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sábado, 25 de julho de 2026

7 sinais de que o problema não é falta de disciplina na dieta

Exames, microbiota, sono e histórico individual ajudam a explicar por que estratégias iguais podem gerar respostas diferentes

 

Uma resolução aprovada pela Organização Mundial da Saúde em maio de 2026 colocou a medicina de precisão na agenda global ao defender a integração de genômica, diagnósticos, ciência de dados e saúde digital aos sistemas de saúde. A decisão reforça uma mudança que começa a chegar também à rotina de quem busca melhorar o metabolismo, a composição corporal e qualidade de vida. O cuidado com a saúde passa a considerar, cada vez mais, dados individuais, histórico clínico, hábitos e resposta biológica de cada pessoa.

Segundo o Fórum Econômico Mundial, avanços em genômica e ciência de dados já impulsionaram mais de 4 mil terapias de precisão no mundo. Embora o dado esteja ligado principalmente ao desenvolvimento de tratamentos médicos, ele ajuda a explicar por que o modelo único para todos vem sendo questionado em diferentes áreas da saúde.

Para Bruna Makluf, especialista em saúde intestinal e metabólica e diretora de Nutrição da WeFit, healthtech brasileira que usa testes genéticos, microbiota e inteligência artificial no acompanhamento nutricional remoto, essa transformação não significa trocar o olhar profissional por tecnologia.

“A saúde personalizada muda a lógica do cuidado porque parte do princípio de que duas pessoas com o mesmo peso, a mesma idade e o mesmo objetivo podem responder de formas muito diferentes a uma dieta, a um suplemento ou a uma rotina. O protocolo deixa de ser baseado apenas no que funciona para a maioria e passa a considerar o que faz sentido para aquele organismo”, afirma Bruna.


O corpo começa a ser lido antes da dieta

Durante décadas, recomendações de saúde foram construídas a partir de padrões amplos. Esse modelo ainda é importante para orientar políticas públicas e condutas clínicas, mas mostra limites quando o assunto envolve resposta metabólica, comportamento alimentar, inflamação, sono, apetite, composição corporal e manutenção de resultados no longo prazo.

Na prática, a nutrigenética ajuda a entender como variações no DNA podem influenciar o metabolismo de carboidratos e gorduras, a tendência à fome, o aproveitamento de vitaminas e a resposta a determinados nutrientes. Já a análise da microbiota intestinal observa o equilíbrio das bactérias do intestino, fator associado à digestão, à imunidade, à inflamação e à forma como cada pessoa responde à alimentação.

Segundo Bruna, alguns sinais indicam que uma orientação genérica pode não estar respondendo às necessidades individuais do organismo. Eles não fecham diagnóstico nem substituem avaliação profissional, mas ajudam a entender quando é hora de investigar melhor.

 

  • Seguir tudo corretamente e não ter resposta 

O primeiro sinal é cumprir a orientação alimentar, manter rotina de exercícios e ainda assim não observar melhora em energia, digestão, composição corporal ou exames. “Muitas pessoas chegam achando que falharam, quando, na verdade, talvez estejam seguindo uma estratégia que não conversa com o próprio organismo”, diz a nutricionista.

 

  • Viver ciclos de perda e reganho de peso 

O chamado efeito sanfona costuma ser associado apenas à falta de constância, mas pode envolver fome, sono ruim, estresse, restrição excessiva, perda de massa muscular e adaptação metabólica. Para Bruna, repetir a mesma estratégia depois de várias tentativas frustradas pode aumentar a sensação de culpa e afastar a pessoa de uma investigação mais precisa.

 

  • Ter sintomas intestinais frequentes 

Inchaço, gases, constipação ou diarreia recorrentes não devem ser tratados como algo normal da rotina. Esses sintomas podem ter diferentes causas e precisam ser avaliados com histórico clínico, hábitos alimentares e, quando indicado, exames complementares. “O intestino dá sinais importantes. O erro é tentar resolver tudo com cortes alimentares aleatórios ou suplementos sem orientação”, afirma.

 

  • Sentir muita fome ou queda de energia 

Fome constante, compulsão por doces, cansaço depois das refeições ou dificuldade de manter saciedade podem indicar que a dieta não está ajustada à rotina, ao gasto energético, ao sono ou à resposta metabólica da pessoa. Nesses casos, a avaliação individual ajuda a diferenciar comportamento, restrição exagerada e necessidades nutricionais reais.

 

  • Responder mal a estratégias populares 

Jejum prolongado, dietas muito restritivas, cortes radicais de carboidratos ou suplementação sem indicação individual podem funcionar para algumas pessoas e piorar a rotina de outras. A saúde personalizada não significa criar uma regra para cada detalhe, mas entender quais condutas fazem sentido para aquele histórico.

 

  • Ter exames alterados apesar das mudanças 

Glicemia, colesterol, marcadores inflamatórios, deficiências nutricionais e outros indicadores podem não melhorar apenas com recomendações gerais. Quando isso acontece, o acompanhamento profissional ajuda a cruzar dados, sintomas, alimentação, rotina e histórico familiar para evitar uma leitura isolada dos resultados.

