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segunda-feira, 8 de junho de 2026

Segurança jurídica no Brasil: entrave estrutural ou oportunidade para quem sabe operar o risco?

OPINIÃO

 

A insegurança jurídica é frequentemente apontada como um dos principais entraves ao desenvolvimento econômico no Brasil. Mudanças frequentes de interpretação, morosidade do Judiciário e complexidade regulatória compõem um cenário desafiador para empresas e investidores. No entanto, essa leitura, embora correta, pode ser incompleta.
 
Isso porque parte relevante do problema não está apenas na existência de incerteza, mas na forma como ela é incorporada (ou ignorada) pelas organizações em seus processos decisórios. Em outras palavras, mais do que um obstáculo absoluto, a insegurança jurídica pode se tornar uma variável estratégica para aqueles que sabem operá-la.
 
A ideia de uma “segurança jurídica ideal”, marcada por previsibilidade plena e estabilidade normativa, é, na prática, inexistente em qualquer jurisdição. Mesmo em economias maduras, empresas lidam com mudanças regulatórias, disputas judiciais e diferentes interpretações legais. A diferença está na capacidade de antecipar, mitigar e precificar esses riscos.
 
No Brasil, essa capacidade ainda é desigual. Muitas empresas operam sob uma lógica reativa, tratando o jurídico como instância de resolução de conflitos, e não como ferramenta de estruturação. Com isso, deixam de utilizar instrumentos já disponíveis para reduzir incertezas e aumentar a segurança das operações.
 
Cláusulas contratuais mais robustas, mecanismos de resolução de disputas como a arbitragem, estruturas de garantias bem desenhadas e uma análise mais sofisticada do ambiente regulatório são exemplos de ferramentas que podem transformar significativamente o perfil de risco de uma operação.
 
Além disso, a correta precificação do risco institucional permite decisões mais racionais sobre investimento e expansão. Em vez de evitar determinados setores ou mercados por conta da insegurança, empresas mais preparadas ajustam suas expectativas de retorno e estruturam operações compatíveis com o nível de risco envolvido.
 
Esse movimento é particularmente relevante em um país como o Brasil, onde o prêmio de risco já está embutido em diversas variáveis econômicas, como taxas de juros e custo de capital. Saber navegar esse ambiente pode, inclusive, gerar vantagens competitivas importantes em relação a concorrentes menos preparados.
 
Isso não significa minimizar a importância de avanços institucionais ou de maior estabilidade regulatória. Ao contrário, tais melhorias são fundamentais para o desenvolvimento de longo prazo. No entanto, enquanto esse cenário ideal não se concretiza, há espaço e necessidade para uma abordagem mais pragmática.
 
Empresas que desenvolvem uma cultura de gestão de risco jurídico deixam de ser reféns da incerteza e passam a utilizá-la como elemento estratégico. Em vez de esperar por um ambiente perfeito, constroem, dentro das condições existentes, estruturas mais resilientes e eficientes.
 
No fim, a diferença não está apenas no ambiente em que se opera, mas na capacidade de compreendê-lo. E de agir com inteligência diante dele.

 


José Maria Franco de Godoi Neto – advogado, mestre em direito USP/SP, mestre em Gestão de Risco FEA/USP e especialização em Finanças pela FGV/SP, sócio do Franco de Godoi Advogados e membro fundador da STRUCTURA Investments


Capacitismo estrutural exclui milhões de brasileiros e compromete desenvolvimento do país

Defensor Público Federal e especialista em Direitos Humanos afirma que exclusão das pessoas com deficiência é resultado de escolhas políticas e sociais sistemáticas 



O capacitismo estrutural ainda molda cidades, escolas, empresas, serviços públicos e políticas sociais no Brasil, excluindo milhões de pessoas com deficiência de direitos básicos e da plena participação social. O alerta é do Defensor Público Federal André Naves, especialista em Direitos Humanos e Inclusão Social.

