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quinta-feira, 18 de junho de 2026

Saúde da Mulher: Nem vilões nem heróis, hormônios necessitam de avaliação individual da paciente

 

Coordenadoras da Inspirali Pós Medicina esclarecem dúvidas sobre o tema

 

Menopausa, reposição hormonal, anticoncepção, fertilidade, alterações menstruais, hipotireoidismo. Muitas são as situações em que os hormônios são indicados para melhorar a qualidade de vida das mulheres. Mas também muitas são as incertezas quanto aos efeitos colaterais e sobre a real necessidade destas substâncias no organismo. 

Pensando em esclarecer as principais dúvidas das mulheres sobre o tema, a Inspirali Pós Medicina, maior ecossistema de educação médica continuada do Brasil, reuniu informações de duas de suas coordenadoras em Endocrinologia e Metabologia, Dra. Rosane Resende Brasil e Dra. Marise Tinoco. Confira:

 

•  Quais os principais tipos de hormônios receitados para as mulheres? Para que eles são indicados?

R: Os principais hormônios são estrogênio, progesterona e hormônios da tireoide. Eles podem ser indicados para menopausa, reposição hormonal, anticoncepção, fertilidade, alterações menstruais e hipotireoidismo (o qual tem sua maior prevalência em mulheres na faixa etária da menopausa).


•  Quais os principais benefícios da terapia com hormônios para a saúde da mulher?

R: A terapia hormonal na menopausa está indicada quando a mulher possui sintomas como fogachos, ressecamento vaginal, oscilação do humor e insônia, mas a indicação vai além disso, pois ajuda na saúde óssea e na Síndrome geniturinária, melhorando, assim, sua qualidade de vida. Hoje estamos vivendo mais e a reposição traz impactos positivos na saúde futura da mulher.


•  E quais os principais riscos?

R: Os riscos variam conforme idade, histórico clínico e tipo de hormônio, além da via de administração utilizada. Podem incluir trombose, alterações cardiovasculares e aumento do risco de alguns tipos de câncer em situações específicas.


•  Por que a reposição de hormônios é necessária?

R: A reposição hormonal pode ser necessária quando ocorre uma deficiência hormonal associada a sintomas que comprometem a saúde, o bem-estar ou a qualidade de vida da mulher. O objetivo é restaurar níveis hormonais adequados, aliviar sintomas e prevenir algumas consequências da deficiência hormonal a longo prazo.


•  Quando saber se realmente são necessários?

R: A indicação deve ser individualizada, baseada em sintomas, exames, idade e avaliação médica completa. Existe uma janela de oportunidade que compreende até 10 anos da menopausa ou até 60 anos de idade. Fora desse período, os estudos mostram que pode não haver benefícios, com aumento os riscos.


•  Há riscos em consumir diferentes tipos de hormônios?

R: Sim. O uso sem acompanhamento médico ou em doses inadequadas pode trazer riscos significativos à saúde como aumento do risco de trombose, sangramentos anormais e sinais de hiperandrogenismo como calvície, acne, hirsutismo (excesso de pelos), engrossamento da voz e aumento do risco cardiovascular.


•  Quais os principais efeitos colaterais na utilização de hormônios?

R: Os mais comuns incluem retenção de líquido, sensibilidade mamária, dor de cabeça, alterações de humor e sangramentos irregulares.


•  Há avanços da medicina em relação à composição de hormônios? Quais?

R: Sim. Hoje existem hormônios mais modernos, com doses menores, vias transdérmicas e formulações mais individualizadas, que podem reduzir efeitos adversos.


•  Podemos dizer que atualmente os hormônios são mais seguros para a saúde da mulher?

R: Quando bem indicados e acompanhados, os tratamentos atuais são mais seguros e personalizados do que no passado. Hoje a tendência é utilizarmos mais os hormônios bioidênticos ou isomoleculares uma vez que são similares aos hormônios ovarianos.


•  Vocês consideram a utilização de hormônios benéfica?

R: Sim, principalmente em casos de menopausa sintomática, insuficiência hormonal e algumas condições ginecológicas e endócrinas específicas. Mas o importante não é só fazer a reposição hormonal e sim também estimular mudança no estilo de vida, com alimentação saudável, práticas de atividades física, controle de obesidade e do estresse. 


•  Há riscos no uso ininterrupto de hormônios por muitos anos?

R: A reposição hormonal sempre deve ser acompanhada pelo médico com exames clínicos e radiológicos periódicos a fim de detectar qualquer problema que necessite interromper o tratamento. Pelas atuais diretrizes, não é necessário suspender o tratamento se a paciente estiver bem e seus exames não mostrarem nenhuma anormalidade.

 

Com 98,5% de sucesso e zero complicações, implantes de marcapasso sem eletrodos no Brasil superam média norte-americana

Com treinamento inédito ministrado exclusivamente por Doutores brasileiros, o país consolida a autossuficiência na capacitação de tecnologia médica de ponta, replicando os excelentes índices dos Estados Unidos.

