelo declínio gradual da testosterona, manifesta-se frequentemente por meio de fadiga constante, perda de massa muscular, oscilações no humor e diminuição da libido. Paralelamente, o rastreio preventivo para doenças da próstata torna-se indispensável. Exames clínicos e laboratoriais periódicos permitem diagnosticar alterações anatômicas ou neoplasias ainda em estágios iniciais, aumentando drasticamente as chances de tratamentos bem-sucedidos e sem sequelas.

A integração entre urologia e nutrologia propõe um olhar abrangente sobre o organismo, conectando equilíbrio hormonal, alimentação e estilo de vida à longevidade funcional. Em vez de focar apenas no tratamento de sintomas isolados, essa abordagem busca otimizar a composição corporal, a saúde cardiovascular e o bem-estar mental. O acompanhamento constante permite readequar condutas a cada nova fase, garantindo que o indivíduo envelheça com autonomia e disposição.

Superar a resistência cultural de ir ao consultório é o primeiro passo para mudar as estatísticas de mortalidade precoce entre a população masculina. A celebração do Mês dos Pais funciona como um lembrete de que estar presente para ver os filhos crescerem exige atenção contínua com a própria estrutura biológica. A medicina preventiva deixa de ser um evento isolado diante de emergências para se tornar um pilar diário de preservação da qualidade de vida. 



Fonte: Dr. Maxmillian Dutra – Urologista com atuação em Nutrologia.
instagram: @doutormax

Agosto Cinza reforça alerta para diagnóstico precoce da catarata

Principal causa de cegueira reversível no Brasil, doença registra aproximadamente 550 mil novos casos por ano


O Agosto Cinza é uma campanha dedicada à conscientização sobre a catarata, doença considerada a principal causa de cegueira reversível no Brasil. A iniciativa busca alertar a população sobre a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado para evitar a perda da visão e preservar a qualidade de vida, especialmente entre os idosos.

De acordo com pesquisas epidemiológicas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a catarata afeta cerca de 14 milhões de brasileiros. A Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO) estima ainda que aproximadamente 550 mil novos casos sejam diagnosticados anualmente no país.

A catarata ocorre quando o cristalino, lente natural dos olhos responsável por focalizar as imagens, perde sua transparência de forma progressiva. Com isso, a visão se torna embaçada, semelhante à sensação de olhar através de um vidro fosco. Entre os sintomas mais comuns estão a dificuldade para enxergar à distância, sensibilidade à luz, necessidade frequente de troca dos óculos e alterações na percepção das cores.

Segundo o oftalmologista Dr. Antônio Sardinha, do Hospital de Olhos de Cuiabá (HOC), a catarata faz parte do processo natural de envelhecimento, mas não deve ser encarada como uma consequência inevitável da idade. “A catarata é uma condição muito comum, principalmente após os 60 anos, mas hoje contamos com diagnóstico preciso e tratamento seguro. O mais importante é que o paciente não espere a perda importante da visão para procurar avaliação oftalmológica”, afirma.

Embora o envelhecimento seja o principal fator de risco, a catarata também pode estar associada a doenças como diabetes, uso prolongado de corticoides, traumas oculares e exposição excessiva à radiação ultravioleta.

O especialista destaca que o tratamento é altamente eficaz e pode devolver qualidade de vida aos pacientes. “A cirurgia de catarata evoluiu muito nos últimos anos. Atualmente utilizamos técnicas modernas, com anestesia local e rápida recuperação. Trata-se de um procedimento seguro, que permite restaurar a visão comprometida pela opacificação do cristalino e devolver autonomia ao paciente”, ressalta.

A cirurgia consiste na retirada do cristalino opaco e na implantação de uma lente intraocular. Em muitos casos, o procedimento dura poucos minutos e o paciente já percebe melhora visual nos primeiros dias após a operação.

Dr. Antônio Sardinha reforça que a avaliação oftalmológica periódica é fundamental para identificar a doença precocemente e indicar o melhor momento para a cirurgia. “Cada paciente deve ser analisado de forma individual. A indicação do tratamento não depende apenas da presença da catarata, mas principalmente do impacto que ela causa nas atividades do dia a dia e na qualidade de vida”, conclui.

A campanha Agosto Cinza reforça que consultas regulares com o oftalmologista são essenciais, especialmente após os 50 anos. O diagnóstico precoce e o acompanhamento adequado permitem identificar alterações visuais ainda nas fases iniciais e garantem melhores resultados no tratamento.


Casais sem histórico familiar também podem ter filhos com doenças genéticas

Especialista explica por que a maioria das alterações genéticas surge em famílias sem casos conhecidos e destaca a importância do aconselhamento genético antes e durante a gestação 

 

"Na minha família nunca houve nenhum caso." Essa costuma ser uma das frases mais ouvidas por médicos geneticistas quando uma criança nasce com uma doença genética. O que muitas pessoas não sabem é que a ausência de histórico familiar não significa ausência de risco. Na prática, boa parte das doenças genéticas é diagnosticada justamente em famílias que nunca haviam registrado casos semelhantes. 

Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 6% dos recém-nascidos no mundo apresentam alguma doença genética ou malformação congênita de origem genética. Já a Organização Nacional de Doenças Raras (NORD) estima que existam mais de 7 mil doenças raras conhecidas, sendo cerca de 80% delas de origem genética. 

De acordo com o médico geneticista Ciro Martinhago, especialista em doenças raras pela Sociedade Brasileira de Genética Médica (SBGM), PhD em Genética Reprodutiva e diretor médico do Quantor – Centro de Medicina Integrada, isso acontece porque muitas alterações genéticas surgem pela primeira vez em uma família ou porque os pais podem ser portadores saudáveis de uma mesma alteração genética, sem apresentar qualquer sintoma. 

"É muito comum as pessoas associarem doenças genéticas apenas ao histórico familiar, mas essa é uma percepção equivocada. Diversas condições podem surgir por mutações novas, que acontecem pela primeira vez naquela criança, ou por alterações recessivas herdadas do pai e da mãe, que são saudáveis e nem imaginam que carregam essa variante genética", explica. 

