Com milhões de mulheres afetadas no Brasil,
especialistas explicam o que realmente é seguro e o que ainda é desinformação
sobre a reposição hormonal
A
menopausa faz parte da vida de cerca de 30 milhões de brasileiras, mas ainda é
cercada por dúvidas e falta de informação. Dados recentes mostram que até 82%
das mulheres apresentam sintomas que impactam a qualidade de vida, como ondas
de calor, alterações do sono e mudanças no humor. Ainda assim, uma parcela
significativa não recebe acompanhamento adequado ou deixa de tratar por medo.
“A
menopausa não é uma sentença de declínio. Hoje, muitas mulheres passam quase
metade da vida em pós-menopausa, e isso precisa ser acompanhado com ciência,
não com silêncio”, afirma Dra. Tassiane Alvarenga Endocrinologista e
Metabologista Especialista em Menopausa pela SBEM (Sociedade Brasileira de
Endocrinologia e Metabologia).
Para
esclarecer o que realmente importa nessa fase, especialistas explicam os
principais mitos e verdades sobre a reposição hormonal.
Menopausa significa perda de qualidade de vida. MITO
A
menopausa é uma fase natural da vida da mulher. “A queda hormonal pode trazer
sintomas, mas isso não significa perda de qualidade de vida. Com acompanhamento
adequado, muitas mulheres vivem essa fase com mais liberdade, autonomia e
bem-estar”, explica a ginecologista Dra. Paula Fettback.
Toda mulher
terá sintomas intensos. MITO
Cerca
de 80% das mulheres podem apresentar sintomas, mas a intensidade varia. Ondas
de calor, alterações do sono, humor e libido estão entre os mais comuns, mas
fatores como estilo de vida, saúde mental e genética influenciam diretamente.
“Cada mulher vive
a menopausa de forma única”, reforça Paula.
A libido
desaparece após a menopausa.
MITO
A
libido pode mudar, mas não desaparece obrigatoriamente. Fatores hormonais,
emocionais e físicos influenciam, e existem diversas possibilidades de
tratamento. “Vida sexual ativa e satisfatória é totalmente possível após a
menopausa”, destaca Paula Fettback.
Ganhar peso é inevitável. MITO
Há
mudanças no metabolismo, especialmente aumento de gordura abdominal, mas o
ganho de peso não é obrigatório. Ele está muito mais relacionado ao estilo de
vida, como alimentação, sedentarismo e perda de massa muscular.
Reposição
hormonal causa câncer de mama.
MITO
Esse
é um dos maiores equívocos dos últimos anos. “O grande problema foi a
interpretação inicial de estudos como o WHI, que gerou medo e atrasou o cuidado
com a menopausa”, explica a endocrinologista.
Hoje, sabe-se que
o risco depende do tipo de hormônio, da forma de uso e do perfil da paciente.
“Quando bem indicada e individualizada, a terapia hormonal é segura para muitas
mulheres”, completa.
Reposição
hormonal faz mal para o coração.
MITO
Depende
do momento em que é iniciada. Existe uma janela de oportunidade: quando
iniciada nos primeiros anos após a menopausa, pode ter benefícios
cardiovasculares.
“Já
iniciar tardiamente pode ter outro perfil de risco. Por isso, a indicação
precisa ser individualizada”, explica Dra. Tassiane.
Toda mulher
precisa fazer reposição hormonal.
MITO
Nem
todas precisam. A indicação é mais comum em mulheres com sintomas moderados a
intensos ou maior risco de perda óssea. “O mais importante é avaliar cada caso
de forma individual”, reforça a endocrinologista.
Quem começa
reposição hormonal não pode mais parar. MITO
Não
existe regra única. O tratamento pode ser ajustado ou interrompido conforme
evolução, sintomas e riscos. “A decisão deve ser sempre compartilhada e
reavaliada ao longo do tempo”, explica Dra. Paula Fettback.
A
menopausa não se resume aos fogachos. “Estamos falando de cérebro, metabolismo,
ossos e coração. É uma fase da vida que merece acompanhamento médico
estruturado”, finaliza Dra. Tassiane Alvarenga.
Dra. Paula Fettback - CRM 117477 SP - CRM 33084 PR -Possui graduação em Medicina pela Universidade Estadual de Londrina - UEL (2004). Residência médica em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP- 2007) Atua em Ginecologia e Obstetrícia com ênfase em Reprodução Humana. Estágio em Reprodução Humana na Universidade de Michigan - USA. Médica colaboradora do Centro de Reprodução Humana Mário Covas do HC-FMUSP (2016). Doutora em Ciências Médicas pela Disciplina de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Membro da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM - 2016) Médica da Clínica MAE São Paulo – SP. Título de Especialista em Reprodução Assistida Certificada pela Febrasgo (2020)
Dra. Tassiane Alvarenga – ENDOCRINOLOGISTA E METABOLOGISTA - Graduação em Medicina pela Universidade Federal de Uberlândia – UFU; Residência Médica em Clínica Médica pela Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP; esidência Médica em Endocrinologia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FM USP); Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia- SBEM; Membro da Endocrine Society, SBEM e ABESO; Faz parte do Corpo Clínico da Santa Casa de Misericórdia de Passos.
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