 

O Brasil atingiu um novo patamar de excelência na medicina de alta complexidade. Dados clínicos consolidados sobre o implante do Aveir™, o marcapasso sem eletrodos (leadless) da Abbott, apontam que o país alcançou uma taxa de 98,5% de sucesso clínico dos 68 pacientes tratados até o momento, sendo que o primeiro implante foi em junho de 2025. O dado mais expressivo, contudo, reside na segurança do procedimento em solo nacional: ao contrário dos registros internacionais, o ecossistema médico brasileiro apresenta zero ocorrências de complicações até a presente data.

Nos Estados Unidos, o acompanhamento de 300 pacientes tratados com a mesma tecnologia apontou um índice de sucesso de 98,3%, registrando cinco casos de complicações que demandaram novas intervenções médicas. Dos 68 procedimentos realizados no Brasil, o cardiologista Dr. Ricardo Ferreira, do Centro Cardiológico, participou ativamente de 23 casos, liderando a curva de eficiência e segurança que agora chancela a independência do país na difusão desse conhecimento. 

Essa sólida base de dados e a maturidade técnica acumulada permitiram que a cardiologia nacional quebrasse mais uma barreira. Em treinamento realizado na sede da Abbott em São Paulo, o país celebrou, na oitava turma de formandos, seu primeiro programa de capacitação médica em Aveir™, ministrado de forma totalmente autônoma por um profissional brasileiro, o Dr. Ricardo Ferreira, eliminando em definitivo a necessidade de supervisão ou presença de médicos instrutores vindos dos Estados Unidos. 

Diferente dos modelos convencionais, o marcapasso sem eletrodos é implantado diretamente no interior do coração através de um procedimento minimamente invasivo por via femoral (cateterismo). Por dispensar os tradicionais fios cirúrgicos (eletrodos) e o desgaste cutâneo gerado pelo "bolso" cirúrgico no tórax, a tecnologia mitiga drasticamente os principais vetores de infecções hospitalares e falhas mecânicas de longo prazo, devolvendo ao paciente uma rotina livre de restrições físicas precoces.

 

Exemplo de implante do marcapasso duplo 

                

Marcapasso duplo sem fios

Demonstrar uma taxa de 98,5% de eficácia sem registrar nenhuma complicação em um grupo de 68 pacientes prova que os hospitais e os cirurgiões brasileiros alcançaram o estado da arte na eletrofisiologia. Deixar de depender de especialistas estrangeiros para ensinar nossos próprios médicos é a prova definitiva de que o Brasil além de absorver essa inovação tecnológica, aprendeu a executá-la com um rigor de segurança superior às médias globais", explica o cardiologista Dr. Ricardo. 

Com a expansão desse modelo de ensino descentralizado e conduzido localmente, novos centros hospitalares em diferentes estados brasileiros passam a contar com equipes capacitadas para oferecer a terapia leadless. O avanço redefine as diretrizes de segurança no tratamento de arritmias cardíacas no país, estabelecendo o padrão ouro de cuidado ao paciente de forma sustentável e autônoma.

 


Dr. Ricardo Ferreira Silva - graduado em medicina pela Universidade de Uberaba (MG), fez residência em Cardiologia pelo Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, em 2011, e se especializou em Estimulação Cardíaca Artificial e Arritmia Clínica no Instituto de Cardiologia Dante Pazzanese de São Paulo, em 2014 - título reconhecido pelo Departamento de Estimulação Cardíaca Artificial. Além de ter especialização em eletrofisiologia clínica e invasiva no Hospital do Coração de São Paulo e concluído seu Doutorado pela Universidade de São Paulo (USP), em 2018. Já em 2017, Dr. Ricardo fundou o Centro Cardiológico em sua cidade natal, Uberaba, para levar o que havia de mais moderno em tratamento de arritmia cardíaca para o interior do estado. Em pouco tempo, com a evolução do serviço e a necessidade de facilitar o acesso aos pacientes de outras localidades do país, expandiu para São Paulo. Hoje, está presente também dentro de hospitais como Beneficência Portuguesa, Samaritano e São Camilo – em São Paulo.


Diagnóstico tardio de autismo traz respostas e reduz os impactos da camuflagem social na vida adulta

Especialista explica como o masking afeta a saúde mental de adultos autistas e por que o diagnóstico pode representar um marco para o bem-estar e a qualidade de vida.


Receber um diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) na vida adulta costuma ser mais do que uma confirmação clínica. Para muitas pessoas, é a oportunidade de compreender experiências acumuladas ao longo de anos, incluindo dificuldades sociais, desafios sensoriais e sentimentos persistentes de não pertencimento. A descoberta ajuda a reorganizar a própria história e oferece uma explicação para situações que, até então, pareciam desconexas.

De acordo com o neurologista Dr. Matheus Trilico, referência no atendimento de adultos com TEA e TDAH, ainda existe uma grande parcela de pessoas que passou a infância e a adolescência sem identificação adequada do transtorno, formando o que muitos especialistas chamam de "geração perdida" do autismo.

