Com mais de 826 mil casos registrados no Brasil
entre 2000 e 2024, especialistas alertam que a ausência de sintomas nas fases
iniciais faz do diagnóstico precoce o principal aliado para evitar complicações
como cirrose e câncer de fígado
A
maioria das pessoas associa doenças do fígado a sinais como pele e olhos
amarelados, dor abdominal ou fadiga intensa. No caso das hepatites virais,
porém, essa percepção pode atrasar o diagnóstico. Isso porque, especialmente
nas hepatites B e C, a infecção costuma evoluir de forma silenciosa durante
anos, permitindo que o vírus provoque lesões progressivas no fígado antes mesmo
do aparecimento dos primeiros sintomas.
O
tema ganha ainda mais importância durante o Julho Amarelo, campanha nacional de
conscientização sobre as hepatites virais. Segundo o Boletim Epidemiológico de
Hepatites Virais 2025, do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 826.292 casos
confirmados entre 2000 e 2024. No mesmo período, foram contabilizados 49.999
óbitos por causas básicas relacionadas às hepatites virais e 45.959 mortes em
que a doença esteve associada ao desfecho, reforçando que essas infecções
continuam representando um importante desafio para a saúde pública.
Segundo
a Maria Isabel de Moraes-Pinto, infectologista do Delboni e Lavoisier, marcas
da Dasa, líder em medicina diagnóstica no Brasil, o maior risco está justamente
no fato de a doença permanecer sem manifestações clínicas por longos períodos.
"As hepatites virais podem permanecer assintomáticas durante muitos anos.
Quando sintomas como icterícia, urina escura, náuseas ou fadiga aparecem, o
fígado já pode apresentar comprometimento importante. Por isso, não devemos
esperar o organismo dar sinais para investigar a doença quando há fatores de
risco ou indicação médica."
O diagnóstico começa antes dos sintomas
Como
as hepatites virais costumam evoluir silenciosamente, os exames laboratoriais
são fundamentais para identificar a infecção precocemente. Além de confirmar a
presença do vírus, eles permitem determinar qual tipo de hepatite está
presente, avaliar a atividade da doença, acompanhar sua evolução e fornecer
informações importantes para a definição do tratamento.
Segundo
Maria Isabel, muitos diagnósticos acontecem durante exames solicitados em
avaliações clínicas de rotina ou após investigação de alterações na função
hepática.
"O
diagnóstico precoce muda completamente o prognóstico da doença. Hoje dispomos
de exames capazes de identificar a infecção antes do surgimento dos sintomas,
além de caracterizar o vírus e avaliar o funcionamento do fígado. Essas
informações permitem ao médico definir o acompanhamento mais adequado para cada
paciente."
Entre
os exames disponíveis para investigação das hepatites estão:
Hepatite A
- Pesquisa de anticorpos Anti-HAV IgM;
- Pesquisa de anticorpos Anti-HAV IgG.
Hepatite B
- HBsAg;
- Anti-HBs;
- Anti-HBc total;
- HBeAg;
- Pesquisa de carga viral (HBV-DNA por PCR);
- Genotipagem do vírus da hepatite B.
Hepatite C
- Sorologia Anti-HCV;
- PCR qualitativo para HCV-RNA;
- PCR quantitativo (carga viral).
Hepatites E e G
- Pesquisa de anticorpos IgG e IgM;
- Detecção viral por PCR, quando indicada.
"Cada
exame responde a uma etapa da investigação. Alguns identificam o contato com o
vírus, outros confirmam se a infecção permanece ativa e há aqueles que
quantificam a carga viral ou caracterizam geneticamente o vírus. A combinação
dessas informações torna o diagnóstico mais preciso e possibilita um
acompanhamento individualizado”, explica a infectologista.
Diagnóstico precoce pode evitar complicações graves
Os
avanços da medicina transformaram o tratamento das hepatites virais nas últimas
décadas. A hepatite C, por exemplo, apresenta taxas de cura superiores a 95%
quando diagnosticada precocemente e tratada adequadamente. Já a hepatite B pode
ser controlada, reduzindo significativamente o risco de evolução para cirrose e
câncer de fígado.
Por
isso, especialistas reforçam que esperar o aparecimento dos sintomas pode
significar perder um tempo precioso para iniciar o tratamento.
Prevenção continua sendo essencial
Além
do diagnóstico precoce, a prevenção permanece como a estratégia mais eficaz
para reduzir novos casos. Segundo a Organização Mundial da Saúde, eliminar as
hepatites virais como problema de saúde pública até 2030 depende da ampliação
da prevenção, da vacinação e, principalmente, do diagnóstico precoce, capaz de
interromper a evolução silenciosa da doença antes que ela comprometa a saúde do
fígado.
Quem deve conversar com o médico sobre a realização
dos exames?
Embora
qualquer pessoa possa discutir a necessidade da investigação com seu médico, o
Ministério da Saúde recomenda atenção especial para alguns grupos que apresentam
maior risco de exposição ao vírus, entre eles:
- pessoas que receberam transfusão de sangue ou hemoderivados antes
de 1993;
- gestantes durante o pré-natal;
- profissionais da saúde;
- pessoas com múltiplos parceiros sexuais;
- pessoas que utilizam drogas injetáveis ou inaláveis;
- pessoas que realizaram tatuagens, piercings ou procedimentos estéticos sem garantia de biossegurança;
- pessoas com alterações persistentes nas enzimas hepáticas;
- pessoas com outros fatores de risco para hepatites virais.
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