Frequentemente
confundida com dores menstruais comuns ou problemas gastrointestinais, a
endometriose continua sendo um dos maiores desafios da saúde feminina. Dados
atualizados de 2025 da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da
Saúde indicam que a doença afeta cerca de 190 milhões de mulheres no mundo,
sendo aproximadamente 8 milhões apenas no Brasil¹.
Apesar
da alta prevalência, o caminho até o diagnóstico definitivo pode ser longo.
Estudos científicos, como o publicado na revista científica Human
Reproduction, revelam que as mulheres enfrentam um atraso médio de sete a
dez anos para receber o diagnóstico correto².
Para
a dra. Deborah Monteiro, médica radiologista especialista em endometriose e
oncoginecologia no Bronstein, laboratório da Dasa, no Rio de Janeiro, a
explicação dessa demora está, em grande parte, na normalização da dor e na
manifestação de sintomas atípicos e que fogem do padrão das cólicas menstruais.
Quando a dor não é o único sinal
A
médica explica que a doença ocorre quando o tecido semelhante ao endométrio,
que reveste o interior do útero, cresce fora dele. Embora a dor pélvica seja o
sintoma clássico, ela chama a atenção para queixas menos óbvias.
“Muitas
pacientes relatam anos tratando problemas de intestino irritável ou infecções urinárias
de repetição que, na verdade, eram focos de endometriose”, detalha. Segundo
ela, sinais de fadiga crônica e dor que irradia para as pernas (semelhante à
dor ciática) também são frequentemente negligenciados.
De
acordo com a dra. Deborah, existem cinco sintomas incomuns, mas que podem ser
indicativos de endometriose:
- Alterações intestinais cíclicas –
diarreia ou constipação que pioram no período menstrual.
- Dor no ombro direito, no pescoço ou no tórax –
pode indicar focos de endometriose no diafragma. As dores podem se
intensificar durante a menstruação e incluir dificuldade respiratória ou
desconforto durante a respiração profunda.
- Fadiga crônica –
cansaço exaustivo que não melhora com repouso, resultado do processo
inflamatório crônico que a doença provoca.
- Sintomas urinários –
dor ou urgência para urinar durante a menstruação.
- Dor que irradia –
desconforto que desce para as pernas ou para a região lombar está ligado
aos tecidos endometriais que envolvem nervos na pelve.
O impacto na
fertilidade e o papel dos exames de imagem no diagnóstico
A
detecção precoce de doenças inflamatórias como a endometriose é o que define o
futuro reprodutivo. A condição está associada à infertilidade em 30% a 50% dos
casos, de acordo com a American Society for Reproductive Medicine
(ASRM)³. Para a dra. Dáfne Melquíades Falcone, radiologista e especialista em
diagnóstico por imagem da pelve feminina do Alta Diagnósticos e CDPI, também da
Dasa, no Rio de Janeiro, a precisão nos exames é a chave para mudar esse cenário.
“Essas
lesões podem provocar inflamação, aderências e obstrução das trompas. Por isso,
a identificação precoce é essencial. ressonância magnética da pelve permite
preparo intestinal e ressonância magnética da pelve permitem mapear a extensão
da doença com alta precisão, reduzindo a necessidade de procedimentos invasivos
apenas para confirmação”, explica.
A
especialista destaca ainda que o tratamento deve ser individualizado e pode
variar desde terapias hormonais até cirurgias minimamente invasivas para
remoção das lesões.
“Mais
do que tratar a dor, o objetivo é preservar a qualidade de vida e o potencial
reprodutivo das pacientes. Sentir dor incapacitante nunca é normal. Quando os
sintomas interferem na rotina, investigar a causa é um passo fundamental para o
cuidado com a saúde”, conclui.
A importância
dos exames preventivos para a saúde da mulher
Cada
vez mais, a ciência aponta que a fertilidade feminina vai muito além de fatores
hormonais ou estruturais. Um dos protagonistas desse cenário é o microbioma
endometrial, conjunto de microrganismos que habitam o interior do útero e que
pode ser decisivo para o sucesso de uma gestação. Quando equilibrado, esse
ecossistema cria um ambiente favorável para a implantação do embrião; quando
alterado, pode atuar como um fator silencioso por trás de dificuldades para
engravidar, falhas de implantação e perdas gestacionais recorrentes.
É
nesse contexto que o novo exame de microbioma endometrial da Dasa Genômica
ganha relevância ao trazer uma nova camada de investigação para a saúde
reprodutiva. Com o uso do Sequenciamento de Nova Geração (NGS), a tecnologia
permite identificar, com alto nível de precisão, desequilíbrios na microbiota
uterina incluindo a redução de bactérias benéficas e a presença de patógenos
associados a condições como endometrite crônica. Trata-se de uma ferramenta
capaz de revelar o que, até pouco tempo, permanecia invisível nos exames
tradicionais.
“Quando
conseguimos mapear com precisão o microbioma endometrial, abrimos caminho para
intervenções muito mais assertivas e personalizadas. Esse exame nos permite
entender fatores invisíveis que podem estar por trás de falhas reprodutivas e,
a partir disso, melhorar significativamente as chances de implantação e de uma
gestação saudável”, explica a Dra. Natália Gonçalves, Superintendente de
P&D e Head da Reprodução Humana da Dasa Genômica.
Referências
Organização Mundial da Saúde (OMS): Link
Oxford
Academic – Human Reproduction: Link
American
Society for Reproductive Medicine (ASRM). Endometriosis and infertility –
Committee Opinion: Link
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