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terça-feira, 15 de julho de 2025

Norma da Anvisa para a regularização de alimentos impõe prazo de adequação até setembro de 2025

banco de imagem
Especialista da Pronutrition explica e orienta como organizações podem se preparar para atender ao marco regulatório do segundo semestre do ano


A Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 843/2024, publicada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), entrou em vigor em 1º de setembro de 2024 e estabelece novas diretrizes para a regularização de alimentos e suplementos alimentares no Brasil. A norma, acompanhada da Instrução Normativa (IN) nº 281/2024, redefine os processos de registro, notificação e comunicado de início de fabricação, impactando diretamente a indústria de alimentos e suplementos. 

Neste contexto, a RDC exige o registro obrigatório para categorias como alimentos infantis, nutrição enteral e alimentos para fins especiais. Já a notificação passa a ser publicada a produtos com alegações de saúde e funcionais, além de suplementos alimentares e alimentos para controle de peso. Produtos considerados de baixo risco, como chocolates, chás e massas, poderão ser fabricados e comercializados após simples comunicação à Vigilância Sanitária local. 

As empresas têm até 1º de setembro de 2025 para realizar a notificação de produtos que já estavam sendo fabricados ou importados antes da vigência da nova regulamentação. Além disso, itens produzidos antes da data de notificação poderão ser comercializados até o fim do prazo de validade. O não cumprimento das exigências pode resultar em autuações e multas que variam entre R$ 2.000 e R$ 1,5 milhão, dependendo da gravidade da infração.
 

Bethânia Vargas, Head de Projetos e Regulatórios da Pronutrition, indústria que desenvolve suplementos, alimentos e bebidas saudáveis e inovadoras para diversos segmentos, reforça a importância da adequação antecipada: “A RDC traz avanços cruciais na categorização e regulamentação de produtos alimentícios, e as empresas que se anteciparem ao prazo, assim como a Pronutrition que está à frente nestas questões, estarão em vantagem competitiva perante o mercado, garantindo conformidade e reduzindo riscos regulatórios para seus parceiros”. 

Conforme a especialista, além do cumprimento das exigências documentais, as empresas precisarão garantir a realização de estudos de estabilidade, essenciais para determinar o prazo de validade e condições adequadas de armazenamento dos produtos. Esses estudos, que podem durar de 6 a 24 meses, exigem planejamento para evitar atrasos na comercialização. 

“Outro ponto de atenção é o custo da notificação, que varia de acordo com o porte da empresa. Portanto, a previsão orçamentária para adequação regulatória deve ser considerada no planejamento financeiro das companhias”, pontua Bethânia. 

Para se preparar, a Head de Projetos e Regulatórios orienta que as empresas sigam determinados procedimentos, como: mapeamento do portfólio de produtos, para identificar quais precisarão de registro, notificação ou comunicado de início de fabricação; adequação documental, que são exigidas pela RDC; planejamento financeiro, visando evitar impactos no fluxo de caixa; e revisão de rotulagem e comunicação ao mercado, garantindo que estejam dentro das normas e evitar autuações. 

Monitoramento e atualização contínua, bem como consultoria com especialistas, para acompanhar as atualizações da Anvisa e ter suporte completo também é fundamental para manter a conformidade a longo prazo, segundo Vargas. 

“Esse processo é indispensável para toda e qualquer empresa do setor e não deve ser vista apenas como uma obrigação regulatória, mas como uma oportunidade para elevar o padrão de qualidade e segurança dos produtos. Companhias que se organizarem desde já estarão, sem dúvidas, mais preparadas”, finaliza Bethânia.


A inteligência artificial como aliada do varejo nas datas mais estratégicas do ano


À medida que avançamos pelo segundo semestre de 2025, o varejo brasileiro se prepara para uma sequência intensa de datas promocionais de alto impacto: Black Friday e, claro, o Natal. Em um mercado cada vez mais competitivo e exigente, a pergunta que fica é: como garantir a disponibilidade dos produtos certos, na hora e no lugar certos, sem gerar excessos ou perdas?

A resposta passa, inevitavelmente, pela tecnologia — e, mais especificamente, pela inteligência artificial (IA).

Hoje, mais do que nunca, o planejamento de demanda deixou de ser um diferencial para se tornar uma necessidade estratégica. Não se trata apenas de prever vendas, mas de integrar toda a cadeia de valor — da previsão à execução — para garantir uma operação coordenada, eficiente e lucrativa.

Nesse cenário, ferramentas baseadas em IA têm se mostrado grandes aliadas. Ao utilizarem algoritmos de machine learning com granularidade de SKU por dia, conseguimos prever com alta precisão as flutuações da demanda e ajustar o abastecimento de forma dinâmica. Isso impacta diretamente a gestão de estoques, reduzindo desperdícios, evitando rupturas e promovendo uma operação mais fluida e inteligente.

De acordo com pesquisa da Nielsen, 66% dos consumidores brasileiros valorizam tanto a experiência de compra quanto o preço. Ou seja, não basta o produto estar disponível: ele precisa estar acessível, fácil de ser encontrado e pronto para ser entregue com agilidade. A IA entra justamente nesse ponto: ao centralizar dados e unificar áreas como supply chain, merchandising e operações, conseguimos tomar decisões rápidas, coordenadas e baseadas em dados — e não em suposições.

O calendário do varejo não perdoa erros de planejamento. Um cálculo errado pode resultar em prateleiras vazias ou estoques encalhados. Mas, com IA, conseguimos mensurar o impacto de múltiplos fatores sobre a demanda — desde clima até ações promocionais — e refinar continuamente as previsões. Isso é o que torna o planejamento verdadeiramente estratégico.

A tecnologia, portanto, não é apenas uma ferramenta de apoio. Ela é protagonista em um momento no qual o varejo precisa se reinventar constantemente para atender a um consumidor cada vez mais exigente, imediatista e digital.
E para quem acha que estamos falando de um futuro distante, vale lembrar: o segundo semestre já começou. Quem ainda não colocou a IA no centro do seu planejamento corre o risco de ficar para trás.
 