Segundo o especialista, durante a formação dos óvulos e dos espermatozoides podem ocorrer alterações espontâneas no DNA. Essas mutações, conhecidas como mutações de novo, não estavam presentes nos pais e passam a existir apenas na criança. 

Além disso, há doenças hereditárias recessivas, nas quais ambos os pais são portadores de uma alteração genética sem apresentar sintomas. Quando isso acontece, existe a possibilidade de o casal ter um filho afetado, mesmo sem qualquer caso conhecido na família. 

Outro fator que merece atenção é a idade reprodutiva, especialmente a idade materna, que está associada ao aumento do risco de alterações cromossômicas, como a síndrome de Down. Já a idade paterna mais avançada também tem sido relacionada a um maior número de mutações novas em algumas doenças genéticas. 

Embora nem todas as doenças genéticas possam ser prevenidas, o aconselhamento genético permite identificar fatores de risco, orientar casais e indicar exames quando há necessidade. 

"O objetivo não é gerar medo, mas informação. Hoje a genética oferece ferramentas que ajudam os casais a compreenderem melhor seus riscos reprodutivos e a tomarem decisões mais conscientes durante o planejamento familiar ou a gestação", afirma Martinhago. 

Entre essas ferramentas estão testes capazes de identificar se futuros pais são portadores de variantes associadas a doenças hereditárias, além de exames realizados durante a gravidez e logo após o nascimento do bebê, que auxiliam no diagnóstico precoce de diversas condições. 

"O diagnóstico precoce pode fazer toda a diferença. Em muitas doenças genéticas, iniciar o tratamento rapidamente permite reduzir complicações, melhorar a qualidade de vida e, em alguns casos, mudar completamente o prognóstico do paciente", destaca o geneticista. 

Para o especialista, ampliar o acesso à informação é tão importante quanto ampliar o acesso aos exames. "As doenças genéticas fazem parte da realidade de qualquer família. Conhecer os fatores de risco, entender quando procurar orientação especializada e saber que existem recursos para diagnóstico e acompanhamento são passos fundamentais para uma medicina cada vez mais preventiva e personalizada", conclui.

 

Ciro Martinhago - médico geneticista, especialista em doenças raras pela Sociedade Brasileira de Genética Médica (SBGM), PhD em Genética Reprodutiva e diretor médico do Quantor – Centro de Medicina Integrada. Atua na pesquisa e no atendimento clínico, com foco em genética médica, aconselhamento genético e medicina reprodutiva.

 

Autocuidado ganha novos significados da infância à adolescência

Magnific

Personagens infantis, soluções práticas e adesivos para acne mostram como os produtos de higiene acompanham o desenvolvimento de crianças e jovens


Em meados de agosto, com o tempo seco do inverno e o ritmo intenso das aulas, manter a saúde e a higiene dos filhos exige atenção dobrada dos pais. Nesse cenário, adequar os cuidados a cada faixa etária contribui para uma rotina mais tranquila. Para as crianças menores, recursos lúdicos ajudam a despertar o interesse e estimulam a participação nos momentos de cuidado. Entre pré-adolescentes e adolescentes, a higiene e o autocuidado passam a ter uma relação mais próxima com autonomia, autoestima e expressão pessoal. “Reforçar os hábitos de autocuidado no ambiente escolar ajuda a prevenir dores de cabeça e ainda estimula a autoestima dos jovens. Entre os pequenos, produtos com personagens e elementos que fazem parte de seu universo podem tornar esse momento mais atrativo. Conforme crescem, esses cuidados ganham novos significados e também passam a se relacionar com identidade, confiança e bem-estar”, afirma Patrícia Wawruch Amaral, gerente de Categorias, Inovação e Marcas Corporativas da Viveo, companhia do setor de saúde que reúne marcas como Cremer e Topz. Confira cinco cuidados que podem ajudar crianças, adolescentes e suas famílias nesse período:


1. Personagens ajudam a estimular a autonomia na primeira infância

Na primeira infância, o envolvimento com a rotina de higiene pode ser favorecido pela identificação com cores, formatos e personagens presentes no universo da criança. Quando shampoos, condicionadores, sabonetes líquidos e outros produtos despertam curiosidade, o momento do cuidado tende a se tornar mais atrativo.

Esses elementos também podem incentivar a participação da criança em pequenas escolhas e tarefas adequadas à idade, contribuindo para que ela desenvolva gradualmente uma relação mais autônoma com o autocuidado.


2. Praticidade ganha importância na rotina de creches e escolas

A entrada ou o retorno à creche e à educação infantil exige uma organização compartilhada entre famílias, educadores e cuidadores. Nesse contexto, produtos fáceis de transportar e utilizar ajudam a tornar os cuidados cotidianos mais ágeis, especialmente nas trocas de fraldas e nos momentos de limpeza.

Algodões e lenços umedecidos fazem parte dessa rotina por reunirem praticidade e versatilidade. A escolha deve considerar produtos apropriados para a faixa etária, especialmente no caso de bebês e crianças com a pele mais sensível.


3. Curativos também ajudam a tornar o cuidado menos intimidante

Pequenos arranhões e machucados são comuns durante a infância, especialmente em uma rotina que inclui atividades físicas, jogos e brincadeiras. Nesses momentos, cores, estampas e personagens nos curativos podem ajudar a desviar a atenção do desconforto e tornar o cuidado mais acolhedor para a criança.

Além do apelo visual, há opções desenvolvidas em diferentes tamanhos e formatos, permitindo escolher o produto mais adequado para cada situação. Os curativos podem ser mantidos em casa ou enviados à escola quando fizerem parte da lista de itens solicitados pela instituição.


4. A autonomia transforma o kit de higiene ao longo da infância

Conforme a criança cresce, ela passa a assumir pequenas responsabilidades relacionadas à própria higiene. Escolher, organizar e utilizar alguns produtos com orientação dos responsáveis faz parte desse processo de construção de autonomia.

