Relatório do Unicef aponta que quase metade das crianças do mundo está exposta a pelo menos três riscos climáticos; no Colégio Farias Brito, projetos desenvolvidos desde o berçário buscam formar consciência e compromisso com a sustentabilidade.
Quase metade das crianças e adolescentes do mundo está exposta a
pelo menos três riscos climáticos. São cerca de 1,1 bilhão de pessoas. Além
disso, quase todas as crianças do planeta enfrentam ao menos uma ameaça
climática. E mais de 4 milhões de meninos e meninas podem estar expostos a até
seis ameaças climáticas simultaneamente.
No Brasil, 16 milhões de crianças e adolescentes convivem com três ou mais riscos climáticos, como ondas de calor e secas, o equivalente a três em cada dez meninos e meninas. Quando considerados dois ou mais riscos climáticos, esse número ultrapassa 30 milhões, o que representa seis em cada dez crianças e adolescentes brasileiros.
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| Salas do Colégio Farias Brito foram pensadas com base em princípios de arquitetura sustentável. FBTV/Divulgação |
Os dados são do Relatório de Risco Climático das Crianças 2026, divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
O estudo também mostra que mais de 2,3 bilhões de crianças no mundo estão expostas à poluição do ar e 1,5 bilhão enfrentam ondas de calor. Os números evidenciam que a crise climática já afeta diretamente a infância e reforçam a importância da educação ambiental como instrumento de conscientização e preparação das novas gerações para os desafios do século XXI.
Em meio a esse cenário, cresce a percepção de que a educação ambiental deve fazer parte da formação das crianças desde os primeiros anos de vida, com experiências práticas, contato com a natureza e projetos pedagógicos voltados à sustentabilidade. É a avaliação da supervisora pedagógica geral da Educação Infantil e dos Anos Iniciais do Ensino.
Fundamental do Colégio Farias Brito, Ieda Vasconcelos. Para ela, a construção da consciência ambiental precisa começar ainda na primeira infância, período em que valores, hábitos e comportamentos são mais facilmente assimilados.
"A gente vem fazendo isso, posso dizer que há décadas, porque o FB é uma escola verde. A gente tem muito forte essa ideia de preservação ambiental, de criar essa consciência nas crianças desde a primeiríssima infância, que é idade das crianças do FB Baby, do Berçário aos três anos. Há quem possa dizer que as crianças não entendem essa ideia de preservação. Entendem e têm um potencial enorme de influenciar os adultos para uma mudança de atitude", afirma Iêda.
A educadora destaca que a proposta vai além do contato com áreas verdes. As crianças, relata Iêda, são incentivadas a refletir sobre consumo consciente, descarte correto de resíduos, preservação dos espaços públicos e responsabilidade coletiva.
"Sem a consciência de um
consumo responsável, não temos a formação de novas consciências de proteção
ambiental. Em nossa feira de ciências, trabalhamos o tema ‘Cidades e Oceano em
Harmonia com a Natureza’, porque o projeto de urbanização massivo distanciou as
pessoas e as crianças passaram a ter uma vida tão acelerada quanto os adultos.
A gente precisa fazer as crianças pensarem sobre as atitudes e olharem também
para as atitudes dos adultos", explica a supervisora. Ao longo da Educação
Infantil, os estudantes participam de projetos especialmente elaborados para
desenvolver a consciência ecológica de forma adequada a cada faixa etária.
Entre eles está o projeto "Água Cheia de Vida",
destinado a crianças de 3 anos, que estimula a compreensão da importância da
água e do uso sustentável dos recursos naturais. Na mesma etapa, o projeto
"Descobertas no Jardim" aproxima os alunos da biodiversidade presente
em jardins e espaços verdes, incentivando formas respeitosas de convivência com
plantas e pequenos animais.
Na faixa dos 5 anos, os projetos "Planeta Terra, Nossa Casa!" e "O Mundo que Queremos!" estimulam reflexões sobre preservação ambiental, cidadania e construção de um futuro mais sustentável. As crianças são incentivadas a observar problemas ambientais, formular hipóteses, propor soluções e mobilizar familiares e comunidade escolar em torno de práticas mais responsáveis.
Para Ieda Vasconcelos, experiências
como essas ajudam a ampliar o olhar das crianças sobre o mundo. "Vivemos
em cidades onde a infância está cada vez mais restrita aos ambientes fechados.
Por isso, buscamos proporcionar vivências que aproximem as crianças da
natureza, dos espaços públicos e da realidade ambiental que as cerca. Queremos
que elas compreendam que suas escolhas têm impacto no presente e no futuro do
planeta", conclui.



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