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quinta-feira, 23 de julho de 2026

Doença silenciosa: exames laboratoriais permitem identificar hepatites antes dos primeiros sintomas

Com mais de 826 mil casos registrados no Brasil entre 2000 e 2024, especialistas alertam que a ausência de sintomas nas fases iniciais faz do diagnóstico precoce o principal aliado para evitar complicações como cirrose e câncer de fígado
 

A maioria das pessoas associa doenças do fígado a sinais como pele e olhos amarelados, dor abdominal ou fadiga intensa. No caso das hepatites virais, porém, essa percepção pode atrasar o diagnóstico. Isso porque, especialmente nas hepatites B e C, a infecção costuma evoluir de forma silenciosa durante anos, permitindo que o vírus provoque lesões progressivas no fígado antes mesmo do aparecimento dos primeiros sintomas. 

O tema ganha ainda mais importância durante o Julho Amarelo, campanha nacional de conscientização sobre as hepatites virais. Segundo o Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2025, do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 826.292 casos confirmados entre 2000 e 2024. No mesmo período, foram contabilizados 49.999 óbitos por causas básicas relacionadas às hepatites virais e 45.959 mortes em que a doença esteve associada ao desfecho, reforçando que essas infecções continuam representando um importante desafio para a saúde pública. 

Segundo a Maria Isabel de Moraes-Pinto, infectologista do Delboni e Lavoisier, marcas da Dasa, líder em medicina diagnóstica no Brasil, o maior risco está justamente no fato de a doença permanecer sem manifestações clínicas por longos períodos. "As hepatites virais podem permanecer assintomáticas durante muitos anos. Quando sintomas como icterícia, urina escura, náuseas ou fadiga aparecem, o fígado já pode apresentar comprometimento importante. Por isso, não devemos esperar o organismo dar sinais para investigar a doença quando há fatores de risco ou indicação médica."
 

O diagnóstico começa antes dos sintomas 

Como as hepatites virais costumam evoluir silenciosamente, os exames laboratoriais são fundamentais para identificar a infecção precocemente. Além de confirmar a presença do vírus, eles permitem determinar qual tipo de hepatite está presente, avaliar a atividade da doença, acompanhar sua evolução e fornecer informações importantes para a definição do tratamento. 

Segundo Maria Isabel, muitos diagnósticos acontecem durante exames solicitados em avaliações clínicas de rotina ou após investigação de alterações na função hepática. 

"O diagnóstico precoce muda completamente o prognóstico da doença. Hoje dispomos de exames capazes de identificar a infecção antes do surgimento dos sintomas, além de caracterizar o vírus e avaliar o funcionamento do fígado. Essas informações permitem ao médico definir o acompanhamento mais adequado para cada paciente." 

Entre os exames disponíveis para investigação das hepatites estão:


Hepatite A

  • Pesquisa de anticorpos Anti-HAV IgM;
  • Pesquisa de anticorpos Anti-HAV IgG.


Hepatite B

  • HBsAg;
  • Anti-HBs;
  • Anti-HBc total;
  • HBeAg;
  • Pesquisa de carga viral (HBV-DNA por PCR);
  • Genotipagem do vírus da hepatite B.


Hepatite C

  • Sorologia Anti-HCV;
  • PCR qualitativo para HCV-RNA;
  • PCR quantitativo (carga viral).


Hepatites E e G

  • Pesquisa de anticorpos IgG e IgM;
  • Detecção viral por PCR, quando indicada.

"Cada exame responde a uma etapa da investigação. Alguns identificam o contato com o vírus, outros confirmam se a infecção permanece ativa e há aqueles que quantificam a carga viral ou caracterizam geneticamente o vírus. A combinação dessas informações torna o diagnóstico mais preciso e possibilita um acompanhamento individualizado”, explica a infectologista.
 

Diagnóstico precoce pode evitar complicações graves 

Os avanços da medicina transformaram o tratamento das hepatites virais nas últimas décadas. A hepatite C, por exemplo, apresenta taxas de cura superiores a 95% quando diagnosticada precocemente e tratada adequadamente. Já a hepatite B pode ser controlada, reduzindo significativamente o risco de evolução para cirrose e câncer de fígado. 

Por isso, especialistas reforçam que esperar o aparecimento dos sintomas pode significar perder um tempo precioso para iniciar o tratamento.
 

Prevenção continua sendo essencial 

Além do diagnóstico precoce, a prevenção permanece como a estratégia mais eficaz para reduzir novos casos. Segundo a Organização Mundial da Saúde, eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030 depende da ampliação da prevenção, da vacinação e, principalmente, do diagnóstico precoce, capaz de interromper a evolução silenciosa da doença antes que ela comprometa a saúde do fígado.
 

Quem deve conversar com o médico sobre a realização dos exames? 

Embora qualquer pessoa possa discutir a necessidade da investigação com seu médico, o Ministério da Saúde recomenda atenção especial para alguns grupos que apresentam maior risco de exposição ao vírus, entre eles:

  • pessoas que receberam transfusão de sangue ou hemoderivados antes de 1993;
  • gestantes durante o pré-natal;
  • profissionais da saúde;
  • pessoas com múltiplos parceiros sexuais;
  • pessoas que utilizam drogas injetáveis ou inaláveis;
  • pessoas que realizaram tatuagens, piercings ou procedimentos estéticos sem garantia de biossegurança;
  • pessoas com alterações persistentes nas enzimas hepáticas;
  • pessoas com outros fatores de risco para hepatites virais.


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