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A ansiedade em relação ao futuro atinge
78,5% dos jovens brasileiros, segundo pesquisa de 2025 do movimento global
Teach the Future Brasil (TTF), com 689 entrevistados entre 18 e 28 anos. Esse
cenário de incerteza também se reflete na preparação para vestibulares e no
medo de não corresponder às expectativas. Para Paulo Rota, mestre
em Educação e Tecnologia no Programa de Tecnologias da Inteligência e Design
Digital (TIDD), da Pós-Graduação da PUC-SP
e coordenador-geral e pedagógico do Ensino Médio da Escola Gracinha, em São
Paulo, nesse contexto, os simulados ganham destaque ao aproximar o
estudante do formato das provas e reduzir a insegurança diante das avaliações.
Paulo comenta que, nesse sentido, a
aplicação dos simulados precisa ocorrer de forma estruturada ao longo de todo o
ano letivo. “Os simulados no Gracinha, por exemplo, acontecem de modo
sistemático. Há modalidades principais, como os realizados em parceria com
grupos de ensino especializados na preparação para vestibulares de alta
complexidade e os internos”, explica. Segundo ele, as séries do Ensino Médio
oferecem essas atividades, que também alcançam alunos do 9º ano, ampliando o
contato precoce com o modelo dos exames externos.
O objetivo central é preparar o
estudante para vestibulares e avaliações nacionais, ao apresentar o formato das
provas, o tempo de duração, o número de questões, o preenchimento do
cartão-resposta e a redação. “Tudo isso ajuda o aluno a simular uma situação
real que futuramente vai enfrentar”, afirma. No dia do simulado, os
participantes cumprem o tempo mínimo exigido por exames como Enem e Fuvest,
permanecem sem acesso ao celular e lidam com a pressão de resolver a prova
completa, como fariam em uma situação oficial.
“Outro ponto importante é que permite
ao aluno fazer um diagnóstico, um autodiagnóstico inclusive, do que precisa
melhorar”, completa Paulo. A partir dos resultados, os estudantes identificam
lacunas, ajustam rotinas e constroem estratégias.
Diferenças entre
avaliações
Há também distinções em relação às
avaliações regulares. Os simulados são exames externos e, portanto, incluem
conteúdos que não estão necessariamente sendo trabalhados naquele momento. Ao
contrário das provas internas, que acompanham o ritmo do componente curricular,
esse formato expõe o aluno a questões já estudadas e a temas ainda não vistos,
reproduzindo a lógica dos vestibulares.
O aspecto emocional é outro eixo
destacado. “É muito importante esse treinamento emocional e psicológico dos
simulados para tratar a ansiedade, o cansaço, a pressão e a falta de
concentração”, afirma. Estratégias como começar pelas questões mais fáceis,
administrar o tempo e manter a calma são trabalhadas ao longo do processo. “É
comum alunos começarem a primeira série do Médio sem bons resultados no
simulado e terminarem a terceira série com desempenho acima da média”, observa.
Os exercícios também contribuem para a
compreensão das diferentes bancas. Paulo explica que as provas variam entre si,
como Fuvest e Enem. Algumas avaliações são mais conteudistas, enquanto outras
exigem leitura interdisciplinar e interpretação contextualizada, o que demanda
flexibilidade do estudante.
Ainda entre os desafios, a redação
exige atenção especial. “É preciso administrar o tempo no dia em que há
redação, revisar o cartão-resposta, se certificar de que não há rasuras e
reservar um tempo adequado para a elaboração”, conclui. Para ele, a combinação
entre prática, estratégia e equilíbrio emocional sustenta um desempenho consistente
ao longo da trajetória escolar.

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