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Professores explicam o que está por trás das
guerras envolvendo EUA,Israel, Irã, Palestina, Ucrânia e Rússia
Em um cenário internacional marcado por tensões crescentes, disputas
geopolíticas e crises humanitárias, os conflitos armados estão no centro do
debate público, e devem ganhar também espaço nas provas do Exame Nacional do Ensino
Médio (Enem) e nos principais vestibulares do país. Mais do que fatos isolados,
guerras como as que envolvem Estados Unidos, Israel, Irã, Rússia, Ucrânia e
Palestina refletem dinâmicas históricas, interesses econômicos e disputas por
poder que ajudam a explicar a configuração do mundo contemporâneo.
Educadores
afirmam que compreender os principais conflitos em andamento amplia a visão de
mundo dos estudantes, além de preparar os candidatos de forma mais estratégica
para os desafios dos processos seletivos.
Segundo
Jose Henrique Porto, professor de História da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo (SP),
entender os desdobramentos desses conflitos é essencial para os estudantes que
se preparam para exames. “As provas valorizam candidatos que conseguem ir além
da memorização de datas e eventos. É fundamental acompanhar o noticiário, os
interesses envolvidos e as consequências globais desses conflitos,
relacionando-os a temas como economia, política internacional e direitos
humanos”, afirma.
A
professora do Brazilian
International School – BIS, de São Paulo (SP), Adriana Schmidt, diz
que em provas como o Enem e os principais vestibulares do Brasil, as guerras
costumam ser abordadas de forma interdisciplinar, especialmente nas áreas de
História e Geografia, mas também podem aparecer em questões de Linguagens, a
partir da interpretação de textos e análises críticas. “Os exames exigem que o
candidato saiba ler mapas, interpretar gráficos e relacionar acontecimentos
históricos com o presente. Não é uma cobrança de decoreba, mas de compreensão
dos processos, disputas territoriais, interesses econômicos e alianças
internacionais”, destaca.
Além
de aparecerem nas questões objetivas, os conflitos internacionais também podem
servir como repertório sociocultural na redação, fortalecendo a argumentação e
demonstrando domínio de temas contemporâneos. “Quando o estudante utiliza
exemplos de conflitos atuais de forma pertinente, ele mostra repertório e
capacidade de análise, o que enriquece o texto e contribui para uma
argumentação mais consistente e bem fundamentada”, acrescenta Peter Rifaat, coordenador pedagógico da Escola
Internacional de Alphaville - EIA, de Barueri (SP).
Segundo
Filipe Nobrega, professor de geografia do colégio Progresso
Bilíngue, de Vinhedo (SP), transformar o acompanhamento dos
conflitos em uma rotina estruturada de estudo e desenvolver senso crítico são
diferenciais importantes para os candidatos. “Não basta consumir notícias de
forma passiva. O estudante precisa organizar as informações, estabelecer
conexões com temas como energia, migrações e geopolítica e, ao mesmo tempo,
saber filtrar fontes confiáveis em meio ao excesso de dados e à desinformação.
Essa capacidade de análise crítica é cada vez mais valorizada nas provas”,
conclui.
A seguir, os docentes da Aubrick, BIS, EIA e Progresso explicam alguns
dos principais conflitos armados em andamento no mundo.
GUERRA EUA–ISRAEL X IRÃ
Histórico e contexto geopolítico do conflito: entre 1921 e 1979, o Irã (conhecido como Pérsia
até 1935) viveu sob o regime dos xás, como Reza Pahlavi (pai e filho) — período
em que manteve relações próximas com Estados Unidos e Reino Unido. Em 1979,
contudo, eclodiu a Revolução Islâmica do Irã, que derrubou a monarquia. Desde
então, o país tornou-se uma teocracia, com um sistema político que combina
elementos republicanos (como eleições para presidente e parlamento) com a
autoridade suprema de um líder religioso, o aiatolá, responsável por
supervisionar o Estado e garantir que as leis estejam de acordo com o
islamismo.
O que deu início ao conflito: a escalada recente está ligada ao avanço do programa nuclear do Irã e
ao aumento das tensões com Estados Unidos e Israel, que consideram o tema uma
ameaça à segurança regional. O estopim foi uma ofensiva coordenada de Estados
Unidos e Israel, com ataques a instalações militares e nucleares iranianas. Em
resposta, o Irã lançou mísseis e drones contra alvos ligados aos dois países e
a seus aliados na região, ampliando rapidamente o confronto. Esse movimento
marcou a transição de um cenário de ações indiretas para um embate mais direto
entre Estados, elevando o risco de uma guerra regional.
O que está em jogo:
além da disputa por poder e influência regional, o conflito afeta pontos estratégicos
como o Estreito de Hormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial,
impactando preços e a economia global. Também está em jogo o risco de
proliferação nuclear no Oriente Médio, o que pode desencadear uma corrida
armamentista. A crise ainda provoca efeitos humanitários severos, como
destruição de infraestrutura, deslocamento de populações e dificuldade de
acesso a serviços básicos, mobilizando alertas da Organização das Nações
Unidas.
Países envolvidos e número de baixas humanas: além de Estados Unidos, Israel e Irã, o conflito
envolve atores indiretos e grupos armados em países como Líbano, Iraque e
Iêmen. Estimativas indicam milhares de mortos e feridos, entre civis e
militares, além de um número crescente de deslocados e refugiados.