 

  • Não conseguir manter resultados no longo prazo 

A dificuldade de sustentar resultados também pode indicar que o plano não cabe na vida real. “O dado sozinho não resolve. O que faz diferença é transformar esse dado em uma conduta possível, considerando contexto, rotina, preferências, histórico e comportamento”, afirma Bruna.

Na WeFit, o protocolo começa com testes feitos em casa, incluindo genética e microbiota intestinal, e segue com interpretação nutricional, plano individualizado, acompanhamento remoto com nutricionistas e uso de tecnologia para monitorar a evolução. Quando necessário, os pacientes são encaminhados para outras especialidades.

Para a diretora de Nutrição, o maior desafio do setor será separar a personalização real da promessa simplificada. “Saúde personalizada não é trocar uma dieta pronta por outra com aparência mais tecnológica. É usar evidências, exames e acompanhamento profissional para entender por que uma estratégia funciona para uma pessoa e não para outra”, afirma.

 

 



Bruna Makluf - nutricionista, diretora de Nutrição da WeFit e especialista em emagrecimento, saúde metabólica, composição corporal, saúde intestinal, doenças crônicas e longevidade. Graduada em Nutrição pela Universidade Federal de Alfenas (Unifal) em 2008, possui especializações em Nutrição Clínica, Fitoterapia e Nutrição Comportamental, formação em Saúde Intestinal e mestrado em Saúde pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Sua atuação é baseada na individualização do cuidado, integrando evidências científicas, genética, saúde intestinal, exames laboratoriais e hábitos de vida para construir estratégias nutricionais adaptadas às necessidades de cada paciente. É fonte para temas relacionados ao emagrecimento, saúde intestinal, prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares, saúde metabólica e longevidade.
Para mais informações, acesse: Linkedin e Instagram.



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Fontes de Pesquisa:

Organização Mundial da Saúde
https://www.who.int/news/item/22-05-2026-world-health-assembly-endorses-resolution-on-precision-medicine

Fórum Econômico Mundial
https://www.weforum.org/stories/2025/10/asia-pacific-transform-medicine-economies/


Dia dos Avós: 5 atitudes que ajudam a envelhecer com autonomia e aproveitar mais tempo com os netos

 
Geriatra explica como hábitos saudáveis, prevenção e o tratamento adequado de doenças crônicas ajudam a preservar a capacidade funcional ao longo dos anos 


A chegada dos netos costuma ser um incentivo para cuidar melhor da própria saúde. Mais do que aumentar a expectativa de vida, o desafio é chegar à terceira idade com autonomia para se fazer o que gosta e participar ativamente da vida familiar. Por isso, para comemorar o Dia dos Avós, celebrado em 26 de julho, a Prati-Donaduzzi conversou com o geriatra Marcos Quirino e reuniu dicas para aliar longevidade e bem-estar. 

Segundo o médico, o conceito de envelhecimento saudável mudou e deixou de ser apenas um idoso que não tem doenças. “É aquele que cuida da saúde, mantém suas condições sob controle e preserva a capacidade de viver com autonomia. O envelhecimento é como uma poupança. Tudo aquilo que você investe em saúde física, mental e prevenção ao longo dos anos será refletido na velhice", reflete. 

Esse investimento também inclui o diagnóstico precoce e o tratamento adequado de doenças crônicas e neurológicas, que podem comprometer a independência. Confira cinco cuidados elencados pelo especialista para reduzir o risco de limitações futuras e permitir que o idoso continue ativo e presente nos momentos mais importantes da vida.
 

1. Mantenha as doenças crônicas sob controle
 

Hipertensão, diabetes e outras doenças crônicas estão entre as principais causas de perda da capacidade funcional quando não são acompanhadas de perto. Além de aumentar o risco de complicações como infarto e AVC, essas doenças podem comprometer a mobilidade, a cognição e a independência. 

"Controlar essas condições reduz o risco de complicações e permite que o idoso mantenha sua autonomia por mais tempo. O tratamento adequado ajuda a preservar a qualidade de vida e evita limitações que poderiam ser prevenidas”, destaca o médico. 

Nesse contexto, a Prati-Donaduzzi possui um portfólio de medicamentos voltado ao tratamento de doenças do Sistema Nervoso Central (SNC), além de hipertensão e diabetes, reforçando a importância do acesso à terapia medicamentosa para preservar a capacidade funcional e a qualidade de vida na terceira idade.
 

2. Cuide também da saúde mental 

Envelhecer de forma saudável também significa cuidar da saúde emocional e do cérebro. O médico alerta que depressão, ansiedade e doenças neurodegenerativas podem favorecer o isolamento social, reduzir a disposição e acelerar a perda da autonomia quando não recebem atenção. 

"Muitos idosos deixam de sair de casa, praticar atividades físicas e até abandonam tratamentos por causa da depressão. Quanto mais cedo essas alterações são identificadas, melhores são os resultados”, explica.
 

3. Preserve a força muscular 

A perda de massa muscular faz parte do envelhecimento, mas pode ser retardada. Exercícios de fortalecimento, caminhadas e outras atividades orientadas ajudam a melhorar o equilíbrio, prevenir quedas e facilitar tarefas simples do dia a dia, como subir escadas, carregar compras ou brincar com os netos. 

