terça-feira, 8 de setembro de 2026

Estudo inédito aplica técnicas menos invasivas para remoção completa de câncer de mama

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Maior série já publicada em revista científica, com a participação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), traz achados importantes sobre técnica de abordagem percutânea desenvolvida e aprimorada no Brasil 

 

Uma técnica desenvolvida e aprimorada no Brasil mereceu destaque como maior série já publicada em uma revista científica. Combinando biópsia mamária estendida assistida a vácuo e raspagem do tecido (shaving) da cavidade residual após a biópsia, o método é uma estratégia promissora em abordagens percutâneas, menos invasivas, para remoção completa de tumores de mama. O estudo pioneiro, que conta com a participação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), fornece contribuições para novas investigações e testes que agora serão realizados em ensaios de validação.

A série “Coleta de fragmentos das margens da cavidade como parte da biópsia mamária estendida assistida a vácuo: uma abordagem potencial para prever a excisão percutânea de câncer de mama” foi publicada na conceituada Annals of Surgical Oncology (ASO), revista científica oficial da Sociedade Americana de Cirurgia Oncológica e da Sociedade Americana de Cirurgiões de Mama.

O estudo baseia-se na dissertação de mestrado da mastologista Paula Clarke, idealizado e orientado pelos colegas Professor Doutor Eduardo Carvalho Pessoa e Henrique Lima Couto, no Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Unesp (Universidade Estadual Paulista), em Botucatu (SP).

A série parte de uma análise retrospectiva de 120 casos que integram o banco de dados da Redimama-Redimasto, centro especializado em imagem mamária em Belo Horizonte (MG), com vasta experiência em biópsia a vácuo, onde a técnica foi desenvolvida. “No estudo, que expõe um problema real em oncologia, avaliamos se a biópsia mamária estendida assistida a vácuo associada a shaving era capaz de prever a remoção completa de tumores pequenos. Esta estratégia é um passo potencialmente importante para futuras abordagens de tratamento percutâneo de câncer de mama”, afirma Clarke.

Como método diagnóstico no estudo, a biópsia a vácuo estendida guiada por ultrassom, ou estereotaxia, retirava através de uma agulha fragmentos da lesão por meio de aspiração. Esses fragmentos eram submetidos à análise criteriosa de um patologista para identificar a ocorrência de células cancerígenas ou não. Associada ao método, que utiliza anestesia local, a raspagem ou shaving da cavidade residual, segundo a mastologista, fornecia informações que poderiam ter valor preditivo em relação à presença ou não de lesão residual.

Dos 120 casos que combinaram biópsia a vácuo estendida e shaving, 37,5% não apresentaram tumor residual na cirurgia. Em 15% foi detectada apenas doença residual mínima, com tumores menores que três milímetros. “Ou seja, a estratégia conseguiu remover completamente o câncer em um a cada três casos”, ressalta a mastologista. Dos 120 procedimentos, 119 foram realizados por mastologistas.

Participante da série publicada na ASO, Professor Doutor Eduardo Carvalho Pessoa, membro da Comissão do Título de Especialista em Mastologia (TEMa) da SBM e orientador do estudo, diferencia a eficiência da estratégia para o carcinoma in situ e o carcinoma invasor. “A excisão a vácuo funciona muito bem para carcinomas invasores. No carcinoma in situ, que se caracteriza como uma lesão mais espalhada, não conseguimos ter certeza de que a agulha conseguiu retirar tudo.”

Ainda sobre o carcinoma in situ, Paula Clarke destaca que a análise multivariada trouxe achados importantes. “Constatamos, por exemplo, que quanto maior o carcinoma in situ, maiores as chances de doença residual. Também observamos que o volume de doença no shaving se correlacionou com a chance de falso negativo, de doença residual ou de upgrade.”

O mastologista Henrique Lima Couto, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia – Regional Minas Gerais (SBM-MG), que desenvolveu a técnica e integra a equipe de pesquisadores, destaca que as descobertas do estudo agora estão em validação em um ensaio clínico prospectivo fase 2. “A investigação vem sendo conduzida única e exclusivamente no Brasil, fronteira, liderança e vanguarda com o estudo VAE Breast 01, abordagem minimamente invasiva que avalia o tratamento percutâneo e a ressecção completa de tumores com a intenção de tratar o câncer de mama”, afirma.

De acordo com Lima Couto, novas comprovações também seguem em testagem com pacientes em tratamento de câncer de mama pós-quimioterapia neoadjuvante (VAE Breast 02), também com a participação da Sociedade Brasileira de Mastologia, como parte do mestrado da dra. Katyane Larissa Alves, na Universidade Federal de Goiás (UFG).


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