"É comum encontrarmos pacientes extremamente cansados emocionalmente. Durante décadas, eles tentaram se adaptar a padrões sociais que não correspondiam à sua forma natural de funcionamento. Nesse processo, desenvolveram o chamado masking, ou camuflagem social, um mecanismo utilizado para esconder características autistas e reproduzir comportamentos considerados neurotípicos", afirma o médico.


Quando a adaptação constante gera sofrimento

Embora a camuflagem social seja frequentemente utilizada para facilitar a convivência em ambientes sociais, ela pode gerar consequências importantes para a saúde mental. Pesquisas recentes indicam que o masking está associado a exaustão emocional, dificuldades relacionadas à identidade pessoal, baixa autoestima, além de sintomas de ansiedade e depressão.

Esse fenômeno é especialmente observado em adultos que receberam o diagnóstico tardiamente e em mulheres autistas. Estudos apontam ainda que aproximadamente 25% dos adultos autistas relatam ter recebido diagnósticos psiquiátricos equivocados ao longo da vida. Entre as mulheres, esse percentual pode chegar a cerca de um terço.

Segundo o Dr. Trilico, muitos pacientes associam seus sintomas emocionais a anos de experiências marcadas por isolamento, exclusão social e situações de bullying sem que houvesse uma explicação clara para essas vivências.

"Muitos quadros de ansiedade e sofrimento psicológico estão relacionados ao impacto de viver por décadas com um autismo não identificado. O diagnóstico tardio permite compreender essa trajetória e oferece um novo direcionamento para o cuidado", destaca o neurologista.


O papel do diagnóstico na construção do bem-estar

Apesar dos desafios que ainda existem para o acesso ao diagnóstico na vida adulta, a identificação do TEA pode trazer benefícios significativos. Entre eles estão o fortalecimento da autoaceitação, o aumento do autoconhecimento e a possibilidade de estabelecer conexões com outras pessoas que compartilham experiências semelhantes.

Além disso, o laudo pode favorecer adaptações importantes em contextos familiares, acadêmicos e profissionais, contribuindo para uma rotina mais compatível com as necessidades individuais.

Para o neurologista, a abordagem terapêutica deve priorizar qualidade de vida e suporte adequado, em vez de tentar modificar características próprias do indivíduo.

"Atualmente, sabemos que a Terapia Cognitivo-Comportamental adaptada para pessoas autistas é considerada tratamento de primeira linha para o manejo de condições associadas, como ansiedade e depressão. Paralelamente, é fundamental promover ambientes sociais e corporativos mais preparados para acolher a neurodiversidade", explica Trilico.


Clareza para uma história que antes não fazia sentido

O diagnóstico de autismo na vida adulta não deve ser encarado como uma limitação. Pelo contrário, ele pode representar um ponto de virada importante, oferecendo compreensão sobre experiências passadas e ferramentas para uma vida mais alinhada às necessidades da pessoa.

Estudos mostram que muitos adultos autistas relatam melhora na qualidade de vida social ao longo do tempo, especialmente quando têm acesso ao autoconhecimento e ao suporte adequado.

"O diagnóstico não define quem a pessoa é. Ele ajuda a iluminar aspectos da própria trajetória que antes permaneciam sem explicação. Para muitos adultos, é o início de uma vida mais autêntica, com menos necessidade de camuflagem e mais respeito às próprias características", conclui o Dr. Matheus Trilico. 



Dr. Matheus Luis Castelan Trilico — CRM 35805/PR | RQE 24818 - Médico formado pela Faculdade Estadual de Medicina de Marília (FAMEMA); Neurologista com residência médica pelo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC-UFPR); Mestre em Medicina Interna e Ciências da Saúde pelo HC-UFPR; Pós-graduado em Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Mais artigos sobre TEA e TDAH em adultos podem ser vistos no portal do neurologista: https://blog.matheustriliconeurologia.com.br/


De olho na bola: como prevenir traumas oculares durante a temporada de grandes jogos

Freepik

Em meio à mobilização do grande torneio de futebol, especialista alerta para os riscos de lesões na visão durante a prática esportiva e reforça a importância de medidas preventivas para evitar danos permanentes 


Com a chegada da temporada dos grandes torneios de futebol, aumenta a movimentação em quadras, campos, escolinhas esportivas e até nas tradicionais partidas entre amigos. Em meio à animação e à competitividade, um cuidado importante costuma passar despercebido: a proteção dos olhos. Embora muitas pessoas associem lesões esportivas a entorses e contusões, os traumas oculares também são frequentes e podem causar danos temporários ou permanentes à visão. 

Chutes, boladas, cotoveladas, quedas e até o contato acidental com os dedos estão entre as principais causas de lesões nos olhos durante a prática esportiva. Os riscos envolvem desde irritações e pequenos arranhões na superfície ocular até situações mais graves, como hemorragias, descolamento de retina e perda visual. 

“Os olhos são estruturas delicadas e vulneráveis a impactos e queimaduras. Em acidentes durante a prática esportiva, as consequências podem ser imediatas ou surgir dias depois, por isso qualquer trauma na região ocular merece atenção. Já nas comemorações com fogos de artifício e rojões, o risco de acidentes gravíssimos não pode ser subestimado. Esses artefatos podem provocar lesões graves, como perfurações oculares, hemorragias e até a perda permanente da visão”, explica o Dr. Pedro Poletto, oftalmologista do H.Olhos. 

