Otorrinolaringologista
explica por que o problema pode aumentar nos dias secos e frios e quais sinais
merecem atenção médica
Com os dias mais frios e secos, é comum que algumas pessoas percebam aumento de sangramentos nasais. O problema, conhecido como epistaxe, muitas vezes está relacionado ao ressecamento da mucosa do nariz, que fica mais sensível e suscetível a pequenas fissuras e ao rompimento de vasos sanguíneos.
Segundo o Dr. Gustavo Meirelles, professor voluntário no Serviço de Otorrinolaringologia da Santa Casa de São Paulo e otorrinolaringologista na Clínica Dolci, em São Paulo, fatores como baixa umidade do ar, banhos muito quentes, ambientes fechados, uso de aquecedores e crises de rinite podem contribuir para o ressecamento nasal. “A parte interna do nariz é bastante vascularizada. Quando a mucosa fica ressecada ou irritada, pequenos vasos podem se romper com mais facilidade, especialmente após coçar o nariz, assoar com força ou manipular a região”, explica.
Na maioria das vezes, o sangramento nasal é autolimitado e não representa gravidade. Ainda assim, o especialista alerta que episódios repetidos, intensos ou associados a outros sintomas não devem ser banalizados. Sangramentos frequentes, em grande volume, que ocorrem sempre do mesmo lado, surgem após trauma ou são acompanhados de tontura, fraqueza, palidez ou dificuldade para respirar devem ser avaliados.
“Quando o sangramento é eventual e aparece em um contexto de ar seco ou rinite, geralmente pensamos primeiro em irritação e ressecamento. Mas, se ele se repete, demora a parar ou acontece sem motivo aparente, é importante investigar outras causas, como alterações locais no nariz, uso de medicamentos anticoagulantes, hipertensão, distúrbios de coagulação ou lesões nasais”, orienta o médico.
Durante um episódio de sangramento, a recomendação é manter a calma, sentar-se com o tronco levemente inclinado para frente e comprimir a parte mais macia do nariz por alguns minutos. Inclinar a cabeça para trás não é indicado, pois o sangue pode escorrer para a garganta e causar náusea ou vômito.
Para prevenir novos episódios, algumas medidas simples podem ajudar, como hidratar-se bem, evitar cutucar o nariz, não assoar com força, usar soro fisiológico quando indicado e manter os ambientes menos secos. Em casos de rinite, sinusite, obstrução nasal ou sangramentos recorrentes, a avaliação com otorrinolaringologista ajuda a identificar a causa e definir o tratamento adequado.
“O sangramento nasal no frio pode ser apenas consequência do ressecamento, mas a frequência, a intensidade e o contexto fazem diferença. Se o paciente sangra repetidamente ou tem dificuldade para controlar o episódio, vale procurar atendimento”, conclui Dr. Gustavo Meirelles.
Fonte
Dr. Gustavo Meirelles dos Santos - Otorrinolaringologista na Clínica Dolci Otorrinolaringologia e Cirurgia Estética Facial, em São Paulo. Graduado na PUC - São Paulo. Residência em Otorrinolaringologia na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Fellow em Rinologia na Santa Casa de São Paulo. Professor voluntário no Serviço de Otorrinolaringologia na Santa Casa de São Paulo.
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