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Para
algumas crianças, o caminho até um diagnóstico pode envolver anos de consultas,
exames e tentativas de identificar a causa de sintomas que não têm uma
explicação clara. Em muitos desses casos, a resposta pode estar no DNA:
variações genéticas específicas podem revelar a origem de uma condição e mudar
completamente a forma como o paciente será acompanhado e tratado.
A
evolução das tecnologias de sequenciamento genético tem ampliado o papel da
genética na medicina pediátrica. Em vez de investigar apenas sinais clínicos,
os médicos conseguem analisar informações presentes no genoma para identificar
mudanças associadas a doenças, incluindo condições raras e alguns tipos de
câncer infantil.
Os
avanços nas tecnologias de sequenciamento genético ajudam a explicar esse
cenário. Hoje, além da avaliação clínica, os médicos conseguem analisar o
genoma para identificar alterações associadas a doenças raras e alguns tipos de
câncer infantil, ampliando as possibilidades de diagnóstico e de definição da
conduta terapêutica.
Uma
revisão publicada em 2024 na revista NPJ Genomic Medicine avaliou o uso do sequenciamento de genoma como ferramenta
diagnóstica inicial para doenças genéticas raras e destacou que a estratégia
pode reduzir a chamada “jornada diagnóstica”, período em que pacientes passam
por diferentes investigações até obter uma resposta. O estudo reforça que o
acesso mais precoce à informação genética pode contribuir para decisões
clínicas mais rápidas e direcionadas.
Para o
médico geneticista da Centogene, Dr. Paulo Zattar, a principal transformação
está em conseguir compreender a causa da doença para além dos sintomas.
“Durante
muito tempo, muitas crianças com condições genéticas passaram por uma longa
investigação porque diferentes doenças podem apresentar manifestações
semelhantes. A genética permite identificar a origem desses quadros e oferecer
informações que ajudam a direcionar o cuidado de forma mais precisa”, afirma.
Da
descoberta da alteração genética à decisão terapêutica
A
informação genética pode ter impacto direto na conduta médica. Em algumas
condições, identificar uma alteração específica permite escolher tratamentos
direcionados, acompanhar riscos associados e orientar decisões para toda a
família.
Na
oncologia pediátrica, por exemplo, o perfil molecular dos tumores tem ganhado
espaço para complementar a classificação tradicional baseada apenas no tipo e
localização da doença. Um estudo apresentado na ASCO
em 2023 avaliou o uso de perfilhamento genômico
abrangente em tumores pediátricos de alto risco e reforçou o potencial da
identificação de alterações moleculares para auxiliar no planejamento
terapêutico individualizado.
Além
disso, pesquisas recentes mostram que mesmo dentro de um mesmo diagnóstico
podem existir diferenças genéticas importantes entre pacientes, influenciando o
comportamento da doença e resposta aos tratamentos.
“Quando
encontramos uma alteração genética relevante, essa informação deixa de ser
apenas um dado de laboratório. Ela pode ajudar a explicar o que está
acontecendo com aquela criança, orientar o acompanhamento médico e, em alguns
casos, abrir caminhos para terapias específicas”, explica Zattar.
O
avanço da medicina genômica também tem ampliado a compreensão sobre doenças
raras na infância. Estudos recentes destacam que tecnologias como o sequenciamento de exoma e
genoma têm transformado a investigação de pacientes pediátricos ao aumentar a
capacidade de identificar alterações que antes poderiam permanecer
desconhecidas.
Para o
especialista, o futuro da medicina pediátrica passa por integrar cada vez mais
a informação genética à prática clínica.
“A
genética não substitui a avaliação médica, mas acrescenta uma camada de
informação que pode mudar a forma como enxergamos uma doença. Quanto mais cedo
entendemos a causa, maior é a possibilidade de oferecer um cuidado mais
adequado para cada criança”, conclui.
CENTOGENE

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