Futuro do conflito:
o cenário é incerto e pode variar entre uma escalada para uma guerra regional
mais ampla, a manutenção de confrontos pontuais ou a retomada de negociações
diplomáticas. A evolução dependerá de pressões internacionais, sanções
econômicas e tentativas de mediação, enquanto a continuidade dos ataques tende
a intensificar os impactos humanitários e econômicos, além de manter a
instabilidade global.
GUERRA RÚSSIA X UCRÂNIA
Histórico e contexto geopolítico do conflito: as tensões entre Rússia e Ucrânia remontam ao fim
da União Soviética, em 1991, quando a Ucrânia se tornou independente. Desde
então, o país passou a se aproximar do Ocidente, buscando integração com a
União Europeia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), movimento
visto pela Rússia, liderada por Vladimir Putin, como uma ameaça à sua zona de
influência. A crise se intensificou em 2014, com a anexação da Crimeia e o
início de conflitos no leste ucraniano, especialmente na região de Donbass
(Donetsk e Luhansk). Do lado ucraniano, o presidente Volodymyr Zelensky passou
a reforçar um alinhamento com países ocidentais.
O que deu início ao conflito: a guerra em larga escala começou em fevereiro de 2022, quando a Rússia
lançou uma invasão militar contra a Ucrânia, alegando preocupações com
segurança e a expansão da OTAN. A Ucrânia reagiu com forte resistência e passou
a receber apoio militar, financeiro e logístico de países ocidentais. O conflito
evoluiu para uma guerra de alta intensidade e também de caráter híbrido,
envolvendo não apenas combates diretos, mas também ciberataques, desinformação
e sanções econômicas.
O que está em jogo:
além da disputa territorial — especialmente no leste e no sul da Ucrânia,
regiões estratégicas pelo acesso ao Mar Negro —, o conflito envolve o
equilíbrio geopolítico entre Rússia e Ocidente. A guerra impacta diretamente o
fornecimento global de energia, evidenciando a dependência europeia do gás
russo e acelerando a busca por fontes alternativas. Também há efeitos na
segurança alimentar global, já que ambos os países são grandes exportadores de
grãos. Soma-se a isso o risco de violações do direito internacional e denúncias
de crimes de guerra, que vêm sendo acompanhadas por organismos internacionais
como a Organização das Nações Unidas.
Países envolvidos e número de baixas humanas: embora o conflito direto ocorra entre Rússia e
Ucrânia, diversos países participam indiretamente, sobretudo membros da OTAN,
que fornecem apoio à Ucrânia. Estimativas indicam centenas de milhares de
mortos e feridos, entre civis e militares, além de milhões de refugiados e
deslocados internos, configurando uma das maiores crises humanitárias recentes
na Europa.
Futuro do conflito:
o cenário permanece incerto e marcado por uma guerra de desgaste, com combates
concentrados principalmente no leste e sul e uso intensivo de artilharia e
drones. Entre os possíveis desdobramentos estão a continuidade de um conflito
prolongado, um acordo de cessar-fogo ou uma escalada mais ampla. A evolução
dependerá do apoio internacional à Ucrânia, da capacidade militar russa, das
sanções econômicas e das tentativas de negociação, que até o momento não
resultaram em uma solução definitiva.
GUERRA EM GAZA / CONFLITO ISRAEL–PALESTINA
Histórico e contexto geopolítico do conflito: a disputa entre Israel e Palestina remonta ao
século XX, com a criação do Estado de Israel em 1948 e sucessivas guerras no
Oriente Médio. Os palestinos reivindicam um Estado próprio, incluindo
territórios como a Faixa de Gaza e a Cisjordânia. Gaza, controlada pelo Hamas
(movimento político-militar palestino, que combina atuação social e armada, e é
considerado terrorista por parte da comunidade internacional) desde 2007, vive
sob bloqueio imposto por Israel e Egito, o que agrava a crise humanitária e
mantém o cenário de tensão permanente.
O que deu início ao conflito: a escalada mais recente foi desencadeada em outubro de 2023, quando o
Hamas realizou um ataque sem precedentes contra Israel, com invasões, disparos
de foguetes e sequestro de civis. Em resposta, Israel lançou uma ofensiva
militar de grande escala na Faixa de Gaza, com bombardeios intensivos e
operações terrestres, ampliando rapidamente o conflito.
O que está em jogo:
além da disputa territorial e política, o conflito envolve questões de
segurança, soberania e reconhecimento internacional. Também estão em jogo a sobrevivência
da população civil em Gaza, o futuro de um possível Estado palestino e a
estabilidade regional. A crise humanitária é central, com colapso de
infraestrutura, escassez de alimentos, água e serviços de saúde, além de
alertas de organismos internacionais.
Países envolvidos e número de baixas humanas: embora o confronto direto seja entre Israel e o
Hamas, há envolvimento indireto de atores como Irã (que apoia o Hamas) e apoio
político e militar de países como Estados Unidos a Israel. O conflito já
resultou em dezenas de milhares de mortos e feridos, a maioria civis, além de
milhões de deslocados na Faixa de Gaza.
Futuro do conflito:
o cenário permanece incerto, com possibilidade de prolongamento da guerra,
novas escaladas regionais ou tentativas de cessar-fogo mediadas por atores
internacionais. A resolução depende de negociações complexas envolvendo
segurança, governança de Gaza e a retomada de discussões sobre a criação de
dois Estados, enquanto a crise humanitária segue como um dos principais desafios
imediatos.
Para mais informações, acesse o site
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