Segundo o especialista, o problema vai muito além do preconceito individual. “Capacitismo estrutural é a própria sociedade - e o Estado, sobretudo - construindo a exclusão através de suas ações e de suas políticas”, afirma.

Dados do IBGE mostram que o Brasil possui cerca de 18,6 milhões de pessoas com deficiência, mas a exclusão permanece evidente em diversas áreas. No mercado de trabalho, apenas 28% das pessoas com deficiência em idade ativa estão empregadas, contra 66% da população sem deficiência. Além disso, trabalhadores com deficiência recebem, em média, 40% menos do que colegas sem deficiência com escolaridade equivalente.

Para André Naves, o cenário revela que a inclusão ainda ocorre de forma superficial. “Uma rampa num prédio não é inclusão se a pessoa continua desempregada, pobre e sem acesso à saúde. Inclusão verdadeira é estrutural”, destaca.

Na educação, o problema também é grave. Dados do Censo Escolar apontam que apenas 1,52% das escolas públicas brasileiras possuem infraestrutura plenamente acessível. Já na saúde, menos de 20% das Unidades Básicas de Saúde contam com consultórios adaptados para cadeirantes.

O defensor também pontua a relação entre deficiência, pobreza e crise climática. Para André Naves, eventos extremos ampliam ainda mais a vulnerabilidade das pessoas com deficiência, criando o que ele chama de “clima-capacitismo”. “A crise climática amplifica sistematicamente a exclusão de quem já estava fora”, explica.

O especialista critica ainda o que considera “o teatro da inclusão”, marcado por campanhas simbólicas e ações pontuais sem transformação efetiva das estruturas sociais. Para ele, a inclusão não deve ser tratada como filantropia, mas como desenvolvimento econômico e Justiça social.

Estudos internacionais citados no artigo mostram que empresas verdadeiramente inclusivas apresentam maior inovação, lucratividade e produtividade. “O Brasil perde riqueza ao excluir, perde talentos, soluções e desenvolvimento”, ressalta. Apesar do cenário preocupante, André Naves acredita que mudanças são possíveis. Entre os caminhos apontados estão investimentos em acessibilidade urbana, educação inclusiva, políticas públicas menos burocráticas e maior participação das próprias pessoas com deficiência nas decisões. “O capacitismo estrutural é escolha. E se é escolha, pode ser desfeito”, conclui.

Para saber mais sobre o trabalho de André Naves, acesse o site andrenaves.com ou acompanhe pelas redes sociais: @andrenaves.def.


Brasil lidera adoção global de IA Agêntica, mas 87% das empresas ainda estão fora dessa transformação

Relatório Tech Trends 2026 LATAM da GFT Technologies aponta janela de oportunidade sem precedentes – e os riscos para quem não agir

 

Apenas 13% das empresas ao redor do mundo integraram agentes de Inteligência Artificial (IA) em seus fluxos de trabalho – e o Brasil, com 18% de adoção, lidera esse ranking acima da média global, segundo levantamento da Boston Consulting Group (BCG). Os dados fazem parte do relatório Tech Trends 2026 LATAM, produzido pelo Global Technology Office – Technology Observatory da GFT Technologies, pioneira global em soluções de IA e transformação digital.

 

A conclusão é clara: a janela de oportunidade está aberta, mas a vantagem competitiva pertencerá àqueles que agirem agora. No caso brasileiro, o índice global acima da média sinaliza uma maturidade relativa maior em comparação com outros mercados. O relatório destaca que a fase atual marca a transição de projetos-piloto para soluções empresariais escaláveis, orientadas a resultados mensuráveis. Além disso, as conclusões reforçam a crescente importância da modernização da IA ​​como requisito fundamental, visto que as organizações precisam cada vez mais evoluir seus sistemas e arquiteturas legados para se tornarem verdadeiramente preparadas para a IA.

 

“O Brasil assumiu a liderança. Mas liderar na adoção não significa automaticamente liderar a transformação. A vantagem competitiva pertencerá às organizações que souberem combinar IA Agente com redesenho de processos reais e verdadeiro empoderamento das pessoas”, avalia Jonatas Leandro, Head of Global Business Development Platform LATAM da GFT Technologies.