Carlos Victoria - VP Sênior da RELEX Solutions

 

Tributação mínima global: o que sua empresa precisa saber sobre o Adicional da CSLL

 

A partir de 1º de janeiro de 2025, entrará em vigor no Brasil o Adicional da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (Adicional da CSLL), instituído pela Medida Provisória nº 1.262/2024 e regulamentado pela Instrução Normativa RFB nº 2.228/2024. A medida visa combater o deslocamento artificial de lucros para países de baixa tributação, proteger a arrecadação nacional e alinhar o Brasil aos padrões internacionais de transparência e justiça tributária – enquadramento, este, que deve ser assegurado com máxima atenção a fim de evitar desconformidades e penalidades.

Essa nova obrigação fiscal decorre da adoção das Regras GloBE (Global Anti-Base Erosion), um conjunto de normas internacionais desenvolvido pela OCDE e pelo G20 para garantir que grandes grupos multinacionais sejam tributados à alíquota mínima global de 15%, independentemente da jurisdição em que operem.

O Adicional da CSLL será apurado com base nos resultados do ano-calendário de 2025. No entanto, o enquadramento à nova obrigação dependerá da análise da receita bruta consolidada da controladora final do grupo multinacional nos quatro exercícios anteriores. Para o ano de 2025, deverão ser analisadas as demonstrações financeiras consolidadas referentes aos anos de 2021 a 2024. Caso o grupo tenha registrado receita total igual ou superior a 750 milhões de euros em, pelo menos, dois desses anos, estará sujeito à nova sistemática.

Nesse sentido, o G7 decidiu, recentemente, isentar as multinacionais norte-americanas do imposto mínimo global de 15 % aplicado a empresas que faturam mais de € 750 milhões, cláusula chave do “Pilar 2” no acordo tributário firmado por 130 países em 2021. A concessão atende a uma exigência do presidente dos EUA, que vinha ameaçando abandonar o pacto e impor “taxas de revanche” caso seus parceiros não cedessem às demandas dos Estados Unidos.

Uma vez enquadrada no escopo do Adicional da CSLL (QDMTT – Qualified Domestic Minimum Top-up Tax), a empresa brasileira integrante do grupo multinacional deverá calcular sua alíquota efetiva de tributação (ETR), de acordo com os critérios estabelecidos pelas Regras GloBE. Essa apuração exige diversos ajustes no lucro contábil, como a exclusão de dividendos, resultados de equivalência patrimonial, subvenções para investimento, créditos tributários reembolsáveis não qualificados, tributos diferidos e rendas isentas, até que se chegue ao chamado Lucro GloBE.

Sobre esse lucro ajustado, aplicam-se deduções padronizadas relacionadas à substância econômica das operações no país, baseadas em percentuais fixos da folha de pagamento e dos ativos tangíveis. O valor restante será considerado lucro excedente (excess profit), sobre o qual incidirá a diferença entre a alíquota mínima global (15%) e a alíquota efetiva apurada. O Adicional da CSLL será devido apenas se a ETR brasileira for inferior a esse patamar.

Vale destacar que a obrigatoriedade de cálculo não implica, necessariamente, no pagamento do tributo. Empresas com estrutura fiscal eficiente ou que usufruem de incentivos legítimos podem apresentar alíquotas efetivas próximas ou superiores a 15%, o que pode afastar a exigência do adicional. Por outro lado, os ajustes permitidos pelas regras podem elevar artificialmente a ETR, ou mesmo torná-la negativa, também afastando a incidência. Contudo, a verificação da necessidade de recolhimento depende de análise técnica detalhada, conforme as diretrizes da OCDE e da Receita Federal.

A apuração será anual e o recolhimento do valor referente ao exercício de 2025 deverá ocorrer até o último dia útil de julho de 2026, por meio de DARF, com código específico a ser regulamentado. Valores eventualmente questionados em âmbito judicial ou administrativo não serão considerados recolhidos para fins de cumprimento das Regras GloBE.

O descumprimento das obrigações acessórias associadas ao Adicional da CSLL poderá acarretar penalidades severas. A legislação prevê multas de até 10% da receita bruta anual, limitadas a R$ 10 milhões, além de penalidades fixas, como a multa de 5% sobre valores omitidos ou incorretos nas declarações exigidas.

Diante disso, é essencial que os grupos multinacionais iniciem, desde já, o processo de diagnóstico de enquadramento. Isso envolve a análise do histórico de receitas globais, a revisão da estrutura societária e fiscal, a identificação de riscos contábeis e a preparação dos sistemas internos para coleta, tratamento e reporte das informações requeridas.

Muitas empresas ainda não perceberam a complexidade dessa nova obrigação e podem ser surpreendidas em 2026 com a necessidade de apresentar relatórios técnicos, realizar ajustes retroativos ou recolher um tributo cuja base de cálculo não foi monitorada desde o início.

A implementação das Regras GloBE no Brasil representa uma mudança estrutural na forma de apuração e tributação dos lucros. O cumprimento das novas normas exigirá um elevado nível de governança, planejamento e integração entre as áreas fiscal, contábil e jurídica. A conformidade deixará de ser opcional — sendo um diferencial estratégico para quem busca operar com segurança e solidez no cenário global.

  

Taís Baruchi - CEO e sócia na PKF BSP.


PKF BSP
www.pkfbrazil.com.br


CRISE HISTÓRICA NO USCIS: 11,3 MILHÕES DE PEDIDOS ACUMULADOS GERAM INCERTEZA PARA IMIGRANTES NOS EUA

Atrasos recordes em Green Cards, vistos de trabalho e cidadanias afetam milhares de famílias e profissionais que enfrentam longas esperas, perda de emprego e risco de deportação.
 

O Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS) vive uma das maiores crises da história. Segundo dados da revista Newsweek, o órgão acumula 11,3 milhões de pedidos pendentes ou atrasados, abrangendo Green Cards, vistos de trabalho e cidadanias, um novo recorde que revela problemas graves no sistema migratório. 

