Crime
cometido por adolescentes reforça evidências científicas de que crueldade
contra animais está diretamente ligada à violência contra pessoas; Ampara
Animal e Fórum Animal cobram respostas das autoridades e leis mais duras
Na imagem,Bibi, mascote da campanha
(foi agredida e perdeu os movimentos das patas traseiras).
A brutal morte do cachorro Orelha, assassinado por adolescentes em um episódio de extrema crueldade que chocou o país, reacendeu o debate sobre a gravidade da violência contra animais e seus impactos diretos na segurança da sociedade. O caso, amplamente noticiado pela imprensa, expôs atos de tortura que vão muito além de um crime isolado, levantando alertas sobre um padrão de comportamento violento que, segundo a Teoria do Elo (The Link), pode evoluir para agressões contra pessoas.
Diante desse cenário, organizações de proteção animal estão
unidas para dar visibilidade ao tema e cobrar das autoridades respostas mais
firmes, incluindo investigação aprofundada, responsabilização adequada e o
avanço de leis mais duras para crimes de maus-tratos, especialmente quando
envolvem requintes de crueldade e menores de idade. .
Entre as entidades mobilizadas estão O Instituto Ampara
Animal e a ONG Fórum Animal, que destacam a necessidade de tratar crimes contra
animais como uma questão de segurança pública, saúde mental e proteção de
grupos vulneráveis.
Violência contra animais não é um caso isolado
O assassinato do cachorro Orelha se insere em um contexto
alarmante de crescimento e banalização da violência contra animais no Brasil.
Especialistas e organizações alertam que esse tipo de crime não surge de forma
repentina e tampouco deve ser tratado como um “desvio pontual”.
A Teoria do Elo, amplamente reconhecida por pesquisadores,
criminologistas e órgãos de segurança, comprova a conexão direta entre crueldade
contra animais e outros tipos de violência, como abuso infantil, violência
doméstica e crimes graves contra pessoas. Publicada em 2012 pelos professores
Frank Ascione e Phil Arkow, a teoria sistematiza décadas de estudos que
demonstram que onde há violência contra animais, há alto risco de violência
contra seres humanos.
Evidências nacionais e internacionais reforçam o alerta
Dados compilados por diferentes pesquisas e divulgados pela
Associação Amigos Defensores dos Animais e do Meio Ambiente (AADAMA) evidenciam
a gravidade desse elo:
- 71%
das mulheres vítimas de violência doméstica relataram que seus parceiros
ameaçaram, feriram ou mataram os animais da família.
- 88%
das famílias onde houve crueldade contra animais também apresentaram abuso
físico contra crianças.
- 52,5%
das mulheres vítimas de abuso relataram ameaças ou violência contra seus
animais de companhia (Ascione, 2007).
- Em
88% dos lares investigados por abuso infantil, também foi identificado
abuso contra animais (DeViney, Dickert & Lockwood, 1983).
- Entre
mulheres acolhidas em abrigos, 50% relataram que seus parceiros ameaçaram
ou feriram seus animais, e 26,8% afirmaram que o medo pelo bem-estar dos
animais influenciou a decisão de permanecer na relação violenta (Faver
& Strand, 2003).
- Um terço dos autuados por violência contra animais já tinha outras passagens pela polícia, sendo que 50% dos registros também envolviam crimes contra pessoas (Cel. Marcelo Robis, 2013).
Campanha “Quebre o Elo” conecta o caso Orelha a um problema
estrutural
É nesse contexto que a Ampara Animal reforça sua campanha “Quebre o Elo” (1), que alerta para o perigoso ciclo da violência e defende que crimes contra animais sejam levados tão a sério quanto crimes contra pessoas.
A campanha dialoga diretamente com o caso do cachorro Orelha, especialmente pelo fato de o crime ter sido cometido por adolescentes — um elemento que, segundo especialistas, exige atenção redobrada do poder público, da sociedade e do sistema educacional.
A Ampara destaca que intervenções precoces, investigação adequada e responsabilização efetiva podem evitar que comportamentos violentos se agravem e se perpetuem ao longo da vida adulta.
As peças da campanha utilizam imagens e mensagens contundentes para chamar a atenção da sociedade para uma realidade ainda negligenciada. O objetivo é claro: romper o ciclo da violência antes que ele avance, protegendo tanto os animais quanto pessoas em situação de vulnerabilidade, como mulheres, crianças e idosos.
Como parte da campanha, além de peças de comunicação com imagens e mensagens contundentes para chamar a atenção da sociedade para uma realidade ainda negligenciada, foi desenvolvido um curso online exclusivo e disponível para todos, com a participação de alguns dos maiores especialistas no assunto. O objetivo é claro: romper o ciclo da violência antes que ele avance, protegendo tanto os animais quanto pessoas em situação de vulnerabilidade, como mulheres, crianças e idosos.
Segundo as organizações, denunciar maus-tratos a
animais é também uma forma de prevenir crimes contra pessoas e
salvar vidas humanas.
ASPAS – AMPARA ANIMAL
Rosângela Gebara, Diretora de Relações Institucionais e
Internacionais da Ampara Animal
“Esse caso do cachorro Orelha chama muita atenção pelo requinte da crueldade, pela tortura, pelo sadismo e pelo fato de ter sido cometido por adolescentes. Isso precisa ser analisado com muito cuidado, porque sinaliza uma questão grave.”
“Toda vez que existe uma violência desse tipo contra animais, há um risco real de que essas pessoas também cometam violência contra outras pessoas. Podem se tornar futuros abusadores de mulheres, crianças e outros grupos vulneráveis.”
“A Teoria do Elo mostra que onde os animais estão em risco, as pessoas também estão em risco. E onde as pessoas estão em risco, os animais também estão. Isso é uma bandeira vermelha, a ponta de um iceberg que não pode ser ignorada.”
“É fundamental que a sociedade, a polícia, educadores e o
poder público levem esses crimes com muita seriedade, investiguem a fundo e
promovam conscientização sobre a gravidade desses atos. Não podemos fechar os
olhos.”
ASPAS – FÓRUM ANIMAL
Vânia Plaza Nunes, Diretora Técnica do Fórum Animal
“O que está por trás desse caso precisa ser investigado. A violência contra um animal não surge do nada, ela costuma ser precedida por outros sinais que foram ignorados ou normalizados.”
“É preciso perguntar se esse foi realmente o primeiro sinal
de violência desses jovens ou se outros comportamentos já vinham sendo
naturalizados.”
1. Vídeo da campanha Quebre o Elo: https://www.youtube.com/watch?v=1mkEnxVVtf4
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