Lenços umedecidos podem ser incluídos na mochila para necessidades pontuais ao longo do dia. Em casa, itens como algodões e hastes flexíveis complementam a rotina de cuidados, sempre de acordo com a idade e com as orientações de uso de cada produto.


5. Na adolescência, autocuidado também vira expressão pessoal

Na pré-adolescência e na adolescência, as mudanças na pele tornam o autocuidado uma questão cada vez mais presente. O aparecimento de cravos e espinhas pode interferir na autoestima em uma fase marcada pela convivência social e pela construção da identidade.

Os adesivos hidrocoloides ajudam a absorver secreções e a evitar o contato constante das mãos com a área sensibilizada. Inicialmente encontrados em versões discretas, esses produtos também ganharam cores, desenhos e formatos variados, passando a funcionar como acessórios de estilo.

A mudança mostra como uma solução de cuidado com a pele pode incorporar elementos de moda e expressão pessoal. Os adesivos são indicados para cuidados pontuais e não substituem a avaliação de um dermatologista em casos persistentes ou mais intensos de acne.

Da escolha feita pelos responsáveis nos primeiros anos aos produtos incorporados com maior autonomia pelos adolescentes, as necessidades de higiene e autocuidado se transformam ao longo do desenvolvimento. 

“Entender essas mudanças permite criar soluções que combinem funcionalidade, praticidade e identificação com cada público, atributos que ganham ainda mais relevância na manutenção da rotina diária das famílias”, finaliza Patrícia.

 

Viveo


Antes de começar a correr: o que os exames de rotina costumam descobrir

 Com participação feminina que já empata com a masculina, o boom da corrida no Brasil reacende um alerta médico: boa parte de quem começa a treinar nunca passou por avaliação cardiológica


O Brasil tem hoje 15 milhões de pessoas que correm ao menos uma vez por semana, alta de 15% em relação a 2024, segundo pesquisa da Olympikus com a consultoria Box1824 divulgada em novembro de 2025. Metade delas é mulher, mudança rápida em um esporte que até pouco tempo era visto como território masculino. O entusiasmo, porém, costuma vir antes da consulta médica: muita gente compra o tênis, baixa o aplicativo de corrida e sai para rodar sem passar por uma avaliação. É justamente nesse check-up que aparecem condições que ninguém sabia que tinha. 

O tema ganhou urgência em julho, depois do óbito de um participante durante uma maratona em São Paulo, que reacendeu a discussão sobre avaliação médica antes de provas de rua. Mas o alerta de cardiologistas vale para qualquer pessoa que decide começar a correr, não só para quem vai disputar uma prova.
 

O coração nem sempre avisa antes 

“A maioria dos problemas cardiovasculares que encontramos em quem está começando a correr não dá sintoma nenhum antes do exame”, diz Carlos Eduardo Suaide Silva, cardiologista do Delboni e Lavoisier, marcas da Dasa, empresa líder em medicina diagnóstica no Brasil. “A hipertensão é um bom exemplo. Quase 30% dos adultos brasileiros convivem com pressão alta, segundo o Vigitel 2023, do Ministério da Saúde, e a maior parte descobre isso numa consulta de rotina, não porque sentiu alguma coisa.” 

Para Suaide Silva, a diferença de risco por faixa etária é o que deveria orientar o tipo de exame. Acima dos 35 anos de idade, o infarto responde pela maior parte dos casos de morte súbita ligados ao esforço físico, segundo a literatura de cardiologia do esporte. Abaixo dessa idade, o vilão costuma ser outro: a cardiomiopatia hipertrófica, alteração estrutural do coração que afeta cerca de 1 em cada 500 pessoas e que muitas vezes só aparece num eletrocardiograma ou ecocardiograma. 

É por isso que a Diretriz Brasileira de Cardiologia do Esporte e do Exercício, da Sociedade Brasileira de Cardiologia com a Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte, recomenda consulta com eletrocardiograma para quem tem até 35 anos e nenhum histórico de doença, e acrescenta exames de sangue e teste ergométrico para quem passou dos 35. 

“Não precisa ser atleta para fazer essa avaliação. Quem vai treinar três vezes por semana no parque tem o mesmo motivo para procurar um cardiologista do esporte que quem vai correr uma maratona”, afirma o cardiologista. 

O cardiologista também chama atenção para o colesterol. Levantamento do Ministério da Saúde divulgado em agosto de 2026, por ocasião do Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol (8 de agosto), mostra que 4 em cada 10 brasileiros têm colesterol alto sem saber. “É outra condição silenciosa. A pessoa só descobre quando já teve um evento cardíaco ou quando faz o exame antes”, diz. A Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose, atualizada em 2025, revisou para baixo os níveis considerados seguros de LDL, o colesterol “ruim”, o que torna o rastreio ainda mais relevante para quem está começando a treinar.
 

O que o sangue conta que o fôlego não denuncia 

O check-up de quem quer começar a correr não se resume ao coração. "Não existe um pacote de exames universal antes de começar um treino estruturado. Cada pessoa precisa ser avaliada individualmente, considerando suas características, seu histórico de saúde e o tipo de esporte que vai praticar. É isso que vai definir quais exames realmente fazem sentido", explica Annelise Wengerkievicz Lopes, médica patologista clínica e diretora médica do Laboratório Santa Luzia, marca da Dasa em Santa Catarina. 

"Ainda assim, alguns exames costumam ser úteis nessa avaliação inicial, como hemograma, glicemia, função renal, avaliação hepática e perfil lipídico, já que cobrem boa parte dos fatores de risco metabólico que interferem tanto no desempenho quanto na segurança de quem treina. O perfil lipídico, em especial, também é interessante para acompanhar ao longo do tempo, já que a atividade física costuma trazer melhora nesses resultados", acrescenta a médica. 

