| Em muitas famílias, a mãe segue como principal referência quando o assunto é saúde dos filhos. Crédito: unsplash |
Organizar consultas, lembrar datas de vacinação, acompanhar sintomas, separar exames, informar medicamentos, esta é a rotina de muitas mães brasileiras. O cuidado com os filhos requer, para muitas mães, organização de todas as informações clínicas da criança, sejam elas na mente, ou em papéis, mensagens e pastas espalhadas. Para ajudar nessas tarefas, a MYME criou uma plataforma gratuita que centraliza o histórico médico de usuários e seus dependentes. Assim, a mãe pode ter todas as informações de saúde dos filhos em um só lugar e enviá-las, por um único link, a terceiros quando necessário, sem precisar recorrer à memória.
No Brasil, as mulheres gastam uma média de 21 horas por semana em tarefas domésticas e de cuidado que não são remuneradas, de acordo com uma pesquisa da ONG Think Olga. Em um ano, isso significa 1.118 horas gastas com um trabalho que é essencial, mas não é reconhecido como tal, o chamado trabalho invisível. Outra pesquisa, do IBGE, indica que as mulheres dedicam à casa e aos cuidados, por semana, 9,6 horas a mais do que os homens.
Na prática, isso significa que, em muitas famílias, a mãe segue como principal referência quando o assunto é saúde dos filhos. Se a criança precisa ir ao pediatra, tomar um remédio ou apresentar alguma informação médica à escola, é comum que o restante da rede de apoio dependa dela para saber o que foi receitado, quando começou um sintoma ou qual exame foi feito. Um filho, por exemplo, pode ter uma condição de saúde que nem é tão complicada tratar, só é preciso saber qual remédio dar, quando e a dosagem. Mas quando é a vez do pai cuidar da criança, primeiro ele precisa pedir todas as informações e instruções para a mãe.
“Essas situações são frequentes na vida das mulheres e geram uma
sobrecarga mental. Se ele vai à farmácia, ela precisou fazer a lista de
compras. Se ele leva o filho ao pediatra, ela precisou passar nome e endereço
do médico, e provavelmente marcou a consulta. São pequenos detalhes que,
somados, se tornam um peso, desgastam essa mãe”, comenta Lucas
Santiago, cofundador da MYME.
A plataforma da MYME permite registrar sintomas, exames, consultas, prescrições médicas, medicação, vacinação e outras informações de saúde que o usuário considere pertinentes para o seu histórico ou de seu dependente, como criança, idoso ou doente. O paciente consegue reunir os prontuários dos hospitais, clínicas e outras unidades de saúde, porque tem todos os dados consigo para apresentar em qualquer outra instituição do setor.
“Para as mães cansadas, o uso da plataforma pode oferecer um certo
alívio na rotina. Elas não precisam empilhar documentos, recibos, exames e,
mais importante, não precisam contar com a memória de terceiros no cuidado com
seus filhos, nem se desgastar para explicar como se faz. Está tudo ali, anotado
e salvo na plataforma”,
explica Gabriel Barros, cofundador da MYME.
Como a MYME funciona
Ao criar uma conta na MYME, o usuário já pode fazer upload de
PDFs, fotos e preencher campos na linha do tempo. Existem categorias sugeridas
– Sintomas, Exames, Visita Médica, Medicação, Vacina e “Outros”
–, mas o usuário pode organizar os dados à sua maneira criando tags e
categorias próprias (ex.: controle de glicemia, controle de pressão arterial,
ciclo menstrual). “Quando o paciente precisa compartilhar qualquer
informação ou até categoria, basta selecioná-la, gerar um link e enviar ao
profissional responsável pelo atendimento”, explica Gabriel.
“A plataforma também é pensada para o cuidado com o outro, lembrando que vivemos em comunidade e dependemos uns dos outros”, destaca Lucas. A MYME permite criar perfis de dependentes, o que significa que um adulto responsável pode criar e alimentar o perfil de um idoso, um doente ou uma criança. Esse perfil pode ser compartilhado com outros responsáveis, facilitando a gestão da saúde. Uma funcionalidade bastante útil para pessoas que se revezam na tarefa de cuidado com alguém: cada um registra as ocorrências do seu turno e assim todos se mantêm atualizados. Para crianças em idade escolar, essa funcionalidade também garante que a escola tenha acesso a registros importantes sobre a saúde de seus alunos.
O debate sobre dados de saúde também passa por segurança,
um dos principais pontos de atenção do setor diante dos episódios recentes de
vazamento de dados. Gabriel, que é engenheiro de software com experiência em
projetos internacionais voltados à proteção de dados sensíveis, garante que
“a construção da infraestrutura da MYME parte do princípio de que dados de
saúde exigem um nível máximo de proteção e controle pelo usuário.”
Complementar ao Meu SUS Digital
A MYME não disputa espaço com o Meu SUS Digital, plataforma do Ministério da Saúde que funciona como prontuário eletrônico do Serviço Único de Saúde (SUS). “O Meu SUS traz informações da rede pública e agora também permite o agendamento de consultas [inicialmente para 500 municípios brasileiros]. A MYME agrega o que o paciente tem em papéis, imagens e outros arquivos guardados consigo, além de dados do cotidiano que o SUS não registra”, diferencia Gabriel.
A proposta é, portanto, complementar: o usuário pode integrar registros antigos, como o cartão de vacinação em papel, e dados que o sistema público usualmente não captura, como diário de sintomas, diário de medicamentos usados e fotos de evolução de algum quadro clínico.
O próximo salto da MYME será a leitura automática de exames. “A
ideia é extrair os valores dos laudos e montar tabelas comparativas automaticamente.
Ou seja, em vez de abrir exame por exame, o médico e o paciente veem uma tabela
com tipo de exame, datas e os resultados ao longo do tempo”, finaliza
Gabriel.
MYME –healthtech brasileira com uma plataforma gratuita que centraliza o histórico de saúde do usuário ou dependente. Reúne as informações de exames, vacinação, medicação e registros clínicos em uma linha do tempo compartilhável com cuidadores, profissionais e instituições de saúde. Fundada em 2025 pelo empreendedor em série Lucas Santiago e o engenheiro de software Gabriel Barros, a startup surge para enfrentar a fragmentação de dados médicos pessoais, com foco em segurança e continuidade dos cuidados com a saúde. Estruturada como uma Sociedade de Benefício Público (PBC), a MYME combina modelo de negócio com propósito social. Saiba mais aqui.
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