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segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Planejamento financeiro 2026: mudanças no imposto de renda e inflação real deve ser foco para organizar o ano


Estamos chegando ao fim de 2025, um período marcado por festas, férias, viagens, confraternizações e, naturalmente, muitos gastos. Para muitas famílias, esse é um momento em que falar de educação financeira pode parecer cansativo ou até indesejado. No entanto, justamente por envolver despesas extras e compromissos acumulados, este é o melhor momento para repensar o orçamento e preparar 2026 com mais tranquilidade. 

Além das celebrações de fim de ano, é preciso lembrar que o começo de 2026 traz uma série de contas inevitáveis: IPVA, IPTU, matrícula e material escolar, seguros, renovações de contratos e acúmulos típicos de janeiro. Somado a isso, o país inicia o ano com mudanças importantes no Imposto de Renda, que alteram diretamente o salário líquido de milhões de brasileiros. Tudo isso reforça a necessidade de planejamento. 

Segundo Reinaldo Domingos, PhD em Educação Financeira e presidente da ABEFIN, prestar atenção nas finanças nesse período é essencial. “Mesmo em meio às festas, esse é o momento ideal para refletir sobre o futuro financeiro. Planejar agora é o que permitirá um início de 2026 mais leve e organizado”, afirma.
 

2026 começa com mudanças no bolso do trabalhador

A partir de 1º de janeiro de 2026, entram em vigor as novas regras do Imposto de Renda, que devem aliviar o orçamento principalmente de quem ganha até R$ 7,35 mil por mês. Mesmo sendo uma boa notícia, esse aumento de renda exige análise e cuidado para ser bem aproveitado. 

Cálculos da Confirp Contabilidade indicam os ganhos estimados:

  • R$ 3,4 mil - economia anual de R$ 354,89
  • R$ 4 mil - economia anual de R$ 1.491,89
  • R$ 5 mil - economia anual de R$ 4.067,57 (quase um salário extra)
  • R$ 6 mil - economia anual de R$ 2.336,75
  • R$ 7 mil - economia anual de R$ 605,86
  • R$ 7,35 mil - sem impacto 

O diretor tributário da Confirp, Welinton Mota, destaca que o benefício diminui conforme a renda aumenta. “Quem ganha R$ 5 mil será o mais impactado positivamente. Acima de R$ 7.350, o efeito desaparece. A mudança deve isentar cerca de 10 milhões de contribuintes, totalizando mais de 26 milhões de brasileiros sem IR a partir de 2026, e representar em mudanças em muito mais pessoas, algo que mexe diretamente com o planejamento familiar e exige um olhar atento", explica Mota.
 

Inflação real: o que realmente pesa no bolso do brasileiro

Outro ponto crucial para 2026 é compreender a diferença entre a inflação oficial e a inflação real. Muitas vezes, a inflação medida pelo indicador oficial está controlada, mas os aumentos que o consumidor sente no supermercado, na farmácia, na energia ou no transporte são muito maiores. 

É essa inflação — a dos produtos e serviços que fazem parte da rotina da família — que precisa ser monitorada para ajustar o orçamento. Ignorar esse impacto torna mais difícil manter o controle das despesas.
 

Por onde começar a organização financeira neste fim de 2025

Mesmo com o ritmo acelerado das festas, algumas ações simples podem fazer toda a diferença:

  1. Registrar compromissos financeiros: "É importante anotar todos os compromissos que você terá no próximo ano, como datas comemorativas, IPVA, IPTU, matrícula escolar, entre outros. Dessa forma, você consegue se organizar e evitar surpresas no meio do caminho", afirma Domingos. Ele sugere utilizar uma agenda, caderno ou aplicativos de controle financeiro para registrar os gastos previstos.
  2. Estabelecer sonhos e objetivos: "Conversar com a família sobre os sonhos a serem realizados em 2025 e além é crucial. Divida-os em curto, médio e longo prazo, e associe cada sonho a um valor específico e a um plano de poupança para realizá-los." Segundo Domingos, ter uma meta clara ajuda a manter o foco financeiro.
  3. Análise de gastos: Segundo pesquisas recentes, muitas famílias gastam cerca de 20% a mais do que o necessário com despesas do dia a dia, como energia elétrica, alimentação e telefonia. "Fazer um diagnóstico financeiro é o primeiro passo para entender para onde está indo seu dinheiro. Isso inclui até mesmo pequenos gastos como café e gorjetas. Saber o destino de cada centavo é crucial para evitar desperdícios", explica o especialista.
  4. Elaborar um orçamento de sonhos e despesas: Para Domingos, o orçamento de 2025 deve ser baseado no princípio de que os sonhos devem ser priorizados antes das despesas. "É essencial garantir que você reserve uma parte do seu ganho para seus objetivos de vida, e só depois destine o restante para os compromissos mensais. Isso ajuda a manter o foco na realização dos sonhos e não no simples pagamento das contas."
  5. Poupar e investir com consciência: O especialista destaca a importância de poupar de forma inteligente para que os sonhos sejam alcançados. "O planejamento deve incluir o que você vai investir para realizar seus sonhos. Para o curto prazo, a caderneta de poupança ou Tesouro Direto são boas opções. Para o médio prazo, considere CDBs ou fundos de investimentos. Já para o longo prazo, vale a pena investir em previdência privada ou ações", orienta Domingos.
  6. Consumo consciente e ajuste no padrão de vida: Para evitar o endividamento, é fundamental viver dentro das suas possibilidades. "O consumo consciente é um dos pilares da educação financeira. Evitar compras por impulso e ajustar seu estilo de vida ao seu real padrão financeiro são atitudes que ajudam a garantir que o futuro seja seguro e próspero."

Reinaldo Domingos conclui: "A educação financeira não é sobre proibir as festas, cortar todo o lazer ou a prática de cortar gastos, mas uma forma de entender as necessidades de cada pessoa, estabelecer metas realistas e investir de maneira eficiente. Com planejamento, é possível transformar 2026 no ano da virada financeira e alcançar os sonhos de forma tranquila e sustentável." 

