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domingo, 1 de fevereiro de 2026

Notificação obrigatória dos casos de esporotricose pode ampliar medidas de controle e mapeamento dos focos da doença, diz especialista

Para o professor de medicina veterinária da UNIP, Carlos Brunner, a doença, causada por um fungo presente em gatos e transmissível a humanos, está fora de controle no Brasil e exige ações coordenadas da vigilância sanitária

 

A determinação do Ministério da Saúde, publicada no último dia 23 de janeiro, que exige notificação obrigatória pelos agentes sanitários dos casos de esporotricose humana em todo o Brasil, é uma medida essencial para as autoridades mapearem os principais focos da doença e  evitarem o avanço da doença.
 
A avaliação é do professor titular de medicina veterinária da UNIP, Carlos Brunner, um dos maiores especialistas no uso de pulsos elétricos no tratamento de doenças, incluindo a esporotricose felina. A doença é causada por um fungo do gênero Sporothrix spp, que provoca lesões cutâneas e úlceras em gatos, tanto domiciliados quanto os de rua, podendo ser transmitida para outros animais e também para os humanos. Em 2025, uma mulher faleceu vítima da doença, no estado do Amazonas.
 
Segundo a nota divulgada pelo Ministério da Saúde, “nos últimos anos, tem sido observado aumento expressivo de casos relacionados à transmissão zoonótica, o que reforça a necessidade de integração entre vigilância em saúde, atenção primária e serviços veterinários”.
 
Para o professor Brunner, trata-se de um grave problema de saúde pública. “Para se ter uma ideia, o fungo já se tropicalizou e gerou uma espécie 100% nacional, a Sporothrix brasiliensis, que é muito mais transmissível e já está se espalhando para fora do Brasil”, explica. “A esporotricose é infeciosa e agressiva. Os gatos são as principais vítimas e os potenciais transmissores. Causa lesões cutâneas que podem começar como pequenos caroços (nódulos) e evoluir para úlceras com secreção. Essas feridas não cicatrizam facilmente e costumam espalhar-se pelo corpo. O tratamento com antifúngico é demorado e muitas vezes não traz os resultados esperados”, acrescenta.
 
O médico-veterinário é precursor da eletroquimioterapia no Brasil e um dos fundadores da Akko Health Devices, desenvolvedora de soluções em tratamentos com eletroquimioterapia para medicina humana e medicina veterinária. Há quase duas décadas, Brunner estuda os efeitos da técnica no tratamento de diversas doenças, entre elas a esporotricose, e desenvolveu um equipamento inédito que vem sendo testado em clínicas veterinárias e em universidades, com previsão de lançamento para o primeiro semestre de 2026.
 
Com a inclusão da esporotricose humana na Lista Nacional de Notificação Compulsória de Doenças, Agravos e Eventos de Saúde Pública, passa a ser obrigatória a notificação semanal dos casos confirmados. Segundo a coordenadora-geral de Vigilância de Tuberculose, Micoses Endêmicas e Micobactérias Não Tuberculosas (CGTM) do Ministério da Saúde, Fernanda Dockhorn, com a notificação obrigatória, “será possível construir um panorama epidemiológico mais consistente e fortalecer a tomada de decisão em todos os níveis de gestão. Isso melhora o planejamento das ações de vigilância, prevenção e assistência, com impacto direto na proteção da população.”
 
A transmissão da esporotricose para humanos é feita por meio do contato com o animal infectado. Os arranhões são a principal porta de entrada. A lesão ocorre geralmente nas mãos, braços, rosto ou pernas e começa como um nódulo avermelhado e firme. Depois, evolui para uma ferida ulcerada, que pode drenar pus. Ela não causa dor, mas demora para cicatrizar. O problema é que a infecção se espalha pelos vasos linfáticos e quando encontra uma pessoa com o sistema imunológico comprometido (caso dos imunossuprimidos) ela pode atingir ossos, pulmões, olhos e até o sistema nervoso central, levando à morte.


 
Esperança no tratamento da esporotricose felina
 
Uma nova técnica está trazendo esperança para no tratamento da esporotricose felina. Batizado de SPORO PULSE, o equipamento desenvolvido pelo pesquisador Carlos Brunner, pela startup Akko Health Devices, usa a eletroporação para matar o fungo causador da doença. A técnica exige menor número de manipulações do gato, menor custo, boa eficácia em animais resistentes à terapia convencional e redução do período de tratamento.
 
“As células da pele do gato permanecem vivas, porque os poros se formam e se fecham. Já a estrutura celular dos fungos é diferente, então os poros se formam e não se fecham mais, matando o fungo. Como trabalho com eletroporação há 18 anos pensei na possibilidade de provocar a formação dos poros irreversíveis nos fungos, devido suas características celulares. Ou seja, matando o fungo e preservando o tecido normal do gato”, explica o prof. Brunner.

 


Carlos Brunner - professor. Graduado em Medicina Veterinária pela Universidade de São Paulo USP e mestre em Clínica Médica e doutor em Anatomia dos Animais Domésticos e Selvagens pela USP. Professor titular na Universidade Paulista UNIP; Membro da diretoria da ABROVET – Associação Brasileira de Oncologia Veterinária; Membro da ISEBTT - The Internacional Society for Electroporation Based Thecnologies and Treatments. Pioneiro no uso clínico de etroquimioterapia no Brasil


Akko Health Devices


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