Os pedidos de autorização de trabalho estão entre os mais atingidos. Além disso, mais de 34 mil solicitações nem chegaram a ser abertas, expondo falhas operacionais severas desde o início do processo. 

Este foi o primeiro grande relatório divulgado desde a posse do presidente Donald Trump em janeiro de 2025, e já mostra os efeitos da nova gestão: “A procura por legalização cresceu quase 80% em nosso escritório desde a posse de Trump”, afirma a advogada de imigração Larissa Salvador, CEO do escritório Salvador Law, em Boca Raton, Flórida. 

A realidade dos atrasos vai além das estatísticas. Larissa relata um caso real de um cliente que aguardava a aprovação do formulário I‑130, base para obtenção do Green Card por casamento. Como entrou nos EUA pela fronteira, seu processo demorou muito mais do que o previsto, e outros casos protocolados depois do dele já saíram. “Só depois de aprovado o I‑130 podemos pedir o perdão. Hoje, esse perdão está levando mais de quatro anos para ser aprovado por conta dos atrasos, o que paralisa completamente a vida do solicitante”, explica Larissa. 

Enquanto isso, muitas famílias vivem num estado de limbo, sem conseguir viver normalmente e, em alguns casos, correndo o risco de deportação. 

Os atrasos se estendem também a profissionais nas filas de EB‑3, H‑1B, EB‑2, EB‑1B e EB‑1C, que acabam perdendo empregos, já que empregadores precisam contratar outras pessoas diante da incerteza migratória. “A demora faz com que empregadores procurem outra mão de obra para suprir a necessidade deles. A consequência é clara: perda de emprego e instabilidade profissional para esses imigrantes”, explica Larissa.
 

Existem estratégias para contornar os atrasos? 

Segundo a advogada, apesar do cenário crítico, existem formas de tentar estimular o avanço dos processos, mas infelizmente nenhum é garantido.
 

Pedido de Serviço (Service Request)

Registrado quando o processamento ultrapassa o prazo previsto. Pode ser feito a cada 60 dias como forma de lembrete ao USCIS.
 

Intervenção Judicial

Usado como último recurso. Trata-se de processo contra o USCIS por atraso no processo. Embora mais custoso, o simples aviso de ação pode acelerar o caso em alguns casos.
 

Aguardar ou buscar outro processo

E por fim, a única alternativa é esperar. “Reiniciar ou abrir outro pedido muitas vezes não é viável, pois muitos solicitantes já estão na única categoria disponível para seu perfil. Infelizmente, outro processo muitas vezes não é uma opção viável, e muitos não podem reaplicar no mesmo processo. Isso gera insegurança, frustração e sofrimento para milhares de imigrantes que só querem viver normalmente nos EUA”, conclui Larissa. 

“Essa crise evidencia a necessidade urgente de reformas e investimentos no sistema migratório americano para garantir que milhares de famílias e profissionais possam planejar seu futuro com segurança e dignidade. Enquanto isso não acontece, a orientação é buscar ajuda especializada, entender as alternativas disponíveis e estar atento aos prazos e procedimentos para minimizar os impactos dessa demora histórica”, orienta a advogada de imigração, Dr. Larissa  Salvador.



Salvador Law 
Saiba mais em: Link


Divórcio Unilateral: Agilidade e autonomia no fim do casamento

As relações familiares têm se transformado profundamente nos últimos anos, e o Direito tem acompanhado essas mudanças. Um exemplo claro dessa evolução é o divórcio unilateral, que permite a uma das partes solicitar o fim do casamento ou da união estável mesmo sem o consentimento da outra, facilitando significativamente o encerramento do vínculo conjugal. 

Essa possibilidade, consolidada no ordenamento jurídico brasileiro desde a Emenda Constitucional n.º 66 de 2010, representa um avanço notável no Direito de Família, refletindo uma compreensão mais moderna sobre autonomia individual.

 

Como o Divórcio Unilateral Funciona na Prática? 

Atualmente, o divórcio unilateral se efetiva por meio de um processo judicial. O procedimento se inicia quando a parte interessada, por meio de seu advogado, apresenta uma petição inicial ao juiz, informando seu desejo de se divorciar. Uma das grandes modernizações é que não há mais a necessidade de apresentar uma causa específica ou provar a "culpa" do outro pelo fim da relação: a simples manifestação de vontade de uma das partes é suficiente para obter o divórcio. 

Após a apresentação da petição, o outro cônjuge é citado para ter ciência da ação. Essa citação não tem como objetivo obter o consentimento para o divórcio, mas, sim, visa garantir o direito de defesa da outra parte principalmente com relação a questões patrimoniais, guarda dos filhos, pensão alimentícia, entre outras questões assessórias, se houver. 

Dificilmente há defesa para o pedido de divórcio em si. Em teoria é possível, em casos excepcionalíssimos, por exemplo, se o casamento é nulo e isso é alegado em defesa. Mas, de maneira geral, o divórcio é considerado um “direito potestativo”, isto é, um direito que, uma vez lançado por uma parte, a outra nada tem a fazer senão se sujeitar a ele. 

Logo, a unilateralidade se aplica ao ato de se divorciar em si, mas as consequências do divórcio (partilha de bens, guarda etc.) ainda precisam ser discutidas e, se necessário, decididas judicialmente. 

Caso o cônjuge citado não se manifeste, ou se manifeste apenas para concordar com o divórcio, o juiz pode decretar de forma rápida o fim do vínculo conjugal. Aliás, ele poderá fazê-lo inclusive se a outra parte se opuser ao divórcio, que ainda poderá ser decretado de plano pelo juiz, baseado na vontade unilateral de quem pretende se divorciar, ressalvadas apenas aquelas situações muito excepcionais já comentadas anteriormente. 

Então, se houver discordância com relação às demais questões (bens, filhos, pensão), o divórcio é decretado no começo e o processo segue apenas para definir esses outros pontos.

 

Quais os benefícios do divórcio unilateral?

Os benefícios dessa modalidade são claros:

  • Agilidade processual: Reduz drasticamente o tempo necessário para o término do vínculo matrimonial, evitando longas e desgastantes batalhas judiciais que tinham como único objetivo o divórcio em si.
  • Menos desgaste emocional: Diminui o sofrimento das partes envolvidas, especialmente em casos de relacionamentos tóxicos ou abusivos, nos quais a necessidade de consentimento do outro cônjuge poderia ser uma ferramenta de controle e manipulação.
  • Autonomia individual: Reforça o direito à liberdade e à autonomia de cada pessoa em decidir sobre sua vida afetiva, sem a necessidade de depender da vontade de terceiros para seguir em frente.
  • Desburocratização: Simplifica o procedimento, desafogando o Judiciário de discussões sobre culpa que antes ocupavam muito os profissionais do direito que trabalhavam no caso.

 

O que mudaria com a reforma do código civil que está atualmente tramitando no Congresso Nacional? 

Uma novidade importante está no horizonte com a proposta de reforma do Código Civil, já entregue ao Senado. O anteprojeto prevê a possibilidade do divórcio unilateral extrajudicial. 

A previsão está no art. 1.582-A, conforme consta na Reforma do Código Civil, que diz assim: “o cônjuge ou o convivente, poderão requerer unilateralmente o divórcio ou a dissolução da união estável no Cartório do Registro Civil em que está lançado o assento do casamento ou onde foi registrada a união”[1]. 

Isso significa que a pessoa que deseja se divorciar poderá fazer o pedido diretamente no cartório de registro civil, sem a necessidade de um processo na Justiça, independentemente do consentimento da outra parte. Pela proposta, o outro cônjuge seria apenas notificado para tomar ciência, e, após essa notificação, o divórcio já poderia ser averbado. Essa inovação visa simplificar e acelerar ainda mais o processo, diminuindo a burocracia e aliviando a carga do Poder Judiciário. 

É importante ressaltar que a unilateralidade do divórcio não significa um desrespeito ou desprezo ao outro cônjuge. O direito à ampla defesa e ao contraditório continua garantido, especialmente no que tange às questões patrimoniais e familiares. Apenas o ato de ‘se divorciar’ não exige mais a aprovação mútua. 

Um aspecto interessante é que o divórcio unilateral fortifica direitos fundamentais como a liberdade individual e da autonomia da vontade. Ele dá mais autonomia para a parte que não deseja mais manter um relacionamento que não faça mais sentido para ela. Em alguns casos, isso também pode significar uma maior proteção das pessoas em situações de coação, controle ou abuso.

A alternativa de divórcio unilateral é um passo fundamental para um Direito de Família mais livre e condizente com a realidade social atual. Essa inovação está alinhada com a complexidade e agilidade das relações humanas contemporâneas e a necessidade de oferecer caminhos mais rápidos e menos dolorosos para o encerramento de ciclos, permitindo que as pessoas possam reorganizar suas vidas com maior celeridade e autonomia. 

 

Dr. Rommel Andriotti - advogado e sócio fundador do escritório Rommel Andriotti Advogados Associados. Atua como professor de Direito Civil e Processo Civil na Universidade Mackenzie e também na Escola Paulista de Direito (EPD). É mestre em Direito (concentração em processo civil) pela PUC/SP (2020). É mestre em Direito (concentração em Direito Civil) pela FADISP (2020). Possui pós-graduação lato sensu em Direito Civil e Processo Civil pela Escola Paulista de Direito e é bacharel em Direito pelas Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU, 2015).  

 

[1] Disponível em: https://legis.senado.leg.br/sdleg-getter/documento?dm=9889374&ts=1742333124147&rendition_principal=S&disposition=inline – acesso em: 24 jun. 2025.

 

segunda-feira, 14 de julho de 2025

Ortopedista pediátrico do Imot faz alerta para riscos de acidentes domésticos com crianças nas férias escolares

Este é o período em que os pequenos passam mais tempo em casa e, por isso, é preciso redobrar a atenção, como orienta o médico Rodrigo Sbeghen



O risco de acidentes domésticos no período de férias escolares aumenta consideravelmente e o motivo é simples: as crianças passam mais tempo em casa. O médico ortopedista especialista em pediatria do Imot de Mogi das Cruzes, Rodrigo Sbeghen, faz alerta para que as famílias redobrem a atenção e adotem medidas preventivas a fim de evitar quedas, queimaduras e choques envolvendo os pequenos.

O médico, membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia Pediátrica, afirma que a família precisa adotar hábitos mais seguros para proteger as crianças:

“Naturalmente, elas são curiosas e trazem, de maneira instintiva, o ato de explorar objetos e lugares, por isso, devem estar sob constante supervisão. Porém, é possível deixar a casa mais segura para evitar os acidentes que são mais comuns neste período de férias”, destacou Sbeghen.


Quedas, por exemplo, causam preocupação. O ortopedista pediátrico aponta algumas das causas mais comuns para este tipo de acidente. Entre elas, camas altas, brinquedos espalhados e acesso a janelas, mezaninos e escadas figuram entre os grandes vilões.
 

Para um ambiente mais seguro, é preciso investir em redes de proteção; evitar móveis próximos a janelas; tapetes devem ser antiderrapantes; instalar corrimão em escadas também ajuda na prevenção.

Contudo, em caso de acidente, Sbeghen afirma que é preciso observar sinais de trauma, como vômito, sonolência excessiva, desmaios e sangramentos. Se suspeitar de que houve alguma fratura ou trauma craniano, a orientação é chamar, imediatamente, o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) pelo telefone 192.

O Imot dispõe de serviço de pronto-atendimento em traumatologia de segunda-feira a domingo, das 7h às 22h, na unidade de Mogi das Cruzes, com ortopedistas de plantão.