Um achado recorrente, segundo Annelise, é a anemia por deficiência de ferro, mais comum entre mulheres. Dado do Ministério da Saúde aponta que 29,4% das brasileiras em idade fértil têm deficiência de ferro, resultado de perdas menstruais, dietas restritivas e, no caso de quem treina, também do desgaste do próprio exercício. 

"É comum a pessoa achar que o cansaço extremo ou a falta de fôlego é falta de preparo físico, quando na verdade é anemia. O hemograma resolve essa dúvida rápido, e o tratamento costuma ser simples", diz a médica.
 

O coração da mulher avisa diferente 

A metade feminina que hoje ocupa as ruas de corrida é também o grupo em que a doença cardiovascular mais mata, proporcionalmente, e o mais subdiagnosticado. Segundo a American Heart Association, referência usada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), uma em cada três mortes de mulheres no mundo está ligada a doença cardiovascular, mais do que todos os tipos de câncer somados. 

Estudos citados pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) mostram que mais de 60% das mulheres atendidas em pronto-socorro com dor no peito não apresentam obstrução visível nas artérias nos exames de imagem, o que atrasa o diagnóstico correto porque a doença cardíaca na mulher costuma se manifestar de forma diferente da manifestação clássica associada aos homens. 

“Toda mulher que vai começar a correr deveria ouvir isso: coração não é assunto masculino. A avaliação vale tanto quanto para o homem, às vezes até mais, porque nela o sintoma engana com mais frequência”, diz Carlos Eduardo.
 

Quais exames pedir, por idade

Confira as recomendações dos especialistas, por idade, antes de começar a treinar:

  • Até 35 anos, sem histórico de doença: consulta com cardiologista e eletrocardiograma uma vez por ano ou antes, caso surgir sintoma novo.
  • Acima de 35 anos: consulta, eletrocardiograma, ecocardiograma exames de sangue (hemograma, glicemia, perfil lipídico, função renal e hepática) e teste ergométrico.
  • Hipertensos, diabéticos, pessoas com colesterol alto ou histórico familiar de morte súbita: avaliação deve ser feita antes desses marcos de idade, com investigação adicional conforme orientação médica.


Sinais de alerta durante a corrida

Interrompa o treino e procure atendimento se sentir:

  • Desmaio ou tontura intensa.
  • Falta de ar desproporcional ao esforço, a ponto de não conseguir falar.
  • Palpitação ou arritmia acompanhada de mal-estar.
  • Dor no peito, mesmo que leve ou incomum.

 



Referências

• Vigitel 2023, Ministério da Saúde — prevalência de hipertensão em adultos nas capitais brasileiras.
Link


Saúde não se constroi de uma vez: pequenos hábitos podem transformar a qualidade de vida

Atividade física, sono adequado, alimentação equilibrada e momentos de descanso ajudam a proteger o corpo e o cérebro; neurologista destaca que mudanças simples na rotina podem trazer benefícios no presente e no futuro

 

Em meio a uma rotina marcada por compromissos, telas, cobranças e pouco tempo disponível, cuidar da saúde pode parecer uma tarefa que exige grandes mudanças. Mas nem sempre é assim. Uma caminhada, uma noite de sono mais regular, alguns minutos longe do celular, uma alimentação mais equilibrada ou até uma pausa durante o expediente são atitudes aparentemente simples que, quando incorporadas à rotina, podem contribuir para a saúde física, mental e cerebral.

A importância de colocar o corpo em movimento é reforçada pelos números. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 31% dos adultos no mundo não atingem os níveis recomendados de atividade física. Pessoas insuficientemente ativas apresentam risco de morte entre 20% e 30% maior em comparação com aquelas que mantêm níveis adequados de atividade. Além da prevenção de doenças cardiovasculares, diabetes e alguns tipos de câncer, a prática regular de exercícios está associada a benefícios para a saúde mental, cognição, sono e bem-estar.


Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 31% dos adultos no mundo não atingem os níveis recomendados de atividade física. Foto: freepik

Para adultos, a recomendação da OMS é acumular entre 150 e 300 minutos semanais de atividade física aeróbica de intensidade moderada ou entre 75 e 150 minutos de atividade vigorosa. Mas isso não significa que quem está longe dessa meta não tenha motivos para começar. Caminhar mais, utilizar escadas, realizar pequenos deslocamentos a pé e diminuir o tempo sentado também são maneiras de incorporar movimento ao cotidiano. Afinal, quando o assunto é saúde, alguma atividade é melhor do que nenhuma.


O cérebro também sente a rotina

Os efeitos desses hábitos não ficam restritos ao corpo. O cérebro responde diretamente à maneira como dormimos, nos alimentamos, nos movimentamos e administramos períodos de estresse e descanso.

A médica neurologista e docente do curso de Medicina da Afya de Pato Branco, Dra. Thamilee Pizzatto Queiroz, explica que qualidade de vida deve ser entendida como resultado de diferentes comportamentos que se complementam ao longo do tempo.

“Nosso cérebro não funciona de maneira isolada do restante do organismo. Atividade física, sono de qualidade, alimentação adequada, interação social e momentos de descanso fazem parte do cuidado com a saúde cerebral. Muitas vezes, as pessoas procuram grandes mudanças, quando pequenos hábitos, repetidos de forma consistente, já podem representar um importante investimento na saúde e na qualidade de vida”, destaca a neurologista.

O sono merece atenção especial nessa relação. É durante o descanso que acontecem processos fundamentais para o funcionamento cerebral, relacionados à memória, aprendizagem, equilíbrio emocional e recuperação do organismo. Por isso, manter horários relativamente regulares para dormir e acordar e reduzir estímulos antes de ir para a cama são medidas que podem ajudar a melhorar a qualidade do descanso.

“Dormir não é simplesmente desligar o organismo. O cérebro permanece desempenhando funções essenciais durante o sono. Quando as noites mal dormidas se tornam frequentes, podemos perceber reflexos na atenção, memória, disposição, humor e produtividade. Por isso, cuidar do sono precisa fazer parte de uma rotina saudável tanto quanto alimentação e exercício físico”, acrescenta a Dra. Thamilee.