Crianças e adolescentes estão entre os grupos mais suscetíveis aos acidentes, especialmente por participarem de atividades recreativas sem equipamentos de proteção adequados e, muitas vezes, sem supervisão. Adultos que praticam esportes amadores também devem redobrar os cuidados. 

Entre os sinais de alerta após um impacto estão dor intensa, vermelhidão persistente, visão embaçada, sensibilidade à luz, sangramento, inchaço ao redor dos olhos, visão dupla e aparecimento de manchas escuras ou flashes luminosos. 

“Mesmo quando os sintomas parecem leves, é fundamental procurar avaliação oftalmológica. Algumas lesões internas podem não apresentar sinais evidentes nas primeiras horas, mas evoluir rapidamente e comprometer a visão”, alerta o especialista. 

A prevenção é a principal aliada para evitar acidentes. O uso de óculos de proteção específicos para a prática esportiva é recomendado em modalidades com maior risco de impacto. Além disso, é importante respeitar as regras do jogo, utilizar equipamentos adequados para cada faixa etária e manter a supervisão de crianças durante as atividades. 

Outro cuidado importante é evitar esfregar os olhos após uma pancada ou tentar remover corpos estranhos sem orientação profissional. Em casos de trauma, a recomendação é interromper imediatamente a atividade física e buscar atendimento especializado. 

“Quando o assunto é saúde ocular, agir rapidamente faz toda a diferença. O diagnóstico precoce aumenta as chances de recuperação e reduz o risco de sequelas permanentes”, reforça o Dr. Pedro Poletto. 

Em um período em que o futebol ganha ainda mais espaço na rotina dos brasileiros, a conscientização sobre os traumas oculares se torna essencial para que a diversão e a paixão pelo esporte não acabem em uma ida inesperada ao pronto atendimento. Afinal, cuidar da visão também faz parte do jogo.


66% dos atletas dizem que saúde bucal afeta desempenho, aponta estudo

Levantamento aponta que traumas dentais e falta de higiene oral impactam força, concentração e podem causar lesões musculares em esportistas profissionais e amadores.

 

Em meio ao clima da Copa do Mundo, quando todas as atenções se voltam para a preparação física e o desempenho dos atletas de elite, um fator crucial costuma passar despercebido: a saúde bucal. Longe de ser apenas uma questão estética, ela dita o ritmo do rendimento esportivo, atuando como um diferencial competitivo ou como um obstáculo silencioso. Estudos recentes publicados na Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences revelam que problemas odontológicos negligenciados funcionam como um "inimigo invisível", capaz de comprometer a força, a resistência, a concentração e até a longevidade da carreira dos jogadores. 

 

A pesquisa aponta que a consciência dos atletas sobre o tema é elevada, com 66,13% dos participantes afirmando que o desempenho físico é afetado pelas condições bucais. A vulnerabilidade durante as competições também é um ponto de destaque, já que 87,10% dos esportistas concordam que traumas bucais e dentais durante uma partida prejudicam drasticamente a performance, resultando em dor e perda de concentração. 

O dentista e professor do curso de Odontologia da Afya São João del Rei, Dr Breno Chêrfen Peixoto, explica que praticantes de atividades físicas, sejam amadores ou atletas de alto rendimento, podem apresentar alterações na cavidade oral devido a fatores de risco como dieta, metodologia de treinamento, resposta sistêmica ao esforço intenso e exposição a condições ambientais extremas.

 

“Uma adaptação comum na dieta de atletas é a ingestão frequente de carboidratos fermentáveis, presentes em géis e barras energéticas, além do consumo contínuo de bebidas isotônicas com pH ácido. Esses fatores podem aumentar o risco de cáries dentárias, já que pequenas variações no pH da boca afetam significativamente a velocidade dos processos biológicos que ocorrem nesse meio. Em termos gerais, soluções com pH menor que 7 são ácidas, enquanto aquelas com pH maior que 7 são alcalinas ou básicas”.

 

Além disso, de acordo com o especialista, a prática intensa de atividade física aumenta a necessidade de hidratação, o que pode levar à hipossalivação, ou seja, à diminuição do fluxo salivar. A saliva desempenha um papel importante na proteção oral, pois contém substâncias como a sialina, que estimulam a produção de bases pelas bactérias orais, elevando rapidamente o pH e ajudando a neutralizar ácidos.

 

“A dieta rica em carboidratos também pode favorecer o desenvolvimento de doenças periodontais em atletas. A periodontite, além de comprometer a saúde oral, pode interferir na adaptação ao treinamento, aumentando a liberação de mediadores inflamatórios sistêmicos, como IL-1, IL-6, TNF-α e PCR. Esses mediadores podem reduzir a eficiência metabólica muscular, levando à fadiga, e também dificultar a reparação tecidual, tornando a recuperação pós-treino mais lenta. Portanto, a saúde bucal é um fator crucial para o desempenho e a recuperação de atletas, sendo essencial associar cuidados odontológicos à rotina de treinamento e alimentação”.