Em um momento em que muitos preferem não olhar para o extrato e deixar as contas para depois, agir agora é o diferencial para iniciar 2026 com serenidade, clareza e rumo definido. 

 

Reinaldo Domingos - PhD em Educação Financeira, presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira (ABEFIN) e da DSOP Educação Financeira. Ele também é autor de diversos livros sobre o tema, incluindo o best-seller Terapia Financeira. Domingos tem se destacado por suas palestras e orientações sobre como aplicar a educação financeira de forma prática no dia a dia.



Vai passar o Natal na Disney? 5 frases em inglês que podem te salvar nos parques

Em meio a desfiles de Natal, shows de fogos e correria para aproveitar cada atração, ter algumas frases-chave em inglês na ponta da língua pode ser a diferença entre curtir a viagem sem perrengue ou perder tempo na fila errada. Professores da KNN Idiomas, uma das maiores escolas de inglês, selecionaram 5 expressões simples para pedir informação, checar horários e se virar nos parques de Orlando. 


Em meio a desfiles de Natal, shows de fogos e correria para aproveitar cada atração, ter algumas frases-chave em inglês na ponta da língua pode ser a diferença entre curtir a viagem sem perrengue ou perder tempo na fila errada. Professores da KNN Idiomas, uma das maiores escolas de inglês, selecionaram 5 expressões simples para pedir informação, checar horários e se virar nos parques de Orlando.

Dezembro, 2025 – Para muitos brasileiros, passar o Natal na Disney é o “Natal dos sonhos”: luzes por todos os lados, desfiles temáticos, neve artificial, fogos e personagens circulando pelos parques. No meio desse cenário, o inglês vira aliado para fazer tudo funcionar bem — entender um aviso no alto-falante, perguntar o horário da parada, confirmar uma reserva ou descobrir onde fica a próxima atração sem depender sempre de alguém para traduzir.

Para você não passar perrengue na Disney, uma das maiores redes de escolas de idiomas do país, a KNN separou 5 frases em inglês que você precisa aprender.

  • “Do I need a reservation for this attraction?”
    Eu preciso de reserva para esta atração?
  • “What time does the parade start?”
    A que horas começa o desfile?
  • “Where can I find the character meet and greet?”
    Onde fica o encontro com os personagens?
  • “How long is the wait time?”
    Quanto tempo é a espera?
  • “Is there a park map available?”
    Tem um mapa do parque disponível?

“Dentro dos parques, o inglês é o que faz a experiência fluir. Você precisa entender rápido, responder e agir: perguntar o horário do show, conferir a fila certa, entender uma orientação de segurança. Esse ciclo de escutar, repetir e usar é um dos jeitos mais eficientes de aprender de verdade”, afirma Reginaldo Kaeneêne, CEO e fundador da KNN Idiomas.

Para quem quer ir além dessas cinco frases e chegar na viagem falando com mais segurança, a KNN oferece cursos de inglês intensivos com foco em conversação, em que o aluno começa a praticar desde a primeira aula e pode acelerar o aprendizado em pouco tempo, opção recomendada para quem tem data marcada para embarcar e precisa destravar o idioma rápido.

 

KNN Idiomas
www.knnidiomas.com.br

 

Você sabia que a tecnologia nuclear garante mais segurança e durabilidade ao que chega à sua mesa?


Irradiação de alimentos: Processo preserva nutrientes, reduz desperdícios e ainda combate pragas e microrganismos

 

Pouca gente sabe, mas a tecnologia nuclear vai muito além da geração de eletricidade. Uma de suas aplicações mais seguras e benéficas está na irradiação de alimentos, um processo que ajuda a conservar frutas, vegetais, carnes e grãos, eliminando microrganismos nocivos e aumentando a durabilidade dos produtos sem comprometer sua qualidade nutricional. 

Embora ainda seja um tema pouco difundido no Brasil, a técnica já é amplamente utilizada em cerca de 70 países para garantir alimentos mais seguros e reduzir perdas no transporte e armazenamento. Segundo Patricia Wieland, membro do Conselho Curador da Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (ABDAN) e especialista em tecnologia nuclear aplicada à agroindústria, "a irradiação é um método seguro e eficaz, aprovado por órgãos internacionais como a FAO e a OMS. Diferente de conservantes químicos, o processo não deixa resíduos e mantém as características naturais do alimento". 

A irradiação funciona utilizando raios gama, elétrons ou raios-X para eliminar pragas, fungos e bactérias, sem alterar a textura ou o sabor dos alimentos. Além disso, pode substituir métodos tradicionais, como o uso de pesticidas e conservantes químicos, contribuindo para uma produção mais sustentável e segura. 

Mesmo com os benefícios, o Brasil ainda usa essa tecnologia em menor escala, principalmente devido à falta de informação. Especialistas defendem que a expansão da irradiação de alimentos poderia ajudar a reduzir desperdícios – um problema grave no Brasil, que descarta cerca de 27 milhões de toneladas de alimentos por ano – e facilitar a exportação de produtos agrícolas, já que muitos países exigem tratamento contra pragas. 

"Com o uso de aparelhos de raio-x modernos e a crescente necessidade de garantir alimentos mais seguros e sustentáveis, além de reduzir perdas e desperdícios, a irradiação é um recurso promissor para otimizar a preservação dos alimentos. A questão é: quando o Brasil reconhecerá o verdadeiro valor dessa inovação?", afirma Wieland.


C-Level: como planejar o pós-carreira?


Passamos anos de nossas vidas profissionais focados em ascender conforme nossas ambições. Se tornar um C-Level é, para muitos, o ápice de uma jornada de intensa dedicação, sacrifícios pessoais e tomada de decisões de alto risco. Ao mesmo tempo, existe um paradoxo preocupante nessa história: líderes que são mestres em planejar o futuro de grandes organizações, mas falham em aplicar o mesmo rigor e visão de longo prazo em seu futuro pós-carreira.