Alimentação também é prevenção

Outro ponto importante é o que vai para o prato. A OMS destaca que uma alimentação saudável contribui para a prevenção de doenças crônicas como diabetes, doenças cardiovasculares, acidente vascular cerebral e alguns tipos de câncer. Para pessoas acima dos 10 anos, a recomendação é consumir pelo menos 400 gramas de frutas e vegetais diariamente, priorizando também alimentos in natura ou minimamente processados e fontes de fibras.

Mais do que perseguir uma rotina perfeita, entretanto, especialistas reforçam a importância da constância. Mudanças radicais podem ser difíceis de sustentar, enquanto pequenas escolhas têm maior possibilidade de se transformar em hábitos.


Pequenas atitudes para uma vida mais leve

Algumas mudanças podem começar dentro da própria rotina: estabelecer horários mais regulares para dormir; incluir caminhadas ou outras atividades prazerosas durante a semana; fazer pequenas pausas em longos períodos sentado; aumentar o consumo de alimentos in natura; reservar momentos sem telas; manter vínculos sociais; buscar atividades de lazer; e compreender que descanso também faz parte do cuidado com a saúde.


Para a neurologista e docente da Afya de Pato Branco, um dos principais desafios é abandonar a ideia de que saúde depende de uma rotina perfeita.

“Qualidade de vida não significa cumprir uma lista de obrigações todos os dias. É encontrar equilíbrio e construir hábitos possíveis dentro da realidade de cada pessoa. Quando essas escolhas passam a fazer parte do cotidiano, cuidar da saúde deixa de ser algo pontual e se transforma em uma forma de viver”, finaliza a Dra. Thamilee.

No fim das contas, uma vida mais saudável pode começar de maneira muito mais simples do que parece. Não necessariamente com uma grande transformação na segunda-feira, mas com uma caminhada hoje, uma refeição mais equilibrada, uma hora a menos diante das telas ou uma noite de sono melhor. Pequenas escolhas que, somadas ao longo dos meses e dos anos, podem fazer diferença para viver não apenas mais, mas melhor.

 

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TDAH ou apenas falta de atenção? Quando o comportamento da criança merece uma avaliação especializada

Distração frequente, dificuldade para concluir tarefas e inquietação podem ser confundidas com comportamentos comuns da infância; especialista explica quais sinais merecem atenção dos pais e da escola.

 

Crianças distraídas, inquietas ou que apresentam dificuldade para concluir atividades nem sempre têm um transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. No entanto, quando esses comportamentos são frequentes e começam a interferir na aprendizagem, na rotina familiar e na convivência escolar, é importante investigar o que está por trás dessas dificuldades.

Segundo dados do Ministério da Saúde, o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade está entre os transtornos do neurodesenvolvimento mais comuns na infância. A identificação adequada depende da observação dos comportamentos ao longo do tempo e em diferentes ambientes, já que características isoladas não são suficientes para estabelecer um diagnóstico.

De acordo com a pedagoga e especialista em neuropsicopedagogia Shirley Taborda, um dos principais pontos de atenção é a persistência dos sinais. "Uma criança pode estar desatenta em determinado momento por vários motivos, como cansaço, mudanças na rotina ou até mesmo falta de interesse em uma atividade específica. O que precisa ser observado é quando essa dificuldade se repete e começa a prejudicar a vida escolar e outras atividades do dia a dia", explica.

Entre os sinais que podem indicar a necessidade de uma avaliação estão a distração frequente, o esquecimento de tarefas e objetos, a dificuldade para seguir instruções e concluir atividades, além da inquietação e da necessidade constante de se movimentar. No entanto, esses comportamentos precisam ser analisados dentro do contexto de cada criança e não devem ser interpretados isoladamente.

A escola também desempenha um papel importante nesse processo. Professores e pedagogos costumam perceber mudanças no comportamento e dificuldades de aprendizagem antes mesmo que a família identifique que existe algum problema. A partir dessas observações, a criança pode ser encaminhada para uma avaliação especializada, que ajuda a compreender melhor suas necessidades.

Na avaliação neuropsicopedagógica, Shirley realiza uma investigação individualizada das dificuldades relacionadas à aprendizagem. O processo é desenvolvido ao longo de seis sessões e envolve entrevistas com os responsáveis, aplicação de testes padronizados e uma análise de diferentes aspectos do desenvolvimento, como memória, coordenação motora, raciocínio lógico e estratégias de aprendizagem. Ao final, a família recebe um relatório detalhado com orientações que podem contribuir para o acompanhamento da criança em casa e na escola.

"Nosso objetivo não é olhar apenas para um comportamento ou buscar um diagnóstico de forma isolada. É entender como aquela criança aprende, quais são suas dificuldades e quais estratégias podem ajudá-la. A avaliação também pode ser importante para crianças que ainda não têm um diagnóstico, justamente para esclarecer dúvidas e orientar os próximos passos", afirma Shirley.

A especialista reforça que buscar informação e avaliação adequada pode evitar que dificuldades sejam confundidas com preguiça, falta de interesse ou indisciplina. Quanto mais cedo a família e a escola compreendem o que está acontecendo, maiores são as possibilidades de oferecer à criança o suporte necessário para seu desenvolvimento e aprendizagem.

 

Fonte: Shirley Taborda — Pedagoga e especialista em Neuropsicopedagogia.

 

Agosto Dourado: doação de leite materno é ferramenta vital para a recuperação de bebês prematuros


Pioneiro, o Hospital Santa Lúcia Sul foi o primeiro da rede privada no Brasil a oferecer um Banco de Leite Humano (BLH), possibilitando o cuidado de bebês prematuros e internados que precisam do alimento 

 

A Doação de Leite Materno, um gesto simples de solidariedade, pode ser o fator determinante para a sobrevivência de recém-nascidos prematuros e internados. Referência no setor, o Hospital Santa Lúcia Sul (HSLS) foi pioneiro ao ser o primeiro hospital da rede privada do Brasil a criar um Banco de Leite Humano (BLH), há mais de 20 anos. 