Queimaduras


As queimaduras também precisam de medidas simples para serem evitadas, como ao utilizar as bocas de trás do fogão, posicionar panelas com os cabos virados para dentro; e manter fósforos, isqueiros e ferros de passar fora do alcance das crianças. Em caso de acidente, usar água fria no local por 10 a 15 minutos e levar ao pronto-socorro.

O médico do Imot também alerta sobre os casos de engasgos. Sbeghen orienta a cortar os alimentos em pequenos pedaços e evitar brinquedos com peças menores do que 3 centímetros para menores de 3 anos. 

Se a criança engolir algum objeto e ficar sem respirar, deve-se fazer a manobra de Heimlich - procedimento de primeiros socorros que consiste em compressões abdominais que criam uma pressão suficiente para desalojar o objeto ou alimento que está bloqueando a respiração. Em seguida, acione o serviço de emergência.


Imot
Rua Otto Unger, 433, Centro, Mogi das Cruzes.
(@clinicaimot)


Suzano
Rua Augusta Aparecida Carvalho Morais, 250 Jardim Santa Helena. Telefone (11) 4741-3333.

 

Do saudável ao perigoso: o que ninguém conta sobre o uso indiscriminado de vitaminas

Pixabay
Popular entre quem busca performance e longevidade, o consumo exagerado de vitaminas pode causar mais danos do que benefícios.

 

Em meio ao crescimento da busca por saúde, longevidade e alta performance, o consumo de suplementos vitamínicos se tornou rotina para milhões de brasileiros. No entanto, a ingestão excessiva de vitaminas, especialmente sem orientação médica, pode trazer sérios riscos à saúde. “Vitaminas são fundamentais para o funcionamento do organismo, mas devem ser consumidas com critério. A automedicação com suplementos pode gerar sobrecarga hepática, distúrbios metabólicos e até problemas cardiovasculares”, afirma o nutrólogo clínico Alexandre Curvelo Caldas, do Hospital Sírio-Libanês de Brasília. 

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (Abiad), 59% da população brasileira adulta consome algum tipo de suplemento regularmente e 30% fazem isso por conta própria, sem qualquer orientação profissional. 

Segundo o especialista, as vitaminas participam de processos cruciais, como digestão, reparo celular e replicação de DNA e RNA. No entanto, a maioria delas não é produzida pelo corpo e precisa ser obtida por meio da alimentação. “Uma dieta rica e variada - composta por frutas, verduras, legumes e leguminosas, e que pode incluir laticínios, ovos e carnes - costuma ser suficiente para atender às necessidades do organismo e garantir uma boa saúde”, explica Curvelo. Para o profissional, o caminho mais seguro e eficiente para manter o equilíbrio nutricional continua sendo uma alimentação natural, colorida e variada. “Vale lembrar que dietas que excluem alimentos de origem animal como ovos, laticínios e carnes também podem ser equilibradas e saudáveis, desde que bem planejadas e ajustadas às necessidades de cada indivíduo”, reforça. 

A recomendação do especialista é clara: antes de iniciar qualquer suplementação, é fundamental buscar orientação médica e realizar exames laboratoriais. “Em muitos casos, o que parece prevenção pode se transformar em risco”, finaliza Alexandre. 

Para quem tem pouco tempo, devido à rotina intensa, manter uma alimentação rica em nutrientes é um desafio, mas não é impossível. O especialista destaca cinco atitudes simples que ajudam a manter o equilíbrio nutricional sem precisar recorrer automaticamente a suplementos:

  1. Planeje suas refeições da semana: uma lista de compras bem feita evita improvisos e reduz o consumo de alimentos ultraprocessados.
  2. Tenha frutas lavadas e picadas na geladeira: facilita o consumo entre tarefas e evita o desperdício.
  3. Monte marmitas balanceadas: arroz, leguminosas (feijão, lentilha), legumes e proteína magra são uma base eficiente.
  4. Invista em lanches naturais: castanhas, iogurte natural, ovos cozidos e sanduíches de pão integral são boas opções rápidas.
  5. Evite longos períodos de jejum não planejado: isso pode levar ao excesso de fome e escolhas alimentares ruins.

 

Sírio-Libanês
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BARRIGA DE CERVEJA PODE ESCONDER RISCOS À SAÚDE, ALERTA MÉDICO

Acúmulo de gordura na barriga está ligado a disfunções digestivas silenciosas, alerta cirurgião gastrointestinal.

 

A popular “barriga de cerveja” pode até render piadas e ser associada a uma vida despreocupada, mas o acúmulo de gordura na região abdominal está longe de ser inofensivo. Segundo o Dr. Lucas Nacif, cirurgião gastrointestinal e membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva (CBCD), esse volume abdominal está ligado à gordura visceral, um tipo mais profundo e perigoso do que a gordura subcutânea, que se acumula logo abaixo da pele.
 

“Esse tipo de gordura se aloja entre órgãos como fígado, intestino e pâncreas, e por estar nessa localização, é metabolicamente ativa. Ela interfere no funcionamento do organismo, aumenta processos inflamatórios e favorece a resistência à insulina”, explica o médico. 

Além dos riscos já conhecidos, como diabetes tipo 2, hipertensão e alterações hormonais, o excesso de gordura visceral também compromete a saúde digestiva. De acordo com o Dr. Nacif, ela está relacionada ao surgimento e agravamento de condições como esteatose hepática (fígado gorduroso), refluxo gastroesofágico, pancreatites, distensão abdominal e alterações intestinais. 

“Na prática cirúrgica, temos visto um número crescente de pacientes com doenças do aparelho digestivo como esteatose avançada, refluxo severo e pancreatites recorrentes. Em muitos desses casos, a raiz do problema está no acúmulo crônico de gordura visceral. É um quadro silencioso, progressivo e frequentemente subestimado”, alerta. 

Ainda segundo o especialista, muitas vezes, exames de imagem solicitados por outros motivos já mostram sinais como infiltração gordurosa no fígado, dilatação do estômago ou compressões intestinais. “O paciente pode não apresentar sintomas aparentes e, por isso, demora a buscar ajuda médica. Quando percebe, o quadro já evoluiu”, explica o cirurgião. 

