Educadores explicam como o brincar estimula criatividade, autonomia,
linguagem e habilidades socioemocionais
Com o tema “A Potência dos Encontros”, a Semana Mundial do Brincar
será realizada de 23 a 31 de maio, uma iniciativa global que mobiliza escolas,
famílias, organizações sociais e espaços públicos em torno de atividades
lúdicas e reflexões sobre a infância. Em um mundo cada vez mais acelerado,
digital e repleto de estímulos, garantir tempo e espaço para que as crianças
brinquem é essencial para o desenvolvimento do indivíduo.
A semana é celebrada tradicionalmente no final do mês de maio,
associada ao dia 28 de maio, data que marca o Dia Internacional do Brincar e é
usada como marco para mobilizações em diversos países. A iniciativa foi criada
em 1999 pela organização International Play Association (IPA), e é promovida no
Brasil desde 2010 pela Aliança pela Infância.
Mais do que uma forma de entretenimento, o brincar é reconhecido
como um direito fundamental: está previsto no artigo 31 da Convenção sobre os
Direitos da Criança, da Organização das Nações Unidas (ONU), que assegura à
criança o direito ao descanso, ao lazer e às brincadeiras; e também no Estatuto
da Criança e do Adolescente (ECA) do Brasil, que garante o direito à liberdade,
ao respeito e à convivência comunitária, incluindo o brincar como parte
essencial do desenvolvimento saudável.
Por que brincar é importante?
Mais do que entretenimento, brincar é uma ferramenta fundamental
de aprendizagem. Segundo Jacqueline Cappellano, psicopedagoga e coordenadora da Educação
Infantil da Escola Internacional de Alphaville – EIA, de Barueri (SP), é por meio das
brincadeiras que a criança experimenta o mundo, desenvolve a imaginação,
exercita a linguagem, aprende a lidar com regras, frustrações e desafios; além
de fortalecer vínculos afetivos e competências socioemocionais como empatia,
cooperação e resiliência.
Segundo a educadora, o brincar promove engajamento ativo, e a
atenção focada na brincadeira fixa o aprendizado na memória de longo prazo,
permitindo que se crie um ambiente seguro para testar hipóteses e recalcular
estratégias. “Ao brincar, a criança organiza o pensamento, cria hipóteses,
testa soluções e desenvolve habilidades cognitivas importantes, como atenção,
memória e raciocínio lógico. É uma forma natural e potente de aprender”, diz
Jacqueline.
Além disso, o brincar favorece a resolução de problemas, como, por
exemplo, ao brincar com blocos ou criar regras; as tarefas dentro da
brincadeira também exigem planejamento prático imediato, e os estímulos lúdicos
aceleram a criação de novas conexões sinápticas.
Cláudia Andreazza, coordenadora pedagógica do
colégio Progresso Bilíngue, de Itu (SP),
acrescenta que além dos impactos cognitivos, a brincadeira também é decisiva
para a saúde emocional. Em jogos simbólicos, faz de conta ou brincadeiras
coletivas, a criança expressa sentimentos, elabora experiências e aprende a
conviver em grupo. É como se a brincadeira fosse a ‘linguagem da infância’.
“É brincando que a criança comunica emoções,
reproduz situações do cotidiano e encontra formas de compreender o mundo ao seu
redor. Esse processo contribui diretamente para o desenvolvimento
socioemocional”, afirma Cláudia.
Excesso de telas deve ser evitado
Para Renata Alonso, coordenadora
pedagógica da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo (SP), em um cenário
marcado pelo uso cada vez mais precoce e intenso de dispositivos eletrônicos,
promover momentos de desconexão das telas é uma necessidade urgente para
garantir o desenvolvimento saudável na infância.
“Famílias e escolas já têm sentido, na prática, os impactos do
excesso de exposição às telas no dia a dia das crianças. Entre os sinais mais
percebidos estão a dificuldade de concentração, a irritabilidade, a menor
tolerância à frustração, atrasos no desenvolvimento da linguagem, prejuízos na
socialização e até mais resistência para participar de atividades que exigem
interação, movimento ou criatividade”, afirma Renata.
Segundo a educadora, embora a tecnologia possa ter seu espaço de
forma equilibrada e mediada, o excesso de estímulos digitais pode limitar
experiências fundamentais para a criança, como explorar o ambiente, interagir
presencialmente e exercitar a criatividade. “Nesse contexto, resgatar o brincar
livre é essencial. É a partir do faz de conta que a criança elabora
sentimentos, expressa emoções e organiza sua compreensão sobre o mundo de forma
simbólica e segura”, destaca a especialista.
Família e escolas devem estimular o brincar
Para Beatriz Martins, coordenadora
pedagógica do Brazilian International School – BIS, de São Paulo (SP), garantir o direito
de brincar passa pela participação ativa dos adultos e o compromisso das
escolas em criar oportunidades reais para que a brincadeira faça parte da
rotina infantil.
“Em meio à correria do dia a dia e ao excesso de compromissos, as
crianças têm pouco tempo para brincar livremente e menos momentos de conexão
genuína com os adultos. Por isso, é fundamental que pais, responsáveis e
educadores reconheçam o brincar como uma necessidade do desenvolvimento, e não
como um passatempo ou atividade secundária”.
É preciso separar um momento de qualidade para brincar com a
criança, com presença e atenção reais. “Quando o adulto participa da
brincadeira, ele estimula a linguagem, a criatividade, a segurança emocional e
a socialização. Além disso, o ato de brincar com a criança fortalece vínculos
afetivos, amplia a escuta e cria memórias importantes para a infância”, diz.
Na escola, afirma a docente, o brincar deve ser valorizado como
parte da proposta pedagógica, não apenas no recreio, mas como ferramenta de
aprendizagem, descoberta e desenvolvimento socioemocional. “Quando família e
escola caminham juntas nesse incentivo, contribuem para uma infância mais
saudável, equilibrada e rica em experiências”, afirma Beatriz.
Beatriz Martins Perpetuo - educadora com mais de 30 anos de atuação na educação, sendo 18 deles em funções de liderança pedagógica, formando equipes, projetos e — principalmente — pessoas. Possui licenciatura plena pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduação pelo Instituto Singularidades. Atualmente atua como coordenadora pedagógica no Colégio BIS.
Claudia Andreazza - pedagoga, pós-graduada em docência da Língua Inglesa, com 16 anos de experiência em Educação, atuando dentro e fora da sala de aula. Atualmente é coordenadora bilíngue do Kindergarten e Elementary School no colégio Progresso Bilíngue Itu.
Jacqueline Cappellano - pedagoga, pós-graduada em Bilinguismo e Psicopedagogia coordenadora da Educação Infantil da Escola Internacional de Alphaville. É uma grande entusiasta da Educação Bilíngue e fascinada pelo universo da educação infantil. Enxerga no intercâmbio entre ideias e culturas, um caminho para a paz entre os povos.
Renata Alonso - formada em Pedagogia e pós-graduada em Psicomotricidade, com mais de 15 anos de experiência em educação bilíngue. Sua grande paixão são as crianças bem pequenas, e seus estudos são voltados à primeira infância, crianças de 0 a 3 anos. Com um olhar atento ao desenvolvimento integral dos pequenos, Renata acredita que essa fase da vida é crucial para a formação de indivíduos seguros, criativos e capazes de se expressar com confiança. Seu trabalho visa proporcionar um ambiente acolhedor e estimulante para o aprendizado, sempre com foco no cuidado e no afeto.
International Schools Partnership – ISP
Para mais informações, acesse o site.

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