Pesquisar no Blog

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Férias sem descanso: por que mais da metade dos brasileiros com diabetes não consegue relaxar no lazer e como a tecnologia pode mudar isso

 

Estudo revela que a carga mental do diabetes limita a liberdade no dia a dia dos brasileiros e destaca a necessidade de ferramentas preditivas para devolver a paz de espírito aos pacientes

 

Viajar sem roteiro rígido, aceitar um convite de última hora, passar o dia inteiro fora ou simplesmente relaxar sem preocupações. Para muitas pessoas, essas são experiências comuns das férias. Mas, para quem vive com diabetes, a realidade pode ser bastante diferente. Uma pesquisa internacional inédita, com participação do Brasil, conduzido pela GWI, empresa global focada em inteligência de mercado e insights de comportamento de consumidores, a pedido da Roche Diagnóstica, identificou um fenômeno chamado “lacuna da espontaneidade”: a distância entre querer viver momentos de forma livre e a necessidade constante de antecipar, calcular e reagir às demandas da condição. Na prática, isso significa que muitos pacientes vivem em estado permanente de vigilância, o que afeta diretamente sua qualidade de vida, especialmente em períodos de lazer.

 

Quando viajar exige planejamento constante

Os dados mostram que essa lacuna se traduz em limitações concretas. No Brasil, quase metade (48%) das pessoas com diabetes afirmam que a condição afeta negativamente viagens de lazer ou negócios. Entre pacientes com diabetes tipo 1, esse percentual sobe para 57%. 

A dificuldade de aproveitar o dia sem interrupções também é significativa: 56% dos brasileiros relatam que a doença impacta negativamente sua capacidade de passar o dia inteiro fora de casa, índice que chega a 65% entre pessoas com diabetes tipo 1. 

Quando o roteiro envolve atividade física, os desafios aumentam. Mais da metade (52%) dizem que a condição afeta sua participação em atividades físicas intensas, percentual que sobe para 68% no grupo com diabetes tipo 1.

 

O peso dos imprevistos e a perda da espontaneidade

Mas o impacto vai além da logística. A pesquisa mostra que a diabetes interfere diretamente na relação dos pacientes com o inesperado, justamente um dos pilares das férias. No Brasil, 65% afirmam que a condição afeta negativamente a confiança de que o dia seguinte acontecerá como planejado. Além disso, 46% relatam dificuldades para lidar com atrasos em refeições ou mudanças inesperadas na rotina, como trânsito ou imprevistos em viagens. 

“A diabetes exige uma tomada de decisão contínua. Não é apenas sobre medir glicemia ou administrar insulina, mas sobre prever cenários o tempo todo. Isso cria uma carga mental importante e reduz a capacidade de improvisar, que é justamente um elemento essencial para experiências de lazer e descanso”, explica Dr. André Vianna, endocrinologista e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).

 

Cansaço, sono comprometido e dificuldade de relaxar

Essa carga constante também se reflete no cansaço. Sete em cada dez brasileiros com diabetes (72%) dizem se sentir frequentemente cansados por causa da condição. Além disso, 57% relatam impacto negativo na qualidade do sono, enquanto 55% afirmam acordar sem se sentir descansados ou preparados para o dia seguinte. 

Até mesmo o aspecto social das férias pode ser afetado: 36% dos entrevistados dizem que a diabetes dificulta conhecer novas pessoas ou fazer novas amizades.

 

Tecnologia como aliada para recuperar a liberdade 

Para o Dr. Andre Vianna, esse cenário ajuda a explicar por que novas tecnologias têm ganhado relevância no cuidado. 

“Hoje, a tecnologia tem um papel fundamental para reduzir essa carga cognitiva. Ferramentas preditivas conseguem antecipar tendências glicêmicas e oferecer mais segurança para o paciente. Isso significa menos tempo fazendo cálculos e mais tempo vivendo. Na prática, é uma forma de devolver autonomia, tranquilidade e espontaneidade”, afirma. 

A percepção dos próprios pacientes reforça esse movimento: nove em cada dez brasileiros com diabetes afirmam que dariam muito valor a ferramentas capazes de prever episódios de hipo ou hiperglicemia antes que eles aconteçam. 

Sistemas baseados em IA já conseguem prever níveis de glicose com até duas horas de antecedência durante o dia e até sete horas durante o sono¹. Para especialistas, esse avanço pode representar uma mudança importante na experiência de viver com diabetes, inclusive nas férias: menos reatividade, menos exaustão e mais liberdade para aproveitar o momento. 

 

*Sobre a pesquisa do GWI com a Roche Diagnóstica

A pesquisa é baseada em dados de um estudo conduzido pela GWI, encomendado pela Roche, em setembro de 2025, que explorou percepções sobre o diabetes, a vida com a doença e as ferramentas de manejo. O estudo ouviu 4.326 pessoas com diabetes, com 16 anos ou mais, em nível global, como parte de uma pesquisa mais ampla com 16.310 usuários de internet em 22 países. Os mercados incluídos são Austrália, Áustria, Bélgica, Brasil, Chile, Croácia, República Tcheca, Dinamarca, Alemanha, Hong Kong, Índia, Japão, Kuwait, Países Baixos, Polônia, Portugal, Romênia, Arábia Saudita, África do Sul, Espanha, Turquia e Reino Unido. Os dados completos sobre o Brasil podem ser acessados neste link. 



1. HERRERO, P.; ANDORRÀ, M.; BABION, N.; BOS, H.; KOEHLER, M.; KLOPFENSTEIN, Y.; LEPPÄAHO, E.; LUSTENBERGER, P.; PEAK, A.; RINGEMANN, C.; GLATZER, T. Enhancing the Capabilities of Continuous Glucose Monitoring With a Predictive App. Journal of Diabetes Science and Technology, [S. l.], v. 18, n. 5, p. 1014-1026, set. 2024. Disponível em:
 Link. Acesso em: 13 jul. 2026.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados