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segunda-feira, 13 de abril de 2026

Simulados ganham espaço como estratégia contra ansiedade de estudantes

Pixbay - Andy Barbour
Com 78,5% dos jovens ansiosos com o futuro, escolas ampliam uso de provas-treino para vestibulares

 

A ansiedade em relação ao futuro atinge 78,5% dos jovens brasileiros, segundo pesquisa de 2025 do movimento global Teach the Future Brasil (TTF), com 689 entrevistados entre 18 e 28 anos. Esse cenário de incerteza também se reflete na preparação para vestibulares e no medo de não corresponder às expectativas. Para Paulo Rota, mestre em Educação e Tecnologia no Programa de Tecnologias da Inteligência e Design Digital (TIDD), da Pós-Graduação da PUC-SP e coordenador-geral e pedagógico do Ensino Médio da Escola Gracinha, em São Paulo, nesse contexto, os simulados ganham destaque ao aproximar o estudante do formato das provas e reduzir a insegurança diante das avaliações.

Paulo comenta que, nesse sentido, a aplicação dos simulados precisa ocorrer de forma estruturada ao longo de todo o ano letivo. “Os simulados no Gracinha, por exemplo, acontecem de modo sistemático. Há modalidades principais, como os realizados em parceria com grupos de ensino especializados na preparação para vestibulares de alta complexidade e os internos”, explica. Segundo ele, as séries do Ensino Médio oferecem essas atividades, que também alcançam alunos do 9º ano, ampliando o contato precoce com o modelo dos exames externos.

O objetivo central é preparar o estudante para vestibulares e avaliações nacionais, ao apresentar o formato das provas, o tempo de duração, o número de questões, o preenchimento do cartão-resposta e a redação. “Tudo isso ajuda o aluno a simular uma situação real que futuramente vai enfrentar”, afirma. No dia do simulado, os participantes cumprem o tempo mínimo exigido por exames como Enem e Fuvest, permanecem sem acesso ao celular e lidam com a pressão de resolver a prova completa, como fariam em uma situação oficial. 

“Outro ponto importante é que permite ao aluno fazer um diagnóstico, um autodiagnóstico inclusive, do que precisa melhorar”, completa Paulo. A partir dos resultados, os estudantes identificam lacunas, ajustam rotinas e constroem estratégias.


Diferenças entre avaliações

Há também distinções em relação às avaliações regulares. Os simulados são exames externos e, portanto, incluem conteúdos que não estão necessariamente sendo trabalhados naquele momento. Ao contrário das provas internas, que acompanham o ritmo do componente curricular, esse formato expõe o aluno a questões já estudadas e a temas ainda não vistos, reproduzindo a lógica dos vestibulares.

O aspecto emocional é outro eixo destacado. “É muito importante esse treinamento emocional e psicológico dos simulados para tratar a ansiedade, o cansaço, a pressão e a falta de concentração”, afirma. Estratégias como começar pelas questões mais fáceis, administrar o tempo e manter a calma são trabalhadas ao longo do processo. “É comum alunos começarem a primeira série do Médio sem bons resultados no simulado e terminarem a terceira série com desempenho acima da média”, observa.

Os exercícios também contribuem para a compreensão das diferentes bancas. Paulo explica que as provas variam entre si, como Fuvest e Enem. Algumas avaliações são mais conteudistas, enquanto outras exigem leitura interdisciplinar e interpretação contextualizada, o que demanda flexibilidade do estudante.

Ainda entre os desafios, a redação exige atenção especial. “É preciso administrar o tempo no dia em que há redação, revisar o cartão-resposta, se certificar de que não há rasuras e reservar um tempo adequado para a elaboração”, conclui. Para ele, a combinação entre prática, estratégia e equilíbrio emocional sustenta um desempenho consistente ao longo da trajetória escolar.


Paulo Rota - Mestre em Educação e Tecnologia no Programa de Tecnologias da Inteligência e Design Digital (TIDD), da Pós-Graduação da PUC-SP. É também pós-graduado em Administração Escolar e Coordenação Pedagógica pela Universidade Veiga de Almeida, além de bacharel e licenciado em História pela Faculdade de Ciências Sociais da PUC -SP. Coordenador geral e pedagógico do Ensino Médio da Escola Nossa Senhora das Graças - Gracinha, SP. Foi colaborador dos Referenciais Curriculares para a Elaboração dos Itinerários Formativos, do Ministério da Educação. É autor de livros de Projeto de Vida (PNLD 2021), Novas Práticas para Ensino Médio – Sociologia (PNLD 2021),Protagonismo Juvenil (PNLD 2021), Novas Práticas para o Ensino Médio - Sociologia ( PNLD 2022),Sociologia (PNLD 2026), além de materiais didáticos de Educação Integral. Atua como formador de equipes técnicas, professores, coordenadores e gestores de diversas Secretarias de Educação no Brasil e de escolas da rede privada, na construção de currículos e implementação da BNCC. Consultor e leitor crítico de currículos de Educação Integral do Novo Ensino Médio. Possui anos de experiência como professor, coordenador e gestor escolar da Educação Básica, sendo responsável por implementação de Ensino Médio inovador.


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