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quinta-feira, 23 de julho de 2026

Dias frios reforçam a importância da lavagem nasal correta em crianças para prevenir complicações respiratórias

Presidente da Academia Brasileira de Otorrinolaringologia Pediátrica explica como o procedimento deve ser realizado e alerta que a técnica inadequada pode reduzir os benefícios e causar desconfortos

 

As baixas temperaturas registadas nos últimos dias têm agravado os casos de gripes, resfriados e crises respiratórias, especialmente em crianças. Diante desse cenário, a lavagem nasal, um cuidado simples e eficaz ganha ainda mais importância, principalmente quando realizada corretamente, pois ajuda a remover secreções, alérgenos, vírus e partículas inaladas, facilitando a respiração e melhorando também o funcionamento natural do nariz. No entanto, o procedimento ainda gera algumas dúvidas e, quando feito de maneira inadequada, pode perder sua eficácia e provocar desconforto. 

De acordo com a Dra. Carolina Miura, otorrinolaringologista e presidente da Academia Brasileira de Otorrinolaringologia Pediátrica (ABOPe), vinculada à Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), a lavagem nasal é uma importante aliada na prevenção e no tratamento de doenças respiratórias, especialmente durante o Inverno, quando aumenta a circulação de vírus e as pessoas permanecem por mais tempo em ambientes fechados. Ela explica que o objetivo da lavagem nasal é limpar as fossas nasais, remover o excesso de secreção e manter a mucosa hidratada, favorecendo o funcionamento adequado do sistema de defesa natural do nariz. “Esse cuidado pode aliviar sintomas como nariz entupido, reduzir o acúmulo de secreções e proporcionar mais conforto à criança”, comenta.

 

Como fazê-la?

A especialista orienta que o posicionamento adequado da criança durante a lavagem depende da faixa-etária. Em bebês de zero a seis meses, o procedimento pode ser realizado com o bebê deitado. Entre os seis meses e os dois anos, a criança pode permanecer sentada, com a cabeça em posição neutra. Já nas crianças maiores, a lavagem pode ser feita sentada ou em pé, com o tronco levemente inclinado para a frente, a cabeça virada para o lado, a narina que receberá o bico do dispositivo voltada para cima e a boca aberta. 

Outro ponto importante é o volume adequado do soro. Segundo a médica, pequenas gotas podem ser suficientes para umidificar o nariz do bebê menor de seis meses. Já nos acima de seis meses até dois anos, pode-se utilizar a seringa com 3ml a 20ml de soro fisiológico 0,9% ou o dispositivo de jato contínuo por três a dez segundos. “A partir dos dois anos, além da seringa e do spray de jato contínuo, pode ser utilizada a garrafinha plástica compressível, com o volume dependendo da indicação médica e da tolerância da criança”, revela, ao comentar que é recomendável realizar a lavagem nasal de duas a três vezes por dia, podendo aumentar ou diminuir esse número de acordo com a quantidade de secreção e os sintomas da criança. 

Apesar de ser um procedimento seguro, alguns erros costumam ser frequentes, como aplicar uma quantidade insuficiente de soro quando há grande acúmulo de secreção e utilizar pressão excessiva ou posicionar a criança de forma equivocada, provocando dor, sensação de ouvido tampado, tosse e desconforto durante a atividade. Dra. Carolina ressalta que a lavagem nasal não deve provocar sofrimento intenso e, quando realizada com a técnica adequada, respeitando a idade da criança e utilizando os materiais corretos, é bastante benéfica.

 

Atente-se!

De acordo com a presidente da ABOPe, embora a lavagem nasal seja um recurso importante para aliviar os sintomas, ela não substitui a avaliação médica quando há sinais de gravidade. Febre persistente; dificuldade para respirar; recusa alimentar; sonolência excessiva; dor intensa no ouvido ou sintomas que não melhoram após alguns dias necessitam de investigação de um especialista. “A lavagem nasal faz parte dos cuidados diários com a saúde respiratória infantil, especialmente durante os períodos de maior circulação de vírus, e associada à hidratação, à vacinação em dia e a ambientes bem ventilados, ela pode reduzir o desconforto causado pelas doenças típicas do Inverno, favorecendo uma recuperação mais rápida”, atesta.

 

Mitos e verdades

Mito: Quanto menor a quantidade de soro, melhor para a criança.

Verdade: Para uma limpeza eficaz, especialmente quando há acúmulo de secreção, podem ser necessários volumes maiores de soro fisiológico, respeitando a idade da criança e a orientação do otorrinolaringologista. Apenas algumas gotas podem não ser suficientes para remover o muco em crianças maiores.

 

Mito: A lavagem nasal deve ser feita apenas quando a criança está gripada.

Verdade: Embora seja muito utilizada durante gripes e resfriados, a lavagem nasal também pode fazer parte da rotina de crianças com rinite alérgica, exposição à poluição ou ressecamento das vias aéreas, sempre conforme orientação médica.

 

Mito: Qualquer posição da cabeça serve durante a lavagem.

Verdade: A posição influencia o conforto e a eficácia do procedimento. O ideal é manter a cabeça levemente inclinada para a frente ou para o lado, evitando jogá-la totalmente para trás, com exceção de bebês até seis meses, idade em que ela pode ser realizada com a criança deitada.

 

Mito: Se a criança reclamar, é melhor interromper definitivamente a lavagem.

Verdade: É comum que algumas crianças estranhem o procedimento nas primeiras vezes. Com a técnica correta, volume adequado e uma abordagem tranquila, a lavagem tende a se tornar mais confortável. Se houver dor intensa ou dificuldade persistente, a criança deve ser avaliada por um especialista.

 

Mito: A lavagem nasal pode causar otite.

Verdade: Quando realizada corretamente, a lavagem nasal não causa otite. No entanto, aplicar o soro com pressão excessiva ou de forma inadequada pode provocar desconforto e favorecer a passagem de secreções para a região da tuba auditiva, principalmente em crianças pequenas.

 

Mito: Água da torneira pode substituir o soro fisiológico.

Verdade: Não. A lavagem nasal deve ser feita com soro fisiológico 0,9% ou soluções próprias para irrigação nasal. O uso de água da torneira não é recomendado, pois ela não é estéril e pode conter microrganismos e impurezas.

 

Mito: Quanto mais força na aplicação, melhor será a limpeza.

Verdade: O excesso de pressão pode causar dor, desconforto e irritação da mucosa nasal. O mais importante é utilizar o volume adequado com uma técnica correta e delicada.

 

Mito: A lavagem nasal vicia o nariz.

Verdade: A lavagem nasal não causa dependência. Ao contrário dos descongestionantes nasais, ela apenas promove a limpeza e a hidratação da mucosa, podendo ser utilizada com segurança quando houver indicação.

 

Dra. Carolina Miura - CRM-SP 134104 - RQE 51122

Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial - ABORL-CCF

 

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