É muito comum vermos executivos brilhantes planejando fusões, expansões, transformações digitais, estratégias de crescimento, mas não planejando a si mesmos, pensando quando o crachá deixará de ser usado em sua rotina. Essa transição não acontece no último dia em que se senta nessa cadeira. Ela começa muito antes, enquanto ainda está exercendo tamanha responsabilidade, algo que nem todos compreendem ou se preparam financeiramente desde cedo.

O que, na prática, influencia esse pensamento e organização? Basicamente, a forma pela qual cada um enxerga seu trabalho – sendo um meio de subsistência pessoal, ou realização de carreira, o que faz com que cada um se conecte de forma completamente diferente com seus papéis e planejamentos.

Em países economicamente mais desenvolvidos como na Europa ou nos Estados Unidos, como exemplo, existe uma mentalidade mais dominante em relação à separação entre “trabalhar para viver” e “viver para trabalhar”. Nessas regiões, o exercício profissional tende a ser percebido muito mais como um instrumento, do que uma identidade central, o que faz com que os executivos sejam mais propensos a enxergar o pós-carreira como parte natural da vida, o próximo capítulo que deve ser planejado com antecedência, ao invés de um tema distante de sua realidade.

Em contraste, em muitas economias emergentes, como a América Latina, o peso cultural e socioeconômico do trabalho é muito maior do que apenas encará-lo como uma fonte de renda. Vivendo sob instabilidades econômicas, inflação e demais impactos externos, todas essas influências forçam os executivos a se prepararem, com muito mais afinco, em seu pós-carreira, considerado como uma etapa natural de sua trajetória.

Os efeitos da pandemia reacenderam a essencialidade deste tema para a sociedade global. Prova disso está no relatório "A Vida dos Aposentados na Economia Pós-Pandemia", o qual analisou as experiências de aposentados nos EUA após o isolamento social. Segundo o estudo, muitos aposentados enfrentaram incertezas financeiras devido a inflação, taxa de juros e volatilidade de mercado — fatores que podem comprometer a estabilidade pós-carreira se não houver um planejamento devido.

Para os C-Levels, planejar um bom pós-carreira significa projetar uma segunda trajetória profissional e pessoal que envolva três frentes fundamentais: sua saúde (física e emocional), alta dose de autoconhecimento e vocação futura. Todas, gerando um efeito de causa e consequência para o que irão colher neste futuro.

No primeiro aspecto, esses executivos costumam enfrentar décadas de jornadas extensas nas quais seus cuidados de saúde acabam não ganhando tanta prioridade. O resultado é claro: alimentação irregular, baixa qualidade de sono, falta de atividade física e níveis de estresse acima da média que, inevitavelmente, prejudicam sua qualidade de vida. Isso cria uma dualidade preocupante: profissionais que chegam à aposentadoria com grande bagagem intelectual, mas sem a energia física e mental necessárias para usufruir disso.

É muito comum que, ao longo destes anos, muitos acabem se perdendo quanto ao que realmente os motiva em suas carreiras. Afinal, quanto mais responsabilidade, mais gestão e mais pressão, poucos ainda compreendem o que os energia profissionalmente. E, sem autoconhecimento, a transição pós-carreira vira um ciclo de tentativa e erro.

Encontrar sua vocação para essa próxima fase deve ser construído enquanto ainda se está em atividade, envolvendo questionamentos como os interesses reais, experiências acumuladas, impactos desejados e modelo de vida esperado. Os C-Levels que investirem nessa reflexão com antecedência criarão uma transição mais fluída que os continue motivando, engajando e satisfazendo.

 

Ricardo Haag - headhunter e sócio da Wide Executive Search, boutique de recrutamento executivo focado em posições de alta e média gestão.


Wide
https://wide.works/

 

Confiança do consumidor paulista fica estagnada no campo negativo

Pixabay
O Índice de Confiança do Consumidor Paulista (ICCP), auferido pela ACSP, se manteve em 98 pontos na passagem de outubro para novembro


O Índice de Confiança do Consumidor Paulista (ICCP), divulgado pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), se manteve em 98 pontos na passagem de outubro para novembro. Em relação a novembro de 2024, ele recuou 1%.

O ICCP varia de zero a 200 pontos, sendo que pontuações abaixo de 100 denotam pessimismo do consumidor

No recorte por classes socioeconômicas, o indicador paulista apresentou resultados heterogêneos, com aumento de confiança para as famílias das classes C e DE e redução para aquelas pertencentes à classe AB.

Quanto ao gênero dos respondentes, houve aumento da confiança em novembro para os entrevistados do sexo masculino e queda para os pertencentes ao feminino.

Segundo a ACSP, piorou a percepção das famílias em relação à situação financeira atual, com redução da segurança no emprego, enquanto houve melhora das expectativas sobre renda e emprego.


Cidade de São Paulo

Por sua vez, o Índice de Confiança do Consumidor da Cidade de São Paulo (ICCSP) alcançou 89 pontos em novembro, aumentando 2,3% em relação a outubro, enquanto na comparação com o mesmo mês do ano passado manteve estabilidade. Apesar da melhora mensal e da estabilidade interanual, o ICCSP ainda se mantém no campo pessimista – abaixo dos 100 pontos.

 

Redação DC
https://www.dcomercio.com.br/publicacao/s/confianca-do-consumidor-paulista-fica-estagnada-no-campo-negativo

 

A próxima fronteira da gestão: Como a IA Emocional antecipa comportamentos e promove o bem-estar corporativo


A inteligência artificial está evoluindo de uma ferramenta de automação operacional para se tornar um agente ativo na promoção do bem-estar e da produtividade humana. A nova fronteira é a automação emocionalmente inteligente, sistemas capazes de interpretar os complexos sinais emocionais do ambiente de trabalho para sugerir ações mais empáticas e eficazes. Esta tecnologia não reage apenas ao presente; ela aprende e antecipa o futuro. 