 

A IA Agêntica – sistemas capazes de agir de forma autônoma para atingir objetivos complexos, sem intervenção humana contínua – representa a principal disrupção tecnológica mapeada pelo relatório. Ao contrário das ferramentas de IA Generativa já difundidas, que respondem a prompts, agentes de IA planejam, decidem e executam.

 

A evolução do ecossistema, incluindo assistentes de codificação autônomos, o Protocolo de Contexto de Modelo (MCP) e os Kits de Desenvolvimento de Agentes (ADK), está acelerando essa transição de projetos-piloto experimentais para soluções empresariais escaláveis. A GFT, com sua plataforma de IA Agêntica Wynxx, está na vanguarda desse movimento, oferecendo às organizações a infraestrutura necessária para orquestrar agentes de IA em processos de negócios críticos.

 

IA além das telas: Inteligência viva e robótica inteligente

 

O relatório identifica a convergência entre IA, sensores avançados e biotecnologia como o próximo ciclo de inovação exponencial, batizado de Living Intelligence. Sistemas conectados a sensores em tempo real já são capazes de perceber, interpretar e modificar ambientes físicos de forma autônoma. Em paralelo, a IA Física – também chamada de Embodied AI ou Robótica Inteligente – leva essa capacidade para além das interfaces digitais, integrando modelos de ação a hardwares robóticos que operam em ambientes imprevisíveis.

 

Operações nativas de agentes: o redesenho do negócio na era da IA

 

O documento indica que a adoção corporativa da IA ​​está avançando para um novo estágio, no qual as organizações vão além da simples automação de tarefas existentes, estruturando operações projetadas desde o início para a interação entre humanos e agentes de IA. Nesse modelo, processos híbridos são projetados para reduzir os ciclos de decisão, escalar as operações e redefinir o papel dos profissionais dentro das empresas.

 

Essa transformação é sustentada por alguns vetores centrais: o redesenho completo dos processos de ponta a ponta, a definição de KPIs orientados ao impacto financeiro e ao retorno sobre o investimento, a evolução da força de trabalho e a necessidade de interoperabilidade entre agentes, formando ecossistemas integrados capazes de executar tarefas complexas de forma coordenada.

 

Na prática, esse movimento já está se materializando em soluções que reorganizam fluxos de trabalho corporativos inteiros. Plataformas como o AgentFlow permitem a reconfiguração de processos com uso intensivo de documentos com base em agentes, enquanto ferramentas como o Swish.AI automatizam o gerenciamento de incidentes em ambientes de TI. Ambientes como o Coder permitem a governança e a execução segura de tarefas complexas por agentes de desenvolvimento, indicando uma mudança estrutural na forma como as operações digitais são conduzidas.

 

De acordo com o relatório, extrair valor real da IA ​​requer a adoção de uma abordagem “nativa ao agente”, capaz de reestruturar as funções de negócios de ponta a ponta. Nesse contexto, a disponibilidade de dados confiáveis ​​e contextualizados surge como um dos principais desafios. Superar essa lacuna, ao mesmo tempo que se estabelecem métricas claras de desempenho e eficiência, é identificado como um fator crítico para o sucesso das iniciativas de IA nas organizações.

 

Cibersegurança: A corrida armamentista da IA

 

A adoção acelerada da IA ​​por atacantes está redefinindo o campo da cibersegurança. Malware polimórfico gerado por IA, capaz de se adaptar para burlar sistemas de detecção, e agentes autônomos que buscam vulnerabilidades em larga escala já são ameaças documentadas.

 

Em resposta, empresas como a Darktrace utilizam agentes de IA defensivos que monitoram continuamente o tráfego de rede e executam ações de mitigação sem intervenção humana. O relatório também destaca a Marca d'água por IA (AI Watermarking), uma técnica que incorpora assinaturas invisíveis em conteúdo sintético para garantir a autenticidade – uma iniciativa padronizada pela Coalizão para Proveniência e Autenticidade de Conteúdo (C2PA) – e a Identidade Autossuficiente (SSI), um modelo já adotado pela União Europeia para dar aos cidadãos controle total sobre suas credenciais digitais.

