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terça-feira, 21 de março de 2017

Estudo confirma a preferência dos pacientes pela terapia injetável semanal no controle do diabetes tipo 2



Um estudo[i] conduzido na Inglaterra em adultos com diabetes tipo 2 que nunca utilizaram terapia injetável concluiu que, entre essas opções disponíveis para o controle da doença, há preferência pelo uso da terapia semanal.

O levantamento foi feito com 243 pacientes com idade média de 60,5 anos para avaliar a preferência em relação às duas opções injetáveis de agonistas do receptor GLP1: dulaglutida, de aplicação subcutânea semanal, e liraglutida, de aplicação subcutânea diária.

A pesquisa foi realizada no modelo de escolha discreta, que através de uma técnica quantitativa permite identificar as preferências individuais sem que os elementos estudados sejam revelados aos entrevistados. A técnica quantitativa se baseia em perguntas aleatórias feitas aos participantes sobre sua preferência hipotética referente a um específico atributo[ii]. No trabalho, foram considerados seis atributos: frequência de aplicação da dose, redução na hemoglobina glicada (HbA1C), alteração de peso, tipo do dispositivo de aplicação, frequência de náusea e frequência de hipoglicemia1.

De acordo com o estudo, quando a eficácia entre os medicamentos é similar, outras características – como frequência de aplicação da dose e tipo do dispositivo de aplicação – são mais relevantes para os pacientes. A redução da quantidade de injeções de 365 para apenas 52 ao ano mostrou ser o diferencial mais apreciado pelos entrevistados. O segundo atributo mais importante na escolha dos pacientes foi a caneta de aplicação, sendo a de dulaglutida também a preferida1.


Inovação que facilita a adesão
Por necessitar de um controle rigoroso, a baixa adesão ao tratamento ainda é um dos maiores desafios no controle do diabetes. Foi pensando justamente no bem-estar do paciente e no manejo eficaz da doença que a Lilly desenvolveu Trulicity (dulaglutida), a primeira terapia injetável semanal em caneta pronta para uso. O produto foi lançado no mercado brasileiro em agosto de 2016.

A dulaglutida oferece controle eficaz da hiperglicemia (nível elevado de açúcar no sangue) com apenas uma aplicação a cada 7 dias e com o mínimo de efeitos colaterais, resultados confirmados através dos estudos clínicos do programa AWARD. O produto é comercializado em uma caneta aplicadora inteligente, que vem pronta para uso. O dispositivo conta com uma agulha de pequeno calibre, que não fica visível, e permite confirmar a aplicação da dose.
O objetivo do tratamento para o diabetes tipo 2 é manter os níveis de glicose no sangue dentro dos limites adequados, reduzindo o risco de complicações a longo prazo. A maioria dos pacientes começa o tratamento com modificações no estilo de vida, como dieta, exercício e controle de peso. Caso essas medidas não sejam efetivas, passa-se ao uso de medicamentos orais ou terapias injetáveis.

O diabetes é uma doença crônica. Acomete cerca de 415 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo a International Diabetes Federation (IDF. Somente no Brasil, são 14,3 milhões de diabéticos – a maioria com o tipo 2 –, número que coloca o país na quarta posição da lista das nações com maior prevalência da doença, atrás de China, Índia e Estados Unidos. A projeção é que, em 2040, haja 23,3 milhões de brasileiros vivendo com diabetes no país[iii].


Eli Lilly and Company



[i] GELHORN, H.; POON, J. L.; DAVIES, E. W.; PACZKOWSKI, R.; CURTIS, S. E.; BOYE, K. S. Evaluating preferences for profiles of GLP-1 receptor agonists among injection-naïve type 2 diabetes patients in the UK. Journal of Patient Preference and Adherence, United Kingdom, 2015, n. 9, jun. 2015. < https://www.dovepress.com/evaluating-preferences-for-profiles-of-glp-1-receptor-agonists-among-i-peer-reviewed-article-PPA >. Data de acesso: 19 nov. 2016.

[ii]  Lindsay J Mangham, Kara Hanson and Barbara McPake. How to do (or not to do) … Designing a discrete choice experiment for application in a low-income country. Health Policy Plan (2009) 24 (2): 151-158. 


[iii] INTERNATIONAL Diabetes Federation. IDF Diabetes Atlas 7th edition. Disponível em: <http://www.idf.org/diabetesatlas>. Acesso em: 12 ago. 2016.




Endometriose: diagnóstico precoce e atenção multidisciplinar são fundamentais



A endometriose afeta cerca de seis milhões de brasileiras. Trata-se do crescimento, fora do útero, do endométrio – tecido que recobre a superfície interna do útero. Em estágios avançados, a doença chega a ser bastante incapacitante. Sendo assim, diagnóstico precoce e atendimento multidisciplinar são requisitos fundamentais para melhor abordagem terapêutica. O tecido endometrial pode crescer na cavidade pélvica e infiltrar ovários (cistos de endometriomas), trompas, regiões retrocervical e retrouterina (posteriores ao colo e corpo do útero), vagina, intestino, bexiga e parede abdominal. O endométrio que está fora da cavidade uterina também é sujeito aos efeitos hormonais ao longo do ciclo menstrual, podendo provocar alterações inflamatórias nesses locais e promover aderências entre os órgãos.