Para entender seu impacto, é preciso primeiro olhar para o cérebro humano. Segundo a ICC Clinic (2025), neurologicamente, nossas emoções são processadas por uma interação complexa entre a amígdala, nosso centro de resposta emocional rápida, e o córtex pré-frontal, responsável pelo raciocínio e autocontrole. Em ambientes de alta pressão, o estresse crônico pode levar a uma hiperatividade da amígdala, prejudicando nossa capacidade de concentração e tomada de decisão, um fenômeno que contribui diretamente para o esgotamento profissional. 

O resultado é uma crise global: dados de 2025 indicam que a síndrome de burnout atingiu um recorde histórico, afetando 66% dos trabalhadores e gerando custos de bilhões em perda de produtividade para as empresas. 

É neste cenário que a IA emocional, também conhecida como Affective Computing, surge como uma poderosa aliada. Assim como o cérebro humano aprende a reconhecer padrões em expressões faciais e tons de voz, os algoritmos de IA são treinados com vastos conjuntos de dados para identificar microexpressões, inflexões vocais e até mesmo mudanças sutis na linguagem que indicam estados emocionais específicos. A máquina, no entanto, faz isso em uma escala e com uma precisão sobre-humana, detectando sinais que escapam à percepção humana. 

Estamos entrando em uma fase em que a IA não substitui o humano, mas o compreende em um nível mais profundo. Ela interpreta padrões emocionais e traduz isso em decisões mais humanas, o que transforma a gestão de pessoas e o dia a dia das lideranças. 

O verdadeiro potencial desta tecnologia reside na sua capacidade preditiva. Ao analisar dados de forma contínua e não invasiva, a IA pode identificar tendências comportamentais que antecedem crises. Ela pode, por exemplo, detectar uma queda gradual no engajamento de uma equipe, correlacionar o aumento do estresse vocal com a proximidade de um prazo importante ou identificar padrões individuais que sinalizam um risco elevado de burnout semanas antes que os sintomas se tornem evidentes. Essa capacidade de antecipação permite que as lideranças ajam de forma proativa, e não reativa. 

As aplicações já são uma realidade em grandes organizações, que utilizam esses insights para priorizar tarefas de forma mais inteligente, redistribuir atividades para evitar a sobrecarga e personalizar sugestões de rotina e aprendizado que se alinham ao estado mental dos colaboradores. O objetivo não é a vigilância, mas a criação de um ecossistema de suporte. 

Os negócios do futuro serão liderados por 'dados que sentem'. Quanto mais conseguirmos unir performance e bem-estar, mais sustentáveis e produtivos se tornam os ambientes de trabalho. A automação emocionalmente inteligente, portanto, inaugura uma nova era da gestão: uma em que o dado não apenas informa, mas escuta, previne e transforma a cultura corporativa a partir da compreensão genuína das pessoas que a constroem.

 

Thelma Valverde - CEO da eMiolo, startup de tecnologia focada em desenvolver soluções inteligentes e customizadas para grandes corporações. Com mais de 10 anos de experiência na liderança de projetos inovadores, Thelma tem sido uma força motriz na criação de softwares que impactam diretamente a eficiência operacional de grandes empresas. Sob sua liderança, a eMiolo foi reconhecida como uma das principais startups em Open Innovation no Brasil.

 

IA se consolida e se prepara para moldar estratégias em 2026

 

A adoção da Inteligência Artificial segue vinculada à busca por eficiência e, em 2026, a tecnologia passará por um ponto de inflexão. No setor financeiro, os algoritmos ajustam carteiras de investimento em tempo real, com base em volumes de dados que seriam inalcançáveis pela intuição humana. Na indústria e no varejo, plataformas inteligentes já assumem decisões sobre compras, produção e logística, cruzando variáveis de consumo, compliance e sustentabilidade. Até mesmo a comunicação corporativa vive uma transformação, com a ascensão do Generative Engine Optimization – uma lógica em que a reputação digital passa a ser construída também pela consistência e credibilidade das informações disponíveis para os sistemas de IA generativa.

Esse cenário sinaliza aos líderes empresariais um novo olhar: não se trata mais de adotar tecnologia como acessório, mas de reorganizar modelos de negócio em torno de uma inteligência distribuída, ética e confiável. A governança de dados deixa de ser diferencial para se tornar obrigação regulatória.

A IA deixa de ser definitivamente uma promessa para se consolidar como infraestrutura estratégica da economia global. Nos últimos anos, testemunhamos um salto sem precedentes: a IA passou de aplicações pontuais em chatbots e análise de dados para se tornar o cérebro que orienta decisões, antecipa riscos e molda novas formas de relacionamento entre empresas, clientes e investidores.

No Brasil, o debate em torno do Marco Legal da Inteligência Artificial já indica que princípios como transparência, não discriminação e supervisão humana serão exigências básicas para empresas que desejam competir em setores sensíveis, como o financeiro e o de saúde.

Ao mesmo tempo, cresce a responsabilidade de garantir que as decisões tomadas por algoritmos sejam auditáveis, explicáveis e livres de vieses que possam reproduzir desigualdades históricas. A privacidade de dados ganha ainda mais relevância em um mundo hiperconectado, enquanto os impactos ambientais da infraestrutura tecnológica entram no centro das discussões sobre sustentabilidade.

Mas há também uma oportunidade sem precedentes. Empresas que tratarem a IA como infraestrutura estratégica terão ganhos de precisão, inovação contínua e capacidade de oferecer experiências personalizadas em escala. Profissionais que conseguirem transitar entre finanças, tecnologia, dados e ética estarão na linha de frente dessa transformação, tornando-se indispensáveis para organizações que desejam prosperar.