 

Força de trabalho e criptografia pós-quântica: Dois urgentes para o radar

 

A pesquisa da BCG revela que os funcionários que entendem como os agentes de IA funcionam os percebem como ferramentas de apoio – não como uma ameaça aos seus empregos. O oposto também é verdadeiro: a falta de treinamento gera resistência e subutilização das ferramentas. O relatório destaca que os Agentes de Codificação – IAs autônomas para codificação, como Claude Code, Devin e Wynxx ​​Platform estão redesenhando o ciclo de vida do desenvolvimento de software. 

No âmbito da segurança a longo prazo, a Criptografia Pós-Quântica (PQC) está se tornando urgente: os padrões tradicionais de criptografia baseados em RSA e ECC devem ser descontinuados até 2030 e completamente proibidos até 2035, de acordo com as diretrizes do governo dos Estados Unidos.

 O relatório pode ser baixado aqui.


Tech Trends 2026 LATAM


Sai mais caro ir ao mercado do que pedir? Análise do Rappi Turbo revela que famílias perdem até 4,5 horas por mês e gastam mais ao fazer compras presencialmente

Compras por aplicativos de entrega podem ser até 30% mais eficientes ao reduzir custos invisíveis como transporte, tempo e compras por impulso, aponta a Rappi.


Sair para fazer uma compra rápida para o lar pode custar muito mais do que parece. Uma análise do Turbo, serviço de entregas ultrarrápidas da Rappi, mostra que comprar presencialmente itens de reposição do dia a dia pode gerar gastos adicionais relevantes (de até R$2.750,00) e consumir entre 3 e 4,5 horas por mês, quando comparado ao uso de aplicativos de Quick Commerce (comércio rápido).

A percepção de que “é mais barato ir buscar o que falta para o almoço” do que pedir itens de mercado ou produtos do cotidiano por aplicativo perde força quando entram na conta os chamados “custos invisíveis” da compra presencial, como transporte, combustível, estacionamento, tempo perdido no trânsito, filas e até compras por impulso.

Os “custos invisíveis”

A análise do superapp considerou hábitos de consumo e custos logísticos de consumidores nas quatro principais capitais do país ao longo de 2026, com foco nas compras emergenciais de reposição (aquelas de 5 a 10 itens necessários para resolver demandas imediatas do dia a dia, como o lanche das crianças ou ingredientes que faltaram para uma refeição).

Ao comparar uma compra física com um pedido no Rappi Turbo, os resultados mostram impactos concretos nas capitais analisadas:

São Paulo: Com a tarifa de transporte público (ônibus e metrô) em R$ 5,40 por trecho, o deslocamento de ida e volta já soma R$10,80 — valor frequentemente superior à taxa média de entrega. Para quem utiliza carro próprio, o cenário pesa ainda mais: com a gasolina comum em torno de R$ 6,53 e estacionamentos comerciais cobrando entre R$ 20 e R$ 30 pela primeira hora em regiões centrais e shoppings, uma saída rápida de cerca de 45 minutos pode ultrapassar R$ 40,00 apenas em custos logísticos, sem considerar trânsito, desgaste e tempo perdido.

Rio de Janeiro: Na capital fluminense, o alto custo do combustível e os congestionamentos frequentes fazem com que uma compra de última hora consuma um tempo valioso de trabalho, lazer ou convivência familiar. Segundo a análise, delegar essas compras ao Turbo, com entregas realizadas em minutos, reduz o estresse da mobilidade urbana e evita deslocamentos desnecessários de veículos particulares.

Brasília e Belo Horizonte: Em cidades onde os deslocamentos costumam ser mais longos — seja pelas grandes distâncias entre áreas residenciais e centros comerciais, como em Brasília, ou pelo trânsito intenso e relevo acidentado de Belo Horizonte —, sair para buscar poucos itens pode se tornar financeiramente ineficiente. O uso constante de ar-condicionado e o maior consumo de combustível tornam a entrega rápida uma alternativa mais prática e econômica para o orçamento doméstico.


