O cérebro associa cheiros a memórias afetivas e determinados aromas conseguem nos transportar para Copas passadas em questão de segundos
Basta
sentir o cheiro de café recém-passado, de churrasco sendo preparado ou de pipoca
estourando para que muitas pessoas sejam imediatamente transportadas para outra
época. Uma sala cheia de familiares, amigos reunidos em frente à televisão,
comemorações, gritos de gol e até lembranças de Copas do Mundo que aconteceram
há décadas podem surgir quase instantaneamente.
Mas
por que isso acontece?
Segundo
a neurocientista e aromaterapeuta Daiana Petry, o olfato possui uma relação
única com a memória e as emoções, sendo capaz de acessar lembranças de forma
muito mais rápida do que imagens ou sons.
"Quando
pensamos em uma Copa do Mundo, geralmente lembramos dos jogos, dos gols e dos
jogadores. Mas o cérebro registra muito mais do que isso. Ele também guarda os
cheiros, as emoções e todo o contexto social que estava presente naquele
momento", explica.
O teste que surpreende qualquer pessoa
Daiana
sugere um experimento simples que pode ser feito em casa. A dinâmica consiste
em apresentar aromas muito comuns durante transmissões esportivas, como:
- Café;
- Churrasco;
- Pipoca.
A
pergunta é simples: "O que esse cheiro lembra?"
Muitas
pessoas relatam imediatamente:
- Reuniões de família;
- Jogos de futebol;
- Amigos reunidos;
- Comemorações;
- Infância;
- Copas do Mundo passadas;
- Finais de campeonato.
"O
aroma sozinho consegue ativar memórias armazenadas junto com as emoções vividas
naquele contexto", afirma a especialista.
O cérebro registra experiências completas pelo cheiro
A
explicação está na forma como o cérebro organiza as memórias.
Ao
contrário do que muitos imaginam, o cérebro não arquiva apenas imagens ou fatos
isolados. Cada experiência é armazenada como um conjunto de informações que
inclui emoções, sons, pessoas presentes, ambiente e até os cheiros daquele
momento.
"Quando
sentimos novamente um aroma associado a uma experiência marcante, o cérebro
acessa todo aquele pacote de memórias. É como abrir uma gaveta que guarda
emoções, imagens e sensações vividas anos atrás", explica Daiana.
O olfato tem uma ligação direta com o cérebro emocional
Essa
capacidade acontece porque o sistema olfatório possui conexões diretas com
estruturas cerebrais fundamentais para a memória e as emoções, como o hipocampo
e a amígdala cerebral.
Enquanto
informações visuais e auditivas passam por diversas etapas de processamento, os
estímulos olfativos chegam rapidamente às regiões responsáveis pelas respostas
emocionais.
"É por isso que um cheiro pode provocar arrepios, nostalgia, alegria ou conforto em questão de segundos. O cérebro responde ao aroma antes mesmo de fazermos uma análise consciente daquilo que estamos sentindo", finaliza.
Daiana Petry - Aromaterapeuta, perfumista botânica, naturóloga e especialista em neurociência. Professora dos cursos de formação em aromaterapia, perfumaria botânica e psicoaromaterapia. Autora dos livros: Psicoaromaterapia, Cosméticos sólidos e Maquiagem ecoessencial. Fundadora da Harmonie Aromaterapia.
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@daianagpetry
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