Entenda
como o autoconhecimento e a neurociência auxiliam mães gestoras a construírem
uma autoridade baseada na eficiência, sem abrir mão da saúde emocional.
Um levantamento realizado pela Kiddle Pass em parceria com a B2Mamy aponta que 90% das mães no Brasil apresentam sintomas de burnout materno e quando esse recorte inclui mulheres em posição de liderança, o peso se multiplica. Reuniões, metas, demissões, conflitos de equipe e, ao mesmo tempo, a escola, a culpa da ausência e a pergunta silenciosa que não sai da cabeça: estou falhando em algum lugar? É nesse ponto de pressão que a demanda por mentorias voltadas à gestoras-mães disparou nos últimos anos, revelando um mercado que até pouco tempo ignorava essa intersecção entre maternidade e poder.
"A maioria das mulheres que chegam até a gente não tem problema de competência. Elas já lideram bem. O que as paralisa é uma narrativa interna que diz que elas precisam provar o tempo todo que merecem estar ali, e que a qualquer hora tudo vai desabar", afirma Camila Macedo Dias, CEO da Sinapse Educação Corporativa. A empresa, especializada em desenvolvimento humano com base em neurociência aplicada, tem registrado aumento expressivo na busca por programas voltados a mulheres que acumulam a gestão de equipes e a criação de filhos, perfil que, segundo a executiva, chegava antes de forma isolada e hoje representa uma demanda estruturada dentro das organizações.
A neurociência entra nesse processo como ferramenta de desconstrução. Compreender como o cérebro responde ao estresse crônico, ao julgamento social e à sobrecarga de papéis ajuda essas profissionais a saírem do ciclo de reatividade e agirem com mais intencionalidade. "Quando a líder entende o que está acontecendo com ela biologicamente, ela para de se julgar por estar exausta. E aí abre espaço para construir estratégias reais, não apenas empurrar o problema para debaixo do tapete", explica.
Um dos padrões mais recorrentes observados nas mentorias é o que os profissionais do campo chamam de síndrome do perfeccionismo compensatório, a gestora que trabalha mais para justificar os momentos em que está com os filhos, e fica com os filhos sentindo que deveria estar trabalhando. O resultado é uma exaustão que não vem do excesso de tarefas, mas do excesso de julgamento de si mesma. "Ninguém aguenta liderar a longo prazo operando no modo culpa. A culpa consome energia cognitiva que deveria estar sendo usada em decisão, criatividade, presença. É um vazamento silencioso de performance", diz a CEO.
A construção de autoridade sem rigidez é outro eixo central nesses processos. Mulheres com filhos costumam enfrentar uma armadilha dupla no ambiente corporativo: se forem firmes demais, são chamadas de frias; se demonstrarem afeto, têm a liderança questionada. A saída, segundo a abordagem desenvolvida pela Sinapse, passa pelo autoconhecimento, saber quais são os valores que sustentam as decisões e ter clareza suficiente para comunicá-los sem pedir desculpas. "Autoridade de verdade não é volume de voz. É consistência. E consistência se constrói quando a pessoa sabe quem ela é fora do cargo", define.
O movimento que se desenha no mercado
aponta para uma mudança de mentalidade nas próprias empresas. Organizações que
antes tratavam a maternidade como uma questão privada e, muitas vezes, como um
risco ao plano de carreira, começam a perceber que ignorar esse tema tem custo:
turnover, afastamentos por burnout e perda de talentos em posições
estratégicas. Investir no desenvolvimento de líderes que também são mães deixou
de ser pauta de diversidade para se tornar inteligência de negócio.
Fonte: Camila Macedo Dias - CEO Sinapse Educação Corporativa
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