"Nunca é tarde para começar. Tenho pacientes que iniciaram atividade física após os 70 anos e conquistaram ganhos importantes de força, equilíbrio e qualidade de vida", conta o médico.
 

4. Não abandone as consultas nem os medicamentos 

Muitas doenças evoluem de forma silenciosa e só apresentam sintomas quando já provocaram complicações. Por isso, manter as consultas em dia, realizar exames periódicos e seguir corretamente o tratamento indicado é essencial para preservar a saúde ao longo dos anos. 

"O medicamento, quando indicado, faz parte de um conjunto de cuidados que inclui alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento médico. A adesão ao tratamento é um dos fatores que mais contribuem para preservar a capacidade funcional", afirma Marcos Quirino.
 

5. A participação da família   

A autonomia também depende da saúde emocional. Caminhadas, passeios, viagens, brincadeiras com os netos e momentos de convivência ajudam a combater o isolamento, estimulam a memória e contribuem para uma vida mais ativa. 

"A família faz toda a diferença. Quando filhos e netos participam desse processo, o idoso costuma aderir melhor aos tratamentos, manter hábitos mais saudáveis e preservar a independência por mais tempo", finaliza.

 

Prati-Donaduzzi

 

Dia Internacional do Autocuidado: meditação ajuda a reduzir a sobrecarga mental e fortalecer o bem-estar

Magnific
Professora de meditação explica como pequenos momentos de atenção plena ajudam a reduzir o estresse, aumentar a consciência e promover mais qualidade de vida


Em meio a uma rotina marcada por excesso de compromissos, estímulos constantes e pouco tempo para desacelerar, o Dia Internacional do Autocuidado, celebrado em 24 de julho, reforça a importância de práticas que contribuam para o bem-estar físico e emocional.

Mais do que momentos dedicados à estética ou ao lazer, o autocuidado envolve hábitos que fortalecem a saúde mental, o equilíbrio e a qualidade de vida. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 bilhão de pessoas vivem com algum transtorno de saúde mental, o que evidencia a necessidade de ampliar estratégias de promoção do bem-estar e prevenção do adoecimento mental.

Entre as práticas que ganham espaço está a meditação, reconhecida por estimular a atenção plena, fortalecer a conexão consigo mesmo e favorecer uma rotina mais consciente. Para a professora de meditação e yoga, mentora espiritual e coach em Ayurveda, Fernanda Ester Machado, o autocuidado começa quando aprendemos a direcionar atenção às próprias necessidades, em vez de viver continuamente no piloto automático.

"É comum associarmos o autocuidado apenas a um momento de lazer ou aos cuidados com a aparência, mas ele começa muito antes disso. Cuidar de si é perceber como estamos emocionalmente, reconhecer nossos limites e cultivar momentos de presença ao longo do dia. A meditação nos ajuda a desenvolver essa consciência", explica Fernanda.

Segundo a especialista, a prática não elimina os desafios da rotina, mas modifica a forma como lidamos com eles. Ao criar momentos de pausa e atenção plena, a meditação contribui para reduzir a sobrecarga mental, ampliar a clareza nas decisões e favorecer o equilíbrio emocional.

"Vivemos cercados por estímulos e cobranças. Quando dedicamos alguns minutos para respirar e observar os pensamentos, treinamos a mente para responder às situações com mais calma e consciência, em vez de reagir automaticamente", afirma.

Fernanda ressalta que o autocuidado não deve ser encarado como uma recompensa reservada para quando sobra tempo na agenda, mas como um compromisso diário consigo mesmo.

"O autocuidado não precisa ser algo grandioso. Pequenos momentos de presença ao longo do dia já fazem diferença. Quando aprendemos a cuidar da mente com a mesma atenção que dedicamos ao corpo, construímos uma relação mais saudável conosco. Esse equilíbrio passa a refletir em nossas escolhas, nos relacionamentos e na forma como enfrentamos os desafios cotidianos", destaca.

Para quem deseja iniciar a prática, a especialista recomenda reservar entre cinco e sete minutos por dia em um ambiente tranquilo, direcionando a atenção para a respiração, sem a preocupação de controlar ou eliminar os pensamentos.

"Meditar é criar um espaço para estar presente. Não existe um jeito perfeito de começar. O mais importante é cultivar esse momento de conexão consigo mesmo e transformá-lo em um hábito. O autocuidado nasce dessas pequenas escolhas diárias, que fortalecem o equilíbrio e promovem uma vida mais consciente", conclui Fernanda.

Para quem deseja começar, Fernanda indica algumas práticas simples que podem ser incorporadas ao dia a dia.


Como começar a meditar


Respire com intenção: inspire profundamente, expire lentamente e repita por alguns ciclos.


Visualize o que deseja: imagine uma situação positiva e conecte-se às emoções desse momento como se ele já estivesse acontecendo.


Faça perguntas a si: O que preciso curar hoje? O que preciso receber de mim? Qual é a melhor coisa que pode acontecer no meu dia?