Fator psicológico: adeus às compras por impulso

Além dos custos com deslocamento e estacionamento, a análise também aponta ganhos relacionados ao controle de gastos. Estudos de comportamento de consumo indicam que circular pelos corredores de supermercados aumenta a propensão às compras por impulso em até 20%, podendo chegar a 53%* em situações de compras emergenciais ou de itens esquecidos da compra semanal.

“Quando uma mãe faz um pedido pelo Turbo, a compra tende a ser objetiva: ela entra para pedir o leite, a fralda ou o ingrediente que está faltando, finaliza o pedido e recebe tudo em poucos minutos”, explica Rodolfo MontanhA, Head de Turbo Brasil. “Ao eliminar o desgaste do deslocamento e as tentações dos corredores, as famílias conseguem reduzir os chamados gastos formiga, além de ganhar tempo e evitar preocupações adicionais que surgem ao sair de casa”, completa.


O valor real do tempo

Além da economia financeira, o levantamento mostra que o principal ganho percebido pelas famílias está no tempo recuperado: até 4,5 horas por mês que deixariam de ser gastas em trânsito, filas e deslocamentos. Esse tempo pode ser direcionado ao trabalho, descanso ou convivência familiar.

Nesse contexto, fazer as compras do dia ou até o mercado semanal pelo celular vem deixando de ser visto como um gasto extra e passando a ser percebido por mães e chefes de família como uma solução prática para economizar tempo, reduzir desperdícios e simplificar a rotina.
  

Rappi
Mais informações clique aqui.


Link


Risco de transtorno do jogo aumenta durante Copa do Mundo

Especialista explica os mecanismos envolvidos nas apostas esportivas e alerta para grupos de maior vulnerabilidade

 

Com a proximidade da Copa do Mundo, que se inicia em 11 de junho, cresce a movimentação nas plataformas de apostas esportivas. Paralelamente, especialistas em saúde mental alertam para o aumento do risco de desenvolvimento do Transtorno do Jogo (CID-11: 6C50), condição reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um transtorno relacionado a comportamentos aditivos - padrões repetitivos e compulsivos de ação ou consumo que proporcionam prazer ou alívio temporário, mas que podem causar danos físicos, psicológicos e sociais. 

Embora a maioria das pessoas aposte ocasionalmente sem desenvolver um transtorno, grandes eventos esportivos elevam significativamente a exposição a estímulos relacionados ao jogo. A intensa cobertura midiática, o marketing agressivo das empresas e o engajamento emocional dos torcedores favorecem um ambiente propício para o crescimento das apostas. 

“A dependência não surge apenas pela possibilidade de ganho financeiro. O que mantém muitas pessoas apostando é um mecanismo neurobiológico semelhante ao observado em outras adições. O cérebro passa a responder à expectativa da recompensa, especialmente quando ela ocorre de forma imprevisível”, explica o psiquiatra Ivan Araújo, professor de Medicina da Universidade Salvador (UNIFACS). 

Segundo o especialista, as plataformas utilizam estratégias baseadas em princípios amplamente estudados da psicologia comportamental, como reforço intermitente, recompensas variáveis, notificações constantes e bônus promocionais. Esses mecanismos aumentam o engajamento e dificultam o controle do comportamento. 

“O sistema de recompensa cerebral é particularmente sensível a recompensas imprevisíveis. Pequenos ganhos ocasionais podem reforçar a continuidade das apostas mesmo diante de perdas financeiras repetidas”, destaca. 

Estudos demonstram que indivíduos com histórico de impulsividade, Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), transtornos por uso de substâncias, transtornos do humor e ansiedade apresentam maior vulnerabilidade ao desenvolvimento do transtorno do jogo. Mas não são os únicos, como ressalta o psiquiatra: “A principal armadilha é acreditar que conhecimento esportivo reduz o risco. Mesmo especialistas em esportes permanecem sujeitos aos mesmos vieses cognitivos e às mesmas probabilidades matemáticas que qualquer outra pessoa”.