 

Impacto além do esporte e busca por especialistas  

 

Os efeitos também impactam à saúde geral dos atletas, que associam a higiene bucal precária a condições graves, com 30,65% apontando relação com doenças respiratórias e 16,94% conectando o problema diretamente a lesões musculares. Quase metade dos entrevistados (48,39%) compreende que uma infecção na boca tem o potencial de causar danos em outras partes do corpo.

 

Dr Breno Chêrfen Peixoto informa que a má oclusão pode desencadear alterações como respiração bucal crônica, redução do espaço orofaríngeo funcional e modificações no posicionamento mandibular e da língua.

 

“Indivíduos com respiração bucal apresentam menor capacidade de filtração e umidificação do ar, maior tendência à desidratação e redução da eficiência ventilatória, o que pode levar à fadiga respiratória. No que se refere a lesões musculares, a má oclusão pode promover reprogramação muscular na região cervical, resultando em tensão nos músculos esternocleidomastoideo e trapézio superior, bem como alterações no eixo cabeça-pescoço. Alterações oclusais também podem causar aumento da oscilação postural e mudanças na estabilidade podal e na distribuição plantar. Esses efeitos, em conjunto, podem impactar negativamente o desempenho físico, especialmente em atletas de alto nível”.

 

Diante desse cenário, a busca por profissionais para integrar as comissões técnicas torna-se uma exigência do mercado. O estudo revelou que 67,74% dos atletas consideram necessária a presença de um dentista no dia a dia dos clubes para diagnósticos preventivos e pronto atendimento em casos de urgência. Essa abordagem multidisciplinar é vista como essencial não apenas para otimizar o rendimento atual, mas para garantir a qualidade de vida e a longevidade da carreira dos profissionais do esporte.

 

“Os atletas assistidos pelo cirurgião-dentista teriam garantidos benefícios como: ausência de focos infecciosos ativos, saúde periodontal efetiva, ausência de lesões de mucosa oral, acesso a protetores bucais individualizados e manutenção das funções mastigatória e respiratória adequadas. Dessa forma seriam minimizados os riscos de eventuais interrupções das práticas esportivas, com melhora na performance e maior longevidade da carreira esportiva”, conclui o especialista da Afya São João del Rei.

 

Perda auditiva: um problema de difícil percepção, que pode comprometer a vitalidade aos 60+

 

No mês em que é celebrado o Junho Violeta, especialistas do Hospital Paulista chamam atenção sobre a importância da audiometria como medida preventiva ao desenvolvimento de problemas relacionados à audição 


A população +60 é cada vez mais numerosa e, hoje em dia, tem um perfil bastante diferente do que era em décadas anteriores. Além de mais longeva, é muito mais ativa, seja no que se refere ao trabalho, seja no que se refere às atividades físicas, assim como nas relações sociais (família, amigos, namorados etc.).
 

Toda essa vitalidade, entretanto, pode tirar a atenção em relação a problemas que são comuns nesta etapa da vida e, muitas vezes, passam desapercebidos. É o caso da perda auditiva, algo que é muito recorrente a partir dos 60 anos e implica sérios riscos à qualidade de vida, hoje em dia tão estimada por todos nós. 

De acordo com a mestre em distúrbio da comunicação e linguagem, especializada em cuidados integrativos e em reabilitação auditiva Christiane Nicodemo, fonoaudióloga do Hospital Paulista, o ideal é que as pessoas comecem a se prevenir o quanto antes em relação à perda auditiva. 

"A audiometria é um exame de suma importância e deve ser incorporado à rotina das pessoas, a partir dos 40 anos de idade. É a melhor forma de prevenção à perda auditiva", destaca a especialista, ao lembrar que é muito difícil a percepção sobre o problema. Por isso, a avaliação médica rotineira é tão importante. 

"Geralmente são as pessoas do nosso entorno que começam a perceber, justamente pela dificuldade de interação que se manifesta quando a deficiência já está avançada. A perda da audição interfere diretamente na nossa capacidade de comunicação, estimulando o isolamento social, que, por sua vez, abre portas para problemas como depressão e, até mesmo, o Alzheimer, conforme apontam vários estudos.”

 

Perfis que merecem maior atenção 

Na mesma linha, a Dra. Bruna Assis, otorrinolaringologista do Hospital Paulista, acrescenta que há perfis que devem ter maior atenção quanto à perda de audição.

"Estudos apontam que as pessoas acima de 60 anos que têm doenças crônicas, como diabetes, pressão alta, apneia do sono, dentre outras comorbidades, podem ter uma maior predisposição à privação auditiva", alerta.
 

Da mesma forma, a especialista lembra que hábitos pouco recomendáveis como o tabagismo, consumo regular de álcool, uso excessivo de fones de ouvido e a exposição a sons de alta intensidade também são fatores que podem contribuir para o problema.