Mantras de gratidão: reserve alguns minutos para repetir um mantra de amor e gratidão. Aproveite esse momento para agradecer pela vida e fazer afirmações positivas.


No livro “Encontre o Extraordinário em Meio às Cicatrizes”, lançado em 2025, Fernanda apresenta o Método SOL (Sofrimento Obrigatório Liberta), um caminho de sete etapas que propõe ressignificar experiências e criar perspectivas a partir da cura de traumas emocionais. Entre as práticas abordadas estão rituais como meditação, gratidão, afirmações positivas e a visualização do novo eu.

 

Fernanda Ester Machado - professora de meditação, mentora espiritual e coach em Ayurveda, com formação internacional. Também reikiana e professora de yoga, encontrou na espiritualidade o caminho para sua própria cura após vivências de abandono e sofrimento. Estudou com mestres como Bob Proctor, Michael Beckwith e Roger Gabriel, além de realizar treinamentos com monges budistas na Índia e na Tailândia. Ao longo dos últimos anos, impactou mais de 15 mil pessoas em retiros, mentorias e cursos presenciais e online. Seu trabalho une espiritualidade, neurociência e práticas terapêuticas, com foco em autoconhecimento, cura interior e desenvolvimento humano. Seu público é formado majoritariamente por mulheres em busca de reconexão com sua essência, libertação emocional e transformação de vida.


Quem dá a mão à palmatória?

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Psicanalista repercute pesquisa que traz dados sobre as palmadas e provoca reflexão: o que queremos ensinar aos filhos?

 

Uma recente pesquisa realizada pelo Instituto Futuro é Infância Saudável (Infinis) em parceria com a Quaest revelou que 91% dos brasileiros acreditam que o diálogo é o melhor caminho para educar os filhos. Ao mesmo tempo, cerca de metade dos pais admite já ter recorrido à palmadas em algum momento. Os números revelam o abismo entre a intenção e a prática. 

“A maioria dos pais deseja educar sem recorrer a tapas e puxões de orelha. Mas, diante do cansaço, da pressão do dia a dia ou da sensação de impotência, acaba reagindo de uma forma diferente daquela que realmente gostaria”, avalia Yafit Laniado, psicanalista e criadora da Relacionamentoria, mentoria especializada na relação entre pais e filhos. 

Segundo a abordagem de Alfred Adler, a questão que se deve colocar não é apenas se a palmada funciona ou não. A verdadeira pergunta é: o que queremos ensinar aos nossos filhos? 

“Quando um adulto utiliza a força para conseguir obediência, a criança pode até interromper o comportamento indesejado naquele momento. Porém, ela não aprende autocontrole, responsabilidade ou cooperação. Ela aprende que quem tem mais força consegue impor sua vontade. Por isso, a pergunta que os pais devem fazer a si mesmos não é ‘como faço meu filho parar de agir assim?’; a pergunta capaz de abrir nossos olhos e transformar nossa forma de educar é ‘Que tipo de pessoa eu quero ajudar meu filho a se tornar?’”, reflete a psicanalista. “Ao mudar essa perspectiva, os pais deixam de buscar apenas uma solução imediata e passam a investir na formação do caráter”. 

Yafit aprofunda: “queremos criar crianças que obedeçam apenas por medo? Ou adultos capazes de pensar, assumir responsabilidades, respeitar os outros e contribuir para a sociedade mesmo quando ninguém está olhando? Educar não significa controlar, mas desenvolver na criança a capacidade de fazer boas escolhas por convicção, e não apenas para evitar punições”. 

A especialista ressalta que esse tipo de ação exige dos pais algo muito mais desafiador do que castigar. “Exige construir uma relação baseada em respeito mútuo, firmeza, confiança e encorajamento. Limites continuam sendo indispensáveis, mas podem ser estabelecidos sem humilhação, sem tapas e sem gritos. A verdadeira autoridade não nasce do medo; nasce da consistência dos pais, da qualidade do relacionamento e da confiança construída no dia a dia”.

Adler afirma que todo ser humano busca pertencimento. Quando a criança sente que faz parte da família, que é valorizada e que pode contribuir, ela tem muito mais disposição para cooperar do que quando age apenas para evitar punições. 

Para Yafit, talvez o dado mais esperançoso dessa pesquisa não seja quantos pais já bateram nos filhos, mas o fato de que a imensa maioria acredita no diálogo. “Isso mostra que existe um desejo coletivo de encontrar formas mais conscientes e eficazes de educar. Educar é olhar além do comportamento de hoje e focar no adulto que queremos que nossos filhos se tornem amanhã. Quando essa passa a ser nosso principal objetivo, nossas atitudes também começam a mudar”, conclui.


Quando desligamos as telas, ligamo-nos às crianças

Vivemos numa era em que a tecnologia está presente em praticamente todos os momentos do cotidiano. As telas fazem parte do trabalho, da escola e do lazer. Esta realidade trouxe benefícios importantes, como o acesso rápido à informação e novas formas de comunicação. No entanto, trouxe também um desafio silencioso: a diminuição da qualidade da presença entre adultos e crianças. 

Falar de tempo de qualidade não é falar de quantidade de horas passadas em conjunto. É falar de disponibilidade emocional. Uma criança não mede o amor pelo tempo no relógio, mas pela forma como é vista, ouvida e acolhida. 