Em alguns casos, no entanto, sinais como sensação constante de estufamento, má digestão, queimação, azia ou dores abdominais difusas podem surgir e indicar alterações no funcionamento dos órgãos digestivos. Esses sintomas costumam ser atribuídos a causas pontuais, mas podem refletir uma inflamação sistêmica causada pelo excesso de gordura visceral.
 

E o consumo de álcool? Ele é mesmo o único vilão?

Apesar da fama da “barriga de cerveja”, o álcool não é o único culpado. O problema também está no déficit calórico crônico positivo ou seja, o consumo de calorias muito superior ao gasto diário geralmente associado a fatores como consumo excessivo de carboidratos simples, alimentação inflamatória (ultraprocessados, gorduras trans), baixo nível de atividade física, sono de má qualidade e estresse crônico. “O álcool piora o quadro porque prejudica a função do fígado, favorece o acúmulo de gordura nele e estimula o armazenamento de gordura abdominal”, reforça o especialista.
 

Como evitar o acúmulo de gordura visceral?

Para o Dr. Nacif, hábitos simples e consistentes são essenciais para prevenir a chamada barriga de cerveja. A prática regular de atividades físicas como caminhadas, musculação e treinos funcionais aliada a uma alimentação equilibrada, rica em fibras, proteínas magras e vegetais, é fundamental para controlar a gordura visceral. 

Também é importante evitar o consumo de bebidas alcoólicas, manter uma boa qualidade do sono, controlar o estresse e realizar exames periódicos para acompanhar a saúde digestiva e metabólica. 

“Não se trata apenas de estética. O aumento do volume abdominal pode ser o primeiro sinal de um processo inflamatório crônico sistêmico que afeta diretamente o aparelho digestivo. Por isso, diagnóstico e intervenção precoce fazem toda a diferença”, conclui o Dr. Lucas Nacif. 

Ele recomenda que pacientes com predisposição ao acúmulo abdominal façam acompanhamento clínico regular, exames de imagem, avaliações hepáticas e laboratoriais, além de adotar mudanças progressivas, porém consistentes, no estilo de vida.

 

Dr. Lucas Nacif - Médico gastroenterologista com especialidade em cirurgia geral e do aparelho digestivo. Lucas Nacif é reconhecido por sua expertise em cirurgias hepato bilio pancreáticas e transplante de fígado, utilizando técnicas avançadas minimamente invasivas por laparoscopia e robótica. O especialista é membro da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) e está disponível para abordar temas relacionados ao aparelho digestivo, desde doenças, como gordura no fígado; câncer colorretal; doenças inflamatórias intestinais; pancreatite até cirurgias e transplantes em geral. Link e www.instagram.com/dr.lucasnacif_gastrocirurgia/

 

Dietas hiperproteicas: benefícios para o corpo, mas um desafio para os rins

Populares por promoverem perda de peso e ganho muscular, dietas ricas em proteína exigem atenção redobrada com a saúde renal, especialmente quando não possuem orientação médica

 

Dietas com alto teor de proteínas, como a dieta da proteína, a cetogênica ou a carnívora, têm se popularizado por prometerem perda de peso rápida e ganho de massa muscular. Mas será que o excesso de proteína é inofensivo?
 

O impacto no rim 

“O rim é responsável por filtrar o sangue e eliminar substâncias que o corpo não utiliza. Quando há um consumo excessivo de proteínas, especialmente de origem animal, esse órgão pode sofrer sobrecarga”, explica o Dr. Bruno Zawadzki, diretor médico da DaVita Tratamento Renal. 

Segundo ele, o exagero pode aumentar o risco de formação de pedras nos rins e, com o tempo, até comprometer a função renal. “A proteína é essencial para o organismo, mas como tudo na nutrição, o equilíbrio é fundamental. Dietas radicais, sem acompanhamento, podem trazer mais prejuízos do que benefícios”, ressalta. 

Pessoas com histórico de doenças renais, hipertensão ou diabetes precisam de atenção especial antes de adotar dietas hiperproteicas. “Qualquer mudança drástica na alimentação deve ser discutida com um médico ou nutricionista”, orienta Zawadzki.
 

Como consumir proteínas com segurança?

Para quem deseja aumentar a ingestão de proteínas sem prejudicar a saúde, o especialista recomenda:

  • Diversificar as fontes: incluir não apenas carnes, mas também peixes, ovos e proteínas vegetais, como feijão e lentilha;
  • Hidratar-se bem: a água ajuda os rins a eliminarem os resíduos do metabolismo proteico;
  • Evitar suplementos sem orientação: o uso indiscriminado de whey protein e outros suplementos pode agravar a sobrecarga renal;
  • Monitorar a saúde: exames de rotina são essenciais para avaliar a função renal;

“O equilíbrio é a chave. Dietas milagrosas podem até trazer resultados rápidos, mas a saúde deve sempre vir em primeiro lugar”, conclui o nefrologista.

 

DaVita

 

Especialista do CEJAM alerta para principais sintomas de transtornos mentais em crianças e adolescentes

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Dados recentes mostram crescimento preocupante nesta faixa etária; mudanças bruscas de comportamento, irritabilidade e isolamento estão entre os sinais  


Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que um em cada sete jovens entre 10 e 19 anos sofre de algum transtorno mental, o que representa cerca de 15% da carga global de doenças nessa faixa etária. Depressão, ansiedade e distúrbios comportamentais estão entre as principais causas de incapacidade entre adolescentes. 

A psiquiatra Dra. Carla Vieira, do CAPS Infantojuvenil II M'Boi Mirim, unidade gerenciada pelo CEJAM (Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”) em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS-SP), alerta que os transtornos mentais na infância e adolescência resultam de uma complexa combinação de fatores genéticos, ambientais, psicológicos e sociais.  

