Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO) em Cartório completa dois anos, registra crescimento contínuo nas solicitações e amplia acesso da população à manifestação formal de vontade para doação de órgãos. Cerca de 48 mil pessoas aguardam em filas para transplantes
Quase 30 mil brasileiros já formalizaram digitalmente o desejo de doar órgãos
no país enquanto mais de 48 mil pessoas aguardam atualmente por um transplante
no Brasil. Criada há dois anos pelos Cartórios de Notas e regulamentada
nacionalmente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a Autorização Eletrônica
de Doação de Órgãos (AEDO) vem ampliando o acesso da população à autorização
oficial para doação e fortalecendo a cultura da doação no país.
Desde seu lançamento, a plataforma já contabiliza 29.745 manifestações formais de intenção de doação de órgãos realizadas de forma totalmente eletrônica. O crescimento das solicitações demonstra a consolidação da ferramenta como um importante instrumento de apoio ao sistema nacional de transplantes e de conscientização sobre a importância da doação de órgãos no país.
Somente em 2024, primeiro ano completo de funcionamento da AEDO, foram registradas 18.659 solicitações. Em 2025, outras 8.886 manifestações foram realizadas pela plataforma. Já em 2026, até o início de maio, o sistema soma mais 2.200 autorizações eletrônicas, mantendo o ritmo de adesão da população ao serviço.
Os números ganham ainda mais relevância diante da realidade enfrentada pelo sistema de transplantes brasileiro. Dados do Ministério da Saúde apontam que mais de 48 mil pessoas aguardam atualmente por um transplante de órgão no Brasil. Apenas em 2026, mais de 3 mil transplantes já foram realizados no país, dando sequência ao crescimento observado nos últimos anos. Entre os mais frequentes estão os de rim e fígado, que seguem concentrando a maior demanda nacional.
“A Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos representa um avanço importante ao permitir que a população manifeste oficialmente sua vontade de forma simples, segura e totalmente digital”, afirma Eduardo Calais. “Ao longo desses dois anos, a AEDO se consolidou como uma ferramenta de cidadania, conscientização e apoio direto à política pública de transplantes no Brasil, uma vez que a conversa que antes era somente familiar agora pode ser formalizada oficialmente pela internet”, completa.
Criada pelo Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal (CNB/CF), por meio da plataforma e-Notariado, e regulamentada nacionalmente pelo CNJ por meio do Provimento nº 164/2014, a AEDO permite que qualquer cidadão realize gratuitamente sua autorização de doação de órgãos pela internet, com validação jurídica realizada pelos Cartórios de Notas.
Além do avanço tecnológico, iniciativas legislativas também passaram a
incentivar a adesão ao sistema. No Paraná, por exemplo, a Lei nº 22.618/2025
passou a garantir benefícios como meia-entrada em eventos culturais e
esportivos para doadores cadastrados na AEDO.
Como funciona a AEDO
O processo é
totalmente digital e realizado por meio da plataforma e-Notariado. O
interessado acessa o portal oficial da AEDO, solicita gratuitamente um
Certificado Digital Notarizado, realiza uma videoconferência com um tabelião de
notas e assina eletronicamente o documento indicando quais órgãos deseja doar.
A autorização
passa a integrar automaticamente a Central Nacional de Doadores de Órgãos,
podendo ser consultada por profissionais autorizados do Sistema Nacional de
Transplantes. O documento pode ser revogado a qualquer momento pelo cidadão.
Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal (CNB/CF)
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