Na prática, tempo de qualidade acontece nos momentos simples do dia a dia. Uma conversa durante o jantar, uma história antes de dormir, uma brincadeira rápida na sala ou um passeio sem pressa. Estes pequenos gestos têm um impacto profundo no desenvolvimento emocional da criança, porque transmitem confiança, autoestima, segurança e pertencimento. 

As crianças aprendem sobretudo através do exemplo. Quando observam adultos constantemente ligados ao celular, entendem que essa é a forma natural de estar no mundo. Quando, pelo contrário, veem adultos guardando o celular para ouvir, conversar ou brincar, aprendem que a presença humana tem valor. 

A tecnologia não é o problema. Ela é uma ferramenta útil e, muitas vezes, necessária. O desafio está no equilíbrio. O risco surge quando o digital começa a ocupar o espaço do vínculo, da escuta e da convivência familiar. 

Além disso, quando o digital ocupa todos os momentos livres, até os pequenos instantes de espera deixam de existir. O tédio faz parte do desenvolvimento infantil, porque abrem espaço para a criatividade, a imaginação e a autonomia emocional. Nesses momentos, a criança aprende a criar, a inventar e a lidar consigo mesma. 

O que transforma a relação entre adultos e crianças são pequenas decisões conscientes: desligar as telas durante as refeições, estar disponível por alguns minutos sem distrações, ou simplesmente olhar e ouvir com atenção. 

Ao longo da vida, as crianças não se lembrarão da quantidade de tempo passado em frente a um dispositivo, mas sim da qualidade dos momentos vividos com as pessoas que mais amam. Lembrarão-se das conversas, das brincadeiras, do afeto e da sensação de serem importantes para alguém. 

Oferecer tempo de qualidade é, no fundo, um ato simples, mas profundamente transformador: é escolher estar presente. 

  

Daniella Starfiel - escritora, letrista, empreendedora criativa e autora do livro infantil “O Grande Dia da Escolha 

 

Os novos avós: envelhecimento ativo transforma a relação entre gerações


Idosos conciliam a convivência familiar com projetos pessoais, atividade física e autonomia. 
 Magnific

Mais independentes e socialmente ativos, idosos conciliam a convivência familiar com projetos pessoais, atividade física e autonomia 

 

Quando se pensa em avós, ainda é comum associá-los à imagem de quem dedica boa parte do tempo exclusivamente aos netos e à rotina familiar. Embora esse papel continue sendo essencial, o envelhecimento da população brasileira vem transformando essa realidade. Hoje, muitos homens e mulheres com mais de 60 anos conciliam a convivência com filhos e netos com viagens, prática de atividade física, estudos, trabalho e uma agenda social ativa, mostrando que a longevidade pode ser vivida com autonomia e protagonismo.

 

Mais do que uma mudança de comportamento, esse novo perfil reflete uma geração que chega à maturidade com maior expectativa de vida, melhores condições de saúde e o desejo de permanecer ativa, independente e socialmente participativa. Segundo o estudo Mercado Prateado Brasil (2024), da consultoria data8, o Brasil tinha 59 milhões de pessoas com 50 anos ou mais em 2024, o equivalente a 27% da população. Até 2044, esse grupo deverá alcançar 92 milhões de brasileiros, representando cerca de 40% da população nacional.

 

No Dia dos Avós, celebrado em 26 de julho, a data reforça a importância de discutir como a longevidade vem transformando o papel das pessoas idosas na família e na sociedade. Para a geriatra da MedSênior, Dra. Fernanda Sperandio, envelhecer com qualidade de vida depende não apenas dos cuidados com a saúde física, mas também da preservação da autonomia, da participação social e dos vínculos familiares.

 

"A relação entre avós, filhos e netos fortalece vínculos afetivos, estimula a memória e favorece a socialização. Mas é igualmente importante que a pessoa idosa preserve seus próprios interesses, mantenha uma rotina ativa e continue desenvolvendo projetos pessoais. Envelhecer com qualidade de vida também significa continuar exercendo o protagonismo sobre a própria história", afirma.

 

Esse equilíbrio também produz efeitos importantes sobre a saúde mental. O convívio entre diferentes gerações ajuda a reduzir o isolamento social, fortalecer os laços afetivos, ampliar o senso de pertencimento e estimular funções cognitivas, desde que seja conciliado com uma rotina que preserve a independência e a individualidade da pessoa idosa.

 

Uma nova forma de envelhecer

 

O aumento da expectativa de vida também mudou a forma como a sociedade enxerga a maturidade. A aposentadoria deixou de representar, necessariamente, uma fase de desaceleração para dar espaço a novos projetos, aprendizado contínuo, viagens, atividades físicas e participação social.

 

Envelhecer com autonomia significa preservar a capacidade de fazer escolhas e manter uma rotina ativa por mais tempo. Nesse contexto, a Dra. Fernanda ressalta a importância da prática regular de atividade física, do acompanhamento preventivo e da participação social ao longo da vida.

