Mesmo sem sintomas, milhões de brasileiros convivem com doenças silenciosas e só descobrem quando é tarde. Cardiologista alerta para os perigos da falsa sensação de saúde
A ideia de que “não sentir nada” é sinônimo de estar saudável pode ser um dos maiores equívocos da vida moderna e um risco silencioso para o coração. Em meio a rotinas aceleradas, estresse constante e hábitos pouco saudáveis, muitas pessoas deixam de procurar acompanhamento médico justamente por acreditarem que a ausência de sintomas significa ausência de doença. Mas a realidade é outra.
Dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia indicam que cerca de 400 mil brasileiros morrem anualmente em decorrência de doenças cardiovasculares. Em muitos desses casos, trata-se de pessoas que não sabiam que estavam doentes justamente por não apresentarem sintomas evidentes.
Para o cardiologista, professor universitário e pesquisador Pedro Schwartzmann, essa percepção equivocada ainda é comum. “Existe uma crença muito forte de que, se não há dor ou desconforto, está tudo bem. Mas a ausência de sintomas não significa ausência de doença. Muitas condições evoluem de forma silenciosa por anos”, explica.
Hipertensão arterial, colesterol elevado e diabetes estão entre os exemplos mais frequentes. Segundo o especialista, essas condições não costumam causar sinais claros em suas fases iniciais, mas podem provocar danos progressivos ao organismo. “Enquanto passam despercebidas, continuam avançando e aumentando o risco de eventos graves, como infarto, AVC e até morte súbita”, afirma.
Casos de eventos cardiovasculares repentinos, inclusive envolvendo pessoas consideradas saudáveis, reforçam esse alerta. Na maioria das situações, existem fatores de risco presentes, como histórico familiar, sedentarismo, tabagismo, excesso de peso e estresse crônico, que acabam sendo ignorados ao longo do tempo.
“O corpo nem sempre avisa. Em muitos casos, ele consegue compensar os desequilíbrios por um período. O problema é que, quando surgem os sintomas, a doença já pode estar em estágio mais avançado”, diz Schwartzmann.
Por isso, a recomendação médica é não esperar sinais para buscar avaliação. Medidas simples, como aferir a pressão arterial, monitorar os níveis de colesterol e glicose e realizar check-ups periódicos, são fundamentais para identificar precocemente possíveis alterações.
“Cuidar
da saúde antes de qualquer sintoma não é excesso de preocupação - é estratégia.
Estratégia para evitar que doenças silenciosas se transformem em problemas
graves e para garantir mais qualidade de vida ao longo dos anos”, conclui o
cardiologista.
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