Considerado um alimento "padrão ouro", o leite materno – tema da campanha Agosto Dourado – é insubstituível para o desenvolvimento imunológico e neurológico dos bebês. Segundo a Dra. Sandra Lins, coordenadora de Neonatalogia do HSLS, o leite materno funciona, na prática, como um "remédio". "Ele fortalece o sistema imunológico, protegendo de infecções mais graves, auxilia no desenvolvimento cerebral e aumenta ainda mais o vínculo entre mãe e bebê", explica a médica. 

Para bebês prematuros internados em Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), o impacto é ainda mais profundo. Parte dos bebês em UTIs Neonatais dependem do leite doado para evoluírem positivamente até a alta hospitalar. O aleitamento materno exclusivo é capaz de reduzir em até 13% a mortalidade por causas evitáveis em crianças com menos de cinco anos, de acordo com dado citado pelo Ministério da Saúde.

 

O caminho do leite doado 

O Banco de Leite do HSLS funciona sob um rigoroso protocolo de segurança que garante a integridade do alimento desde a coleta na casa da doadora até o consumo pelo receptor. De acordo com a enfermeira Sheila Almeida, coordenadora da linha Materno Infantil do hospital, o leite materno é essencial para evitar complicações graves em prematuros, como a enterocolite necrosante (grave inflamação intestinal) e a sepse neonatal. 

O processo de doação segue etapas fundamentais de segurança biológica, que começa pela avaliação de saúde e dos exames realizados nos últimos três meses. A partir daí, a doadora recebe um kit completo com frascos esterilizados, máscara, gorro e etiquetas. Em seguida, o leite é mantido congelado e recolhido pela equipe do hospital ou entregue diretamente no Banco de Leite. Por fim, passa por processos que eliminam microrganismos patogênicos sem perder propriedades nutricionais, além de testes físico-químicos e microbiológicos. 

"A segurança do leite é garantida por várias etapas que incluem análises microbiológicas e rastreabilidade total, seguindo as normas da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano e do Ministério da Saúde", detalha Sheila Almeida.

 

Derrubando mitos: qualquer quantidade salva vidas 

Um dos principais desafios para aumentar o volume de doação é o desconhecimento sobre a quantidade necessária. Muitas mães acreditam que precisam produzir um volume alto, o que é mito. "Temos bebês que precisam de apenas 1 ml por vez. Qualquer quantidade é muito importante dentro da UTIN e pode beneficiar muitos recém-nascidos", afirma a Dra. Sandra Lins. 

Na prática, apenas 300 ml de leite materno doado podem alimentar até 10 recém-nascidos prematuros em um único dia. Outro temor comum é de que a doação possa fazer falta para o próprio filho, o que não ocorre, pois a produção de leite é estimulada pela própria ordenha. 

Para ser doadora, os critérios básicos são: estar saudável, amamentando, produzir excedente, não fumar e não usar medicações incompatíveis com a amamentação. O Hospital Santa Lúcia oferece acolhimento e suporte gratuito, disponibilizando todos os materiais necessários para a coleta.

 

Vinte e quatro anos de pioneirismo na rede privada 

O surgimento do BLH do Hospital Santa Lúcia Sul em 2002 marcou a história da assistência neonatal privada no Distrito Federal e no Brasil. O projeto foi desenhado para oferecer o mesmo nível de excelência encontrado na rede pública brasileira, que é referência mundial em bancos de leite para mais de 20 países. Hoje, o HSLS continua sendo um pilar educativo, instruindo novas mães sobre a importância da amamentação exclusiva até os seis meses, conforme recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS). 

O Banco de Leite Humano funciona todos os dias, das 7h às 19h. Mães interessadas em fazer a doação podem entrar em contato pelo número (61) 3445-0319

 

Processo de cura

O Banco de Leite Humano do Hospital Santa Lúcia Sul foi palco de uma história comovente. Em setembro de 2025, em sua segunda gestação de gêmeos, a influenciadora digital e empresária Clara Maia perdeu um dos bebês após desenvolver síndrome de transfusão feto-fetal, causada por um desequilíbrio no fluxo sanguíneo entre os bebês. A condição levou ao parto prematuro de Theo, que sobreviveu, e Túlio, que não resistiu. 

Enquanto acompanhava a recuperação de Theo na UTI neonatal, Clara encontrou na doação de leite materno um gesto que, aos poucos, ajudou a reorganizar a própria dor. “Eu acho que a doação me encontrou. Na UTIN, apesar de todo o medo, eu enxergava a chance de o Theo viver. Então eu chegava ali muito grata. E, conforme fui conhecendo outras mães e outros bebês, comecei a ver uma parte do Túlio em cada um deles”, relembra. 

Ao longo da internação, Clara doou 14 litros de leite materno ao Banco de Leite Humano. A rotina exigia ordenhas frequentes, hidratação intensa e uma dedicação diária que, segundo ela, também se tornou um processo de cura. “Era um momento muito meu. Um momento de ressignificar tudo aquilo que tinha acontecido”, conta. 

A experiência ganhou ainda mais significado em um encontro inesperado nos corredores da UTI. Enquanto seguia para a sala de ordenha, Clara foi abordada pelo pai de uma bebê prematura alimentada com o leite doado por ela. “Ele me agradeceu chorando. Disse que a filha dele estava se alimentando graças àquela dedicação. Foi um dos momentos mais marcantes que vivi. Você entende que não está só alimentando bebês, mas também esperança”, conta. 

Hoje, Clara incentiva outras mães que podem doar a conhecerem o processo, mesmo diante dos desafios da rotina de ordenha. “A doação é um processo desafiador. Você precisa ter uma rotina de ordenha com horários certos, uma boa alimentação, uma hidratação excelente, mas vale cada esforço. Saber que eu pude fazer parte da vida de tantos bebês em um momento tão delicado é algo muito gratificante”, comenta.