De acordo com Maria Teresa Natel, médica ultrassonografista do CDB Premium, em São Paulo, determinados sintomas tornam necessária uma investigação mais detalhada, através do ultrassom transvaginal com preparo intestinal. “Cólicas muito intensas e debilitantes – durante ou fora do ciclo menstrual –, dor durante ou depois da prática sexual, fluxo menstrual muito intenso e infertilidade são sintomas mais evidentes, mas também podem ser acompanhados de diarreia, constipação, e dor ao urinar durante os períodos menstruais. Vale dizer que às vezes a endometriose é confundida com outros problemas de saúde, como doença inflamatória pélvica (DIP) ou cistos ovarianos de outra natureza (cistos hemorrágicos)”.

O diagnóstico de endometriose geralmente se baseia na história clínica e exame ginecológico (realizados pelo médico ginecologista), ultrassom transvaginal com preparo intestinal (realizado por profissional habilitado) e ressonância magnética. “O ultrassom transvaginal com preparo intestinal deve ser feito, de preferência, logo depois da menstruação, mas poderá ser realizado em qualquer fase do ciclo. O preparo intestinal se inicia na véspera (dieta pobre em resíduos e laxantes) e continua até o momento do exame. Pouco antes desse ultrassom é realizado um procedimento para esvaziamento do reto (porção final do intestino). Esse preparo todo é necessário para diagnosticar eventuais pequenas lesões na parede do intestino, bem como reduzir gases que podem prejudicar a detecção de lesões em outras regiões”, diz a médica ultrassonografista.

O tratamento da endometriose depende de alguns fatores: estágio da doença, local onde a endometriose se instalou, sintomas e desejo de engravidar. A partir das respostas para todas essas questões é que o médico ginecologista definirá se o tratamento será clínico, cirúrgico ou uma combinação dos dois, devendo sempre ser muito bem discutido com a paciente. 





Fonte: Dra. Maria Teresa Natel - médica ultrassonografista do CDB Premium, pertencente à rede CDB Medicina Diagnósticawww.cdb.com.br


 

Pacientes estrábicos têm maior incidência de doença mental



Pacientes com exotropia intermitente são particularmente mais propensos a desenvolver doenças psiquiátricas significativas até a terceira década de vida


As crianças que têm estrabismo estão em risco significativamente maior de desenvolver doenças mentais, no início da idade adulta, de acordo com os resultados de um estudo da Clínica Mayo publicado no Pediatrics, jornal oficial da Academia Americana de Pediatria.

O estudo retrospectivo examinou os prontuários de 407 pacientes com estrabismo e os comparou com registros de crianças correspondentes por idade e sexo, mas com alinhamento normal dos olhos. As crianças com desvios divergentes (exotropia) apresentavam três vezes mais probabilidade de desenvolver um distúrbio psiquiátrico do que os controles ao passo que, aquelas com olhos desviados para dentro (esotropia), não apresentavam aumento na incidência de doenças mentais.

Brian Mohney, oftalmopediatra que liderou o estudo, diz que os resultados podem ajudar a alertar os oftalmologistas para potenciais problemas em seus pacientes pediátricos. “Pediatras e oftalmopediatras que atendem crianças com estrabismo devem estar conscientes do aumento do risco de doença mental. Esses profissionais devem estar atentos aos primeiros sinais de problemas psiquiátricos em pacientes com exotropia, para que possam encaminhá-los a um psicólogo ou psiquiatra”,afirma o oftalmologista Virgílio Centurion, diretor do IMO, Instituto de Moléstias Oculares.


Saiba um pouco mais sobre o estrabismo

Além de lutar contra o incômodo de uma visão deficiente, os estrábicos – cerca de 4% da população mundial – ainda precisam superar o preconceito contra a doença. “O estrabismo é a perda do alinhamento dos olhos, fazendo com que os olhos sejam desviados para dentro, para fora, para cima ou para baixo. O desvio pode se apresentar de forma constante ou intermitente. Em todos os casos são comuns os relatos de pacientes que sofrem com o “bullying social”, afirma Bruna Ducca, oftalmopediatra do IMO, especializada em estrabismo também.

Existem muitas condições médicas associadas às causas do estrabismo. Elas podem ser divididas nas seguintes categorias: influência hereditária, problemas neurológicos, doenças específicas e causa desconhecida, sendo esta última a mais comum.  “O problema pode se manifestar na infância podendo ser congênito ou adquirido, ou na vida adulta, geralmente de forma adquirida”, esclarece a oftalmopediatra.

O tratamento do estrabismo em crianças requer cuidados especiais. O principal deles é a ajuda dos pais. As diferentes modalidades de tratamento dependem de cada caso, dentre elas estão a prescrição de lentes corretivas, a oclusão (tampão), a injeção de toxina botulínica nos músculos oculares e a cirurgia de estrabismo. O processo para alinhar os olhos pode ser demorado e as crianças precisam de apoio nesta fase. “Para facilitar o processo, os adultos podem, por exemplo, deixar a criança participar da escolha da armação dos óculos – que deve ser leve, de tamanho adequado e com lentes resistentes; para a garotada que necessita de tampão, os pais devem explicar a importância desse tratamento e insistir na oclusão; nos casos em que se opta pela cirurgia, o acompanhamento pós-operatório de forma correta é essencial para garantir um bom resultado, orienta Bruna Ducca.

“Os pais precisam ficar atentos a qualquer alteração de humor dos filhos e às queixas, veladas ou explícitas, que eles façam da escola durante o tratamento. Em caso de problemas, os pais devem buscar ajuda por meio do serviço de orientação educacional e psicológica da instituição de ensino, pois as crianças têm direito a ambientes escolares onde existam alegria, amizade, solidariedade e respeito às características individuais de cada um deles”, defende a médica.








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