 

"A autonomia é construída no dia a dia. Quanto mais cedo a pessoa incorpora hábitos saudáveis, pratica atividade física e mantém uma vida social ativa, maiores são as chances de envelhecer com independência e qualidade de vida", destaca.

 

Entre as estratégias que contribuem para esse objetivo, a MedSênior desenvolve iniciativas como a oficina de saúde de Autonomia e Independência, voltada a pacientes com sarcopenia (perda de massa, força e função muscular). O programa estimula a prática sistemática de exercícios para fortalecer a musculatura, melhorar o equilíbrio e reduzir o risco de quedas, favorecendo uma vida mais ativa e independente.

 

Hábitos para envelhecer com autonomia e qualidade de vida

 

Segundo a geriatra, pequenas atitudes incorporadas à rotina fazem diferença para preservar a independência, a saúde e o bem-estar ao longo dos anos.

 

Movimente-se regularmente

A prática de atividade física ajuda a preservar força, equilíbrio e mobilidade, reduz o risco de quedas e favorece a independência nas atividades do dia a dia.

 

Cultive sua individualidade

Conviver com filhos e netos fortalece os vínculos afetivos, mas é importante manter espaço para os próprios interesses, escolhas e projetos.

 

Mantenha uma vida social ativa

Encontrar amigos, participar de grupos, viajar, fazer cursos ou desenvolver um hobby contribui para estimular o cérebro, reduzir o isolamento e promover bem-estar.

 

Invista em prevenção

Consultas médicas regulares, alimentação equilibrada e acompanhamento da saúde permitem identificar precocemente alterações e favorecem um envelhecimento mais saudável.

 

Nunca deixe de fazer planos

Aprender algo novo, realizar um sonho antigo ou iniciar uma atividade diferente fortalece o senso de propósito e mostra que a longevidade pode ser uma fase de novas descobertas, conquistas e realizações.

  


MedSênior
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Dia Internacional do Autocuidado: o verdadeiro bem-estar começa de dentro para fora

As redes sociais estão repletas de imagens que associam autocuidado a velas aromáticas, massagens, viagens, e outras fórmulas que prometem conduzir a esse caminho. No entanto, existe uma pergunta que raramente fazemos: quem é, realmente, a pessoa que está sendo cuidada?  

Sem autoconhecimento, cuidar de si corre o risco de se tornar apenas um conjunto de hábitos ou uma tentativa de aliviar o cansaço diário, sem compreender o que de fato importa ou o que nos leva a agir de determinada maneira diante das situações da vida. É como cuidar das folhas de uma árvore enquanto ignoramos a importância de suas raízes para a sua sobrevivência. 

Autocuidado é, antes de tudo, um encontro consigo mesmo. Um encontro que nem sempre é confortável, porque exige coragem para olhar para dentro, reconhecer limites, acolher suas fragilidades e também enxergar potenciais que permaneceram escondidos durante anos. 

Esse movimento nos convida justamente a interromper o ciclo do piloto automático em que tantas vezes vivemos. Convida-nos a fazer pausas conscientes para observar nossos pensamentos, crenças, emoções, padrões de comportamento e relações que parecem se repetir ao longo da vida.  

Carl Gustav Jung dizia que aquilo que permanece inconsciente dirige nossa vida, e nós chamamos isso de destino. Essa reflexão nos lembra que muitas escolhas são feitas a partir de feridas não reconhecidas, crenças limitantes, medos antigos e até comportamentos herdados de nossos ancestrais. Enquanto não iluminamos essas partes de nós, continuamos apenas reagindo à existência. 

Não estamos falando de alcançar uma versão perfeita de si mesmo, mas de cultivar uma relação mais verdadeira consigo. Essa jornada pode incluir, entre outras coisas, momentos de silêncio, terapia, leitura de um bom livro, escrita terapêutica, meditação, contato com a natureza ou, simplesmente, o exercício de estar verdadeiramente presente, sem permanecer preso ao passado ou excessivamente preocupado com o futuro. 

Cada pessoa encontrará seu próprio caminho, aquilo que faz sentido para sua realidade. O importante é compreender que nenhuma técnica, afirmação positiva ou ferramenta produzirá transformação se não houver disposição para a mudança e compromisso com a própria caminhada.  

Não podemos controlar tudo o que acontece ao nosso redor. Se pensarmos bem, controlamos muito pouco. Mas podemos escolher a maneira como respondemos aos acontecimentos. Essa postura fortalece nossa autonomia emocional e nos torna menos dependentes da validação externa. 

Quando nos conhecemos melhor, deixamos de buscar no outro aquilo que somente nós podemos nos oferecer. Nossa autoestima se fortalece. Deixamos de depender exclusivamente do reconhecimento alheio, e o amor-próprio passa a ser consequência. Aos poucos, aprendemos a apreciar o silêncio e a desfrutar da nossa própria companhia. Autocuidado começa pelo autoconhecimento porque somente quem se conhece pode aproveitar o melhor de si de maneira integral.  

 

Rosilda Amorim - Terapeuta Holística e Junguiana e autora do livro O Buscador do Autoconhecimento: Um caminho de volta a si


O isolamento no quarto: quando o comportamento do adolescente deixa de ser "fase" e vira sinal de depressão

 Especialista orienta pais a identificarem a linha tênue entre a introspecção típica da idade e o sofrimento psíquico silencioso, agravado pela falta de olho no olho e pelo refúgio excessivo no mundo virtual.