O ano de 2026, em minha opinião, será lembrado como o ano em que a inteligência artificial deixou de ser tendência emergente para se tornar parte da espinha dorsal da economia. A diferença entre prosperar e perder relevância estará na capacidade de integrar a IA de forma transparente, responsável e estratégica a cada decisão corporativa.

As grandes revoluções tecnológicas sempre redefiniram a economia global. A inteligência artificial é a mais recente, e, possivelmente, a mais profunda dessas revoluções. O desafio, agora, é garantir que esse poder seja usado para ampliar a confiança, acelerar a inovação e gerar valor sustentável para negócios e sociedade.

  

Marcus Piombo - CEO do Grupo Stefanini no Brasil.



Magia natalina ilumina a Flórida Central

Crédito: Divulgação Visit Central Florida


Celebre a temporada com eventos, atrações e experiências especiais

 

A época mais encantadora do ano chegou, e a Flórida Central, situada entre Orlando e Tampa, está pronta para receber os visitantes que vêm aproveitar todas as atividades preparadas para tornar este período ainda mais inesquecível. Entre os destaques deste ano, estão os eventos com temática natalina no LEGOLAND® Florida Resort, em Winter Haven, nos jardins Bok Tower e no Polk County History Center, entre muitos outros. 

 

Natal no LEGOLAND

Celebre o Natal ao estilo LEGOLAND! Esta época alegre traz uma combinação de shows e guloseimas sazonais, personagens especiais LEGO, luzes cintilantes, queima de fogos em noites selecionadas e muito mais durante Holidays at LEGOLAND e a festa de Ano-Novo dedicada às crianças. Datas selecionadas: 6, 13, 20 e 24 a 31 de dezembro. Os ingressos de admissão geral incluem todos os eventos e apresentações temáticas.


Tour de Natal na Wonder House

A Wonder House, localizada em Bartow, no coração da Flórida Central e a cerca de 45 minutos a sudoeste de Orlando, oferecerá visitas guiadas diurnas até 11 de janeiro de 2026. Os tours, disponíveis apenas aos sábados e domingos, precisam ser agendados com antecedência e têm duração aproximada de uma hora e meia.

A Wonder House é uma residência privada de três andares que preserva cômodos em diferentes estágios de restauração e construção, já que nem todos os ambientes estão finalizados. Decorada com belos enfeites natalinos, a visita destaca a história da casa e de seu construtor, Conrad Schuck.


Natal no Bok Tower Gardens

O Natal nos jardins Bok Tower, uma das atividades mais queridas tanto para visitantes quanto para moradores locais, oferece inúmeros eventos durante dezembro e até 4 de janeiro. O tema deste ano é “Deixe seu coração voar”, celebrando a beleza da temporada em cada detalhe. O inverno no hemisfério norte é um momento de alegria e reflexão sobre como tornar o mundo um lugar um pouco melhor no ano que chega.


CALENDÁRIO REPLETO DE EVENTOS PARA A TEMPORADA DE FIM DE ANO

Natal inesquecível em El Retiro – Até 7 de janeiro. A visita inclui uma encantadora exibição de deslumbrantes decorações natalinas, que ressaltam a beleza da casa. Do lado de fora, os visitantes podem apreciar uma mostra especial de plantas festivas, incluindo a imponente árvore Blooming Holiday.

Encontro com o Papai Noel – 6 e 20 de dezembro | 11h às 13h. Antes da grande noite, o Bom Velhinho decidiu tirar alguns dias de férias para aproveitar o sol da Flórida nos jardins Bok Tower. Vestido com sua melhor roupa de jardinagem, ele recebe os visitantes no Centro de Visitantes.

Boas-vindas ao Natal com a Silver Bells Big Band – Sábado, 6 de dezembro | 18h. A Silver Bells Big Band traz seu estilo suave e som emocionante ao Oval Lawn, com músicos talentosos interpretando clássicos atemporais e canções natalinas cheias de energia – perfeitas para toda a família.

Festival de Fadas de Inverno com O Quebra-Nozes na Singing Tower – Sábado, 13, e domingo, 14 de dezembro | 8h às 17h | Incluso na admissão geral. Vista sua melhor fantasia de fada natalina para um espetáculo mágico dedicado a fadas, faunos, duendes e gnomos de todas as idades!

Festival de Guirlandas de Natal do Centro de História do Condado de Polk – O Centro de História do Condado de Polk, instalado no Antigo Tribunal de Bartow, a segunda cidade mais antiga da região, construído em 1908, celebra seu 15º Festival Anual de Guirlandas de Natal, até 11 de dezembro. O centro realiza uma venda de guirlandas por meio de um leilão silencioso, e todo o valor arrecadado é destinado à preservação do local. O museu funciona de terça a sábado, das 9h às 17h.


DESFILES DE NATAL NA FLÓRIDA CENTRAL

Desfile de Barcos de Natal da Winter Haven Chain of Lakes – Celebre as festas ao estilo da Flórida Central durante o desfile de barcos da Winter Haven Chain of Lakes em 6 de dezembro. O evento anual, organizado pela cidade de Winter Haven, começa às 18h no Lago May. Os melhores pontos para assistir são os restaurantes Harborside, Tanner’s Lakeside Bar & Grill, Old Man Franks e Twisted Prop.

Desfile de Natal de Havendale – O tradicional Desfile de Natal de Havendale, que conecta as cidades de Winter Haven e Auburndale, entre Orlando e Tampa, ocorre em 5 de dezembro, das 19h às 21h. A rota prevista para este ano começa na Spring Haven Community, em Winter Haven, e segue para oeste até o Publix de Auburndale.

Desfile de Natal de Lakeland – Considerado um dos eventos anuais mais importantes da cidade, o Desfile de Natal de Lakeland ocorre sempre na primeira quinta-feira de dezembro. Em 2025, será no dia 4. O percurso começa no RP Funding Center e passa por um trajeto de 2 km pelas ruas da cidade, contornando o Lago Morton e seguindo pela Avenida Tennessee. As alegorias são decoradas de acordo com o tema anual: “Rockin' Around Lakeland”.

