A condição está diretamente relacionada às
principais causas de morte no país. Diretrizes apresentadas pelo Ministério da Saúde em 2025 indicam a pressão arterial de
12 por 8 como sinal de alerta para pré-hipertensão
A hipertensão arterial continua sendo um dos maiores desafios de saúde pública
no Brasil. Silenciosa e muitas vezes assintomática, a condição pode evoluir por
anos sem apresentar sinais claros. Esse é um dos principais fatores que
dificultam o diagnóstico precoce e fazem com que muitos pacientes só descubram
a doença após uma complicação grave, como o Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou
o infarto do miocárdio.
Dados divulgados pelo Vigitel 2025 (Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e
Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), pesquisa anual
conduzida pelo Ministério da Saúde, mostram que o número de adultos brasileiros
com hipertensão entre 2006 e 2024 cresceu 31%, número que acende um alerta para
o estilo de vida de milhões de pessoas dentro do país.
“A pressão arterial é a força que o sangue exerce contra as paredes das
artérias. Quando esses níveis se mantêm elevados de forma persistente, o
coração precisa trabalhar mais para bombear o sangue, o que pode causar danos
aos vasos sanguíneos e a órgãos como coração, cérebro e rins”, explica o Dr.
Celso Amodeo, cardiologista e nefrologista do hospital Hcor, especialista em
hipertensão arterial.
A hipertensão está diretamente relacionada às principais causas de morte no
país. A cada ano, mais de 300 mil mortes ocorrem em decorrência de AVC e de
infarto do miocárdio, o que representa, em média, uma morte a cada dois
minutos. Estima-se que cerca de 80% dos casos de AVC estejam associados à
hipertensão não controlada.
Mesmo sendo uma condição crônica, a hipertensão pode ser prevenida e controlada
com mudanças no estilo de vida. “Reduzir o consumo de sal e de alimentos
ultraprocessados, praticar cerca de 150 minutos de atividades físicas por
semana, evitar o tabagismo, regular o consumo de álcool e monitorar
constantemente a pressão, especialmente após os 40 anos de idade, são algumas
etapas fundamentais para se prevenir contra a doença”, explica o especialista.
Novas diretrizes sobre pressão arterial: devo me preocupar?
De acordo com as diretrizes mais recentes da Sociedade Brasileira de
Cardiologia, em conjunto com a Sociedade Brasileira de Nefrologia e a Sociedade
Brasileira de Hipertensão Arterial, apresentadas no último ano, a pressão
arterial de 12 por 8 (120/80 mmHg) passou a ser considerada um quadro de
pré-hipertensão. Essa nova classificação não significa ter a doença em si, mas
serve como uma orientação preventiva.
Conforme explica o Dr. Amodeo, o direcionamento tem gerado preocupação e muitos
questionamentos por parte dos pacientes, que de repente passaram a enxergar o
tradicional 12 por 8 com preocupação. No entanto, esse não é um quadro grave e
não exige ida imediata ao médico ou busca emergencial por atendimento. “Trata-se
de um ponto de atenção, uma oportunidade de agir antes que a hipertensão se
desenvolva.
Essa orientação é fundamental para estimular hábitos mais saudáveis sem
sobrecarregar o sistema de saúde”, comenta. A hipertensão é uma condição
altamente prevalente, mas também altamente prevenível. “A nova diretriz é um
convite à mudança de comportamento antes que o problema se torne grave”,
conclui o Dr. Celso Amodeo.
Hcor

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