Com evolução rápida e risco de morte em até 24 horas, meningite exige alerta dos pais para vacinação e sintomas iniciais

Infecção grave da membrana do cérebro pode deixar sequelas neurológicas permanentes e ter taxa de mortalidade de até 20%; pediatra orienta como identificar manchas na pele, rigidez de nuca e manter o esquema vacinal atualizado. 

 

Febre alta, dor de cabeça, vômitos, sonolência e irritabilidade podem, inicialmente, ser confundidos com manifestações de doenças comuns na infância. Quando esses sintomas estão relacionados à meningite bacteriana, porém, o quadro pode evoluir rapidamente e se tornar fatal em até 24 horas. A rapidez no reconhecimento dos sinais e na procura por atendimento médico é determinante para reduzir o risco de morte e de sequelas permanentes.

A meningite é uma inflamação das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. A doença pode ser provocada por vírus, bactérias, fungos e outros agentes, mas a forma bacteriana é considerada a mais grave. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente uma em cada seis pessoas que desenvolvem meningite bacteriana morre e uma em cada cinco pode apresentar complicações importantes.

De acordo com a pediatra Dra. Paulla Couto, os sinais mais conhecidos incluem febre alta, dor de cabeça intensa, vômitos, rigidez na nuca, sensibilidade à luz, confusão e sonolência excessiva. Manchas avermelhadas ou arroxeadas na pele que não desaparecem quando pressionadas também podem indicar uma infecção meningocócica grave e exigem atendimento imediato.

“A meningite é uma emergência médica. Os pais não devem esperar todos os sintomas aparecerem ou aguardar a criança melhorar em casa. Diante de febre associada a prostração intensa, rigidez na nuca, alteração de consciência, convulsões ou manchas na pele, a orientação é procurar imediatamente um serviço de urgência”, alerta a pediatra.

Nos bebês, a identificação pode ser ainda mais difícil, porque a rigidez na nuca nem sempre está presente. Irritabilidade intensa, choro inconsolável, recusa alimentar, vômitos, sonolência fora do habitual, dificuldade para despertar, moleira elevada e perda de interesse pelo ambiente estão entre os sinais que merecem atenção.

“Os bebês não conseguem demonstrar onde sentem dor e podem apresentar sintomas pouco específicos. Por isso, uma mudança repentina de comportamento, especialmente quando acompanhada de febre, dificuldade para mamar ou sonolência excessiva, nunca deve ser ignorada”, explica Paulla.

Além do atendimento rápido diante dos sintomas, a vacinação é uma das principais formas de prevenção. O Calendário Nacional de Vacinação contempla imunizantes que protegem contra diferentes agentes capazes de causar meningite. Na rede pública, a vacina meningocócica C é aplicada aos três e cinco meses, com reforço da meningocócica ACWY aos 12 meses. Adolescentes de 11 a 14 anos também devem receber uma dose da ACWY, conforme a situação vacinal.

Na rede privada, as sociedades brasileiras de Pediatria e de Imunizações recomendam, sempre que possível, a utilização da vacina meningocócica ACWY desde os primeiros meses de vida, ampliando a proteção contra os meningococos dos tipos A, C, W e Y. O esquema e os reforços variam conforme a idade em que a vacinação foi iniciada e devem ser definidos com orientação médica.

O calendário privado também contempla a vacina meningocócica B, que protege contra a doença provocada pelo meningococo do tipo B e não está disponível rotineiramente na rede pública. Para crianças, a recomendação inclui duas doses aos três e cinco meses e um reforço entre 12 e 15 meses. Quando a vacinação começa em outra faixa etária, o número de doses e os intervalos precisam ser ajustados.

Outras vacinas, como a BCG, a pentavalente e as pneumocócicas, também ajudam a prevenir formas graves da doença causadas por diferentes agentes. Como nenhum imunizante protege contra todas as possíveis causas de meningite, a pediatra reforça que a vacinação não elimina a necessidade de observar os sintomas e procurar atendimento diante de sinais de alerta.

“Manter a caderneta atualizada reduz significativamente o risco de algumas das formas mais graves da meningite. Os pais devem levar o cartão às consultas pediátricas ou aos serviços de vacinação para verificar se existe alguma dose em atraso e avaliar as vacinas complementares indicadas para a idade, sem esperar o surgimento de casos próximos ou de campanhas específicas”, orienta.

Quando existe suspeita da doença, não é recomendado oferecer medicamentos por conta própria e aguardar a evolução em casa. A criança precisa ser avaliada com urgência para que o diagnóstico e o tratamento sejam iniciados o mais rápido possível. “Na meningite, cada hora pode fazer diferença. Informação, vacinação e acesso rápido ao atendimento formam a principal rede de proteção para as crianças”, conclui Dra. Paulla Couto.

 


Fonte: Dra. Paulla Couto | Pediatra.

Fontes dos dados: Organização Mundial da Saúde (OMS), Ministério da Saúde, Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).


Agosto Dourado e sorriso saudável

Campanha reforça que os cuidados com a saúde bucal durante a gestação influenciam o desenvolvimento do bebê e ajudam a prevenir complicações para mãe e filho 

 

O Agosto Dourado é conhecido nacionalmente por incentivar o aleitamento materno e conscientizar sobre a importância dos primeiros cuidados com o bebê. O que muitas famílias desconhecem é que a saúde bucal da gestante também faz parte desse processo e pode influenciar tanto a gravidez quanto os primeiros meses de vida da criança. O acompanhamento odontológico durante a gestação é considerado seguro e desempenha papel importante na prevenção de doenças que podem comprometer a saúde da mãe e do bebê.

Alterações hormonais típicas da gravidez aumentam a predisposição a problemas como gengivite, sangramentos e doença periodontal. Quando essas condições não são tratadas, podem desencadear inflamações capazes de afetar o organismo como um todo. Estudos científicos apontam associação entre doença periodontal e maior risco de parto prematuro e baixo peso ao nascer, reforçando a importância do pré-natal odontológico como parte dos cuidados integrais com a gestante.

