Especialista do Sírio-Libanês alerta que exposição
prolongada a altas temperaturas pode desencadear desidratação e até falência
térmica 
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A última semana de abril será marcada por temperaturas até 10°C acima da média histórica em algumas regiões do Brasil, especialmente no Centro-Oeste e no Sudeste, segundo previsões da MetSul Meteorologia. O cenário é resultado de um bloqueio atmosférico persistente, associado a uma massa de ar quente intensa, que dificulta a chegada de frentes frias e mantém o calor por mais tempo nessas áreas.
Diante desse cenário, Luis Fernando Penna, clínico-geral e coordenador do Pronto Atendimento do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, reforça que o impacto das temperaturas elevadas na saúde ainda é subestimado. “Muitas pessoas acreditam que o calor causa apenas mal-estar, mas estamos falando de riscos reais que incluem desde quedas de pressão até falência térmica. Em dias de temperaturas extremas, o corpo trabalha no limite”, afirma.
Penna explica que, para dissipar o calor, o organismo aumenta a sudorese, acelera os batimentos cardíacos e dilata os vasos sanguíneos. Esses mecanismos, porém, têm limite e, quando falham, instala-se a falência térmica, uma emergência médica caracterizada por confusão mental, fala arrastada, pele quente e seca, e temperatura corporal acima de 40°C. “Se esses sinais aparecem, é fundamental procurar atendimento imediato”, alerta o médico.
O calor extremo também agrava doenças crônicas como hipertensão, insuficiência cardíaca, diabetes, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e doença renal crônica. O uso de determinados medicamentos pode aumentar ainda mais a vulnerabilidade, já que diuréticos favorecem desidratação e queda de pressão; anti-hipertensivos somam seus efeitos à vasodilatação natural do calor; antidepressivos, anticolinérgicos e antipsicóticos podem reduzir a sudorese ou alterar a regulação térmica. “Para quem já tem uma condição de base, o calor impõe uma sobrecarga perigosa ao organismo”, explica o especialista.
Os efeitos, porém, não se restringem ao corpo. Altas temperaturas interferem no sono, prejudicam o humor, aumentam a irritabilidade e reduzem a produtividade, já que a privação de descanso adequada afeta a atenção, memória e tomada de decisão.
Nesse contexto, Penna explica que a hidratação apropriada, incluindo reposição de eletrólitos, é essencial, mas não suficiente. Segundo ele, a recomendação é evitar exposição ao sol entre 10h e 16h, usar roupas leves e claras, priorizar ambientes ventilados ou climatizados e evitar exercícios intensos durante períodos de calor extremo. “Trabalhadores expostos ao sol, como profissionais da construção civil, coleta de lixo e entregadores, devem fazer pausas frequentes nos horários mais quentes”, ressalta.
Entre os grupos mais vulneráveis estão: idosos, que têm menor percepção de sede e regulação térmica menos eficiente; crianças, que desidratam mais rapidamente; gestantes; pessoas com doenças crônicas; e indivíduos em situação de vulnerabilidade social. Hábitos comuns como dormir pouco, manter ambientes fechados sem ventilação, ignorar sinais de sede ou tontura e aumentar o consumo de álcool ampliam ainda mais os riscos.
Para
Penna, a prevenção continua sendo a principal ferramenta diante de altas
temperaturas. “Não existe adaptação completa para ondas de calor extremas e
repetidas. Acima de 35°C com alta umidade, o corpo humano simplesmente não
consegue funcionar como deveria. Reconhecer sinais precoces e adotar medidas
preventivas é essencial para evitar situações de risco”, conclui.
Erros mais frequentes ao tentar se refrescar
• Usar roupas escuras e tecidos pesados, que retêm calor e dificultam a ventilação;
• Tomar banhos gelados, que provocam efeito rebote e fazem o corpo aumentar a produção de calor;
• Exagerar no uso do ar-condicionado, criando ambientes excessivamente frios e favorecendo choques térmicos;
• Aumentar o consumo de álcool acreditando que ajuda a relaxar, quando na verdade ele acelera a desidratação;
• Permanecer em ambientes fechados e sem circulação de ar, onde o calor se acumula e pode ser mais intenso do que ao ar livre;
• Deixar de priorizar a hidratação adequada ao longo do dia, confiando apenas
em soluções imediatistas como ventiladores ou duchas.
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