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quinta-feira, 30 de julho de 2026

Crianças e adolescentes com HIV: o que mostram novos dados de cinco anos com B/F/TAF

Após cinco anos de acompanhamento, 88 dos 89 participantes com exames disponíveis (98,9%) mantiveram a carga viral abaixo de 50 cópias/mL. O estudo não observou impacto negativo sobre crescimento, altura, peso ou índice de massa corporal (IMC).

 

Sobre o estudo

Long-term efficacy and safety of bictegravir/emtricitabine/tenofovir alafenamide (B/F/TAF) in children and adolescents with HIV-1 aged 2 to <18 years.>
 

O estudo incluiu 122 crianças e adolescentes de 2 a menos de 18 anos, com peso a partir de 14 kg e carga viral já controlada antes da mudança para B/F/TAF. Os participantes foram acompanhados em 25 centros nos Estados Unidos, África do Sul, Tailândia e Uganda. 

A análise apresentada no congresso avaliou a manutenção da supressão viral, a contagem de células CD4, a segurança e os parâmetros de crescimento até a semana 240. O tratamento foi administrado em combinação de dose fixa, em um comprimido uma vez ao dia, com apresentação definida pelo peso.
 

Principais dados:

Dado

O que significa

122

Número total de crianças e adolescentes incluídos nas três faixas de idade e peso.

240 semanas

Período principal da nova análise, equivalente a aproximadamente cinco anos de acompanhamento.

88 de 89

Participantes com exames disponíveis na semana 240 que mantiveram carga viral abaixo de 50 cópias/mL (98,9%).

33/33 e 38/38

Todos os participantes avaliados nos grupos de 12 a menos de 18 anos e de 6 a menos de 12 anos mantiveram supressão viral.

17 de 18

Resultado no grupo de menor peso, que reuniu crianças a partir de 2 anos: 94,4% mantiveram carga viral controlada.

3 de 122

Participantes que interromperam o tratamento por eventos adversos durante o acompanhamento; não surgiram novas questões de segurança.


Mensagens-chave dos novos resultados:

Controle viral sustentado: Quase 99% dos participantes com resultados disponíveis na semana 240 mantiveram carga viral abaixo de 50 cópias/mL, após aproximadamente cinco anos de tratamento.
 

Resultados consistentes entre faixas etárias: A supressão viral foi mantida em 100% dos participantes avaliados nos dois grupos de maior idade e em 94,4% no grupo de menor peso.
 

Estabilidade das células de defesa: A contagem absoluta e a proporção de células CD4 permaneceram estáveis e dentro das variações fisiológicas esperadas nas três coortes.
 

Crescimento acompanhado ao longo do tempo: Os indicadores de peso, altura e IMC acompanharam as mudanças esperadas para cada idade, sem impacto negativo observado sobre o crescimento.
 

O que os resultados significam para o cuidado:

Tratamento que atravessa diferentes fases da vida: Crianças que vivem com HIV podem utilizar terapia antirretroviral por décadas. Por isso, manter o vírus controlado por vários anos é um resultado relevante para o planejamento do cuidado até a adolescência e a vida adulta.
 

Crescimento é um desfecho clínico central: Na população pediátrica, a avaliação não se limita à carga viral. Peso, altura, IMC e desenvolvimento precisam ser acompanhados continuamente, especialmente durante períodos de rápida mudança corporal.
 

Menos opções completas do que para adultos: Crianças e adolescentes dispõem de menos combinações de dose fixa em um único comprimido. O estudo avaliou B/F/TAF como tratamento completo, administrado uma vez ao dia e ajustado à faixa de peso.
 

Segurança observada no longo prazo: Apesar de eventos de saúde terem sido registrados durante o acompanhamento, as interrupções por eventos adversos foram pouco frequentes e os pesquisadores não identificaram novas questões de segurança.
 

Como interpretar a eficácia: Os participantes já apresentavam carga viral controlada antes de iniciar B/F/TAF. Assim, o estudo demonstra principalmente a manutenção da supressão, e não o início do tratamento em crianças com carga viral detectável.
 

Relevância para o Brasil

A combinação B/F/TAF foi incorporada ao SUS em 2025 para o tratamento de pessoas vivendo com HIV, conforme os critérios definidos pelo protocolo do Ministério da Saúde. A decisão contempla população pediátrica a partir de 6 anos e com peso de pelo menos 25 kg. Os dados apresentados no AIDS 2026 ampliam a evidência de longo prazo sobre manutenção do controle viral, segurança e crescimento em crianças e adolescentes.

 

Em síntese: os novos resultados mostram que B/F/TAF manteve altos níveis de supressão viral e estabilidade imunológica por aproximadamente cinco anos, sem impacto negativo observado sobre o crescimento. O estudo reforça a importância de evidências pediátricas de longo prazo, embora tenha avaliado participantes que já estavam com o vírus controlado.

 


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