 

Sinais de alerta

Os principais sinais incluem aumento progressivo dos valores apostados, preocupação excessiva com apostas, tentativas malsucedidas de reduzir ou interromper o comportamento, irritabilidade quando impedido de jogar, perseguição de perdas (“apostar para recuperar prejuízos”), comprometimento financeiro e prejuízos familiares, acadêmicos ou profissionais. 

“O problema costuma evoluir de forma silenciosa. Muitas vezes o indivíduo procura ajuda apenas quando já existem dívidas importantes, conflitos familiares ou sofrimento emocional significativo”, alerta Araújo.

 

Prevenção e cautela

Especialistas recomendam que as apostas sejam encaradas exclusivamente como entretenimento, nunca como fonte de renda ou estratégia de investimento. O estabelecimento prévio de limites financeiros e de tempo, a não utilização de crédito ou empréstimos para apostar e a interrupção imediata da atividade diante de sinais de perda de controle são medidas fundamentais para reduzir os riscos associados ao comportamento de jogo. 

Familiares e amigos também desempenham papel importante na identificação precoce de mudanças comportamentais, especialmente em adolescentes e jovens adultos, grupo que apresenta elevada exposição às campanhas publicitárias do setor. 

Em casos de suspeita de Transtorno do Jogo, a busca por atendimento especializado deve ocorrer precocemente. O tratamento pode envolver psicoterapia baseada em evidências, especialmente Terapia Cognitivo-Comportamental, além de acompanhamento psiquiátrico para manejo de comorbidades frequentemente associadas, como ansiedade, depressão e transtornos relacionados ao controle dos impulsos. 

“O diagnóstico precoce e a intervenção adequada aumentam significativamente as chances de recuperação e reduzem o impacto financeiro, familiar e emocional causado pelo transtorno”, conclui Ivan Araújo.



Universidade Salvador - UNIFACS
www.unifacs.br

Inspirali


Sem eufemismo: PCC e CV serão enfim chamados pelo que de fato são

A decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas provocou reações previsíveis. Houve quem comemorasse, quem criticasse e quem tentasse reduzir a medida à polarização política. Mas o debate, caro leitor, não é tão simples assim! 

Durante mais de duas décadas de atuação como jornalista, acompanhei de perto a expansão do crime organizado no estado de São Paulo. Cobri operações policiais em comunidades dominadas pelo tráfico, rebeliões em presídios, apreensões de grandes carregamentos de drogas e a árdua rotina de profissionais da Segurança Pública no enfrentamento de uma das estruturas criminosas mais poderosas do continente. 

Em 2009, grávida do meu segundo filho, fui acordada em meio à madrugada para cobrir mais um episódio da ofensiva do PCC contra as Forças de Segurança na Baixada Santista. Enquanto policiais eram executados e Delegacias, atacadas, agentes públicos viravam alvos de uma organização que buscava e ainda busca demonstrar força e desafiar o Estado. 

O objetivo de tais ofensivas nunca foi apenas financeiro. O lucro alimenta a estrutura, é claro, mas o instrumento de poder é a imposição pelo medo, que subjuga e silencia comunidades, restringe a circulação de pessoas, dificulta denúncias e cria regras paralelas de convivência. É o temor às facções que permite a ocupação de territórios e enfraquece a presença do poder público. 

Esta lógica, com o tempo, só ganhou mais força, espaço e ramificações. Em 2024, durante a campanha municipal, uma carta atribuída ao PCC foi divulgada com ataques à minha candidatura à prefeita de Santos-SP. O lamentável fato expôs a crescente capacidade das organizações criminosas de interferirem no debate público, de produzirem intimidação e de buscarem influência para além dos territórios dominados pelo crime. 