A Flórida Central tem muitos outros eventos e atividades encantadoras em todo o Condado de Polk – além de excelentes opções de hospedagem e dicas para deixar sua estadia ainda mais alegre e iluminada. Boas festas!

 

Visit Central Florida 

Organização oficial de Marketing do Condado de Polk, na Flórida, e é especializada em ajudar os visitantes a planejarem as férias repletas de diversão na região da Flórida Central. Para mais informações, acesse o site oficial do Visit Central Florida. 

 TM Americas 

 Para vivenciar a magia autêntica da Flórida clique aqui.

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Aprovação automática nas escolas? Especialista alerta para consequências no ensino com a decisão do Governo do Rio de Janeiro

O professor de física e matemática Felipe Guisoli, à frente da escola online Universo Narrado, ressalta que medida pode ser prejudicial aos estudantes

 

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, assinou decreto instituindo a progressão continuada na rede pública de ensino. Na prática, de 2025 em diante, os alunos do ensino médio do Estado do Rio de Janeiro poderão ser aprovados, mesmo que não tenham média suficiente para passar em seis matérias. O governo ainda pagará uma gratificação de R$ 3 mil para os professores de unidades que conseguirem aprovar entre 92% e 97% de seus alunos. Os alunos terão que passar por uma recuperação durante o ano seguinte, mas caberá a cada escola propor e realizar um plano de ensino que contemple esse processo.  Para o professor Felipe Guisoli, à frente da escola online Universo Narrado, a qualidade do aprendizado, principalmente, em disciplinas como matemática e física tende a piorar com essa decisão. 

“Sempre digo que, antes de aprender matemática, precisamos quebrar a tradicional barreira que muitos ainda carregam quanto à disciplina. Há um histórico de apreensão com a área. Eu entendo: muitos alunos chegam com traumas, bloqueios, aquela sensação de que "nunca foram bons" em matemática. Mas, a verdade é que isso não passa de uma apreensão equivocada. Meu papel, como professor, é ajudar a ressignificar essa relação. Quero que os alunos vejam a matemática não como um obstáculo, mas como uma linguagem poderosa para compreender o mundo, uma ferramenta criativa e, acima de tudo, acessível a todos. Essa medida do governo do Rio de Janeiro não ajuda nessa mudança de mentalidade e reforça o sentimento de incapacidade por parte dos estudantes!”, enfatiza Guisoli. 

A ONG Todos Pela Educação e o Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional) lançaram o estudo “Aprendizagem na educação básica: situação brasileira no pós-pandemia”. Além de dados sobre desigualdades educacionais na educação básica envolvendo questões étnico-raciais, o levantamento traz um cenário bastante desafiador no que diz respeito ao aprendizado de matemática. Em 2023, no 9º ano, o percentual de estudantes com aprendizado adequado na disciplina ficou em 16% (em 2019, era 18%, e, em 2021, 15%). Já no 3º ano do ensino médio, manteve 5% – o mesmo índice crítico de 2021. Neste cenário de baixíssima aprendizagem, as desigualdades raciais persistem: entre os estudantes brancos, 8% tiveram aprendizado adequado em matemática; entre os pretos, 3%. O professor acredita que o que impede muitas pessoas de evoluírem em Matemática: não é estudar mais, mas aprender como estudar de forma estratégica e profunda. Para ele, é preciso mudar a mentalidade dos alunos. “Eu sempre insisto: mudar a mentalidade é o primeiro passo para transformar o aprendizado. Não existe essa história de que "não nasci para a matemática". Isso é um mito. O que existe é um processo de construção, uma habilidade que se desenvolve com o tempo, com paciência e com método. O que faço aqui no Universo Narrado é estimular nos candidatos uma mentalidade de crescimento, mostrar que o esforço, a curiosidade e a perseverança são muito mais importantes do que qualquer suposto "dom". Quero que eles enxerguem a matemática como uma aliada, não como uma ameaça”, conta Felipe.

Felipe Guisoli possui mais de 10 anos de experiência, tendo ajudado milhares de alunos a serem aprovados em cursos concorridos, como Medicina na FUVEST, e em concursos como Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) e Instituto Militar de Engenharia (IME). 



Felipe Guisoli - físico e mestre em física teórica pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), é escritor e criador do Universo Narrado, uma escola online de física e matemática para estudantes de todo o Brasil.

Universo Narrado
IG: @universonarrado

 

O cidadão diante do Bitcoin

Autonomia, riscos e o preparo necessário para uma nova forma de guardar valor 

 

No último final de semana participei de um evento dedicado a blockchain e ativos digitais. Entre discussões técnicas e demonstrações de aplicações inovadoras, algo aparentemente simples capturou minha atenção. Era um protótipo educacional de um equipamento que permite que qualquer pessoa compre satoshis, que são pequenas frações de Bitcoin, apenas inserindo uma nota de dinheiro físico e recebendo o valor correspondente em sua carteira digital. Essa transferência acontecia por meio da Lightning Network, que é um protocolo de pagamentos instantâneos construído sob a rede Bitcoin. A cena parecia trivial, mas carregava uma mensagem profunda. 


O pequeno terminal de madeira, a tela sensível ao toque e o símbolo laranja brilhante do Bitcoin apresentavam algo que vai além de tecnologia. Eles representavam um novo tipo de relação entre o cidadão e a forma como ele pode preservar seu patrimônio. Ao observar o equipamento percebi que ele não só demonstrava uma inovação pedagógica como revelava uma pergunta essencial sobre o futuro. Estamos preparados para lidar com a liberdade financeira radical proporcionada pelo Bitcoin?

 

Durante toda a nossa vida convivemos com formatos de poupança e investimento que dependem de intermediários. Contas bancárias, aplicações financeiras, títulos e diversos outros instrumentos exigem a presença de instituições que guardam, movimentam e controlam o acesso ao nosso patrimônio. Essa estrutura foi construída para dar segurança ao sistema e permitir que políticas públicas funcionem. No entanto, ela também centraliza o poder. Bancos podem bloquear valores, governos podem impor restrições e crises podem corroer a poupança de milhões de pessoas.

 

O Bitcoin introduz um conceito diferente. Ele permite que o indivíduo mantenha uma reserva de valor sob seu próprio controle, sem depender de qualquer instituição para proteger ou movimentar parte relevante de sua riqueza. Uma carteira digital funciona como um aplicativo ou dispositivo onde o usuário mantém suas chaves privadas, que são códigos que garantem acesso exclusivo aos seus Bitcoins. Quem controla as chaves controla essa forma alternativa de preservar patrimônio. A Lightning Network, usada no protótipo que observei, facilita movimentações rápidas de pequenas frações de Bitcoin, mas segue o mesmo princípio de autonomia. Não há gerente de banco, não há pedido de autorização, não há repartição pública supervisionando a operação. O cidadão não está criando um novo meio de pagamento cotidiano, e sim acessando um instrumento adicional de proteção patrimonial. 


A autocustódia, que consiste em guardar e proteger as próprias chaves privadas, é ao mesmo tempo libertadora e arriscada. Em contraste com o sistema atual, em que erros podem ser corrigidos, transações podem ser revertidas e senhas podem ser recuperadas, no universo do Bitcoin não existe botão de desfazer. Se alguém perde suas chaves ou as compartilha por engano, os Bitcoins desaparecem para sempre. Essa característica não é um defeito da tecnologia, é parte essencial do seu desenho.

 

A pergunta então se torna inevitável. A sociedade está preparada para assumir essa responsabilidade? O cidadão comum, que muitas vezes esquece a senha do aplicativo do banco, tem condições de gerir um código que representa parte importante de sua reserva de valor? Para muitos, isso significa um enorme salto de maturidade. A liberdade financeira radical oferecida pelo Bitcoin exige uma educação igualmente radical, capaz de preparar indivíduos para um ambiente em que a proteção do patrimônio depende de cuidado pessoal e não da intervenção de terceiros.

 

Se o Bitcoin for adotado em larga escala como reserva de valor, governos terão menos margem para usar a inflação como ferramenta de ajuste fiscal. Quando a população tem acesso a um ativo global que preserva poder de compra de forma independente de políticas nacionais, decisões fiscais e monetárias irresponsáveis se tornam mais rapidamente penalizadas. Essa dinâmica já existe em países onde a população recorre ao dólar para se proteger da desvalorização da moeda local. O Bitcoin leva essa lógica a um nível mais profundo, pois pertence ao indivíduo e não a outro país.

 

Para que essa mudança aconteça sem gerar danos sociais, é preciso preparar o cidadão comum. O primeiro passo é a educação financeira básica, que ainda é insuficiente no Brasil. A compreensão de conceitos simples como orçamento, juros e inflação já é um desafio para milhões de pessoas. A introdução de Bitcoin torna necessário também o entendimento de conceitos tecnológicos. As pessoas precisam aprender a reconhecer golpes digitais, a criar cópias de segurança seguras, a utilizar carteiras digitais confiáveis e a diferenciar custódia própria de custódia terceirizada.

 

Essa educação não deve ser elitista ou restrita a grupos especializados.

 

Assim como aprender a dirigir exige aulas práticas e teóricas, aprender a usar Bitcoin como reserva de valor de forma segura exige etapas progressivas. Em um primeiro momento o usuário pode começar com valores pequenos e com uma carteira simples instalada no celular. Depois pode aprender a fazer cópias de segurança, a identificar riscos comuns e a transacionar pequenas quantias. Só então pode avançar para formas de autocustódia mais robustas. Esse processo reduz o risco de erros irreversíveis e forma uma base sólida para a adoção consciente.

 

Nada disso acontece sem esforço coletivo. Universidades, escolas técnicas, associações de classe, empresas de tecnologia e órgãos reguladores podem contribuir para construir essa alfabetização digital e financeira. O Bitcoin não deve ser tratado como uma curiosidade periférica. Ele deve ser entendido como um fenômeno cultural que exige novas competências, da mesma forma que a internet exigiu habilidades que antes eram raras e hoje são triviais para qualquer estudante.

 

Ao observar novamente o protótipo exposto no evento percebi o que ele realmente representa. Ele não apenas permite que alguém compre satoshis com uma nota de papel. Ele convida o cidadão comum a entrar em um universo onde a responsabilidade financeira, a consciência tecnológica e a autonomia individual são inseparáveis.

 

O Bitcoin não testa apenas governos ou sistemas bancários. Ele testa o indivíduo. Testa sua capacidade de tomar decisões responsáveis e de lidar com a liberdade de forma madura. A grande questão não é se a tecnologia está pronta para a sociedade. A questão é se a sociedade está pronta para a tecnologia.

 

Quando esse nível de maturidade for alcançado, o Bitcoin deixará de ser percebido como uma experiência marginal e passará a ser compreendido como parte estrutural da economia moderna. E talvez seja esse o verdadeiro significado daquele pequeno equipamento em madeira. Ele é uma janela para um futuro onde o controle do patrimônio volta para as mãos de quem sempre deveria tê-lo.

 


Artigo do prof. Dr. Marcelo Massarani - publicado em sua coluna na Gazeta Mercantil Digital, em 02/12/2025. Tanto o jornal quanto o autor autorizam sua reprodução.


Marcelo Massarani é Professor Doutor da Escola Politécnica da USP, Diretor Acadêmico da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, membro do Conselho Diretor do Instituto da Qualidade Automotiva e Conselheiro Consultivo


Cuidado pós-agudo: os direitos do paciente na jornada da recuperação

  

O momento da internação hospitalar é um evento desafiador que afeta não apenas o paciente, mas toda a estrutura familiar. A rotina é interrompida, o ambiente muda, e a incerteza paira sobre a cabeça de todos. Nesse período turbulento, que vai desde o hospital até o retorno seguro ao lar, a família e o paciente precisam de um suporte sólido, amparado por direitos que garantem dignidade e autonomia ao longo de toda a jornada do cuidado. 