“Traumas na infância, como violência doméstica, negligência, abuso, bullying e pobreza extrema, afetam diretamente o desenvolvimento do cérebro, especialmente regiões como o hipocampo e uma outra região do cérebro chamada amígdala, impactando áreas responsáveis pelo controle emocional, cognição e resposta ao estresse. Essas alterações aumentam a vulnerabilidade a quadros como depressão, TDAH, transtornos de conduta e até mesmo psicose”, explica a especialista. 

Estudo da Faculdade de Medicina da USP, divulgado em fevereiro deste ano em parceria com a Universidade de Bath, indica que mais de 80% dos jovens brasileiros já passaram por pelo menos um evento traumático até os 18 anos, impactando a saúde mental.  

De acordo com a Dra. Carla, a genética pode explicar de 30% a 50% da predisposição a transtornos mentais, mas são os fatores ambientais e sociais que costumam determinar a manifestação desses quadros, especialmente em contextos marcados pela exclusão, desigualdade, violência, negligência institucional e insegurança econômica, além do isolamento social imposto pela pandemia de Covid-19. 

A médica destaca que jovens em sofrimento emocional, muitas vezes sem diagnóstico, tendem a buscar nas drogas uma forma de alívio. “Meninas vítimas de violência sexual e meninos expostos a contextos violentos estão entre os grupos mais vulneráveis. A busca por substâncias como válvula de escape é uma forma de lidar com o estresse e a ansiedade, o que pode agravar ainda mais a situação.” 

A especialista ressalta ainda que o uso precoce de álcool e maconha também está associado ao desencadeamento ou agravamento de transtornos como esquizofrenia, transtorno bipolar e depressão. “Quanto mais precoce o uso (antes dos 15 anos), maior o risco de neurotoxicidade e de alterações em circuitos dopaminérgicos.” 

Outro fator de risco em evidência é o uso excessivo das redes sociais. Para jovens emocionalmente fragilizados, o ambiente digital pode intensificar sentimentos de inadequação, estimular comparações constantes e facilitar o acesso a conteúdos prejudiciais. “O cyberbullying, por exemplo, está diretamente ligado a casos de automutilação, ideação suicida e transtornos depressivos”, afirma.  

Entre os principais sinais de alerta estão mudanças bruscas de comportamento, irritabilidade, isolamento, queda no desempenho escolar, automutilações e falas sobre morte ou suicídio. “Esses sintomas devem ser levados a sério e acompanhados por profissionais de saúde mental”, reforça a psiquiatra. 

O estigma em torno do tema ainda é um dos principais obstáculos para o diagnóstico e o tratamento. “O preconceito impede que famílias busquem ajuda, retardando o início do cuidado e contribuindo para o agravamento do quadro. Tratar saúde mental como prioridade é urgente e essencial para garantir o futuro desta geração”, conclui.
 

Atendimentos no CAPS Infantojuvenil II M’Boi Mirim

Crianças de 5 a 10 anos representam a maior parte dos atendimentos realizados no CAPS Infantojuvenil II M’Boi Mirim, na zona sul de São Paulo. De acordo com Daniela Nishimura, responsável técnica de Enfermagem da unidade, os transtornos mais frequentes são autismo infantil, com 26% dos casos, atenção e hiperatividade (12%) e desafiadores e de oposição (12%).  

“Os meninos representam mais de 71% dos casos atendidos, e a maior parte dos encaminhamentos vem das escolas e das UBSs, que são fundamentais na identificação precoce dos sintomas”, afirma Daniela. 

O modelo de cuidado oferecido combina atendimentos individuais, em grupo e familiares, com suporte de uma equipe multiprofissional – de acordo com as necessidades de cada criança ou adolescente. 

Vale destacar que todos os CAPS funcionam como “portas abertas", ou seja, não há a necessidade de agendamento prévio ou encaminhamento. 



CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
@cejamoficial



Mulheres têm duas vezes mais olho seco que homens

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Hormônios, anticoncepcional, menopausa, maquiagem e tratamentos estéticos são os gatilhos entre elas. Entenda.

 

A doença mais frequentes nos consultórios oftalmológicos do mundo todo é a síndrome do olho seco, uma alteração na quantidade ou qualidade da lágrima. Dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) mostram que atinge 3 mulheres para cada homem. Segundo o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier, primeiro hospital oftalmológico da América Latina, neste mês é realizada a campanha julho turquesa para alertar a população sobre a importância de buscar tratamento ao primeiro sinal de ressecamento da lágrima.

 

Sintomas

Queiroz Neto afirma que os sintomas do olho seco são: sensação de areia nos olhos, vermelhidão, coceira, fotofobia (aversão à luz) e visão turva. Caso não receba o tratamento adequado, a condição pode causar lesões na córnea, lente externa do olho que responde por mais da metade de nossa refração. A lágrima é formada por três camadas - aquosa, lipídica e de mucina. Tem a função de proteger a superfície dos olhos das agressões externas e alimentar a córnea com o oxigênio retirado do ar.

 

Olho seco evaporativo e suas causas

“A principal causa do olho seco é, sem dúvida, o uso abusivo de telas que atinge todas as faixas etárias, inclusive crianças”, salienta. Isso porque, explica, na frente do videogame, celular ou computador fazemos pouco movimento com o globo ocular e diminuímos o número de piscadas de vinte para seis a sete vezes/minuto. Não por acaso o olho seco evaporativo em que o filme lacrimal tem maior evaporação responde por 70% dos casos de olho seco. A menor lubrificação Pode deixar os olhos mais vulneráveis à ceratite (inflamação na córnea) e à conjuntivite, inflamação da conjuntiva, membrana transparente que reveste a parte interna das pálpebras e a parte branca do olho (esclera). A queda dos hormônios sexuais ocasionadas pelo ciclo menstrual também podem ativar este tipo de olho seco.