Nos últimos anos, estas facções ampliaram a capacidade financeira, diversificaram atividades ilícitas e fortaleceram conexões internacionais. Segundo autoridades norte-americanas, PCC, que surgiu em São Paulo, e CV, originado no Rio de Janeiro, deixaram de ser organizações restritas ao território brasileiro e passaram a atuar em redes criminosas transnacionais com insofismável alcance internacional. 

Hoje, estas organizações movimentam recursos em escala global, infiltram-se em cadeias logísticas complexas e desafiam instituições, inclusive as da seara da Justiça. Ignorar esta transformação, ampliação meteórica e poder de infiltração, portanto, é erro estratégico. 

A classificação definida pelos Estados Unidos, em vigor, oficialmente, a partir de 6/6, não resolverá, sozinha, os problemas da Segurança Pública brasileira, mas terá capacidade de ampliar a cooperação internacional, de fortalecer instrumentos de rastreamento financeiro e de aumentar a pressão sobre redes que dependem da circulação global de recursos.

 Como deputada federal em segundo mandato, em Brasília-DF, nos últimos anos, destinei um sem-número de aportes às Forças de Segurança da Baixada Santista e de outras cidades do estado de São Paulo, para a aquisição de embarcações blindadas, de drones, de viaturas, de equipamentos e de Tecnologias de Inteligência Policial. 

Segurança Pública, por conseguinte, não é pauta abstrata para mim. É causa cristalizada a partir de experiências que vivi nas ruas, ouvindo vítimas e observando a violência e os impactos que facções produzem sobre famílias inteiras. 

Muito além dos debates diplomáticos sobre soberania nacional e cooperação internacional, e no quanto tal medida por parte dos Estados Unidos pode impactar o sistema financeiro brasileiro, é necessário admitir que as ações até agora instituídas pelo País no enfrentamento do crime organizado não foram e nem são suficientes. 

É preciso, de alguma maneira, dar um basta em quem espalha o terror pelas comunidades dominadas pelo tráfico de drogas e de armas, e empodera milícias. E, para tanto, pouco importa o idioma e a coloração partidária. O que está em jogo é o combate intrépido ao crime organizado e a instituição de paz.

 

Rosana Valle - deputada federal pelo PL-SP, em segundo mandato; presidente da Executiva Estadual do PL Mulher de São Paulo; jornalista há mais de 25 anos; e autora dos livros “Rota do Sol 1” e “Rota do Sol 2”

 

domingo, 7 de junho de 2026

Pets no clima da Copa: professora ensina passo a passo de vestido temático para cães

A paixão pelo futebol vai além das arquibancadas e promete conquistar até os pets durante a Copa do Mundo. Pensando nisso, a professora Elizângela Gomes, da Sigbol escola de Moda e Costura, ensina um passo a passo simples e acessível para confeccionar um vestido temático para pets utilizando as cores do Brasil. A proposta une criatividade, customização e carinho pelos animais de estimação, além de ser uma alternativa econômica para quem quer torcer em grande estilo ao lado do seu companheiro de quatro patas.

“A moda pet também acompanha os momentos culturais e esportivos. Criar uma peça personalizada para a Copa é uma forma divertida de incluir os animais na comemoração, além de ser muito mais econômico, já que será feito um upcycling com materiais que normalmente as pessoas já possuem em casa,  e ainda estimular a criatividade com a costura”, explica Elizângela.


Materiais necessários

  • Molde do vestido pet
  • Tecidos nas cores do Brasil
  • Aviamentos (opcional)
  • Cola de tecido ou cola quente
  • Agulha de costura
  • Linhas
  • Tesoura para tecido
  • Alfinetes


Passo a passo do vestido pet para a Copa

Passo 1
Imprima e monte os moldes conforme as demarcações indicadas. Em seguida, corte os tecidos utilizando as cores desejadas para compor o visual inspirado na seleção brasileira.

Passo 2
Dobre as laterais da parte do corpo formando pequenas barras. O acabamento pode ser feito com cola para tecido, cola quente, costura à máquina ou à mão.

Passo 3
Faça o franzido em uma das extremidades da saia para criar volume e dar o caimento do vestido.