 

Passar mais tempo sozinho, fechar a porta do quarto e buscar maior privacidade faz parte do desenvolvimento da maioria dos adolescentes. Nessa fase, é natural que os jovens construam sua identidade, valorizem mais os amigos e procurem momentos de introspecção. No entanto, quando o isolamento se torna constante, acompanhado de perda de interesse pelas atividades que antes davam prazer, alterações de humor e distanciamento da família, o comportamento pode deixar de ser apenas uma característica da adolescência e passar a indicar um quadro de sofrimento psíquico.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão está entre os principais problemas de saúde que afetam adolescentes em todo o mundo. O transtorno pode comprometer o desempenho escolar, os relacionamentos, a autoestima e, nos casos mais graves, aumentar o risco de automutilação e suicídio. Ainda assim, muitos sinais passam despercebidos porque costumam ser confundidos com mudanças típicas da idade.

De acordo com a psicóloga especialista em ansiedade Eliane Alves, um dos maiores desafios é justamente diferenciar a necessidade saudável de privacidade de um isolamento motivado pelo sofrimento emocional. "O adolescente naturalmente busca mais autonomia e pode querer ficar sozinho em alguns momentos. O problema surge quando ele deixa de se conectar com a família, abandona atividades que antes gostava, evita os amigos e transforma o quarto em um refúgio permanente. Nesses casos, é importante olhar além da ideia de que 'isso é apenas uma fase'."

Outro fator que merece atenção é a substituição quase completa das relações presenciais pelo ambiente virtual. Embora a tecnologia faça parte da rotina dos jovens, o excesso de tempo em frente às telas pode intensificar o isolamento e dificultar a expressão das emoções. Em muitos casos, o adolescente permanece conectado o dia inteiro, mas cada vez mais distante das pessoas que convivem com ele.

"O mundo digital pode oferecer distração e sensação de pertencimento, mas não substitui a qualidade das relações presenciais. O contato olho no olho, o diálogo e a convivência familiar continuam sendo fundamentais para o desenvolvimento emocional. Quando o adolescente se refugia exclusivamente nas telas, pode estar tentando evitar emoções que não consegue elaborar", explica Eliane.

Além do isolamento, mudanças bruscas no sono, no apetite, queda no rendimento escolar, irritabilidade constante, falta de energia e comentários frequentes sobre inutilidade ou desesperança também merecem atenção. A especialista destaca que a depressão na adolescência nem sempre se manifesta apenas por tristeza. Em muitos jovens, ela aparece por meio da agressividade, do desinteresse ou de um aparente desânimo com tudo ao redor.

Para a psicóloga, a postura da família faz toda a diferença. Em vez de interpretar o comportamento como rebeldia ou falta de interesse, os pais precisam criar espaços seguros para o diálogo, demonstrando disponibilidade para ouvir sem julgamentos. "Muitos adolescentes não conseguem dizer claramente que estão sofrendo. Eles comunicam isso por meio do comportamento. Quanto mais acolhimento existe dentro de casa, maiores são as chances de esse jovem se sentir seguro para pedir ajuda."

Quando os sinais persistem por semanas ou começam a comprometer a rotina, a busca por acompanhamento psicológico torna-se fundamental. A intervenção precoce contribui para reduzir o sofrimento e fortalece os recursos emocionais necessários para enfrentar essa fase da vida. "A adolescência é um período de muitas transformações, mas sofrimento intenso nunca deve ser tratado como algo normal. Observar, acolher e buscar ajuda quando necessário pode fazer toda a diferença para que esse jovem atravesse esse momento com mais saúde emocional", conclui Eliane.


Fonte:
Eliane Alves -Psicóloga – especialista em ansiedade.


Exposição de crianças e adolescentes na mídia pode afetar saúde mental também na vida adulta, alerta psicóloga

Na semana de aniversário do ECA, especialista chama atenção para os riscos da superexposição de menores, dos antigos programas de TV às redes sociais

 

Na semana em que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) completa mais um aniversário como principal marco legal de proteção à infância e à adolescência no Brasil, o debate sobre os direitos de crianças e adolescentes ganha ainda mais espaço. Entre os temas que seguem atuais está a exposição precoce de menores na mídia e nas redes sociais, um fenômeno que pode trazer impactos para a saúde mental que se estendem até a vida adulta.

Antes das redes sociais, a imagem de crianças e adolescentes já era explorada em programas de televisão, concursos, comerciais, novelas e produções voltadas ao entretenimento. Hoje, com a presença digital cada vez mais forte, esse fenômeno se ampliou para perfis familiares, vídeos de rotina, publicidade infantil, influenciadores mirins e conteúdos compartilhados por pais e responsáveis.

O problema, segundo especialistas, é que a exposição precoce pode atravessar a infância e deixar marcas na autoestima, na percepção de identidade, na relação com o corpo e até na vida adulta. A criança, muitas vezes, passa a ser vista como personagem, produto ou fonte de engajamento antes mesmo de ter maturidade para compreender o alcance da própria imagem.