Hospital Paulista de Otorrinolaringologia

 

Pressão alta no inverno: mitos e verdades sobre o risco cardiovascular na estação mais fria do ano

No frio, vasos sanguíneos se contraem e podem elevar a pressão arterial, especialmente em hipertensos, idosos e pessoas com maior risco cardiovascular

 

A queda das temperaturas no inverno pode ter impacto direto sobre a saúde cardiovascular. Embora muita gente associe a estação apenas ao aumento de doenças respiratórias, o frio também pode contribuir para a elevação da pressão arterial, especialmente em pessoas com hipertensão, idosos e pacientes com fatores de risco para infarto e AVC. 

Uma revisão publicada no Journal of Human Hypertension, revista científica dedicada à pesquisa clínica em hipertensão arterial, aponta que os níveis de pressão tendem a variar conforme a época do ano, com registros significativamente mais altos nos meses frios. O artigo também destaca que a elevação provocada pelas baixas temperaturas pode dificultar o controle da doença em pacientes hipertensos e aumentar a variabilidade pressórica, fator associado a maior risco cardiovascular1. 

A explicação está, principalmente, na resposta do organismo ao frio. Para preservar a temperatura corporal, que normalmente se mantém em torno de 36,5 °C a 37,5 °C, os vasos sanguíneos se contraem, fenômeno conhecido como vasoconstrição. Com os vasos mais estreitos, o coração precisa fazer mais força para bombear o sangue, o que pode elevar a pressão arterial. Além disso, o frio pode ativar mecanismos hormonais e neuroendócrinos, ambos relacionados ao controle da pressão2. 

“Esse aumento pode parecer pequeno, mas em pacientes hipertensos, idosos ou com doenças cardiovasculares prévias, ele pode fazer diferença. De forma simples, a pressão considerada normal é abaixo de 12 por 8. Quando as medidas começam a se repetir acima disso, já é um sinal de atenção; e, quando chegam a 14 por 9 ou mais, podem indicar hipertensão, desde que confirmadas em diferentes aferições. No inverno, esse cuidado precisa ser ainda maior, porque o problema não é apenas a pressão subir pontualmente, mas a soma de fatores: frio, menor hidratação, menor prática de atividade física, maior consumo de alimentos calóricos e, em alguns casos, menor adesão ao tratamento”, explica Dr. Leandro Costa, cardiologista do Centro Especializado em Cardiologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. 

A seguir, o especialista esclarece mitos e verdades sobre pressão alta no inverno.

 

Mitos e verdades sobre pressão arterial no inverno

 

1. A pressão arterial pode subir no frio.

Verdade.
No inverno, a exposição a temperaturas mais baixas pode levar à contração dos vasos sanguíneos, aumentando a resistência à passagem do sangue. Como consequência, a pressão arterial pode subir. Esse efeito tende a ser mais relevante em pessoas com hipertensão, idosos e pacientes com maior risco cardiovascular.

 

2. Pequenas elevações da pressão não têm importância.

Mito.

Mesmo aumentos discretos podem ser relevantes em pessoas que já vivem com hipertensão ou apresentam fatores de risco, como diabetes, colesterol alto, obesidade, tabagismo, histórico familiar de doença cardiovascular ou doença renal. Quando a pressão permanece elevada ou oscila muito, o risco de eventos como infarto e AVC pode aumentar.

 

3. O risco cardiovascular também aumenta no inverno.

Verdade.

A estação fria costuma estar associada a maior sobrecarga cardiovascular. Além da elevação da pressão, o frio pode favorecer alterações na circulação, maior ativação do sistema nervoso simpático e mudanças inflamatórias e metabólicas. Uma revisão publicada em 2026 sobre hipertensão induzida pelo frio aponta que a exposição ao frio está associada ao desenvolvimento de hipertensão e a maior risco de eventos cardiovasculares.

 

4. Quem toma remédio para pressão não precisa se preocupar com o inverno.

Mito.

O tratamento reduz riscos, mas não elimina a necessidade de acompanhamento. Em algumas pessoas, pode ser necessário reavaliar a conduta durante os meses frios, sempre com orientação médica. O paciente não deve ajustar doses ou interromper medicamentos por conta própria.

 

5. Medir a pressão em casa pode ajudar no controle.

Verdade.

A medida domiciliar, quando feita com aparelho validado e técnica adequada, pode ajudar o médico a entender melhor o comportamento da pressão no dia a dia. Isso é especialmente importante porque a pressão pode variar conforme temperatura, horário, estresse, sono, alimentação e uso correto das medicações.

 

6. A pressão só aumenta se a pessoa sair no frio.

Mito.

A temperatura externa influencia, mas o ambiente interno também importa. Casas muito frias, pouca proteção térmica e exposição prolongada a baixas temperaturas dentro de casa podem contribuir para alterações na pressão. Manter o corpo aquecido e evitar mudanças bruscas de temperatura são medidas importantes, especialmente para idosos.

 

7. Dor de cabeça é sempre sinal de pressão alta.

Mito.

A hipertensão muitas vezes é silenciosa. Muitas pessoas estão com a pressão elevada e não sentem nada. Por isso, confiar apenas em sintomas pode atrasar o diagnóstico ou o ajuste do tratamento. A aferição regular é a forma mais segura de acompanhar a pressão. 