As Unidades de Transição de Cuidados (UTC) são ambientes propícios para o entendimento e aplicação desses direitos, ao representarem uma ponte entre o tratamento agudo e a recuperação pós-aguda, seja por uma incapacidade temporária ou definitiva, ou mesmo em cuidados paliativos. Dentro de cada modalidade de cuidado, a equipe multidisciplinar atua como um guia, sendo fundamental para a orientação, na relação médico-paciente e o acompanhamento da assistente social. 

No Brasil, a relação entre o paciente e o sistema de saúde é regulamentada por uma série de leis e normas que buscam proteger a dignidade, a autonomia e a integridade dos indivíduos. A mais completa delas, e que serve como uma verdadeira bússola para pacientes e familiares, é a Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde, instituída no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) pela Portaria nº 1.820, de 13 de agosto de 2009. Essa portaria, que se aplica a toda a rede de saúde, tanto pública quanto privada, condensa e valoriza a informação sobre os direitos e deveres dos pacientes.

 

Os direitos do paciente: leis que garantem a proteção 

Os direitos do paciente se aplicam de forma universal e contínua. São eles:

  • O direito à saúde e à continuidade do cuidado: O acesso à saúde, um direito fundamental garantido pela Constituição Federal de 1988, é detalhado na Lei nº 8.080 de 1990, que dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde. Isso assegura que o tratamento não pode ser interrompido abruptamente após a fase aguda. O paciente tem direito a um plano de alta bem-organizado, que garanta a transição segura para a próxima etapa da recuperação.
  • O direito à informação e à escolha: A Resolução nº 1.931 de 2009 do Conselho Federal de Medicina (CFM) estabelece que o médico deve informar o paciente sobre todos os aspectos do seu tratamento. No contexto pós-agudo, isso significa entender as opções de reabilitação e ter voz ativa na decisão sobre o plano de cuidados. O médico e sua equipe devem ser os guias, mas a palavra final é do paciente.
  • Proteção legal para os mais vulneráveis: O Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741 de 2003) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069 de 1990) asseguram que esses grupos recebam uma atenção integral e específica, incluindo o direito de acompanhantes e a cobertura de dietas especiais, dependendo do caso. Já o Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015) assegura acessibilidade, vida independente e atendimento integral no sistema de saúde.


Arcabouço jurídico do cuidado pós-agudo
 

A proteção ao paciente em fase de recuperação pós-aguda está ancorada em um sólido conjunto de normas legais. A Constituição Federal de 1988 é a base, ao reconhecer a saúde como um direito social (artigo 6º) e determinar, em seu artigo 196, que cabe ao Estado garantir acesso universal e igualitário aos serviços de saúde. Esse princípio se materializa na Lei Orgânica da Saúde (Lei nº 8.080/1990), que estrutura o SUS e assegura a continuidade do cuidado, inclusive em modalidades como atenção domiciliar e reabilitação. 

Para públicos específicos, como pessoa idosa e pessoa com deficiência, existem garantias adicionais. O Estatuto do Idoso reforça o direito a atendimento domiciliar, reabilitação e acesso facilitado a serviços. Enquanto o Estatuto da Pessoa com Deficiência assegura acessibilidade, vida independente e atendimento integral no sistema de saúde. 

No âmbito da prática médica, a Resolução CFM nº 1.995/2012 regulamenta o cuidado domiciliar, reafirmando a continuidade do tratamento. Também o Código de Ética Médica e o Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990) garantem o direito à informação clara e à transparência nos serviços privados de saúde. 

Essas normas se conectam diretamente ao dia a dia das famílias. Pacientes em condição de vulnerabilidade, por exemplo, podem acessar benefícios assistenciais, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS), previsto na Lei Orgânica da Assistência Social. Além disso, políticas como a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (Portaria MS nº 2.528/2006) reconhecem o papel da família no processo de cuidado, mas deixam claro que cabe ao sistema de saúde oferecer suporte e capacitação para cuidadores informais.

 

Situações jurídicas específicas 

Em casos de fase terminal, a lei prevê procedimentos especiais para garantir a vontade do paciente:

  • Casamento Nuncupativo (Código Civil, Artigo 1.540): Permite a união celebrada em caráter de urgência, na iminência da morte, para garantir não somente a vontade do paciente, mas também os direitos sucessórios e previdenciários ao cônjuge sobrevivente. O STJ (2024) já flexibilizou o prazo para registro em casos de pacientes em fase terminal.
  • Sucessão em fase terminal (Código Civil, Artigos 1.857 a 1.990): A organização da transmissão de bens, geralmente por testamento, permite segurança jurídica aos herdeiros e evita disputas familiares. Precedentes (TJSC, 2025) validam testamentos feitos por pacientes em estado terminal, reconhecendo sua capacidade de manifestação de vontade.

Conhecer direitos e deveres é essencial 

Ao compreender e exercer seus direitos de ser informado e ouvido, o paciente se liberta da passividade e assume as rédeas do seu próprio cuidado. E ao abraçar seus deveres de cooperar, de se comunicar e de se comprometer com o tratamento, ele se torna o principal agente de sua própria jornada. 

O sucesso, nesse contexto, não é medido apenas pela melhora clínica, mas pela reconquista da dignidade, da independência e, acima de tudo, da esperança.

 

Sandra Lopomo - advogada, Diretora de Gestão de Pessoas, Jurídico e Sustentabilidade.

Rodrigo Rodrigues é Diretor de Relacionamento com Mercado e Marketing, ambos da YUNA, instituição especializada em reabilitação e cuidados paliativos.


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