Para a psicóloga clínica Soraya Oliveira, que atende no centro clínico Órion Complex, em Goiânia, proteger crianças e adolescentes também significa cuidar da saúde mental e da privacidade no ambiente digital. “A exposição precoce pode gerar ansiedade, insegurança, necessidade constante de aprovação, medo de críticas e perda da privacidade. Além disso, aumenta o risco de cyberbullying e pode comprometer o desenvolvimento emocional”, explica.


Casos que ampliam o debate

Experiências de artistas que começaram a trabalhar ainda na infância ajudaram a ampliar o debate sobre os efeitos da exposição precoce. Um dos casos mais conhecidos é o da atriz norte-americana Jennette McCurdy que, entre outros papéis, interpretou Sam Puckett nas séries iCarly e Sam & Cat, da Nickelodeon. No livro de memórias “Estou feliz que minha mãe morreu”, ela conta que iniciou a carreira ainda criança por incentivo da mãe e que, mesmo quando demonstrou não querer mais atuar, sentiu-se pressionada a continuar.

Na obra, Jennette relata uma rotina marcada pelo controle da vida pessoal e profissional, pela preocupação constante com a aparência e por transtornos alimentares. A atriz deixou a atuação em 2017 e passou a se dedicar à escrita e à direção. Sua trajetória mostra como o sucesso e o reconhecimento público podem esconder sofrimento emocional, perda de autonomia e dificuldades para construir uma identidade desvinculada da imagem criada para o entretenimento.

No Brasil, a atriz Larissa Manoela também ampliou a discussão sobre os limites da gestão familiar na carreira de artistas mirins. A atriz começou a trabalhar aos 4 anos e ganhou projeção nacional ao interpretar a personagem Maria Joaquina no remake da novela “Carrossel”, do SBT.

Durante anos, sua carreira e seus negócios foram administrados pelos pais. Em 2023, já adulta, Larissa afirmou que decidiu assumir o controle da própria vida financeira e profissional após divergências sobre a gestão das empresas e do patrimônio construído ao longo de 18 anos de trabalho. As declarações foram contestadas pelos pais.

Sem permitir generalizações sobre outras famílias ou diagnósticos sobre as pessoas envolvidas, o episódio trouxe para o debate questões como autonomia, acesso às informações financeiras e participação de crianças e adolescentes nas decisões relacionadas ao próprio trabalho e à própria imagem. Também mostrou que os efeitos desse tipo de relação podem se prolongar até a vida adulta.

A preocupação, no entanto, não está apenas na fama. Também envolve crianças anônimas que têm fotos, vídeos, intimidade, rotina escolar, momentos de choro, broncas ou situações constrangedoras compartilhados nas redes sociais. Mesmo quando a intenção da família é afetuosa, esse conteúdo pode permanecer disponível por anos e afetar a forma como a criança será vista por colegas, familiares, escolas e, no futuro, até no ambiente profissional.

“Fazer registros de momentos especiais pode fazer parte da história da família. O excesso acontece quando a vida da criança é compartilhada de forma constante, inapropriada, sem respeitar sua privacidade, seus limites ou seu direito de não querer aparecer ou mesmo de se expor”, afirma Soraya.

 

Uso da internet começa cada vez mais cedo

Em uma semana dedicada à reflexão sobre os direitos de crianças e adolescentes, dados da TIC Kids Online Brasil 2025 mostram que 92% dos brasileiros de 9 a 17 anos são usuários de internet, o que representa cerca de 24 milhões de crianças e adolescentes. A pesquisa também aponta que o primeiro acesso à rede tem ocorrido cada vez mais cedo: 28% dos entrevistados relataram ter acessado a internet pela primeira vez até os 6 anos de idade.

Para a psicóloga, esse cenário exige mais atenção dos adultos. A discussão não deve ser apenas sobre proibir o uso de telas, mas sobre proteger a privacidade, respeitar o tempo de desenvolvimento e evitar que a criança seja transformada em conteúdo. “Quando a criança cresce buscando validação por curtidas e comentários, pode desenvolver uma autoestima frágil e dificuldade para construir sua própria identidade. Na vida adulta, isso pode gerar insegurança, dependência da aprovação e dificuldades nos relacionamentos”, explica.

Segundo Soraya, alguns sinais de alerta podem indicar que a exposição ou o uso das redes está afetando o bem-estar emocional de crianças e adolescentes.

“Mudanças de humor, ansiedade, tristeza, frustração, isolamento, preocupação exagerada com aparência, número de seguidores ou curtidas, além de irritação quando não consegue acessar as redes, merecem atenção”, orienta.

Para a psicóloga, a proteção da infância começa nas escolhas cotidianas dos adultos, inclusive nas redes sociais. “Priorize a segurança, respeite a privacidade. Nem tudo que é vivido em família precisa ser publicado. Algumas das memórias mais importantes são aquelas que permanecem protegidas no coração. O vínculo afetivo é mais importante do que qualquer postagem. A proteção da infância começa nas pequenas escolhas que fazemos todos os dias, inclusive nas redes sociais”, conclui.


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