 

8. Hábitos de inverno podem piorar o controle da hipertensão.

Verdade.

Nos dias frios, é comum reduzir a atividade física, beber menos água e aumentar o consumo de alimentos mais calóricos e ricos em sódio. Esses fatores podem contribuir para ganho de peso, retenção de líquidos e pior controle da pressão arterial. Sopas industrializadas, embutidos, queijos, caldos prontos e alimentos ultraprocessados merecem atenção pelo alto teor de sal.

 

Como proteger a pressão no inverno 

Entre os principais cuidados estão manter o acompanhamento médico regular, medir a pressão conforme orientação profissional, não abandonar ou alterar medicamentos sem avaliação, evitar exposição prolongada ao frio, manter-se aquecido, praticar atividade física com segurança, controlar o consumo de sal e manter boa hidratação. 

“Não se trata de alarmar a população, mas de lembrar que o inverno exige atenção adicional de quem já tem hipertensão ou risco cardiovascular. A pressão arterial é dinâmica e pode sofrer influência do ambiente, do comportamento e da adesão ao tratamento. Quanto mais regular for o acompanhamento, maior a chance de prevenir complicações”, reforça Dr. Leandro Costa

 

Hospital Alemão Oswaldo Cruz

 

Como preparar o organismo para gripes e resfriados com shot matinal. Farmacêutico ensina

Tomar um chá quente e um shot de imunidade, dormir bem, umidificar o ambiente, manter-se hidratado e adotar uma alimentação equilibrada, podem fazer toda diferença
 

Com a chegada do inverno, aumenta a incidência de gripes, resfriados, crises alérgicas e outros desconfortos respiratórios. Segundo o farmacêutico homeopata Jamar Tejada, alguns hábitos simples podem ajudar o organismo a enfrentar melhor os desafios típicos da estação.

“O inverno exige uma atenção maior aos cuidados com a saúde. Sono adequado, alimentação equilibrada, hidratação e práticas que promovam conforto e bem-estar contribuem para que o organismo funcione de forma mais eficiente durante esse período”, explica.
 

Chás podem ser aliados nos dias frios

Uma das tradições mais comuns do inverno é o consumo de chás quentes. Além da sensação de aconchego, algumas ervas são popularmente utilizadas para promover conforto e relaxamento.


Chá de gengibre com limão

“O gengibre contém compostos bioativos, como os gingeróis e os shogaóis, responsáveis pela sensação característica de aquecimento corporal. Já o limão agrega sabor e é uma fonte natural de vitamina C”, destaca Jamar.


Camomila

Dormir bem é um dos pilares para a manutenção da saúde. A camomila é conhecida por suas propriedades relaxantes, atribuídas principalmente à apigenina, um flavonoide natural associado à sensação de relaxamento e ao bem-estar. Por isso, costuma ser utilizada para auxiliar na criação de um ritual noturno mais tranquilo.


Hortelã

Muito utilizada em períodos de congestão nasal, a hortelã contém mentol, substância responsável pela sensação refrescante característica da planta. O composto promove uma percepção de maior conforto respiratório, sendo amplamente utilizado durante os dias mais frios.


Mel

Frequentemente utilizado em bebidas quentes e preparações caseiras durante o inverno, o mel possui alta concentração natural de açúcares, característica que gera um efeito osmótico naturalmente desfavorável à proliferação de diversos microrganismos. Além disso, ajuda a suavizar a irritação da garganta e pode contribuir para o alívio do desconforto associado à tosse, tornando-se um aliado tradicional nos cuidados durante gripes e resfriados.

 

Elementos naturais que podem ajudar durante o inverno

Além dos chás, algumas medidas simples contribuem para o conforto respiratório e para a manutenção do bem-estar ao longo da estação.
 

Umidifique os ambientes

O ar seco é um dos principais desafios do inverno. “Bacias com água, toalhas úmidas ou umidificadores podem ajudar a minimizar o ressecamento das vias respiratórias e aumentar o conforto dentro de casa”, orienta o farmacêutico.
 

Mantenha os ambientes ventilados

Mesmo nos dias mais frios, é importante promover a circulação e a renovação do ar nos ambientes internos. A ventilação adequada contribui para melhorar a qualidade do ar e reduzir a concentração de agentes respiratórios em locais fechados.
 

Shot matinal para os dias frios

Uma opção simples para incluir na rotina é o chamado “shot matinal”, preparado com ingredientes tradicionalmente utilizados em hábitos de cuidado e bem-estar.

Receita

Suco de 1 limão

1 colher (chá) de gengibre ralado

1 pitada de cúrcuma (açafrão-da-terra)

1 pitada de canela

1 colher (chá) de mel (opcional)

Misture todos os ingredientes e consuma pela manhã.
 

O que evitar durante o inverno?