Passo 4
Costure manualmente ou à máquina a cintura franzida na parte do corpo. Aproveite esta etapa para finalizar também a barra do decote, utilizando cola ou costura.

Passos 5 e 6
Feche as alças e encaixe uma delas no decote. As laterais podem ser coladas ou costuradas. Para finalizar, personalize e decore a roupinha com aviamentos e detalhes temáticos da Copa do Mundo.

A professora reforça que o projeto pode ser adaptado de acordo com o porte do animal e o estilo desejado. “O mais importante é garantir conforto ao pet e usar materiais leves para que ele consiga brincar e circular normalmente”, finaliza Elizângela Gomes.

 

 

Imagens 





Imprima e monte os moldes conforme as demarcações
indicadas. Em seguida, corte os tecidos utilizando as cores
desejadas para compor o visual inspirado na seleção brasileira.

Imprima e monte os moldes conforme as demarcações
 indicadas. Em seguida, corte os tecidos utilizando as
 cores desejadas para compor o visual inspirado na seleção brasileira.

Imprima e monte os moldes conforme as demarcações indicadas.
Em seguida, corte os tecidos utilizando as cores desejadas
para compor o visual inspirado na seleção brasileira.



Imprima e monte os moldes conforme as demarcações indicadas.
Em seguida, corte os tecidos utilizando as cores
desejadas para compor o visual inspirado na seleção brasileira.



Dobre as laterais da parte do corpo formando pequenas barras.
 O acabamento pode ser feito com cola para tecido,
cola quente, costura à máquina ou à mão.





Faça o franzido em uma das extremidades da saia
para criar volume e dar o caimento do vestido.


Feche as alças e encaixe uma delas no decote. As laterais
podem ser coladas ou costuradas. Para finalizar, personalize
e decore a roupinha com aviamentos e detalhes
temáticos da Copa do Mundo.



Vestido finalizado

 

Copa do Mundo e São João: veja os cuidados com os pets durante os fogos


Especialista indica medidas que ajudam a proteger cães e gatos do estresse causado pelo barulho


 

A Copa do Mundo e os festejos juninos devem intensificar o uso de fogos de artifício durante todo o mês. Nesse período, tutores de cães e gatos precisam ficar atentos aos impactos do barulho nos animais, que podem apresentar medo, ansiedade, alterações comportamentais e até problemas de saúde.

 

De acordo com a professora do curso de Medicina Veterinária da Unijorge, Acidália Santos, os animais têm maior acuidade auditiva, inclusive para sons de alta frequência, e os fogos geram estímulos sonoros súbitos que os pets não conseguem compreender, o que pode provocar medo e sobrecarga emocional. "A combinação desses fatores potencializa respostas de ansiedade e desencadeia reações que variam de leves alterações comportamentais a quadros graves", explica.

 

As manifestações mais comuns são medo intenso, tremores, vocalização excessiva, taquicardia, respiração acelerada e salivação aumentada. Existe a possibilidade de tentativa de fuga com risco de acidentes, traumas e do desaparecimento do animal. Em casos mais severos, especialmente em pets com doenças pré-existentes, a exposição aos fogos pode causar convulsão, colapso cardiovascular e, em situações extremas, até o óbito.

 

Para reduzir o estresse e evitar acidentes, os tutores podem adotar medidas preventivas antes e durante a queima de fogos. Uma das estratégias é a dessensibilização sonora gradual, feita por meio da exposição controlada a sons semelhantes aos dos fogos, sempre com orientação de um médico veterinário especializado em comportamento animal. “Esse processo ajuda o animal a reconhecer o estímulo como não ameaçador, quando realizado de forma correta e progressiva”, destaca Acidália.

 

Outras medidas simples durante os eventos fazem a diferença, como manter o pet em um ambiente seguro e familiar, com portas, janelas e cortinas fechadas. O uso de música suave também ajuda a mascarar os sons externos, reduz o impacto do ruído e diminui o nível de estresse do animal.



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