 

O risco da vaidade e a deficiência aquosa da lágrima

O oftalmologista alerta para checar a procedência dos cosméticos e maquiagem aplicados na região dos olhos. “Muitos produtos passam por testes dermatológicos, mas não são submetidos a teste oftalmológico que não é obrigatório na ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) embora seja crucial para a saúde ocular. Na última semana viralizou na rede o caso de queimadura na córnea da cabeleireira, Lidiane Loureira que ficou quatro dias cega depois de usar o sérum Wepink produzido pela empresa da influenciadora Virgínia Fonseca. Queiroz Neto afirma que há um grande número de substâncias em cosméticos e maquiagem, entre elas o formaldeído, que podem causar lesões graves nos olhos, alergia e inflamação nas glândulas lacrimais. Dependendo da extensão da lesão nas glândulas lagrimais , explica, pode iniciar o processo de olho seco por deficiência aquosa da lágrima que geralmente surge em pessoas mais velhas por uma diminuição natural da produção lacrimal conforme envelhecemos. Para quem não abre mão da maquiagem a recomendação do especialista é a remoção completa ante de se deitar e a higienização da borda das pálpebras onde ficam as glândulas que produzem a lágrima com um cotonete embebido em xampu neutro para não irrita a mucosa do olho. Outra recomendação é nunca utilizar lápis na borda interna da pálpebra e descartar produtos com alteração de cheiro ou cor mesmo que não estejam vencidos.

 

Hormônios e outros fatores de risco

O especialista ressalta que uso de pílula anticoncepcional por mais de 5 anos ininterruptos e a diminuição dos hormônios estrogênios que tem influência na produção da lágrima durante o climatério e a menopausa estão intimamente relacionados ao olho seco por deficiência aquosa. Outros fatores que podem contribuir com o ressecamento da lágrima são doenças como lúpus, alergias, hipertensão arterial, diabetes, hipertireoidismo, Parkinson, uso de antialérgicos, descongestionantes, antidepressivos, betabloqueadores e tranquilizantes

 

Diagnóstico e tratamentos

Queiroz Neto ressalta que o diagnóstico é realizado em exame oftalmológico de rotina acompanhado por exames de imagem em que o paciente e o oftalmologista visualizam qual camada da lágrima está deficiente. O tratamento é iniciado com colírio, preferencialmente sem conservante para não irritar a superfície do olho, pode incluir pomadas, compressas mornas, oclusão cirúrgica do ducto lacrimal, sessões de luz pulsada, terapia de luz de baixa intensidade e outras tecnologias emergentes. A busca por tratamento ao primeiro sintoma inibe a progressão da deficiência lacrimal e devolve a qualidade de vida, conclui.

 

Julho amarelo alerta para o risco de hepatites virais e o desafio do diagnóstico silencioso

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Especialista esclarece as diferenças entre os tipos de hepatite e orienta sobre prevenção, testagem e tratamento gratuito pelo SUS    

 

Julho é o mês dedicado à conscientização sobre as hepatites virais, infecções que afetam o fígado e, muitas vezes, evoluem de forma silenciosa. Consideradas um problema de saúde pública, essas doenças podem causar sérias complicações se não forem diagnosticadas e tratadas precocemente. 

Pollyana Felicidade, professora do curso de Enfermagem da Una, explica que “as hepatites virais são infecções provocadas por vírus que acometem o fígado e, em muitos casos, não apresentam sintomas. Isso faz com que o diagnóstico aconteça tardiamente, caracterizando-as como um verdadeiro ‘inimigo silencioso’”. 

No Brasil, os tipos mais frequentes são as hepatites A, B e C. A hepatite A é transmitida por via fecal-oral, principalmente pela ingestão de água ou alimentos contaminados, e costuma apresentar sintomas como febre, dores musculares, náuseas e dor abdominal. Apesar de não haver tratamento específico, o quadro geralmente se resolve de forma espontânea com suporte clínico. 

Já as hepatites B e C são transmitidas pelo contato com sangue ou fluidos corporais contaminados. “Na hepatite B, os sintomas, quando aparecem, são semelhantes aos da hepatite A, mas a tontura também pode estar presente. A doença não tem cura, mas há tratamento para reduzir complicações como cirrose e câncer hepático”, destaca Felicidade. Na hepatite C, a maioria dos doentes não apresentam sintomas, mas caso ocorram, podem manifestar cansaço, náuseas, dor abdominal e icterícia. O tratamento é feito com antivirais de ação direta e pode alcançar a cura na maioria dos casos.

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A especialista reforça que a prevenção é possível, mas depende de informação e cuidado. “Existem vacinas para os tipos A e B, disponíveis no SUS. No caso da hepatite C, a prevenção é feita principalmente pelo uso de preservativos e pela não reutilização de objetos perfurocortantes. Também é fundamental que a população se submeta à testagem regularmente”. 

A testagem gratuita pode ser realizada nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) e em ações de saúde promovidas por prefeituras e instituições. O exame inicial é um teste rápido, que pode ser complementado com exames laboratoriais, se necessário. 

A atuação da Enfermagem também é decisiva no combate às hepatites. “O enfermeiro participa desde a prevenção, com ações educativas e de testagem, até o acompanhamento direto dos pacientes diagnosticados”, afirma Felicidade. 

Entre os mitos que dificultam a prevenção, a especialista destaca dois: a ideia de que a hepatite C só afeta usuários de drogas e a falsa crença de que há vacina para todos os tipos de hepatite. “Essas desinformações atrapalham o diagnóstico precoce. Pessoas que fizeram transfusões ou procedimentos com sangue contaminado antes de 1993, por exemplo, podem ter sido expostas ao vírus e nem sabem”, alerta. 

A professora lembra ainda que há grupos com maior risco de contaminação, como pessoas com múltiplos parceiros, usuários de drogas e imunocomprometidos. Para esses públicos, o reforço da orientação, o acesso a preservativos e a testagem regular são medidas essenciais. “Com informação, prevenção e tratamento gratuito pelo SUS, é possível vencer o silêncio e proteger vidas”, conclui.

  


Centro Universitário Una


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