Especialista alerta para os riscos de curtos-circuitos causados pelo uso de fios sem certificação do Inmetro e sobrecarga da rede elétrica em imóveis tradicionais, reforçando a importância do acompanhamento técnico em reformas.
O Brasil registrou 1.304 incêndios de
origem elétrica em 2025, alta de quase 10% em relação às 1.186 ocorrências do
ano anterior, segundo a Associação Brasileira de Conscientização para os
Perigos da Eletricidade. As residências concentraram aproximadamente 47% dos
casos, reforçando o alerta para instalações antigas, sobrecarga de circuitos e
uso de materiais irregulares.
Imóveis construídos há décadas foram
projetados para uma realidade com menos equipamentos elétricos. Atualmente,
aparelhos de ar-condicionado, chuveiros potentes, fornos, secadoras,
computadores e outros dispositivos funcionam muitas vezes ao mesmo tempo,
aumentando a carga sobre redes que nem sempre foram atualizadas.
Segundo a designer de interiores
Izabella Biancardine, especialista em iluminação, psicologia das cores e
acompanhamento de obras, trocar revestimentos e móveis sem verificar as
instalações pode esconder um risco importante. “Em uma reforma, não devemos
olhar apenas para o que aparece. Antes de fechar paredes, instalar forros ou
planejar novos equipamentos, é necessário entender se a rede elétrica comporta
aquela demanda”, explica.
Entre os sinais de alerta estão
disjuntores que desarmam com frequência, tomadas ou interruptores aquecidos,
luzes piscando, cheiro de queimado e necessidade constante de utilizar
extensões, adaptadores ou benjamins. Essas ocorrências podem indicar circuitos
sobrecarregados, conexões inadequadas ou componentes deteriorados.
Outro risco está no uso de fios e cabos
sem procedência. No Brasil, diferentes tipos de condutores utilizados em
instalações residenciais estão sujeitos à certificação compulsória do Instituto
Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia. Produtos fora das
especificações podem apresentar quantidade de material condutor inferior à
necessária, aquecer excessivamente e comprometer a segurança da instalação.
“O preço mais baixo pode parecer uma
economia durante a obra, mas materiais sem certificação aumentam o risco de
aquecimento e falhas. A instalação elétrica fica escondida depois da reforma,
por isso é fundamental saber o que está sendo colocado dentro das paredes”,
alerta Izabella Biancardine.
Izabella ressalta que o projeto de
interiores precisa considerar a localização dos equipamentos, a quantidade de
tomadas e a rotina dos moradores. Já a avaliação, o dimensionamento e a
execução da instalação elétrica devem ser realizados por profissionais
habilitados para essa finalidade.
Esse planejamento também evita
improvisações posteriores. Quando não há tomadas suficientes ou circuitos
compatíveis com os aparelhos, os moradores recorrem a extensões e adaptadores
para conectar vários equipamentos no mesmo ponto, elevando o risco de
sobrecarga.
Para Izabella Biancardine, imóveis
antigos não precisam perder suas características para se tornarem mais seguros.
“É possível preservar pisos, esquadrias e outros elementos afetivos, mas a
infraestrutura precisa acompanhar as necessidades atuais. Segurança não deve
ser tratada como acabamento opcional nem ficar para o fim do orçamento”,
conclui.
Fonte: Izabella Biancardine — designer de interiores, especialista em iluminação, psicologia das cores e acompanhamento de obras.
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