Para a cirurgiã-dentista Dra. Bruna Rafaela Machado, da Bruna Rafaela Odontologia, o acompanhamento odontológico deve fazer parte da rotina do pré-natal. "Existe um mito de que a gestante não pode fazer tratamento odontológico, quando, na verdade, ela deve manter esse acompanhamento durante toda a gravidez. Cuidar da saúde bucal nesse período é cuidar da saúde da mãe e também oferecer ao bebê um começo de vida mais saudável", afirma.

Além dos benefícios para a gestante, os hábitos adquiridos nessa fase refletem diretamente na saúde da criança. A orientação sobre higiene oral do recém-nascido, a importância do aleitamento materno para o desenvolvimento da face e da arcada dentária, bem como os cuidados com a introdução alimentar e a prevenção da cárie na primeira infância, fazem parte das recomendações que podem ser iniciadas ainda durante a gravidez.

Outro ponto importante é que a primeira consulta odontológica do bebê não deve acontecer apenas quando surgirem os primeiros dentes. A recomendação é que os pais procurem orientação logo nos primeiros meses de vida, permitindo que recebam informações sobre limpeza da boca, hábitos de sucção, uso de chupetas e mamadeiras e prevenção de alterações no desenvolvimento bucal.

"A prevenção começa antes mesmo do nascimento. Quando a família recebe orientação desde a gestação, consegue adotar hábitos mais saudáveis, prevenir doenças e proporcionar um desenvolvimento bucal muito mais adequado para a criança. A informação é uma das maiores ferramentas de prevenção que temos", destaca a dentista.

Durante o Agosto Dourado, a mensagem vai além do incentivo ao aleitamento materno. O período também reforça a importância de um cuidado integrado entre médicos, dentistas e demais profissionais da saúde, garantindo que mãe e bebê recebam acompanhamento completo desde o início da gestação. A atenção à saúde bucal representa mais qualidade de vida, prevenção de doenças e um futuro mais saudável para toda a família.

 


Bruna Rafaela Odontologia

Dra. Bruna Rafaela Machado -CRO-PR 24431- Cirurgiã-Dentista, Clínica Geral e habilitada em Sedação com Óxido Nitroso
@brunarafaelaodontologia
www.brunarafaelaodontologia.com.br
Rua Dr. Lauro Wolff Valente, 176, Curitiba, Paraná.


Avanços no tratamento dos linfomas ampliam perspectivas para pacientes

No Agosto Verde-Claro, especialistas reforçam a importância de reconhecer os sinais da doença e buscar avaliação médica precocemente
 

O Agosto Verde-Claro chama a atenção para a conscientização sobre os linfomas, grupo de cânceres que acomete o sistema linfático e pode se manifestar por sinais muitas vezes negligenciados pela população. Nos últimos anos, a onco-hematologia viveu uma transformação significativa, impulsionada pelo desenvolvimento de novas terapias que vêm ampliando as possibilidades de tratamento e os desfechos para os pacientes. 

Entre os avanços mais recentes está a aprovação, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do glofitamabe, um medicamento classificado como anticorpo biespecífico, indicado para pacientes com um tipo agressivo de linfoma que voltou após o tratamento ou não respondeu às terapias disponíveis e que não podem ser submetidos ao transplante de células-tronco. A nova opção amplia as possibilidades de tratamento para um grupo de pacientes que, até então, contava com alternativas mais limitadas. O medicamento se soma a outras inovações que vêm transformando o cuidado dos linfomas, como terapias-alvo, imunoterapias, anticorpos monoclonais e a terapia celular CAR-T. 

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa é de 15.630 novos casos de linfoma por ano no Brasil entre 2026 e 2028, sendo 12.560 de linfoma não Hodgkin e 3.070 de linfoma de Hodgkin. Apesar dos avanços terapêuticos, o diagnóstico precoce continua sendo um dos principais fatores para ampliar as chances de sucesso do tratamento. Entre os sinais de alerta estão o aumento persistente de gânglios ("ínguas"), especialmente quando indolores, além de febre sem causa aparente, suor noturno intenso, perda de peso inexplicada e fadiga persistente. 

"Vivemos uma mudança muito importante no tratamento dos linfomas. Hoje contamos com terapias-alvo, imunoterapias, anticorpos monoclonais e terapia celular CAR-T, além da chegada de novas moléculas que ampliam as possibilidades terapêuticas e trazem resultados cada vez mais promissores para muitos pacientes. Ao mesmo tempo, é fundamental que a população esteja atenta aos sinais da doença. Todos nós temos gânglios pelo corpo, mas quando eles aumentam, permanecem por semanas ou vêm acompanhados de outros sintomas, é importante procurar avaliação médica para investigar a causa", explica Jayr Schmidt Filho, Líder do Centro de Referência em Neoplasias Hematológicas do A.C.Camargo Cancer Center. 

Os linfomas também estão entre os cânceres mais frequentes na infância e na adolescência. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), eles figuram entre os três tipos de câncer pediátrico mais comuns. Embora os sinais possam ser semelhantes aos observados em adultos, como aumento persistente dos gânglios, febre, perda de peso e suor noturno, o reconhecimento precoce dos sintomas e a avaliação especializada são fundamentais para o início oportuno do tratamento. 

"Hoje, os linfomas pediátricos apresentam altas taxas de cura graças aos avanços no diagnóstico e nas opções terapêuticas. Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de sucesso do tratamento. Além disso, o diagnóstico preciso, o acompanhamento por uma equipe especializada em oncologia pediátrica e o acesso às terapias mais atuais fazem toda a diferença nos resultados desses pacientes", afirma Dra. Viviane Sonaglio, Líder do Centro de Referência em Tumores Pediátricos do A.C.Camargo. 

Neste Agosto Verde-Claro, o A.C.Camargo Cancer Center reforça que informação, acesso à avaliação especializada e inovação caminham lado a lado para promover diagnósticos mais precoces e tratamentos cada vez mais personalizados.

 

A.C.CAMARGO CANCER CENTER

 

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