Segundo Jamar Tejada, alguns hábitos podem favorecer o surgimento de desconfortos e aumentar a vulnerabilidade do organismo:

* Permanecer por longos períodos em ambientes fechados e sem ventilação;

* Reduzir excessivamente o consumo de água;

* Dormir menos do que o necessário;

* Ignorar sintomas respiratórios persistentes;

* Consumir em excesso alimentos ultraprocessados.
 

Atenção aos sinais do corpo 

Embora hábitos saudáveis contribuam para o bem-estar geral, sintomas persistentes ou mais intensos devem ser avaliados por um profissional de saúde. O acompanhamento adequado é importante para identificar a causa dos sintomas e orientar o tratamento mais indicado.

“Atravessar o inverno com mais qualidade de vida passa por um conjunto de cuidados simples. Hidratação, alimentação equilibrada, sono adequado, ambientes ventilados e pequenas práticas de autocuidado podem fazer toda a diferença para o bem-estar durante a estação”, finaliza Jamar Tejada.


 

Jamar Tejada - Farmacêutico graduado pela Faculdade de Farmácia e Bioquímica pela Universidade Luterana do Brasil, RS (ULBRA), Pós-Graduação em Gestão em Comunicação Estratégica Organizacional e Relações Públicas pela USP (Universidade de São Paulo), Pós-Graduação em Medicina Esportiva pela (FAPES), Pós-Graduação em Comunicação com o Mercado pela ESPM, Pós-Graduação em Formação para Dirigentes Industriais com Ênfase em Qualidade Total - Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul-(UFRGS) e Pós-Graduação em Ciências Homeopáticas pelas Faculdades Associadas de Ciências da Saúde. Proprietário e Farmacêutico Responsável da ANJO DA GUARDA Farmácia de manipulação e homeopatia desde agosto 2008. tejard


Especialização em reconstrução mamária visa ampliar acesso à cirurgia para pacientes do SUS

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Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) propõe ao Ministério da Saúde cursos de formação de mastologistas para realizar o procedimento no programa federal Agora Tem Especialistas


A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) encaminhou ao Ministério da Saúde uma proposta para aprimoramento na formação de médicos mastologistas, especialidade responsável pelo tratamento de doenças de mama. De acordo com José Pereira Guará, coordenador do Departamento de Residência Médica da SBM, a proposição passa pela formalização de um termo de cooperação técnica para cursos de especialização em reconstrução mamária. A perspectiva, segundo o mastologista, é ampliar a atuação de especialistas dentro do programa Agora Tem Especialistas, iniciativa federal voltada à diminuição das filas no Sistema Único de Saúde (SUS) por consultas, exames e cirurgias especializadas.

Em Brasília, representada por José Pereira Guará, a SBM reuniu-se com membros da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES) e com Rodrigo Cariri Chalegre, secretário-executivo da Comissão Nacional de Residência Médica do Ministério da Saúde.

De acordo com Guará, no conjunto de intenções apresentado ao Ministério da Saúde destaca-se a atualização de um documento que oriente a formação de médicos residentes em Mastologia no Brasil. Também visa à assinatura de um termo de cooperação técnica entre SBM, SGTES e Ministério da Educação para cursos de aprimoramento em reconstrução mamária. “O intuito nesse processo é contar com médicos especializados em reconstrução mamária para atuar no programa Agora Tem Especialistas”, afirma o representante da SBM.

Na área da saúde da mulher, o programa federal criado para agilizar consultas, exames e cirurgias no SUS já atua na prevenção e diagnóstico de câncer de mama, disponibilizando mamografia e ultrassonografia mamária bilateral, punção por agulha grossa, biópsia/exérese de nódulo de mama e exame anatomopatológico de mama.

 

Modelo brasileiro

No cenário mundial, o Brasil desponta como um modelo de formação que difere dos Estados Unidos e de países europeus. “Os mastologistas brasileiros passam por um programa específico de residência médica com duração de dois anos, projetado para profissionais que concluíram treinamento em Cirurgia Geral ou Obstetrícia e Ginecologia”, afirma José Pereira Guará.

Para a residência em Mastologia, o currículo é abrangente e engloba habilidades clínicas, diagnóstico por imagem e, especialmente, habilidades cirúrgicas em vários níveis de complexidade. Isso inclui desde procedimentos oncológicos clássicos até cirurgias oncoplásticas com utilização de pedículos variados de mamoplastia, retalhos fásciocutâneos locais, retalhos miocutâneos, lipoenxertia, emprego de implantes etc.

Além do treinamento cirúrgico em reconstrução oferecido nos programas de residência em Mastologia, o Brasil investe em cursos especializados em cirurgia oncoplástica que expandiram significativamente as técnicas reconstrutivas em todo o território nacional. Muitos instrutores desses cursos são afiliados a programas de residência em Mastologia, o que contribui diretamente para o aumento do número de reconstruções mamárias.

“Na proposta de oferecer aprimoramento em reconstrução mamária no contexto do Agora Tem Especialistas, acreditamos ser possível oferecer um tratamento muito mais complexo e com melhores resultados do ponto de vista estético e funcional para a paciente com câncer de mama atendida pela rede pública de saúde”, conclui coordenador do Departamento de Residência Médica da SBM.

 

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