Com o avanço do verão e o aumento das viagens para o litoral,
cresce também a presença de pets nas praias brasileiras. Apesar de ser um
programa cada vez mais comum entre as famílias, o passeio exige cuidados específicos
para evitar problemas de saúde que vão desde queimaduras nas patas até quadros
de vômito, diarreia, dermatites e otites.
Segundo a WeVets, maior grupo de saúde
veterinária do Brasil, atendimentos relacionados a excesso de calor, ingestão
de água salgada e irritações de pele tendem a aumentar durante o período de
férias, especialmente após passeios prolongados na praia.
“O banho de mar, por si só, não é proibido para cães, mas precisa
ser controlado. O principal risco está na ingestão de água salgada, que pode
causar desidratação, vômitos, diarreia e sobrecarga renal, principalmente em
filhotes, pets idosos ou com doenças pré-existentes”, explica a Médica
Veterinária e supervisora na WeVets, Carollina Marques.
Outro ponto de atenção é a areia quente, que pode atingir
temperaturas muito acima do suportável para as patas dos pets. “As almofadinhas
das patas são sensíveis e podem sofrer queimaduras sem que o tutor perceba de
imediato. Uma regra simples é testar a areia com a mão: se estiver quente
demais para você, também estará para o pet”, orienta.
Além do calor e do sal, a qualidade da água do mar também deve ser
considerada, especialmente em praias urbanas. A presença de bactérias e
poluentes pode provocar infecções de pele e ouvido. “É comum recebermos pets
com otite e dermatites após a praia. Por isso, a recomendação é sempre enxaguar
o pet com água doce ao sair do mar e secar bem o corpo, principalmente as
orelhas”, reforça Carollina.
A WeVets também alerta para o horário dos passeios,
que deve evitar os períodos mais quentes do dia, entre 10h e 16h. A hidratação
constante é indispensável: a água do mar não substitui a água potável e pode
agravar a desidratação. Protetores solares específicos para pets podem ser
indicados em casos pontuais, especialmente para animais de pele clara ou com
pouco pelo, sempre com orientação veterinária.
Cães Braquicefálicos
Vale um cuidado redobrado com pets braquicefálicos que possuem o focinho mais curto em função de alterações anatômicas do crânio, como Shih-tzu, Pug e Buldogue Francês. Durante o verão, o esforço respiratório aumenta significativamente, elevando o risco de hipertermia ou intermação, o superaquecimento do organismo, uma condição grave que pode evoluir rapidamente. Por isso, esses pets exigem atenção redobrada em períodos de altas temperaturas.
A prevenção passa por cuidados simples, mas fundamentais: manter o
pet em ambientes frescos e ventilados, garantir acesso constante à água, evitar
passeios nos horários mais quentes do dia e observar sinais de desconforto
respiratório ou estresse térmico. Roncos excessivos, respiração ofegante
intensa e dificuldade para respirar são alertas que exigem avaliação médica
imediata.
A observação atenta dos tutores é essencial para reduzir riscos e
garantir qualidade de vida aos cães braquicefálicos.
Alertas
práticos :
- Banho de mar: pode, mas com
moderação; risco de ingestão de água salgada gerando desidratação e alterações gastrointestinais
- Areia quente: risco de
queimaduras graves nas patas
- Horários: evitar entre
10h e 16h.
- Hidratação: levar água
potável.
- Contaminação: praias urbanas
podem ter bactérias.
Por fim, é importante que os tutores verifiquem as regras
locais, já que nem todas as praias permitem a presença de pets.
“Planejamento é a chave. A praia pode ser um ambiente prazeroso, mas não deve
ser tratada como um passeio sem riscos. Com cuidados simples, é possível
aproveitar o momento sem comprometer a saúde e o bem-estar do pet”, conclui a
médica-veterinária da WeVets.

Nenhum comentário:
Postar um comentário