Quase 1 bilhão de
casos são projetados até 2050
Cerca de 15% das pessoas com 30 anos ou mais já convivem com
alguma forma de artrose
Com o envelhecimento da população brasileira, o IBGE projeta mais de 58 milhões de pessoas com 60 anos ou mais até 2043 com algum grau da doença. Grande parte delas adia o diagnóstico e o tratamento por desconhecimento ou por medo do procedimento cirúrgico. O resultado, quase sempre, é a perda progressiva de mobilidade e autonomia.
A artrose de quadril é uma condição degenerativa que compromete a cartilagem da articulação, causando dor, rigidez e dificuldade para realizar atividades simples do cotidiano, como caminhar, subir escadas ou até mesmo calçar um sapato. Com o envelhecimento da população brasileira, o IBGE projeta que o país terá mais de 58 milhões de pessoas com 60 anos ou mais até 2043. O tema ganha urgência cada vez maior no debate sobre saúde pública e qualidade de vida.
Segundo o Dr. Fábio Elói, cirurgião de quadril pela Sociedade Brasileira de Quadril (SBQ), especialista em ortopedia e traumatologia pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e oncologista ortopedista pela Associação Brasileira de Oncologia Ortopédica (ABOO), a maioria dos pacientes chega ao consultório depois de anos convivendo com a dor, achando que faz parte do envelhecimento.
“A artrose de quadril tem sinais claros:
dor na virilha que piora com o movimento, dificuldade para amarrar o tênis,
limitação para caminhar distâncias que antes eram simples. Quando esses sinais
aparecem de forma persistente, é hora de investigar. E quanto antes, mais
opções de tratamento o paciente tem", explica.
O medo da cirurgia ainda é o maior obstáculo
Apesar dos números expressivos, muitos pacientes resistem ao tratamento por receio do procedimento. E é justamente aqui que a medicina deu um salto significativo na última década. A artroplastia total de quadril, que é a cirurgia em que a articulação danificada é substituída por uma prótese, evoluiu de forma considerável em técnica, segurança e resultados.
Se antes a cirurgia exigia longos períodos
de internação e reabilitação, hoje pacientes selecionados podem receber alta em
menos tempo e retomar atividades leves em poucas semanas. A evolução das
técnicas reduziu o trauma cirúrgico, o sangramento e o tempo de recuperação,
transformando a percepção do procedimento entre médicos e pacientes.
Conforme explica o Dr. Fábio, os avanços nesta área nos últimos anos trouxeram inúmeros benefícios ao paciente.
“O paciente que operava há dez anos ficava
semanas imobilizado e meses em reabilitação intensa. Hoje, com as técnicas
minimamente invasivas, é comum ver pacientes dando os primeiros passos no dia
seguinte à cirurgia e retornando às atividades cotidianas em poucas semanas.
Isso muda completamente a relação do paciente com o procedimento e reduz muito
o medo."
Próteses de nova geração: mais duráveis, mais precisas
A tecnologia também chegou aos implantes. As próteses de quadril de última geração são desenvolvidas com materiais de alta performance, como cerâmica, polietileno reticulado e ligas de titânio. Além disso, o planejamento cirúrgico por imagem tridimensional e o auxílio de sistemas de navegação permitem ao cirurgião posicionar a prótese com precisão milimétrica, reduzindo riscos e aumentando a longevidade do implante.
"As próteses de nova geração são um
avanço significativo. Trabalhamos com implantes desenvolvidos com materiais de
altíssima durabilidade e o planejamento cirúrgico hoje é feito com imagens em
três dimensões, o que nos permite posicionar a prótese com uma precisão que não
tínhamos antes”, avalia o especialista.
Quando procurar um especialista?
Especialistas recomendam que pacientes adultos fiquem atentos a sinais como dor persistente na virilha ou na região lateral do quadril, dificuldade para caminhar longas distâncias, rigidez matinal e limitação para movimentos rotineiros.
O diagnóstico precoce, alerta o Dr. Fábio, amplia as opções de tratamento, que incluem desde fisioterapia e medicação, até a cirurgia, nos casos mais avançados.
"O maior erro é esperar a dor se tornar insuportável para buscar ajuda. A artrose de quadril é progressiva, não melhora sozinha. Mas quando diagnosticada cedo, temos um leque muito maior de opções, desde tratamentos conservadores até a cirurgia, que hoje é segura, eficaz e com recuperação muito mais rápida do que as pessoas imaginam”.
Qualidade de vida não é luxo, é direito, e ninguém precisa conviver com dor para envelhecer, finaliza.
Dr. Fábio Elói - cirurgião de quadril pela Sociedade Brasileira de Quadril (SBQ), especialista em ortopedia e traumatologia pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e oncologista ortopedista pela Associação Brasileira de Oncologia Ortopédica (ABOO).
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